A Poderosa Força da Sociedade de Socorro
Thomas S. Monson
Irmãs, vocês estão reunidas esta noite em uma das maiores assembleias de irmãs da Sociedade de Socorro já realizadas. A conferência de vocês tem sido edificante e inspiradora. ¶
Esta noite marca a primeira reunião geral conduzida pela nova presidência de vocês: a Presidente Mary Ellen Smoot e suas conselheiras, Virginia Jensen e Sheri Dew. As presidências anteriores também serviram com distinção. Esta noite, sentimo-nos honrados com a presença e o serviço delas. ¶
Um pensamento me ocorreu ao me preparar para esta oportunidade. Expressei-o desta forma: Lembrem-se do passado; aprendam com ele. Contemplem o futuro; preparem-se para ele. Vivam o presente; sirvam nele. Nisso está a poderosa força da Sociedade de Socorro desta Igreja. ¶
Desde os primeiros dias da Restauração, os profetas de Deus têm ressaltado a importância da organização de vocês. O Presidente Brigham Young aconselhou: "Agora, bispos, vocês têm mulheres inteligentes como esposas. [...] Deixem que elas organizem Sociedades de Socorro Femininas nas várias alas. Temos muitas mulheres talentosas entre nós, e desejamos sua ajuda nesse assunto. Alguns podem pensar que isso é algo trivial, mas não é; e vocês verão que as irmãs serão a mola propulsora do movimento."1 ¶
O Presidente Lorenzo Snow ensinou que a Sociedade de Socorro exemplifica a religião pura. "O Apóstolo Tiago disse que 'a religião pura e imaculada para com Deus [...] é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se imaculado do mundo.'2 [...] As integrantes da Sociedade de Socorro certamente exemplificaram em sua vida a religião pura e imaculada; pois ministraram aos aflitos, envolveram os órfãos e as viúvas em seus braços de amor, e guardaram-se imaculadas do mundo. Posso testificar que não há mulheres mais puras e mais tementes a Deus no mundo do que as que se encontram nas fileiras da Sociedade de Socorro."3 ¶
Posso atestar a veracidade da declaração do Presidente Snow. A Sociedade de Socorro sempre foi composta por aquelas que colocam os outros em primeiro lugar e a si mesmas por último. Lembro-me de que, quando eu era menino, durante a Depressão, minha mãe era a secretária-tesoureira da Sociedade de Socorro da ala. Naquela época, pagavam-se contribuições para socorrer os necessitados. Minha mãe não era exatamente uma contadora, então meu pai a ajudava. As contribuições individuais nunca chegavam a um dólar, mas eram, antes, de vinte e cinco, dez ou cinco centavos, algumas moedinhas. ¶
Aprendi muitas lições com minha mãe. Devo ter sido um menino muito ativo, pois minha mãe sempre dizia: "Devagar, Tommy, devagar. Você está à beira de uma dança de São Vito!" Sabem, nunca soube o que era a dança de São Vito. Tudo o que sabia era que minha mãe dizia que eu estava à beira dela — e, pelo modo como pronunciava as palavras, presumi que fosse uma doença grave. ¶
Como morávamos a apenas uma ou duas quadras da ferrovia, era comum que homens desempregados, sem dinheiro para comida, saltassem do trem e viessem à nossa casa pedir algo para comer. Esses homens sempre eram educados. Ofereciam-se para fazer algum trabalho em troca da comida. Está indelevelmente gravada em minha mente a imagem de um homem magro e faminto, parado à porta da nossa cozinha, chapéu na mão, implorando comida. Minha mãe recebia esses visitantes e os encaminhava à pia da cozinha para se lavarem enquanto preparava a comida para eles. Ela nunca economizava na qualidade nem na quantidade; o visitante comia exatamente o mesmo almoço que meu pai. Enquanto ele devorava a comida, minha mãe aproveitava a oportunidade para aconselhá-lo a voltar para sua casa e sua família. Quando ele deixava a mesa, havia sido nutrido física e espiritualmente. Esses homens nunca deixavam de agradecer. Lágrimas em seus olhos revelavam, silenciosamente, a gratidão de seu coração. ¶
Mas e quanto a hoje? Não há almas famintas a alimentar? Não há saudações a compartilhar? Não há visitas a fazer? Ao contemplar a Sociedade de Socorro de hoje, humildemente grato pelo privilégio de falar a vocês, volto-me a nosso Pai Celestial em busca de Sua orientação divina. ¶
