\"Aos Que Me Honram Honrarei\"
James E. Faust
Queridos irmãos desta grande fraternidade mundial do sacerdócio, dirijo-me a vocês com humildade e em espírito de oração. Falar a vocês é uma enorme responsabilidade e algo muito sagrado. Quero que me compreendam. Espero que cada um de nós clame pela promessa do Senhor: “Aos que me honram honrarei”.1 ¶
Reconheço perfeitamente tudo o que foi realizado pelos servos do Senhor nas gerações passadas, mas acredito que vocês, rapazes do sacerdócio e as jovens de sua idade, são de muitas maneiras a geração mais promissora da história do mundo. Chego a essa conclusão por várias razões. Quando a irmã Faust e eu lemos a bênção patriarcal de nossos netos, vemos sem exceção que elas contêm mais promessas do que a minha ou a dela. ¶
Para que vocês atinjam seu potencial, terão que honrar estes quatro princípios sagrados em sua vida: ¶
Gostaria de falar sobre esses quatro princípios esta noite. ¶
O primeiro é ter reverência pela Deidade. Sou grato ao Senhor por ter-nos abençoado com bênçãos físicas inigualáveis na história da Igreja. Esses recursos foram dados a nós para fazermos o bem, e eles permitem que nosso trabalho seja acelerado. Mas temo que, por meio da prosperidade, muitos de nós fiquemos preocupados com o que Daniel chamou de “deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem”.2 Trata-se obviamente de ídolos. ¶
Em relação às coisas sagradas, o amor e o respeito a Deus constituem a base de tudo e são mais importantes do que qualquer outra coisa. Durante a maior parte da história do mundo, a humanidade esteve profundamente envolvida com a idolatria, seja adorando falsos deuses ou preocupando-se em adquirir as riquezas deste mundo. ¶
Depois da Ressurreição do Salvador, Pedro e alguns dos discípulos estavam junto ao mar de Tiberíades. Pedro disse-lhes que iria pescar. Os discípulos concordaram em ir com ele. Parece que haviam esquecido que tinham sido chamados para ser pescadores de homens. Eles pescaram a noite toda, mas não pegaram nada. Pela manhã, Jesus, que estava em pé na praia, mandou que jogassem as redes do lado direito do barco, e elas voltaram carregadas de peixes. Jesus disse-lhes que trouxessem os peixes que haviam apanhado; Pedro e os outros discípulos levaram 153 peixes para a praia. Quando lá chegaram, viram que o Salvador estava assando peixe na brasa, e Ele os convidou para comer peixe e pão. Depois de comerem, Jesus disse a Simão Pedro: “Amas-me mais do que estes?”3 Pedro era um entusiástico pescador. A pescaria era seu meio de subsistência, e fora dessa vida que o Senhor o chamara para ser pescador de homens. ¶
A exigência de que devemos amar ao Senhor mais do que peixes, contas bancárias, carros, roupas finas, ações, apólices, certificados de depósitos ou qualquer outro bem não foi reduzida; ela é categórica. O primeiro mandamento dado aos antigos israelitas foi: “Não terás outros deuses diante de mim”.4 O próprio Salvador ampliou esse mandamento quando disse ao escriba que lhe perguntou qual era o maior mandamento de todos: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças”.5 ¶
Sinto-me muito ofendido quando ouço pessoas em público ou na televisão violarem de maneira tão displicente o mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”.6 Na seção 107 de Doutrina e Convênios, aprendemos que para “evitar a repetição freqüente do seu [santo] nome”7, o santo sacerdócio foi chamado pelo nome de Melquisedeque, o grande sumo sacerdote. A reverência e o respeito pelas coisas sagradas derivam ambos do primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”.8 ¶
Nós, que fomos comissionados com a autoridade do sacerdócio para agir em nome do Salvador, precisamos respeitar Deus, o Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo acima de todas as coisas. ¶
