Em Memória de Jesus
Robert D. Hales
A Última Ceia, pouco antes da morte de Cristo, foi significativa de muitas maneiras. A refeição da Páscoa relembra séculos da misericórdia de Deus, naquilo que Jesus disse trazer a promessa de uma misericórdia ainda maior por vir: Seu sacrifício expiatório. ¶
Chegara o momento da conclusão do ministério de Cristo na Terra. Era a época da Páscoa. O povo celebrava e se regozijava na bondade de Deus por ter salvado seus antepassados. Jesus havia reunido Seus apóstolos no Cenáculo para a Última Ceia. Ele deu um prenúncio dos acontecimentos vindouros, de Seu sacrifício expiatório, para que toda a humanidade — os que haviam vivido, os que então viviam e todos os que ainda viveriam na Terra — se beneficiassem de Seu sacrifício expiatório. Por meio dEle e através dEle, todos os homens seriam ressuscitados. A misericórdia venceria a justiça. Foi providenciado que pudéssemos arrepender-nos de nossos pecados, ser obedientes a Seus mandamentos e poder retornar à Sua presença. Essa era uma doutrina que não era fácil de compreender para os que viveram em Sua época. Ao final daquela noite, Ele instituiu o sacramento. ¶
Lemos que “o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ([1 Coríntios 11:23–24]). ¶
Ele tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” ([1 Coríntios 11:25–26]). Ele disse que esse sacramento seria feito em memória dEle. “Fazei isto em memória de mim” foram Suas palavras ([Lucas 22:19]). ¶
Portanto, para todos os que vêm a Cristo e tomam Seu nome sobre si pelo batismo, há grande responsabilidade de serem dignos de participar semanalmente do sacramento, a fim de renovarem seu convênio batismal, tomarem Seu nome sobre si, renovarem sua promessa de guardar todos os Seus mandamentos, lembrarem-se dEle, conhecê-lO e compreender Sua grandeza. ¶
Lembrar-se e conhecer Jesus Cristo é saber que Ele é o Jeová do Antigo Testamento e o Jesus Cristo do Novo Testamento. Ele foi o primogênito espiritual de nosso Pai Celestial e o Unigênito na carne. A Moisés foi dito: ¶
“E pela palavra de meu poder criei-as, a qual é meu Filho Unigênito que é cheio de graça e verdade. ¶
“E mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito. ¶
“… E há muitos que agora permanecem e são inumeráveis para o homem; mas todas as coisas são enumeráveis para mim, pois são minhas e eu conheço-as. … ¶
“E o Senhor Deus falou a Moisés, dizendo: Os céus, eles são muitos e são inumeráveis para o homem; mas são enumeráveis para mim, pois são meus. ¶
“E assim como uma terra passará, e o seu céu, assim outra surgirá; e não há fim para as minhas obras, nem para as minhas palavras” ([Moisés 1:32–33, 35, 37–38]). ¶
Pensem apenas no que a ciência e a astronomia nos dizem sobre a vastidão do sistema solar e do universo. Nosso sistema solar tem como centro o sol, uma entre um imenso grupo de estrelas da ordem de 100 bilhões, girando ao redor de uma enorme massa em forma de espiral chamada galáxia Via Láctea, que tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro. Os astrônomos não conseguem ver até o fim do universo, mas as evidências sugerem que a vastidão do espaço contém bilhões de galáxias, estendendo-se por uma distância de 5 bilhões a 15 bilhões de anos-luz do sol. Comparado a tais distâncias, nosso sistema solar ocupa um espaço ínfimo. O universo é praticamente incompreensível para o homem (ver Compton's Encyclopedia, “Solar System”, 375). ¶
Cantamos em louvor um hino que descreve o assombro maravilhado de contemplar todos os mundos que as mãos de Deus criaram, ao ver as estrelas e ouvir o trovão que ressoa, o poder dEle manifesto por todo o universo; então a alma canta, ó meu Deus e Salvador, quão grandioso és Tu, quão grandioso és Tu — “Como és Grandioso” (Hinos, nº 86). ¶
Deus conhece todas essas coisas. Seu Filho, Jesus Cristo, estava à Sua direita e participou com Ele da criação deste mundo e de muitos outros mundos. Este é o mesmo Jesus que veio à Terra como um bebê em Belém. É isso que as escrituras querem dizer quando falam da condescendência de Deus. ¶
Jesus Cristo é membro da Trindade, composta pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo. Jesus participou do Grande Conselho no Céu, onde foi decidido que a Terra, um mundo mortal, seria criada e que nosso espírito habitaria num corpo físico e temporal. Na mortalidade, temos a oportunidade de aceitar Jesus Cristo e aprender a guardar Seus mandamentos. ¶