Nesse espírito, senti-me impelido a dar a cada membro da Sociedade de Socorro em todo o mundo três metas a cumprir: ¶
Consideremos essas três metas. Primeiro, adquirir conhecimento por meio do estudo. Numa revelação vital, de impacto universal, o Senhor declarou: "E como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé."4 ¶
O Élder Adam S. Bennion, membro do Conselho dos Doze há várias décadas, mestre e líder bem-educado, exortou: "Que Deus nos ajude a apreciar o valor da verdadeira educação. Se estivéssemos neste edifício e tivéssemos apenas uma janela, veríamos apenas um canto do universo. Um homem que não recebeu instrução olha para a vida através da pequena janela de uma experiência limitada. Cabe à educação preencher o edifício da vida com janelas, para que possamos contemplar o universo em todos os ângulos. ¶
Um exemplo de uma janela estreita de visão sendo substituída por uma visão ilimitada ocorreu no aeroporto de Monroe, na Louisiana, há alguns anos. Eu estava voltando para casa de uma reunião regional e conheci uma encantadora irmã afro-americana que se aproximou de mim e disse com alegria: "Presidente Monson, antes de ingressar na Igreja e me tornar membro da Sociedade de Socorro, eu não sabia ler. Não sabia escrever. Ninguém na minha família sabia. Sabe, éramos todos pobres meeiros. Presidente, minhas irmãs brancas da Sociedade de Socorro me ensinaram a ler. Ensinaram-me a escrever. Agora eu ajudo a ensinar outras irmãs brancas a ler e a escrever." Refleti sobre a suprema felicidade que ela deve ter sentido quando abriu sua Bíblia e leu, pela primeira vez, as palavras do Senhor: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve."6 ¶
Naquele dia, em Monroe, Louisiana, recebi do Espírito uma confirmação do elevado objetivo de vocês de melhorar a alfabetização entre suas irmãs. ¶
Cada uma de vocês, solteira ou casada, seja qual for a idade, tem a oportunidade de aprender e crescer. Ampliem seu conhecimento, tanto intelectual quanto espiritual, até a plena estatura de seu potencial divino. ¶
Nos próximos dois anos, como a irmã Smoot já declarou, as integrantes da Sociedade de Socorro e os portadores do Sacerdócio de Melquisedeque estudarão os ensinamentos do profeta Brigham Young. O manual foi preparado com esmero; é lindamente impresso e encadernado, com tópicos de discussão de grande relevância. O material das lições será ensinado durante o período da Sociedade de Socorro em dois domingos do mês, e da mesma forma para os irmãos do Sacerdócio de Melquisedeque, também em dois domingos. Nos demais domingos, prosseguirão os assuntos habituais da Sociedade de Socorro e do trabalho do quórum do sacerdócio. ¶
Há anos, vi uma fotografia de uma classe da Escola Dominical na Sexta Ala da Estaca Pioneira, em Salt Lake City, a ala onde minha família morava. A fotografia foi tirada em 1905. Uma doce menina, com o cabelo em tranças, aparecia na primeira fila. Seu nome era Belle Smith. Mais tarde, como Belle Smith Spafford, presidente geral da Sociedade de Socorro, ela escreveu: "As mulheres nunca tiveram maior influência do que no mundo de hoje. Nunca as portas da oportunidade se abriram tanto para elas. Este é um período convidativo, empolgante, desafiador e exigente para as mulheres. É um tempo rico em recompensas, se mantivermos o equilíbrio, aprendermos os verdadeiros valores da vida e determinarmos sabiamente as prioridades."9 ¶
Minhas queridas irmãs, este é o dia de vocês, este é o tempo de vocês. As santas escrituras adornam nossas estantes. Assegurem-se de que elas forneçam alimento à nossa mente e orientação à nossa vida. Nossa meta: adquirir conhecimento por meio do estudo. ¶
Segundo, fazer do lar um paraíso. ¶
