Pulpit

As Bênçãos do Sacerdócio

James E. Faust

Conferência Geral de Outubro de 1995·Sunday Morning Session·1995-10-07

Queridos irmãos, irmãs e ami­gos. Desejo expres­sar meu amor e apre­ço por sua fide­li­da­de e devo­ção. Rogo-lhes sin­ce­ra­men­te sua fé e ora­ções enquan­to abor­do um assun­to muito impor­tan­te e sagra­do: o poder divi­no, mag­ni­fi­ca­dor e for­ta­le­ce­dor que pode­mos rece­ber por meio das bên­çãos do sacer­dó­cio.

Uma bên­ção do sacer­dó­cio é sagra­da. Pode ser uma decla­ra­ção santa e ins­pi­ra­da de nos­sos dese­jos e neces­si­da­des. Se esti­ver­mos espi­ri­tual­men­te sin­to­ni­za­dos, pode­re­mos rece­ber um tes­te­mu­nho con­fir­ma­dor da vera­ci­da­de das bên­çãos pro­me­ti­das. As bên­çãos do sacer­dó­cio podem aju­dar-nos tanto nas peque­nas como nas gran­des deci­sões da vida. Se, por meio de nos­sas bên­çãos do sacer­dó­cio, pudés­se­mos per­ce­ber ape­nas uma peque­na por­ção da pes­soa que Deus pre­ten­de que seja­mos, per­de­ría­mos o medo e nunca mais duvi­da­ría­mos. Quando era peque­no, lem­bro-me de que me intri­ga­vam as len­tes de aumen­to de minha avó, que as usava em sua velhi­ce para ler e bor­dar. Quando as len­tes esta­vam foca­li­za­das, tudo que eu via atra­vés delas fica­va muito amplia­do. Mas eu fica­va mais curio­so com o que acon­te­cia quan­do as len­tes con­cen­tra­vam a luz do sol sobre algum obje­to. Ao pas­sar atra­vés da lente de aumen­to, o poder da luz do sol fica­va abso­lu­ta­men­te assom­bro­so.

Esse gran­de efei­to de aumen­to pode ser com­pa­ra­do a uma bên­ção gran­dio­sa rece­bi­da por Jacó depois de lutar duran­te a maior parte da noite para rece­bê-la, “Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele (um men­sa­gei­ro1 de Deus), até que a alva subiu.

( … ) E disse: Deixa-me ir, por­que já a alva subiu. Porém ele disse: Não te dei­xa­rei ir, se me não aben­çoa­res.

E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.

Então disse: Não te cha­ma­rás mais Jacó, mas Israel; pois como prín­ci­pe lutas­te com Deus e com os homens, e pre­va­le­ces­te”.2

Jacó rece­beu sua bên­ção nessa expe­riên­cia mara­vi­lho­sa e, nós, como her­dei­ros de Abraão por meio do san­gue de Israel, tam­bém rece­be­mos nos­sas bên­çãos da graça divi­na. Como o Senhor disse em Doutrina e Convênios:

“Pois de acor­do com a carne, sois her­dei­ros legais ( … )

Portanto, a vossa vida e o sacer­dó­cio per­ma­ne­ce­ram, e é neces­sá­rio que per­ma­ne­çam atra­vés de vós e de vossa linha­gem, até a res­tau­ra­ção de todas as coi­sas de que fala­ram as bocas de todos os san­tos pro­fe­tas, desde o prin­cí­pio do mundo.”3

Diferentemente de Jacó, não pre­ci­sa­mos lutar fisi­ca­men­te boa parte da noite para que as bên­çãos nos for­ta­le­çam e mag­ni­fi­quem. Na Igreja, as bên­çãos encon­tram-se à dis­po­si­ção de todos os que são dig­nos, por meio daque­les que são auto­ri­za­dos e até desig­na­dos para dar bên­çãos do sacer­dó­cio. Os pre­si­den­tes de esta­ca, bis­pos, pre­si­den­tes de quó­rum e mes­tres fami­lia­res são auto­ri­za­dos a dar bên­çãos. Pais e avós dig­nos, assim como outros ⌦por­ta­do­res do Sacerdócio de Melquisedeque, podem dar bên­çãos aos mem­bros em casos de doen­ça e por oca­sião de even­tos impor­tan­tes. Essas bên­çãos indi­vi­duais fazem parte da reve­la­ção con­tí­nua que rei­vin­di­ca­mos como mem­bros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últi­mos Dias.