Jesus sabia que, após Sua peregrinação aqui na mortalidade e após a conclusão de Sua missão e de Seu sacrifício expiatório, Ele retornaria a Seu reino celestial e se assentaria à direita de Deus. Quando compreendemos Sua divindade e Sua grandeza, lembramo-nos dEle com reverência e humildade. Quando lemos sobre a Natividade e o nascimento de um bebê em Belém; sobre os anos de crescimento da juventude de Jesus em Nazaré; sobre Seu ministério ao redor do Mar da Galileia, Cafarnaum e Caná; e, por fim, sobre Seus últimos dias em Jerusalém e Seu sacrifício, estamos em memória dEle. Todas essas coisas nos vêm à mente. ¶
Podemos citar vários milagres durante o ministério de Cristo, que mostram que Ele podia dominar os elementos da Terra, como acalmar o mar, transformar a água em vinho, alimentar as multidões com poucos pedaços de pão e peixe, além de atos individuais de cura de coxos, cegos e surdos; expulsar demônios; e ressuscitar Lázaro dentre os mortos após quatro dias. Todos esses milagres foram manifestações de Seu poder divino, culminando em Sua Expiação e Sua Ressurreição. ¶
Na época de Jesus, o povo de Jerusalém vivia a lei de Moisés, “olho por olho” ([Mateus 5:38]), uma lei preparatória contida no Antigo Testamento. Jesus procurou levá-los a viver uma lei mais elevada. Quando ressuscitou, Ele disse: “Em mim cumpriu-se a lei de Moisés” ([3 Néfi 9:17]). Jesus ensinou como progredir além do comportamento regido pela lei de Moisés ao proferir as Bem-aventuranças e a Oração do Senhor. Ele ensinou uma lei de amor, uma lei de perdão mútuo. Ensinou que devemos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Ensinou que devemos amar o Senhor de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos. Quando o povo, ainda pensando segundo a mentalidade da lei de Moisés, perguntou: “Quem é o meu próximo?”, Ele contou a parábola do bom samaritano, mostrando que a compaixão que ensinava deveria transpor fronteiras culturais e étnicas e aplicar-se a todos. Muitas pessoas que haviam guardado a lei de Moisés rejeitaram Seu evangelho de amor. ¶
Como sabemos se progredimos além da mentalidade do “olho por olho” e aceitamos Seu evangelho de perdoar e amar uns aos outros? A maneira como tratamos os membros de nossa família, nossos vizinhos, colegas de trabalho e todos os que encontramos revelará se tomamos Seu nome sobre nós e sempre nos lembramos dEle. A maneira como conduzimos nossa vida, tudo o que fazemos e dizemos, reflete como nos lembramos dEle. Se O amamos verdadeiramente, guardaremos Seus mandamentos, como Ele pediu. De forma muito simples, Ele disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” ([João 14:15]). ¶
Oramos a nosso Pai Celestial em nome de Jesus Cristo. Jesus é o grande Mediador. Embora seja onipotente e onisciente, todo-poderoso e conhecedor de todas as coisas, Ele é nosso amigo. Depois de aconselhar os primeiros Irmãos da Igreja a “pôr em ordem sua própria casa”, Ele disse: “Chamar-vos-ei de amigos, porque sois meus amigos” ([D&C 93:43, 45]). Com toda a Sua grandeza, Ele disse que é nosso amigo. Foi-nos pedido que sejamos amigos de nosso próximo e lhes ensinemos o evangelho, e que sejamos amigos dos novos conversos, para que o fruto de nosso trabalho permaneça (ver [João 15:16]). Nosso profeta nos pediu que sejamos amigos. Poderia nosso profeta esperar menos? ¶
Quando somos batizados em Seu nome e sempre nos lembramos dEle e guardamos Seus mandamentos, Ele nos concede a maior bênção que pode nos dar: ter sempre Seu Espírito conosco. Esse Espírito do Senhor é luz. “Eis que eu sou Jesus Cristo, o Filho de Deus. Eu sou a vida e a luz do mundo” ([D&C 11:28]; ver também [3 Néfi 9:18]). “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” ([João 8:12]). Essa é “a luz que está em todas as coisas, que dá vida a todas as coisas, que é a lei pela qual todas as coisas são governadas” ([D&C 88:13]). A luz e as trevas não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Onde se encontra a luz de Cristo, as trevas de Lúcifer, o próprio Satanás, devem retirar-se, derrotadas. Que possamos seguir a luz e escolher o certo. ¶
