Pulpit

Enfrentar com Firmeza as Artimanhas do Mundo

Gordon B. Hinckley

Conferência Geral de Outubro de 1995·General Relief Society Meeting·1995-10-07

Minhas que­ri­das irmãs, sinto-me gran­de­men­te hon­ra­do pelo con­vi­te de par­ti­ci­par desta reu­nião com vocês. Minha que­ri­da com­pa­nhei­ra, Marjorie, teria melho­res con­di­ções de pro­fe­rir um dis­cur­so para a Sociedade de Socorro. Respeito-a como repre­sen­tan­te da Sociedade de Socorro na famí­lia e, gra­ças ao que ela é e ao que faz, minha gra­ti­dão por esta gran­de orga­ni­za­ção aumen­tou gran­de­men­te. Tivemos hoje uma reu­nião mara­vi­lho­sa. Confirmo tudo o que ouvi­ram de suas líde­res, em quem depo­si­to total con­fian­ça.

Que vigo­ro­sa con­gre­ga­ção vocês for­mam! Três milhões e meio de mulhe­res espa­lha­das por mui­tas ter­ras e falan­do diver­sas lín­guas, mas que com­preen­dem com um só cora­ção. Cada uma de vocês é uma filha de Deus. Pensem no sig­ni­fi­ca­do assom­bro­so desse fato tão impor­tan­te.

O Pai Eterno aben­çoou-as com corpo e mente dota­dos de pode­res mila­gro­sos. Seu inten­to era fazer de vocês a gló­ria supre­ma de Sua cria­ção.

Recordo-lhes as pala­vras que o Profeta Joseph Smith diri­giu às mulhe­res da Sociedade de Socorro em abril de 1842. Ele disse: “Se viver­des à altu­ra de vos­sos pri­vi­lé­gios, não se pode­rá impe­dir que os anjos vos acom­pa­nhem” [Nauvoo Minutes (Atas de Nauvoo), 28 de abril de 1842.] Que poten­cial mara­vi­lho­so exis­te em vocês!

Vejo, hoje, os olhos de lin­das jovens que sonham com uma vida plena de rea­li­za­ções e feli­ci­da­de. Vejo os olhos de mães que tra­zem no cora­ção a preo­cu­pa­ção com o lar e com os filhos. Vejo os olhos de mães divor­cia­das ou viú­vas, cujo sofri­men­to é tão inten­so que, em sua soli­dão, implo­ram e oram por alen­to e com­pa­nhia. Vejo os olhos de avós e bisa­vós de idade avan­ça­da, que sobre­vi­ve­ram às tem­pes­ta­des da exis­tên­cia e bebe­ram da água da fonte da vida, que lhes foi ora amar­ga, ora doce. Sou grato pela pre­sen­ça de cada uma de vocês. Sou grato por sua força, leal­da­de, fé e amor. Sou grato pela reso­lu­ção que tra­zem na alma de andar pela fé, guar­dar os man­da­men­tos e fazer o que é certo em todos os momen­tos e em todas as situa­ções.

Creio ser esta a melhor época que as mulhe­res já vive­ram, em toda a his­tó­ria do mundo. Em ter­mos de opor­tu­ni­da­des de estu­dos e de trei­na­men­to físi­co e men­tal, nunca houve um perío­do em que as por­tas esti­ves­sem tão ple­na­men­te aber­tas para vocês como hoje.

No entan­to, nunca houve época, ao menos na his­tó­ria con­tem­po­râ­nea, em que tive­ram de enfren­tar pro­ble­mas mais desa­fia­do­res. Não é pre­ci­so que eu lhes lem­bre o tumul­to em que se encon­tra o mundo, com os valo­res em cons­tan­te mudan­ça. Vozes estri­den­tes pro­cla­mam diver­sas con­du­tas con­trá­rias aos padrões de com­por­ta­men­to cuja vali­da­de foi com­pro­va­da pelo tempo. Os esteios morais de nossa socie­da­de foram seve­ra­men­te aba­la­dos. Muitos jovens do mundo, assim como mui­tos adul­tos, estão dando ouvi­dos uni­ca­men­te à sedu­to­ra voz da auto­con­des­cen­dên­cia. Vocês, jovens, enfren­tam desa­fios imen­sos, que sabe­mos serem difí­ceis de supe­rar. Não posso expres­sar o quan­to sou grato por sua firme deter­mi­na­ção de viver os padrões da Igreja, de pros­se­guir no vigor da vir­tu­de e de man­ter a mente acima da imun­dí­cie que pare­ce enco­brir o mundo. Obrigado por sabe­rem que exis­te um cami­nho melhor. Obrigado pela deci­são de dize­rem “não”. Obrigado pela força que demons­tram ao resis­ti­rem às ten­ta­ções e por olha­rem para fren­te e para o alto, con­tem­plan­do a bri­lhan­te luz de seu poten­cial eter­no.