O Élder John H. Widtsoe decla­rou: “Todo pai, tendo filhos nas­ci­dos sob o con­vê­nio, é para eles um patriar­ca e tem o direi­to de aben­çoar sua pos­te­ri­da­de com a auto­ri­da­de do sacer­dó­cio que pos­sui.”4 Sabemos que o evan­ge­lho sem­pre fun­cio­nou e sem­pre fun­cio­na­rá por meio das famí­lias. Desde os pri­mei­ros tem­pos bíbli­cos, a ordem foi leva­da à casa de Israel por meio de uni­da­des fami­lia­res. A uni­da­de fami­liar tinha, ine­ren­te e inter­na­men­te, o amor e inte­res­se natu­rais, além dos laços de san­gue para levar paz, esta­bi­li­da­de e orien­ta­ção aos povos de Deus. O mesmo acon­te­ce hoje, essen­cial­men­te pelas mes­mas razões. Nenhuma outra uni­da­de da socie­da­de é um subs­ti­tu­to efi­caz para os laços de amor e afei­ção ine­ren­tes nas famí­lias. Os líde­res natu­rais da uni­da­de fami­liar são os pais, per­ma­ne­cen­do lado a lado como iguais na orien­ta­ção amo­ro­sa de seus filhos. Cada um dos pro­ge­ni­to­res trás uma influên­cia enri­que­ce­do­ra sepa­ra­da. O poder do sacer­dó­cio deve­ria ser a influên­cia domi­nan­te nos assun­tos fami­lia­res. As bên­çãos do sacer­dó­cio não envol­vem ape­nas os homens. Elas aben­çoam, igual e com­ple­ta­men­te, tam­bém as mulhe­res e crian­ças da famí­lia. Qualquer coisa que debi­li­te a ordem fami­liar é des­tru­ti­va para a uni­da­de fami­liar e a socie­da­de.

Somos muito afor­tu­na­dos por haver alguns homens espe­ci­fi­ca­men­te orde­na­dos e auto­ri­za­dos, pelo seu ofí­cio e cha­ma­do do sacer­dó­cio, a dar bên­çãos e decla­rar nossa linha­gem na casa de Israel. A decla­ra­ção ins­pi­ra­da de linha­gem é uma parte essen­cial da bên­ção. Presto home­na­gem e tri­bu­to aos homens nobres e fiéis que são nos­sos patriar­cas orde­na­dos. Eles não foram em busca dessa res­pon­sa­bi­li­da­de pesa­da e soli­tá­ria. Freqüentemente estão entre os mais humil­des e devo­ta­dos de nos­sos irmãos. Esses homens esco­lhi­dos con­ser­vam-se dig­nos da ins­pi­ra­ção dos céus. Os patriar­cas têm o pri­vi­lé­gio de dar bên­çãos por­que têm o direi­to de falar com auto­ri­da­de sob a ins­pi­ra­ção do Senhor.

