Pulpit

\"Uma Pedrinha\"

Elaine L. Jack

Conferência Geral de Abril de 1997·Sunday Afternoon Session·1997-04-06

Aquele prédio tem um significado muito importante para mim. Meu avô John F. Anderson, que era um pedreiro habilidoso, vindo de Aberdeen, na Escócia, foi chamado para preparar o granito branco que seria usado na construção desse templo sagrado. Em 1915 ele teve a honra de trabalhar como chefe de obras no assentamento da pedra fundamental, sob a supervisão do Élder David O. McKay. Em 1923, antes da dedicação do templo, foi meu avô quem assentou a última pedra. Depois, ele escreveu no diário: “não foi a pedra fundamental, mas uma pedrinha na entrada principal”.

Hoje, eu assento minha pedrinha na entrada principal da Sociedade de Socorro.

No livro de Ômni, que é uma pedrinha no meio do Livro de Mórmon, Amaléqui escreveu: “( … ) quisera que viésseis a Cristo, que é o Santo de Israel, e participásseis de Sua salvação e do poder de Sua redenção. Sim ( … ) ofertai-Lhe toda a vossa alma, como dádiva; e continuai em jejum e oração, perseverando até o fim; e assim como vive o Senhor, sereis salvos”. (Ômni 1:26)

O Profeta Joseph Smith definiu ofertar “toda a vossa alma” como servir a Deus de todo “coração, mente e força”. (D&C 4:2) É depor, no altar de Deus, seu tempo, talentos, dons e bênçãos, sua boa-vontade para servir e para fazer tudo o que Ele pedir. Meu avô ofereceu ao Senhor a pedra que assentara com tanto cuidado. Hoje ofereço os anos em que servi na Sociedade de Socorro geral. Em 1991, atendendo ao convite do Presidente Hinckley, voltei a minha terra natal, no Canadá, para assistir à rededicação do Templo de Alberta. Nunca hei de esquecer o poder que tomou o recinto quando, ao término da reunião, levantamo-nos para cantar “Tal Como Um Facho”!

Meu coração comoveu-se com estas conhecidas palavras: “Cantemos, clamemos, com hostes celestes: Hosana, hosana ao Deus de Belém”. (“Tal Como Um Facho”, Hinos, nº 2) Hosana é o brado de júbilo dos justos, e aquela era uma ocasião jubilosa.

A nosso refrão, juntava-se o coro cantando o grandioso “Hosana”. A letra tornou-se plena de significado, à medida que eu considerava o trabalho de meu avô para erguer as paredes do nobre templo: “A casa de Deus está feita. Seja nossa oferta aceita”. (Hinos para Coro, 1980, p. 69–76.) Ela atinge-me de um modo ainda mais profundo hoje, quando minha “casa” para o Senhor está feita. Vejo muitas semelhanças entre construir um templo e cumprir um chamado. No início temos um terreno vazio e começamos a trabalhar. Analisamos a situação, oramos pedindo inspiração, traçamos os planos com cuidado, fazemos uma análise deles, ajudamos e planejamos novamente. Firmamos o alicerce e depois fazemos as paredes, o telhado e até os jardins. Todas as administrações constroem sobre o sólido leito rochoso do passado.

Essa presidência da Sociedade de Socorro passou os últimos sete anos construindo. Colocamos um trabalho de alfabetização para toda a Igreja em nosso programa educacional; salientamos o princípio de zelar e cuidar das irmãs por meio do trabalho de professoras visitantes; continuamos a centralizar nossas atenções na família e no lar e a honrar a natureza divina das mulheres, que fazem sacrifícios e têm o papel de nutrir, ensinar e inspirar. Aconteceram coisas maravilhosas, graças às mulheres da Igreja que cuidaram dos filhos umas das outras, ensinaram autoconfiança, e ensinaram a respeito do Salvador.

Adorei trabalhar tendo um contato tão íntimo com as mulheres maravilhosas desta Igreja, que oferecem a alma ao Senhor. A suas pedras, junto a minha. Oro para que ela seja aceita.

Uma de minhas melhores lembranças destes últimos anos é o sesquicentenário que foi celebrado em 1992, quando comemoramos a fundação da Sociedade de Socorro, que é uma das mais antigas e maiores organizações de mulheres do mundo e, a meu ver, a mais bem-sucedida de todas. Para mim, ainda é emocionante lembrar do programa transmitido simultaneamente para todos os continentes do mundo, que uniu, pela primeira vez, as irmãs do República da China, Alemanha, México, Coréia, Austrália e Estados Unidos.

Emma Smith, a primeira presidente desta organização, disse às irmãs: “Faremos algo extraordinário”. [Minutes of the Female Relief Society (Atas da Sociedade Feminina de Socorro), 17 de março de 1842, Arquivos da Igreja.) A comemoração foi de fato “algo extraordinário”. O que teve início em 1842 com 20 mulheres em Nauvoo, Illinois, atualmente engloba quase quatro milhões de mulheres de todos os continentes e de quase todos os países do mundo. Entretanto, o que é mais significativo é que tudo começou com uma mulher, Margaret Cook, que se ofereceu para fazer camisas para os homens que trabalhavam na construção do Templo de Nauvoo. Ela precisava de tecido e não tinha dinheiro para comprá-lo. Sarah Kimball deu o tecido e em algumas semanas a Sociedade de Socorro foi organizada pelo Profeta Joseph Smith, sob a inspiração do Senhor. Ela originou-se de uma pequena oferta em seu princípio e cresceu até transformar-se em um importante movimento, que promove o bem em todo o mundo, uma pedra de cada vez.