Quão amar­gas são as con­se­qüên­cias de se aban­do­nar os padrões da vir­tu­de. As esta­tís­ti­cas são assus­ta­do­ras. Mais de um quar­to de todas as crian­ças nas­ci­das nos Estados Unidos foram gera­das fora dos laços do matri­mô­nio, e a situa­ção tende a pio­rar. No perío­do de qua­tro anos após darem à luz, 46 por cento das mães ado­les­cen­tes pro­cu­ram o auxí­lio dos ser­vi­ços de bem-estar. Se forem con­si­de­ra­das ape­nas as sol­tei­ras desse grupo, 76 por cento delas neces­si­tam de auxí­lio dos ser­vi­ços de bem-estar nesse mesmo perío­do. [Ver Starting Points—Meeting the Needs of Our Youngest Children (Pontos de Partida: Atender às Necessidades de Nossas Crianças Menores), publi­ca­do pela Carnegie Corporation de Nova York, 1994, pp. 4, 21.] Creio que cada crian­ça deve­ria ter o direi­to à bên­ção de nas­cer em um lar no qual seja bem rece­bi­da e ali­men­ta­da, amada e aben­çoa­da com pais que sejam fiéis um ao outro e aos filhos. Estou certo de que nenhu­ma de nos­sas jovens dese­ja menos do que isso. Enfrentem com fir­me­za as arti­ma­nhas do mundo. Os cria­do­res de nos­sos entre­te­ni­men­tos, que publi­cam a maior parte do que lemos hoje, que­rem fazer com que acre­di­te­mos no con­trá­rio. A sabe­do­ria acu­mu­la­da por sécu­los decla­ra com cla­re­za e cer­te­za que a maior feli­ci­da­de, a maior segu­ran­ça, a maior paz de cons­ciên­cia e o mais pro­fun­do amor só são viven­cia­dos por aque­les que seguem os padrões com­pro­va­da­men­te tes­ta­dos da vir­tu­de antes do casa­men­to e da fide­li­da­de total após o mesmo. Oramos para que vocês sigam pela vida por cami­nhos retos, tendo a força de per­se­ve­rar mesmo se esses cami­nhos forem aper­ta­dos.

Há pes­soas que dese­jam que acre­di­te­mos na vali­da­de do que cha­mam de casa­men­tos homos­se­xuais. Queremos expres­sar nossa preo­cu­pa­ção por aque­les que enfren­tam sen­ti­men­tos de afi­ni­da­de por pes­soas do mesmo sexo. Oramos por vocês e esten­de­mos-lhes nossa soli­da­rie­da­de, como nos­sos irmãos e irmãs que são. No entan­to, não pode­mos con­cor­dar com prá­ti­cas imo­rais de sua parte, como não con­cor­da­mos com prá­ti­cas imo­rais por parte de qual­quer outra pes­soa.

Para as espo­sas e mães que pro­cu­ram man­ter um lar está­vel, num ambien­te de amor e res­pei­to, eu digo: Que o Senhor as aben­çoe. Sejam quais forem as cir­cuns­tân­cias, pros­si­gam com fé. Criem seus filhos em luz e ver­da­de. Ensinem seus filhos a orar enquan­to são peque­nos. Leiam as escri­tu­ras para eles, fazen­do disso um hábi­to, mesmo que eles não com­preen­dam tudo o que vocês lerem. Ensinem seus filhos a res­pei­tar as mulhe­res. Ensinem suas filhas a man­ter a vir­tu­de. Aceitem res­pon­sa­bi­li­da­des na Igreja e con­fiem no Senhor, para esta­rem à altu­ra de qual­quer cha­ma­do que rece­be­rem. O exem­plo que derem será um padrão para seus filhos. Ajudem com amor as pes­soas que enfren­tam difi­cul­da­des ou pas­sam neces­si­da­des.