O ofí­cio de patriar­ca per­ten­ce ao Sacerdócio de Melquisedeque. É um ofí­cio liga­do a bên­çãos e não a admi­nis­tra­ção. É um cha­ma­do para reve­la­ção, sagra­do e espi­ri­tual, que nor­mal­men­te con­ti­nua por gran­de parte da vida do patriar­ca. Os nos­sos patriar­cas dedi­cam-se ple­na­men­te aos seus cha­ma­dos e fazem tudo que podem para viver com fé e dig­ni­da­de, a fim de que cada bên­ção seja ins­pi­ra­da. O cha­ma­do do patriar­ca trans­for­ma-se numa expe­riên­cia bela, sagra­da, espi­ri­tual e gra­ti­fi­can­te. Conforme é movi­do pelo Santo Espírito, o patriar­ca decla­ra, por ins­pi­ra­ção, a linha­gem da pes­soa na casa de Israel, jun­ta­men­te com bên­çãos, dons espi­ri­tuais, pro­mes­sas, con­se­lhos, admoes­ta­ções e adver­tên­cias que o patriar­ca seja ins­pi­ra­do a dar. A bên­ção patriar­cal é, em essên­cia, uma bên­ção e decla­ra­ção pro­fé­ti­ca.

A bên­ção patriar­cal rece­bi­da de um patriar­ca orde­na­do pode ser uma estre­la-guia em nossa vida, e é uma reve­la­ção pes­soal de Deus a cada indi­ví­duo. Se seguir­mos essa estre­la, have­rá menos pro­ba­bi­li­da­des de tro­pe­çar­mos e de ser­mos desen­ca­mi­nha­dos. Nossa bên­ção patriar­cal será uma ânco­ra para a alma e, se for­mos dig­nos, nem a morte nem o diabo pode­rão pri­var-nos das bên­çãos pro­nun­cia­das. São bên­çãos que pode­mos usu­fruir agora e para sem­pre.

Como com mui­tas outras, as bên­çãos patriar­cais devem ser soli­ci­ta­das por quem as dese­ja. A res­pon­sa­bi­li­da­de pelo rece­bi­men­to da bên­ção patriar­cal repou­sa prin­ci­pal­men­te sobre o indi­ví­duo, quan­do ele tem com­preen­são sufi­cien­te do sig­ni­fi­ca­do de uma bên­ção patriar­cal. Encorajo todos os mem­bros da Igreja que pos­suem essa matu­ri­da­de a tor­na­rem-se dig­nos e obte­rem sua bên­ção. Por sua pró­pria natu­re­za, todas as bên­çãos são con­di­cio­na­das à dig­ni­da­de, inde­pen­den­te­men­te de a bên­ção men­cio­nar espe­ci­fi­ca­men­te ou não, as con­di­ções. A bên­ção patriar­cal é basi­ca­men­te um guia para o futu­ro, não um resu­mo do pas­sa­do. Assim, é impor­tan­te que a pes­soa que a rece­be seja sufi­cien­te­men­te jovem para que mui­tos dos acon­te­ci­men­tos sig­ni­fi­ca­ti­vos de sua vida ainda per­ten­çam ao futu­ro. Soube, recen­te­men­te, de uma pes­soa com mais de noven­ta anos que rece­beu a bên­ção patriar­cal. Seria inte­res­san­te ler essa bên­ção.

O patriar­ca não tem nenhu­ma bên­ção dele mesmo para dar. Ouvimos o Élder LeGrand Richards con­tar a res­pei­to de um patriar­ca que disse, certa vez, a uma senho­ra, “Tenho uma bên­ção mara­vi­lho­sa para você”. Mas quan­do o patriar­ca impôs as mãos sobre a cabe­ça dessa pes­soa, sen­tiu a mente com­ple­ta­men­te vazia. Ele des­cul­pou-se. “Eu esta­va enga­na­do. Não tenho uma bên­ção para você. É o Senhor quem tem uma bên­ção para você”. A mu­lher vol­tou no dia seguin­te e, depois de o patriar­ca ter orado fer­vo­ro­sa­men­te ao Senhor, deu-lhe uma bên­ção que men­cio­na­va preo­cu­pa­ções que só essa boa irmã conhe­cia. Todas as bên­çãos vêm de Deus. Nosso Pai Celestial conhe­ce Seus filhos. Conhece suas for­ças e fra­que­zas. Conhece suas apti­dões e poten­cial. Nossas bên­çãos patriar­cais indi­cam o que Ele espe­ra de nós e qual pode ser nosso poten­cial.