O segundo é respeitar e honrar os relacionamentos familiares. Este deve começar com a reverência pelo amor sagrado da Mãe. Todas as mães padecem no vale da sombra da morte quando lutam para dar-nos a vida. Minha mãe morreu há vários anos. Sinto falta de sua doce e amorosa influência em minha vida, de seus conselhos e reprovações em geral. Porém, mais do que tudo, sinto saudade de seu amor incondicional. O anseio de estar com ela às vezes é quase oprimente. A maioria de nós poderia dizer, como Abraham Lincoln: “Tudo o que sou ou espero ser devo ao anjo que foi minha mãe”.9 A minha cozinhava, costurava, consertava e reformava roupas; ela renunciou a muitas coisas que gostaria de possuir para que o pouco dinheiro que tinha fosse usado para dar aos filhos mais oportunidades do que ela tivera. Mas o mais importante era a fé inabalável que ela desejava arraigar profundamente em nossa alma. ¶
Irmãos, a paternidade nobre permite que tenhamos um vislumbre dos atributos divinos do Pai Celestial. Um pai deve ser muitas coisas. Deve magnificar seu sacerdócio e ser um exemplo de retidão. Junto com a esposa, deve ser a fonte da estabilidade e força de toda a família. Deve ser protetor, provedor e defensor do núcleo familiar. Muito de seu amor pelos filhos deve emanar de seu amor, preocupação e fidelidade pela esposa. Por seu firme exemplo, ele deve moldar gradualmente o caráter dos filhos. ¶
Quando o Élder LeGrand Richards foi para a faculdade, seu pai, George F. Richards, disse a ele e a seu irmão, George F. Jr.: “Tenho certeza de que vocês seguirão meu exemplo”. O coração deles encheu-se de amor e orgulho ao ouvir tais palavras. LeGrand disse posteriormente: “Nossos pais fizeram-nos firmes e inabaláveis, e nós não poderíamos fazer nada que viesse a decepcioná-los”.10 ¶
Um pai não deve jamais desapontar propositalmente sua esposa e filhos. Em 1989, houve na Armênia um terrível terremoto que matou em quatro minutos mais de 30.000 pessoas. Um pai desnorteado saiu desesperadamente em busca do filho. Ao chegar à escola do menino, viu que o edifício fora reduzido a um monte de entulhos. O pai estava sendo impulsionado pela promessa que fizera ao filho: “Haja o que houver, sempre estarei com você para ajudá-lo!”. Ao visualizar o local onde fora a sala de aula do menino, correu até lá e começou a cavar entre os escombros, tijolo por tijolo. ¶
Outras pessoas vieram até o local — o chefe dos bombeiros e depois a polícia — alertando-o contra incêndios e explosões e insistindo para que deixasse a busca a cargo da equipe de resgate, mas ele continuou cavando persistentemente. A noite chegou, amanheceu, e, depois de 38 horas de busca sob os escombros, achou ter ouvido a voz do filho. “Armand!”, gritou ele. Depois, ouviu: “Pai? Sou eu, pai! Eu disse às outras crianças que não se preocupassem. Disse a elas que se você estivesse vivo, você me salvaria, e que quando você me salvasse, elas também seriam salvas. ( … ) ¶
Éramos 33, mas agora somos 14. ( … ) Quando o edifício desabou, fez uma espécie de calço, como um triângulo, que nos salvou.” ¶
“Saia daí, filho!” ¶
Todos os relacionamentos familiares devem ser honrados inclusive aqueles com nossos parentes falecidos. O amor, o serviço e a ajuda devem ser abundantes entre irmãos, irmãs e parentes. ¶
O terceiro é ter respeito pelos convênios e ordenanças do sacerdócio e obedecer a eles. Antigamente, os que participavam das ordenanças do sacerdócio usavam uma vestimenta sacerdotal. Embora não usemos roupas sacerdotais hoje, mostramos respeito vestindo roupas adequadas ao administrarmos e distribuirmos o sacramento e ao ungirmos os doentes. ¶
Eli, o sacerdote, foi desobrigado de seu chamado ao permitir que houvesse iniqüidade na casa do Senhor. O Senhor declarou: “Aos que me honram honrarei”.12 O grande poder e autoridade do sacerdócio que nos foi concedido deve ser exercido por pessoas autorizadas que se provaram dignas de fazê-lo. Somente dessa forma nossos atos serão selados pelo Santo Espírito da Promessa e honrados pelo Senhor.13 ¶
Honramos o Senhor cumprindo os convênios feitos no batismo, no sacramento, no templo e guardando o dia santificado. O Senhor disse: “Todos os que, dentre eles, souberem que seu coração é honesto e está quebrantado e seu espírito, contrito; e que estiverem dispostos a observar seus convênios por meio de sacrifício — sim, todo sacrifício que eu, o Senhor, ordenar — esses serão aceitos por mim”.14 ¶