O que devemos lembrar a respeito do Salvador é que somente Ele tinha o poder de entregar Sua vida e retomá-la. Ele tinha a capacidade de morrer, herdada de Sua mãe mortal, Maria, e a capacidade de vencer a morte, herdada de Seu Pai imortal. Nosso Salvador, Jesus Cristo, foi de bom grado e deliberadamente à Sua morte, tendo dito a Seus seguidores que isso aconteceria. Por quê? poder-se-ia perguntar. A resposta: para dar imortalidade a toda a humanidade e a promessa de vida eterna aos que crerem nEle (ver [João 3:15]), para dar Sua própria vida em resgate por outros (ver [Mateus 20:28]), para vencer o poder de Satanás e tornar possível o perdão dos pecados. Sem a Expiação de Jesus, haveria uma barreira intransponível entre Deus e os homens e mulheres mortais. Quando compreendemos a Expiação, lembramo-nos dEle com admiração e gratidão. ¶
“No primeiro dia da semana … , Maria Madalena foi ao sepulcro e viu que a pedra fora tirada [e que o sepulcro estava vazio]. … ¶
“Ela se voltou e viu Jesus em pé ali, mas não sabia que era Jesus. … ¶
“Cuidando que era o hortelão, disse: ‘Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.’ ¶
“Disse-lhe Jesus: ‘Maria.’ … ¶
“Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Vi o Senhor’” (Bíblia Sagrada, [João 20:1, 14–16, 18]). ¶
Ao nos lembrarmos do Salvador, lembramo-nos de um sepulcro vazio, símbolo de que o Senhor ressuscitou e promessa, a todos, da Ressurreição e da vida após a morte. ¶
Por causa da Expiação de nosso Salvador, nas trevas da morte não há aguilhão, na depressão da morte não há vitória. Sua luz ressuscitada dissipa as trevas, derrotando o príncipe das trevas, com o brilho da esperança eterna. ¶
Cristo de fato ressuscitou dentre os mortos, as primícias dos que dormem: “Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados” ([1 Coríntios 15:21–22]). ¶
O conhecimento de nosso Salvador, Jesus Cristo, foi-nos dado por Isaías — de que o Senhor nos guiará continuamente. Ele satisfará nossas necessidades numa terra árida e fortificará nosso corpo. Seremos como um jardim regado, como um manancial cujas águas nunca faltam (ver [Isaías 58:11]). ¶
Lembramo-nos de Jesus como o Pão da Vida, como a Água Viva, como a Luz e a Vida do Mundo, à medida que vimos a Ele e O seguimos, para que, por Ele e através dEle, sejamos salvos. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ([João 3:16]). ¶
Quando se aproximava o tempo da Expiação, os discípulos ficaram preocupados com quanto tempo Jesus permaneceria com eles. Ele lhes disse que não tardaria muito, mas que lhes deixaria um Consolador, o Espírito Santo (ver [João 14:26]). Para nós, precisamos compreender a natureza amorosa de nosso Salvador. Não fomos deixados sozinhos. Ele nos deu, nestes dias, por intermédio do Profeta Joseph Smith, uma restauração do evangelho nestes últimos dias. Ele nos deu outro testamento de Jesus Cristo, no Livro de Mórmon. Ele restaurou o sacerdócio e as chaves que deu a Pedro, Tiago e João quando estava com eles e eles eram Seus apóstolos. Eles vieram a Joseph Smith e restauraram essas mesmas chaves em 1829. Chaves adicionais do sacerdócio foram trazidas por Elias, o Profeta, Moisés e Elias, após o aparecimento do Salvador no Templo de Kirtland, em 3 de abril de 1836. Essas chaves foram dadas para as ordenanças do templo (ver [D&C 110]). ¶
Não fomos deixados sozinhos. Temos a luz de Cristo e o Espírito Santo para nos conduzir e guiar num mundo que, de outra forma, seria muito sombrio e desolador. As chaves do sacerdócio foram restauradas para tornar disponíveis todas as ordenanças necessárias, para que possamos retornar à Sua presença. ¶
Que possamos seguir nosso Salvador, Jesus Cristo, e sempre nos lembrar dEle em tudo o que fazemos e dizemos, e em todos os atos de caridade que praticarmos uns para com os outros, para que saibamos que essas coisas são feitas em memória dEle. ¶
Testifico que nosso Senhor Jesus Cristo vive e guia e dirige Sua Igreja por revelação, por meio de Seu profeta, neste exato dia e época. “Falamos de Cristo, regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo” ([2 Néfi 25:26]). Cremos em Cristo, lembramo-nos dEle e testificamos de Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor, com o conhecimento de que Ele voltará à Terra para reinar em glória como Rei dos Reis. ¶
Que todos os que professam ser cristãos, todos os que conhecem e testificam de Jesus, venham a Ele e sigam Seus ensinamentos e Seu exemplo, sendo um, assim como o Pai Celestial e Jesus são um em propósito, para nos unirmos, nos edificarmos e nos fortalecermos mutuamente, e levarmos os fardos uns dos outros, assim como nosso Salvador tomou nossos fardos sobre Si, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