Uma das coisas que reconheço é que se formos obedientes, fiéis e constantes o Senhor nos ajudará a preparar nossas ofertas. Aprendemos isso com Néfi, a quem foi dito: “Tu construirás um navio da maneira que eu te mostrarei a fim de que eu leve o teu povo através destas águas”. (1 Né. 17:8) Néfi não vinha de uma comunidade marítima; nunca havia construído um barco. Sua resposta, porém, denota grande fé e responsabilidade: “Senhor, aonde irei a fim de encontrar o minério para fundir e fazer ferramentas, com o fito de construir o navio do modo com tu me mostraste? (1 Né. 17:9) Sem hesitar nem questionar, Néfi começou a preparar uma oferta ao Senhor, na forma de um navio.

Quando fui chamada para servir neste cargo, tal como Néfi, busquei a ajuda do Senhor. Minhas ferramentas vieram na forma de duas conselheiras fortes e capazes: Chieko Okazaki e Aileen Clyde. Em nossa posição de presidência, fomos abençoadas com uma junta composta de 12 mulheres excelentes, cuja contribuição demonstrou sua dedicação e habilidade e com um pessoal administrativo que prestou serviço com generosidade e paciência.

Juntas, fizemos “este trabalho com santidade de coração”. (Mosias 18:12) E fomos abençoadas com as orações e a bondade de mulheres da Sociedade de Socorro em todo o mundo, boas mulheres, que levam a sério o mandamento do Senhor: “( … ) Não vos canseis de fazer o bem ( … )”. (D&C 64:33)

Quero agradecer aos muitos líderes do sacerdócio que nos aconselharam e orientaram. Eles precisam de nossa confiança e apoio, assim como nós precisamos de sua compreensão e do poder do sacerdócio. O Senhor chamou homens de valor, sabedoria e coragem para liderar esta Igreja. Fui testemunha de ocasiões em que Deus inspirou nossos líderes; fui testemunha de ocasiões em que tomaram atitudes decisivas, compassivas e cuidadosas. Confio neles e eles confiaram em nós.

Sei que falo pelas mulheres da Igreja quando digo ao Presidente Hinckley, Presidente Monson, Presidente Faust e ao Quórum dos Doze Apóstolos: Estamos do seu lado, nós os apoiamos e sabemos que, em nossa época, vocês são os profetas que têm as chaves do reino de Deus.

Sou grata a meu marido, Joe, que me abençoou com sua constância, senso de humor bom-senso e retidão. Meus quatro filhos, que o apóiam lealmente, seguiram seu exemplo. Tomei como o maior dos elogios o que um deles disse: “Já faz tempo que estamos treinando a mamãe para ser presidente da Sociedade de Socorro e ela, finalmente, conseguiu!”

Nossas ofertas incluem tanto nosso trabalho quanto o sentimento com que o fazemos. Isso é o que o Senhor chama de “um coração quebrantado e um espírito contrito”. (3 Né. 9:12) A alma é constituída por esse conjunto. O livro de Ômni fala de ofertar “toda a vossa alma” a Jesus Cristo. Irmãos e irmãs, já foi-se o tempo em que podíamos meramente crer no evangelho; devemos ser ardorosos em nossa crença e em nosso compromisso para com Jesus Cristo e Seu plano. Devemos saber inequivocamente que Ele está conosco, que Ele nos guiará e orientará. Moldamos nossa oferta em Seu nome. Nestes últimos anos, tenho representado todas as mulheres da Igreja, o que é uma grande responsabilidade. Creio que o Senhor avaliará meus esforços, assim como avalia os seus, de acordo com meus sentimentos e espírito.

Atualmente, a Sociedade de Socorro representa o desejo expresso pela Presidente Emmeline B. Wells, que cumpriu seu chamado no início deste século. Sua orientação ajudou a Sociedade de Socorro a apegar-se firmemente a suas nobres tradições enquanto ia avante, com fé em Deus e esperança no futuro. Cinqüenta anos depois, a Presidente Belle Spafford disse: “A Sociedade de Socorro ainda está à porta de sua missão divina”. [History of Relief Society, 1842–1966 (História da Sociedade de Socorro, 1842–1966), 1966, p. 140.] Hoje, estamos prontas para passar por essa porta e entrar em uma nova dimensão de espiritualidade e luz. Aguardo com perfeita esperança as ofertas que as irmãs da Sociedade de Socorro farão no novo século que está diante de nós. Nossa alegria no evangelho de Jesus Cristo e nosso papel em Seu plano trarão pessoas a nós e modificarão vidas. Elevaremos e inspiraremos um mundo que precisa desesperadamente de bondade. A nova presidência fará com que surja uma noção de propósito e contribuição ainda maior. Comprometo-me a apoiar plenamente a Presidente Smoot e suas conselheiras em sua tarefa de assentar outras pedras para construir o reino de Deus. Certamente, a força de hoje será o alicerce sobre o qual as mulheres do futuro construirão.

Esta Igreja foi estabelecida e continuará a crescer por meio do esforço constante dos membros que fazem sua parte anonimamente, que estão lutando com dificuldades diárias, que são humildes, pacientes e longânimos. Esses são os corações que ficam repletos de alegria quando cantam na dedicação de suas próprias ofertas: “Estende, ó Pai, sobre nós tua bênção”. (Hinos, nº 2)

Meu coração está cheio de gratidão e intensa alegria. Alegrem-se comigo prestando testemunho do Salvador: “Hosana, hosana ao Deus de Belém”. Em nome de Jesus Cristo. Amém. 9

Como citar este discursoElaine L. Jack, “\"Uma Pedrinha\”, Conferência Geral de Abril de 1997, Sunday Afternoon Session (1997-04-06). Pulpit Vault, 1997-04-jack-a-small-stone. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).