Falando em uma sessão geral da conferência em 1945, um dia ou dois após a conferência da Sociedade de Socorro, o Presidente George Albert Smith disse: "Ontem, esta casa estava repleta das filhas de Sião, e digo sem hesitação que não se poderia encontrar quadro mais belo da feminilidade em todo o mundo do que o de ontem à tarde [na conferência das Sociedades de Socorro femininas da Igreja]. Essas fiéis esposas, essas fiéis filhas, assumem sua parte do fardo e a carregam adiante. Elas fazem de seu lar um paraíso."10 ¶
Minhas queridas irmãs, o lar — esse lugar maravilhoso — deveria ser um refúgio chamado paraíso, onde o Espírito do Senhor pudesse habitar. ¶
Com demasiada frequência, as mulheres subestimam sua influência para o bem. Bem poderiam seguir a fórmula dada pelo Senhor: "Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias e estabelecei uma casa, sim, uma casa de oração, uma casa de jejum, uma casa de fé, uma casa de aprendizado, uma casa de glória, uma casa de ordem, uma casa de Deus."11 ¶
Em tal casa serão encontradas crianças felizes e sorridentes, que aprenderam a verdade por preceito e exemplo. Em um lar de Santos dos Últimos Dias, as crianças não são apenas toleradas, mas acolhidas; não são comandadas, mas encorajadas; não são impelidas, mas orientadas; não são negligenciadas, mas amadas. ¶
Os anos passam, e as crianças se tornam mais independentes. Elas se afastam do cuidado protetor da mãe, mas são sempre influenciadas pelos ensinamentos, pelo exemplo e pelo amor da mãe. Alguns parecem, por suas ações, ter esquecido essa influência. Por mais distante do lar que o errante viaje, a palavra mãe o traz mental e emocionalmente de volta para casa. E a mãe, como sempre, permanece com os braços abertos para acolher. ¶
O Presidente Stephen L Richards declarou: "As várias organizações da Igreja [...] por mais bem que possam realizar, de forma alguma podem substituir o lar. Não podem representar os pais. [...] ¶
Há muitas mulheres na Sociedade de Socorro que não são casadas. A morte, o divórcio e, de fato, a falta de oportunidade de se casar tornaram necessário, em muitos casos, que uma mulher ficasse sozinha. Na realidade, ela não precisa estar sozinha, pois um amoroso Pai Celestial estará a seu lado para orientar sua vida e proporcionar paz e segurança naqueles momentos silenciosos em que se encontram a solidão e a necessidade de compaixão. ¶
O Presidente Joseph Fielding Smith, ao falar às irmãs solteiras que nunca tiveram a oportunidade de se casar, prometeu: "Se, em seu coração, vocês sentem que o evangelho é verdadeiro e, sob condições apropriadas, receberiam essas ordenanças e bênçãos de selamento no templo do Senhor; e essa é a fé, a esperança e o desejo de vocês, mas isso não acontece agora; o Senhor compensará, e vocês serão abençoadas — pois nenhuma bênção lhes será negada."14 ¶
Façamos do lar um paraíso. ¶
Meta número três, encontrar alegria no serviço. ¶
O Profeta Joseph Smith registrou que, em 24 de março de 1842, ele atendeu a um convite para comparecer à Sociedade de Socorro, "cujo objetivo é socorrer os pobres, os necessitados, a viúva e o órfão, e exercer todos os propósitos benevolentes. [...] [As irmãs da Sociedade de Socorro] voarão em socorro do estranho; [...] enxugarão as lágrimas do órfão e farão regozijar-se o coração da viúva."15 ¶
Às vezes, o chamado ao serviço estendido a uma integrante da Sociedade de Socorro é um tanto inusitado. Uma dessas designações compartilho com vocês, ao concluir. ¶
Quando eu era bispo da Ala Sexta-Sétima, em Salt Lake City, na época em que ainda tínhamos a Relief Society Magazine, notei que nosso número de assinaturas dessa publicação estava baixo. Meus conselheiros e eu analisamos, em oração, os nomes das pessoas que poderíamos chamar como representante da revista, e a inspiração indicou que Elizabeth Keachie deveria receber a designação. Ela respondeu afirmativamente ao chamado. Ela e sua cunhada, Helen Ivory, também membro da ala, começaram a percorrer a ala inteira, casa por casa, rua por rua, quarteirão por quarteirão. O resultado foi fenomenal. Tivemos mais assinaturas da Relief Society Magazine do que todas as outras unidades de nossa estaca somadas. ¶
Certa noite de domingo, cumprimentei Elizabeth Keachie e lhe disse: "Sua tarefa está concluída." ¶