Incentivem seus filhos a lerem mais e assis­ti­rem menos à tele­vi­são. “Um estu­do feito pela American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia) esti­ma que uma crian­ça comum, que assis­te a 27 horas de tele­vi­são por sema­na, vê 8.000 assas­si­na­tos e 100.000 atos de vio­lên­cia, dos três aos doze anos de idade” (U.S. News & World Report, 11 de setem­bro de 1995, p. 66.)

Procurem man­ter um ambien­te favo­rá­vel ao estu­do no lar. Um edi­to­rial do Wall Street Journal rela­tou a supe­rio­ri­da­de, nos estu­dos, das pes­soas de ascen­dên­cia asiá­ti­ca que ⌦fre­qüen­tam a Universidade da Califórnia, em Berkeley. Referindo-se aos extraor­di­ná­rios dotes des­ses alu­nos, o arti­go decla­ra: “O fator mais impor­tan­te no sur­gi­men­to dessa nova elite ame­ri­ca­na é o inten­so e dedi­ca­do rela­cio­na­men­to fami­liar, que é típi­co dos lares asiá­ti­cos. (⌘.⌘.⌘. ) Esse rela­cio­na­men­to inclui res­pei­to pelos mais velhos, altos padrões de con­du­ta para as crian­ças, esfor­ço dili­gen­te na esco­la e res­pon­sa­bi­li­da­des nos horá­rios livres, que mui­tas vezes ainda incluem tra­ba­lho na loja de um paren­te” (Wall Street Journal, 30 de maio de 1995, p. A14.)

É no lar que se criam as bases das novas gera­ções. Esperamos que vocês, mães, com­preen­dam que, no fim de tudo, sua maior e mais pre­men­te res­pon­sa­bi­li­da­de, a que lhes trará maio­res recom­pen­sas, é a de criar os filhos num ambien­te de segu­ran­ça, paz, com­pa­nhei­ris­mo, amor e moti­va­ção, para que cres­çam e dêem o melhor de si.

Para vocês, mães que criam os fi­lhos sozi­nhas, seja qual for o moti­vo de sua situa­ção atual, ofe­re­ce­mos nossa soli­da­rie­da­de. Sabemos que mui­tas de vocês pade­cem de soli­dão, inse­gu­ran­ça, preo­cu­pa­ção e medo. A maio­ria de vocês está em difi­cul­da­des finan­cei­ras. Seu cons­tan­te e maior cui­da­do é o bem-estar e o futu­ro de seus filhos. Muitas pre­ci­sam tra­ba­lhar e dei­xam os filhos sozi­nhos em casa. No entan­to, se hou­ver muito afeto, muito amor, e se vocês ora­rem jun­tos, será mais pro­vá­vel haver paz no cora­ção e força no cará­ter de seus filhos. Ensinem as crian­ças a anda­rem nos cami­nhos do Senhor. Isaías decla­rou: “E todos os teus filhos serão ensi­na­dos do Senhor; e a paz de teus filhos será abun­dan­te.” (Isaías 54:13)

Quanto mais se esfor­ça­rem para criar os filhos segun­do o evan­ge­lho de Jesus Cristo, com amor e gran­des espe­ran­ças, mais pro­vá­vel será que eles tenham paz na vida.

Dêem exem­plo a seus filhos. Isso será mais impor­tan­te do que qual­quer ensi­na­men­to que lhes pos­sam trans­mi­tir. Não os cubram de mimos. Deixem que cres­çam res­pei­tan­do e com­preen­den­do o sig­ni­fi­ca­do do tra­ba­lho, da ajuda em casa, pro­cu­ran­do obter parte de seu pró­prio sus­ten­to. Façam com que seus filhos eco­no­mi­zem para a mis­são e incen­ti­vem-nos a pre­pa­ra­rem-se, não ape­nas do ponto de vista finan­cei­ro, mas em espí­ri­to e ati­tu­de, a fim de ser­vi­rem ao Senhor sem qual­quer egoís­mo. Não hesi­to em pro­me­ter-lhes que, se assim fize­rem, terão mui­tas razões para con­tar suas bên­çãos.