As bên­çãos patriar­cais devem ser lidas humil­de, devo­ta e fre­qüen­te­men­te. Uma bên­ção patriar­cal é muito sagra­da e pes­soal, mas pode ser com­par­ti­lha­da com mem­bros pró­xi­mos da famí­lia. É uma dire­triz sagra­da que con­tém con­se­lhos, pro­mes­sas e infor­ma­ções do Senhor; no entan­to, a pes­soa não deve espe­rar que a bên­ção deta­lhe tudo que lhe acon­te­ce­rá ou que res­pon­da a todas as per­gun­tas. O fato de que a bên­ção patriar­cal pode não men­cio­nar acon­te­ci­men­tos impor­tan­tes da vida, como uma mis­são ou casa­men­to, não sig­ni­fi­ca que isso não irá acon­te­cer. Para que nossa bên­ção patriar­cal, se cum­pra, pre­ci­sa­mos ente­sou­rar no cora­ção as pala­vras pre­cio­sas que ela con­tém, pon­de­rar a res­pei­to delas e viver de manei­ra a rece­ber as bên­çãos na mor­ta­li­da­de e uma coroa de jus­ti­ça no por­vir.

Minha pró­pria bên­ção é curta, limi­tan­do-se tal­vez a três quar­tos de um lado de uma folha; no entan­to, tem sido com­ple­ta­men­te ade­qua­da e per­fei­ta para mim. Recebi-a no iní­cio de minha ado­les­cên­cia. O patriar­ca pro­me­teu que minha bên­ção “seria um con­for­to e um guia” para mim duran­te a vida toda. Quando meni­no eu a lia repe­ti­da­men­te. Ponderava sobre cada pala­vra. Orava fer­vo­ro­sa­men­te para com­preen­der com­ple­ta­men­te seu sig­ni­fi­ca­do espi­ri­tual. Essa bên­ção tendo-a eu rece­bi­do bem cedo na vida, foi um guia em todos os acon­te­ci­men­tos e desa­fios sig­ni­fi­ca­ti­vos de minha exis­tên­cia. Não enten­di com­ple­ta­men­te o sig­ni­fi­ca­do de minha bên­ção até alcan­çar mais matu­ri­da­de e expe­riên­cia. Ela men­cio­na­va algu­mas das res­pon­sa­bi­li­da­des que eu teria no Reino de Deus ⌦na Terra.

O Presidente Heber J. Grant falou sobre a bên­ção patriar­cal que rece­beu: “O patriar­ca colo­cou-me as mãos sobre a cabe­ça e con­fe­riu-me uma peque­na bên­ção que tal­vez che­gas­se a um terço de uma pági­na dati­lo­gra­fa­da. Aquela bên­ção pre­dis­se minha vida até o momen­to pre­sen­te.”5

O Élder John A. Widtsoe disse: “Devemos sem­pre man­ter em mente que a rea­li­za­ção das pro­mes­sas pode acon­te­cer nesta ou na vida futu­ra. Às vezes os homens tro­pe­çam por­que as bên­çãos pro­me­ti­das não ocor­re­ram nesta vida. Deixaram de lem­brar-se que, no evan­ge­lho, a vida com todas as suas ati­vi­da­des con­ti­nua para sem­pre, e que os labo­res da Terra podem con­ti­nuar no céu. Além disso, o Doador das bên­çãos, o Senhor, reser­va-se o direi­to de esco­lher o momen­to de fazê-las acon­te­cer, de acor­do com Seus pro­pó­si­tos divi­nos. Nós e nos­sas bên­çãos esta­mos nas mãos do Senhor. Mas há um tes­te­mu­nho geral de que sem­pre que a lei do evan­ge­lho foi obe­de­ci­da, rea­li­zam-se as bên­çãos pro­me­ti­das.”6