Ela respondeu: "Ainda não, Bispo. Há dois quarteirões que ainda não cobrimos." ¶
Quando ela me disse quais eram esses quarteirões, eu disse: "Irmã Keachie, ninguém mora nesses quarteirões. Aquela área é toda industrial." ¶
"Mesmo assim", disse ela, "vou me sentir melhor se eu mesma puder ir verificar." ¶
A Irmã Keachie e a Irmã Ivory, num dia de chuva, cobriram esses dois últimos quarteirões, mas não encontraram nenhuma casa. Quando estavam prestes a interromper a busca, notaram uma entrada de carros repleta de poças de lama de uma tempestade recente. Ficava ao lado de uma fundição. A Irmã Keachie olhou para o fim da entrada, talvez uns 18 metros adiante, e conseguiu distinguir apenas uma garagem com uma cortina na janela. ¶
Decidindo investigar, as duas queridas irmãs caminharam pela lama até um ponto de onde podiam ver toda a garagem. Então notaram uma porta, não visível da rua, que havia sido feita na lateral da garagem. Notaram também uma chaminé com fumaça subindo. ¶
Bateram à porta. Um homem de cerca de 65 anos, William Ringwood, atendeu. Elas apresentaram sua explicação sobre a necessidade de todo lar ter a Relief Society Magazine. William Ringwood respondeu: "É melhor perguntarem ao meu pai." Charles W. Ringwood, de noventa e três anos, veio então até a porta e também ouviu a mensagem. Ele assinou. ¶
Elizabeth Keachie relatou-me a presença desses dois homens em nossa ala. Quando solicitei seus certificados de registro de membro ao Departamento de Registro de Membros do Bispado Presidente, disseram-me que os certificados haviam permanecido no arquivo de perdidos do Bispado Presidente por muitos anos. ¶
Na manhã de domingo, Elizabeth Keachie trouxe à nossa reunião do sacerdócio Charles e William Ringwood — a primeira vez, em muito tempo, que estavam dentro de uma capela. Charles Ringwood, aos 93 anos, era o diácono mais velho que eu já havia conhecido, e seu filho era o membro do sexo masculino mais velho sem sacerdócio que eu já havia conhecido. ¶
O irmão Ringwood mais velho foi ordenado sacerdote e depois élder. Jamais esquecerei sua entrevista para buscar uma recomendação para o templo. Ele me entregou um dólar de prata que tirou de uma velha e desgastada bolsa de couro e disse: "Esta é minha oferta de jejum." ¶
Respondi: "Ah, Irmão Ringwood, o senhor não deve nenhuma oferta de jejum. O senhor mesmo precisa dela." ¶
"Quero receber as bênçãos, não guardar o dinheiro", ele respondeu. ¶
Tive a oportunidade de levar Charles Ringwood ao Templo de Salt Lake e assistir com ele à sessão de investidura. Naquela mesma noite, Elizabeth Keachie serviu como representante da falecida Irmã Ringwood. ¶
Ao final da cerimônia, Charles Ringwood me disse: "Bispo, eu disse à minha esposa, pouco antes de ela falecer, há 16 anos, que eu não demoraria a realizar esta obra. Estou feliz de que isso foi realizado." ¶
Dois meses depois, Charles W. Ringwood faleceu. Em seu funeral, notei sua família sentada na primeira fila da capela funerária, mas também notei duas queridas senhoras sentadas perto do fundo — Elizabeth Keachie e Helen Ivory. Ao contemplar essas duas queridas mulheres, pensei na seção 76 da Doutrina e Convênios: "Pois assim diz o Senhor: Eu, o Senhor, sou misericordioso e benigno para com aqueles que me temem e deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e em verdade até o fim. Grande será sua recompensa e eterna sua glória."16 Testifico que podemos encontrar alegria no serviço. ¶
Notes
-
Deseret News Weekly, 18 de dezembro de 1867, p. 358. ↩
-
The Teachings of Lorenzo Snow, comp. Clyde J. Williams (1984), p. 143. ↩
-
Relief Society Magazine, junho de 1920, p. 338. ↩
-
Carl Schurz, em Bartlett's Familiar Quotations (1980), p. 602. ↩
-
A Woman's Reach (1974), p. 21. ↩
-
Em Conference Report, outubro de 1945, p. 23. ↩
-
Em Conference Report, outubro de 1921, pp. 197–98. ↩
-
Citado em David O. McKay, "Woman's Influence," Relief Society Magazine, dezembro de 1953, p. 791. ↩
-
Doctrines of Salvation, 3 vols. (1955), 2:76. ↩
-
History of the Church, 4:567. ↩