Recebi uma carta, na últi­ma segun­da-feira, da qual lerei um ⌦tre­cho:

“Vinte anos atrás eu espe­ra­va um bebê, tendo já outros cinco filhos, todos com menos de nove anos de idade. Meu mari­do deci­diu aban­do­nar a famí­lia e seguir outro cami­nho. Gostaria de poder dizer que eu era uma nobre pio­nei­ra mas, na ver­da­de, não pas­sa­va de uma jovem mãe ingê­nua, assus­ta­da e inse­gu­ra, que não sabia o que fazer e come­tia mui­tos erros todos os dias. Apesar disso, pro­cu­rei acon­se­lhar-me com meus líde­res e segui seus con­se­lhos, mesmo saben­do que tor­na­riam minha vida ainda mais com­pli­ca­da. Decidi que não deve­ria ques­tio­ná-los e, caso um con­se­lho me cau­sas­se sofri­men­to tem­po­rá­rio, era algo que eu pre­ci­sa­va expe­ri­men­tar.

Lembro-me de ter lido a men­sa­gem men­sal do Presidente Kimball em A Liahona, na qual ele pro­me­tia que, se lês­se­mos as escri­tu­ras dia­ria­men­te, encon­tra­ría­mos naque­las san­tas pági­nas a res­pos­ta para todos os pro­ble­mas que enfren­tás­se­mos duran­te o dia. Pensei: ‘Está bem, Presidente Kimball, vou seguir seu con­se­lho. Tenho mui­tos pro­ble­mas que cer­ta­men­te pre­ci­sam de res­pos­ta.’ Reuni meus filhos e estu­da­mos as escri­tu­ras dia­ria­men­te, ora­mos e jejua­mos pelo pai deles e por nós mes­mos, rea­li­za­mos reu­niões fami­lia­res e fre­qüen­ta­mos as reu­niões da Igreja. Perdoamos meu mari­do, e eu lite­ral­men­te entre­guei meu livre-arbí­trio nas mãos do Pai Celestial. Disse-Lhe que, uma vez que não teria meu mari­do por toda a eter­ni­da­de, como havia pen­sa­do, fica­ria feliz se Ele trans­for­mas­se o amor de espo­sa que eu sen­tia por ele em amor cris­tão, pois pre­fe­ria mor­rer a ter de pas­sar mais um único minu­to sen­tin­do ódio ou ran­cor pelo pai de meus filhos. Não que­ria ensi­ná-los a ter raiva, ódio ou res­sen­ti­men­to. Sabia que meu mari­do era um homem bom, cheio de poten­cial e talen­tos. Ele come­te­ra um erro ter­rí­vel, e eu sabia que teria sua por­ção de sofri­men­to por isso, como real­men­te acon­te­ceu. Mas minha tare­fa pes­soal era cui­dar de seis filhos e ensi­nar-lhes de modo claro o evan­ge­lho de Jesus Cristo. Senti que podia supe­rar a dor de per­der meu mari­do, mas jamais supor­ta­ria per­der um dos pre­cio­sos filhos de Deus que me foram con­fia­dos.

Sinto-me humil­de­men­te emo­cio­na­da ao rela­tar que o Senhor ⌦me ouviu e res­pon­deu a minhas ⌦ora­ções. O mais novo de meus qua­tro filhos está atual­men­te ser­vin­do mis­são. (⌘.⌘.⌘. ) Juntou-se ao grupo for­ma­do por seus três irmãos e uma irmã, que deci­di­ram com­par­ti­lhar seu tes­te­mu­nho lite­ral­men­te por todo o mundo. (⌘.⌘.⌘. ) Minha filha mais velha casou-se no tem­plo com um ex-mis­sio­ná­rio. (⌘.⌘.⌘. ) Meus três filhos mais velhos já foram pre­si­den­tes do quó­rum de élde­res e líde­res da obra mis­sio­ná­rio de suas alas, e minhas duas filhas ser­vi­ram na pre­si­dên­cia da Primária e da Sociedade de Socorro. Quatro de meus lin­dos filhos encon­tra­ram pes­soas mara­vi­lho­sas com as quais se casa­ram no tem­plo. Estão no cami­nho certo e sen­ti­ram um pouco da ale­gria de ser­vir ao pró­xi­mo.