Isso foi bem ilus­tra­do na bên­ção patriar­cal de meu pai. Foi-lhe dito na bên­ção que ele seria aben­çoa­do com “mui­tas e belas filhas”. Ele e minha mãe tive­ram cinco filhos. Não tive­ram nenhu­ma filha, mas tra­tam as espo­sas de seus filhos como filhas. Há alguns anos, quan­do fize­mos uma reu­nião da famí­lia, vi as noras, netas, e bis­ne­tas de meu pai movi­men­tan­do-se para cui­dar da comi­da, cui­dar das crian­ci­nhas e dos ido­sos, e com­preen­di que a bên­ção de meu pai cum­pri­ra-se lite­ral­men­te. Ele tem mesmo mui­tas e belas filhas. O patriar­ca que deu a bên­ção a meu pai tinha visão espi­ri­tual para ver além desta vida. A linha divi­só­ria entre o tempo e a eter­ni­da­de desa­pa­re­ce­ra.

A Igreja está-se expan­din­do em um ritmo incrí­vel. Temos agora esta­cas de Sião em mui­tos paí­ses do mundo, e a maio­ria das esta­cas pos­sui pelo menos um patriar­ca. Esse cres­ci­men­to per­mi­te que mui­tas pes­soas da Terra tenham o pri­vi­lé­gio de rece­ber sua bên­ção patriar­cal. Como decla­rou certa vez o Presidente Joseph Fielding Smith: “A gran­de maio­ria dos que se tor­nam mem­bros da Igreja são des­cen­den­tes lite­rais de Abraão atra­vés de Efraim, filho de José”.7

No entan­to, Manassés, o outro filho de José, pos­sui mui­tos des­cen­den­tes na Igreja, assim como os ou­tros filhos de Jacó. Pode ser que haja alguns que se filiam à Igreja hoje que não são da linha­gem do san­gue de Jacó. Que nin­guém pre­su­ma que lhe será nega­da qual­quer bên­ção por não per­ten­cer à linha­gem do san­gue de Israel. O Senhor disse a Abraão: “E Eu os aben­çoa­rei atra­vés de teu nome; pois quan­tos rece­be­rem este evan­ge­lho, serão cha­ma­dos segun­do teu nome, e serão con­ta­dos entre tua semen­te, e se levan­ta­rão e te aben­çoa­rão, como seu pai”.8

Néfi diz-nos que “todos os gen­tios que se arre­pen­de­rem serão o povo do con­vê­nio do Senhor”.9 Portanto não faz dife­ren­ça se as bên­çãos da casa de Israel são dadas por meio de linha­gem ou de ado­ção.

Alguns podem estar con­fu­sos por terem obser­va­do que mem­bros da mesma famí­lia rece­bem bên­çãos que os decla­ram de linha­gem dife­ren­te. Algumas famí­lias são de linha­gem mista. Acreditamos que a casa de Israel hoje cons­ti­tua uma gran­de parte da famí­lia huma­na. Como as tri­bos se mis­tu­ra­ram umas com as outras, um filho pode ser decla­ra­do como sendo da tribo de Efraim, e outro, da mesma famí­lia, da tribo de Manassés, ou de qual­quer das outras tri­bos. A bên­ção de uma tribo, por­tan­to, pode ser domi­nan­te em um filho e a bên­ção de outra tribo, domi­nan­te em outro filho. Assim, filhos dos mes­mos pais podem rece­ber ⌦bên­çãos de tri­bos dife­ren­tes.