O quarto é respeitar a si mesmo como filho de Deus. Aqueles que foram missionários presenciaram o milagre ocorrido na vida de algumas pessoas a quem ensinaram, quando elas perceberam que eram filhas de Deus. Há muitos anos, um élder que serviu numa missão nas Ilhas Britânicas disse ao terminar seu trabalho: “Acho que minha missão foi um fracasso. Trabalhei todos os dias como missionário aqui e só batizei um garotinho irlandês que vivia sujo. Foi a única pessoa que batizei”. ¶
Anos mais tarde, depois de voltar para sua casa em Montana, recebeu a visita de um homem que lhe perguntou: “Você é aquele élder que serviu numa missão nas Ilhas Britânicas em 1873?” ¶
“Sou.” ¶
O homem prosseguiu: “Lembra-se de quando disse que sua missão tinha sido um fracasso porque você só batizou um garotinho irlandês que vivia sujo?” ¶
Ele disse: “Sim.” ¶
Aquele garotinho irlandês reconheceu seu potencial como filho de Deus. O Élder Callis deixou um legado duradouro para sua grande família. Ao servir como presidente de missão durante 25 anos e no ministério apostólico por 13 anos, ele abençoou a vida de literalmente milhares de pessoas. Sinto-me privilegiado por ter conhecido esse grande Apóstolo do Senhor quando era jovem. ¶
Se estivermos constantemente atentos às sementes de divindade dentro de nós, isso nos ajudará a sobrepujar os desafios e dificuldades do mundo. Brigham Young ensinou: “Quando olho para o rosto de seres inteligentes, vejo a imagem do Deus a quem sirvo. Não há uma pessoa sequer que não tenha uma porção de divindade dentro de si. Embora sejamos revestidos de um corpo criado à imagem e semelhança de nosso Deus, a parte mortal retrai-se diante da porção de divindade que herdamos de nosso Pai”.16 O fato de estarmos plenamente conscientes de nossa herança divina ajudará todos os homens, jovens e velhos, a crescer e magnificar a divindade que existe dentro de cada um deles e em cada um de nós. ¶
A todos nós que desejamos ser honrados pelo Senhor e receber Sua bondade, misericórdia e bênçãos eternas, repito, sejamos obedientes a estes quatro grandes princípios: ¶
Irmãos, oro para que o Senhor abençoe cada um de nós como parte deste grande exército de homens justos do sacerdócio. Individualmente, nossa contribuição talvez não pareça grande, mas em conjunto, acredito que o poder do sacerdócio que possuímos é a maior força voltada para o bem existente na Terra hoje. Essa força é toda exercida de acordo com as chaves que o Presidente Gordon B. Hinckley possui como Sumo Sacerdote Presidente na Terra. Oro para que sejamos obedientes a sua liderança inspirada e que sigamos seu exemplo. Que seu admirável ministério se prolongue por muitos anos. ¶
Irmãos, fui privilegiado, como menino e como homem, por desfrutar do manto cálido, reconfortante e espiritual do sacerdócio por 68 anos. Não consigo exprimir em palavras a grande e maravilhosa influência que ele tem exercido sobre mim e minha família. Muitas vezes, fui menos do que eu deveria ter sido, mas em minha fraqueza, desejei ser merecedor dessa bênção sublime. Enquanto viver, quero testificar do assombro e da glória do evangelho restaurado com as chaves e autoridade do sacerdócio. Que sejamos dignos da promessa do Senhor: “Aos que me honram honrarei”. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Notes
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I Sam. 2:30.para> ↩
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Dan. 5:23.para> ↩
-
Ver João 21:1–15.para> ↩
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Êx. 20:3.para> ↩
-
Marcos 12:30.para> ↩
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Êx. 20:7.para> ↩
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D&C 107:4.para> ↩
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Êx. 20:3.para> ↩
-
Burton Stevenson, conforme citado em The Home Book of Quotations, (1934), p. 1350.para> ↩
-
Lucile C. Tate, LeGrand Richards: Beloved Apostle (1982) p. 28.para> ↩
-
Mark V. Hansen, "Are You Going to Help Me?" em Chicken Soup for the Soul, editado por Jack Canfield e Mark Victor Hansen (1983), pp. 273–274.para> ↩
-
I Sam. 2:30.para> ↩
-
Ver D&C 132:7.para> ↩
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D&C 97:8.para> ↩
-
Ver The Teachings of Harold B. Lee, editado por Clyde J. Williams (1996), pp. 602–603.para> ↩
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Discursos de Brigham Young, seleção de John A. Widtsoe (1941), p. 168.para> ↩