Presidente Hinckley, isso é um mila­gre. O Senhor pro­te­geu esses Seus filhos e cui­dou deles. Atendeu a suas ora­ções. (⌘.⌘.⌘. )

O Senhor deci­diu dar-me um segun­do mari­do, e fomos sela­dos no tem­plo. Temos sido uma famí­lia. O cami­nho foi fácil? Não. Houve mi­lhões de pro­ble­mas para serem resol­vi­dos. Mas usan­do as escri­tu­ras como nossa barra de ferro, a ora­ção como nosso ali­cer­ce e a obe­diên­cia como a tri­lha a seguir, meus filhos estão apren­den­do a ‘[con­fiar] no Senhor de todo o [⌘.⌘.⌘. ] cora­ção e não [se estri­ba­rem no] pró­prio conhe­ci­men­to.’

Não conto essa his­tó­ria para (.⌘.⌘. ) me gabar, mas cer­ta­men­te posso van­glo­riar-me no Senhor. A Expiação tor­nou-se muito real para nós. Corações par­ti­dos foram cura­dos, a con­fian­ça foi res­tau­ra­da, a paz foi sen­ti­da do modo mais pra­zen­tei­ro. É real­men­te ver­da­de que ‘Todo prin­cí­pio que Deus reve­lou traz em si mesmo a pró­pria con­vic­ção de sua vera­ci­da­de. (⌘.⌘.⌘. )’ Penso em meu pri­mei­ro mari­do. Se ao menos ele pudes­se com­preen­der que já pagou pelo seu erro. (⌘.⌘.⌘. ) Ele dei­xou de sen­tir a ale­gria de ver os filhos talen­to­sos cres­ce­rem no cami­nho do Senhor. Deixou de ver suas rea­li­za­ções na esco­la e na Igreja, sua des­pe­di­da para a mis­são e seu regres­so—tudo o que torna a vida feliz. Quão grata sou pelo pri­vi­lé­gio de ter esta­do ao lado deles.

Sei que hoje exis­tem mui­tas pes­soas que estão crian­do sozi­nhas seus filhos. Como gos­ta­ria de poder ajudá-las a ver que nunca deve­mos des­per­di­çar nosso tempo revi­ven­do as pró­prias mágoas! Descobri que quan­do depo­si­ta­mos nosso fardo aos pés do Salvador, Ele o car­re­ga para nós e subs­ti­tui a angús­tia pelo amor. (⌘.⌘.⌘. ) Que o Senhor o aben­çoe e aben­çoe sua famí­lia. Com o mais pro­fun­do amor e gra­ti­dão,” ela assi­na a carta.

Gostaria de diri­gir algu­mas pala­vras a vocês, avós e bisa­vós. Vocês têm muita expe­riên­cia e enor­me com­preen­são. Podem ser uma ânco­ra neste mundo cujos valo­res estão em cons­tan­te mudan­ça. Vocês vive­ram bas­tan­te, tendo sido lapi­da­das e poli­das pelas adver­si­da­des por que pas­sa­ram. Seus modos são tran­qüi­los, seus con­se­lhos, pon­de­ra­dos. Vocês, que­ri­das mulhe­res, são tesou­ros neste mundo con­tur­ba­do. Deus as aben­çoe. Que os anos que lhes res­tam sejam cheios de sol, do amor daque­les que vocês amam e de amor pelo Senhor.

Mencionei alguns dos pro­ble­mas sérios que mui­tas de vocês estão enfren­tan­do.