Uma das prin­ci­pais razões de eu estar falan­do sobre esse assun­to é que a bên­ção patriar­cal e as outras bên­çãos tes­ti­fi­cam a divin­da­de de Cristo e a vera­ci­da­de da Igreja. Essas bên­çãos sagra­das tam­bém for­ta­le­cem as pes­soas dig­nas que as rece­bem. Dessa forma, as bên­çãos do pai, as bên­çãos patriar­cais e as outras bên­çãos são um notá­vel pri­vi­lé­gio que encon­tra-se à dis­po­si­ção dos mem­bros fiéis que têm matu­ri­da­de sufi­cien­te para enten­der a natu­re­za e impor­tân­cia des­sas bên­çãos. Essas bên­çãos indi­vi­dua­li­za­das do sacer­dó­cio são um gran­de tes­te­mu­nho do amor do Senhor Jesus ao pro­cu­rar pro­por­cio­nar a exal­ta­ção a cada um de nós. Elas são nossa reve­la­ção pes­soal vinda de Deus.

Nossas bên­çãos podem incen­ti­var-nos quan­do esta­mos desa­ni­ma­dos, for­ta­le­cer-nos quan­do temos medo, con­for­tar-nos quan­do nos entris­te­ce­mos, dar-nos cora­gem quan­do esta­mos cheios de ansie­da­de, e erguer-nos quan­do esta­mos fra­cos de espí­ri­to. Nosso tes­te­mu­nho pode ser for­ta­le­ci­do cada vez que lemos nossa bên­ção patriar­cal.

Como as ima­gens da lente de aumen­to de minha avó, pode­mos ficar mais for­tes, nos­sos talen­tos e capa­ci­da­des podem ser mag­ni­fi­ca­dos e mul­ti­pli­ca­dos, nossa com­preen­são pode ser gran­de­men­te amplia­da e nossa espi­ri­tua­li­da­de pode flo­res­cer. Morôni ensi­nou que “toda boa dádi­va vem de Cristo.”10 Mas o Senhor disse: “Se um dom é con­fe­ri­do a um homem, de que pro­vei­to é se ele não o acei­ta?”11

Humilde e fer­vo­ro­sa­men­te peço, àque­les que por algum moti­vo não este­jam viven­do de modo a trans­for­mar em rea­li­da­de real o que foi decla­ra­do em sua bên­ção, que colo­quem a vida em ordem, a fim de rei­vin­di­car essas bên­çãos.

Exorto os mem­bros fiéis desta Igreja a pro­cu­ra­rem enten­der o pleno sig­ni­fi­ca­do de suas bên­çãos. Talvez nem tenham cons­ciên­cia de alguns dons que lhes foram con­fe­ri­dos. Essas dádi­vas podem ser de natu­re­za ínti­ma, tanto espi­ri­tual como mate­rial. Oro para que todos rece­ba­mos nos­sos dons.

Assim fazen­do, nossa com­preen­são, nossa fé e nosso tes­te­mu­nho do Senhor Jesus Cristo serão amplia­dos. Isso eu humil­de­men­te tes­ti­fi­co em nome de Jesus Cristo. Amém. 9

Notes

  1. Ver Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação, 1:17. ↩

  2. Gênesis 32:24, 26–28. ↩

  3. D&C 86:9–10. ↩

  4. Evidences and Reconciliations,(Evidências e Reconciliações) 3ª ed. (Salt Lake City: Bookcraft, 1943), p. 72. ↩

  5. Citado em James R. Clark, compilador, Messages of the First Presidency of The Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints, (Mensagem da Primeira Presidência de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) 6 . (Salt Lake City: Bookcraft, 1965–75), 5:152. ↩

  6. Evidences and Reconciliations, p. 75. ↩

  7. Doutrinas de Salvação, 3:246. ↩

  8. Abr. 2:10. ↩

  9. 2 Né. 30:2. ↩

  10. Morô. 10:18. ↩

  11. D&C 88:33. ↩

Como citar este discursoJames E. Faust, “As Bênçãos do Sacerdócio”, Conferência Geral de Outubro de 1995, Sunday Morning Session (1995-10-07). Pulpit Vault, 1995-10-faust-priesthood-blessings. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).