Havendo tan­tas fal­si­da­des ensi­na­das como ver­da­des, tan­tos enga­nos quan­to aos padrões e valo­res, tanto incen­ti­vo e sedu­ção para que len­ta­men­te acei­te­mos a cor­rup­ção do mundo, sen­ti­mos a neces­si­dde de adver­ti-las e admoes­tá-las. Com esse intui­to nós, da Primeira Presidência e do Conselho dos Doze Apóstolos, fare­mos agora uma pro­cla­ma­ção a toda a Igreja e ao mundo, como decla­ra­ção e rea­fir­ma­ção dos padrões, dou­tri­nas e prá­ti­cas refe­ren­tes à famí­lia, que os pro­fe­tas, viden­tes e reve­la­do­res desta Igreja repe­ti­da­men­te decla­ra­ram ao longo de sua his­tó­ria. Aproveito a opor­tu­ni­da­de para ler a pro­cla­ma­ção para vocês:

“Nós, a Primeira Presidência e o Conselho dos Doze Apóstolos de A Igrejas de Jesus Cristo dos Santos dos Últi­mos Dias, sole­men­te pro­cla­ma­mos que o casa­men­to entre homem e mulher foi orde­na­do por Deus e que a famí­lia é essen­cial ao plano do Criador para o des­ti­no eter­no de Seus filhos.

Todos os seres huma­nos—homem e mulher—foram cria­dos à ima­gem de Deus. Cada indi­ví­duo é um filho (ou filha) gera­do em espí­ri­to por pais celes­tiais que o amam e, como tal, pos­sui natu­re­za e des­ti­no divi­nos. O sexo (mas­cu­li­no ou femi­ni­no) é uma carac­te­rís­ti­ca essen­cial da iden­ti­da­de e do pro­pó­si­to pré-mor­tal, mor­tal e eter­no de cada um.

Na esfe­ra pré-mor­tal, os filhos e filhas que foram gera­dos em espí­ri­to conhe­ciam e ado­ra­vam a Deus como seu Pai Eterno e acei­ta­ram Seu plano, segun­do o qual Seus fi­lhos pode­riam obter um corpo físi­co e adqui­rir expe­riên­cia ter­re­na a fim de pro­gre­di­rem rumo à per­fei­ção, ter­mi­nan­do por alcan­çar seu des­ti­no divi­no como her­dei­ros da vida eter­na. O plano divi­no de feli­ci­da­de per­mi­te que os rela­cio­na­men­tos fami­lia­res sejam per­pe­tua­dos além da morte. As orde­nan­ças e os con­vê­nios sagra­dos dos tem­plos san­tos per­mi­tem que as pes­soas retor­nem à pre­sen­ça de Deus e que as famí­lias sejam uni­das para sem­pre.

O pri­mei­ro man­da­men­to dado a Adão e Eva por Deus refe­ria-se ao poten­cial de tor­na­rem-se pais, na con­di­ção de mari­do e mulher. Declaramos que o man­da­men­to dado por Deus a Seus filhos, de mul­ti­pli­ca­rem-se e enche­rem a Terra, con­ti­nua em vigor. Declaramos tam­bém que Deus orde­nou que os pode­res sagra­dos de pro­cria­ção sejam empre­ga­dos somen­te entre homem e mulher, legal­men­te casa­dos.

Declaramos que o meio pelo qual a vida mor­tal é cria­da foi esta­be­le­ci­do por Deus. Afirmamos a san­ti­da­de da vida e sua impor­tân­cia no plano eter­no de Deus.

O mari­do e a mulher têm a sole­ne res­pon­sa­bi­li­da­de de amar-se mutua­men­te e amar os filhos, e de cui­dar um do outro e dos filhos. “Os filhos são heran­ça do Senhor.” (Salmos 127:3) Os pais têm o sagra­do dever de criar os filhos com amor e reti­dão, aten­der a suas neces­si­da­des físi­cas e espi­ri­tuais, ensi­ná-los a amar e ser­vir uns aos outros, guar­dar os man­da­men­tos de Deus e ser cida­dãos cum­pri­do­res da lei, onde quer que morem. O mari­do e a mulher—o pai e a mãe—serão con­si­de­ra­dos res­pon­sá­veis peran­te Deus pelo cum­pri­men­to des­sas obri­ga­ções.

A famí­lia foi orde­na­da por Deus. O casa­men­to entre o homem e a mulher é essen­cial para Seu plano eter­no. Os filhos têm o direi­to de nas­cer den­tro dos laços do matri­mô­nio e de ser cria­dos por pai e mãe que hon­rem os votos matri­mo­niais com total fide­li­da­de. A feli­ci­da­de na vida fami­liar é mais pro­vá­vel de ser alcan­ça­da quan­do fun­da­men­ta­da nos ensi­na­men­tos do Senhor Jesus Cristo. O casa­men­to e a famí­lia bem suce­di­dos são esta­be­le­ci­dos e man­ti­dos sob os prin­cí­pios da fé, da ora­ção, do arre­pen­di­men­to, do res­pei­to, do amor, da com­pai­xão, do tra­ba­lho e de ati­vi­da­des recrea­ti­vas salu­ta­res. Segundo o mode­lo divi­no, o pai deve pre­si­dir a famí­lia com amor e reti­dão, tendo a res­pon­sa­bi­li­da­de de aten­der às neces­si­da­des de seus fami­lia­res e de pro­te­gê-los. A res­pon­sa­bi­li­da­de pri­mor­dial da mãe é cui­dar dos filhos. Nessas atri­bui­ções sagra­das, o pai e a mãe têm a obri­ga­ção de aju­dar-se mutua­men­te, como par­cei­ros iguais. Enfermidades, fale­ci­men­tos ou ou­tras cir­cuns­tân­cias podem exi­gir adap­ta­ções espe­cí­fi­cas. Outros paren­tes devem ofe­re­cer ajuda quan­do neces­sá­rio.

Advertimos que as pes­soas que vio­lam os con­vê­nios de cas­ti­da­de, que mal­tra­tam o côn­ju­ge ou os fi­lhos, ou que dei­xam de cum­prir suas res­pon­sa­bi­li­da­des fami­lia­res, deve­rão um dia res­pon­der peran­te Deus pelo cum­pri­men­to des­sas obri­ga­ções. Advertimos tam­bém que a desin­te­gra­ção da famí­lia fará recair sobre pes­soas, comu­ni­da­des e nações as cala­mi­da­des pre­di­tas pelos pro­fe­tas anti­gos e moder­nos.

Conclamamos os cida­dãos e gover­nan­tes res­pon­sá­veis de todo o mundo a pro­mo­ve­rem as medi­das desig­na­das para man­ter e for­ta­le­cer a famí­lia como a uni­da­de fun­da­men­tal da socie­da­de.” (Fim da Proclamação.)

Recomendamos a todos uma lei­tu­ra cui­da­do­sa, pon­de­ra­da e fer­vo­ro­sa dessa pro­cla­ma­ção. A força de qual­quer nação baseia-se no que acon­te­ce den­tro das pare­des do lar. Instamos nosso povo em todo o mundo a for­ta­le­cer a famí­lia, segun­do esses valo­res que o tempo con­sa­grou.

Que o Senhor as aben­çoe, mi­nhas que­ri­das irmãs. Vocês são as guar­diãs do lar. São aque­las que criam os filhos, for­man­do neles os hábi­tos com que con­du­zi­rão sua vida. Nada nos apro­xi­ma tanto da divin­da­de quan­to o tra­ba­lho de criar os filhos e as filhas de Deus. Que vocês sejam for­ta­le­ci­das para enfren­tar os desa­fios diá­rios. Que tenham sabe­do­ria além da pró­pria para lidar com os pro­ble­mas que cons­tan­te­men­te enfren­tam. Que suas ora­ções e súpli­cas sejam res­pon­di­das com bên­çãos sobre vocês e sobre seus entes que­ri­dos. Oferecemos-lhes nosso amor e nossa bên­ção, para que sua vida seja plena de paz e feli­ci­da­de. Isto é pos­sí­vel. Muitos podem tes­ti­fi­car isso. Que o Senhor as aben­çoe hoje e nos anos vin­dou­ros é minha humil­de ora­ção em nome de nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Amém. 9

Como citar este discursoGordon B. Hinckley, “Enfrentar com Firmeza as Artimanhas do Mundo”, Conferência Geral de Outubro de 1995, General Relief Society Meeting (1995-10-07). Pulpit Vault, 1995-10-hinckley-stand-strong-against-the-wiles-of-the-world. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).