O Amor Maduro de uma Criança
Albert Choules Jr.
O que gostaria de deixar convosco, hoje, centraliza-se em três declarações feitas pelo Salvador quando estava na Terra. Quando Lhe pediram que definisse “o primeiro de todos os mandamentos”, respondeu: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de todo a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças”. (Marcos 12:28, 30.) Portanto, obediência a esses mandamentos deve ser nossa prioridade máxima. Tudo o que fizermos deve evidenciar nosso amor ao Pai Celestial. ¶
Jesus mostrou várias formas de demonstrarmos o amor que devemos ter por Ele e pelo Pai Celestial, mas resumiu-as numa simples declaração: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. (João 14:15.) ¶
Mais tarde, o Salvador acrescentou outra pequena declaração de fácil entendimento: “Amai-vos uns aos outros”. (João 13:34.) Nosso amor a Deus, a Jesus Cristo e aos semelhantes deve acompanhar tudo que fazemos e sentimos. Quando damos amor sincero, recebemos amor em troca. O amor assim partilhado traz confiança, apoio e um nível de segurança insuperável. Uma criança aconchega-se naturalmente nos braços da mãe, procurando amor e proteção daquela que lhe deu a vida. Esse tipo de amor inato parece exemplificar o mandamento de nos amarmos uns aos outros. As crianças parecem amar seus semelhantes com muita naturalidade. A expectativa que têm de receber amor em troca parece ser também inata. ¶
Essa tendência típica das crianças para o amor ficou especialmente clara para mim ao visitar a Romênia pela primeira vez. Lembro-me vividamente. A irmã Choules e eu fomos a várias instituições com nossos missionários que prestavam serviço humanitário. Num orfanato, vimos uma sala um pouco estreita e comprida, com paredes de vidro, onde brincavam aproximadamente vinte crianças. Tinham cerca de três anos de idade. Passavam a maior parte do dia entretendo-se umas com as outras, aparentemente com pouca ou nenhuma supervisão adulta. Perguntei à supervisora se poderíamos entrar e tirar algumas fotos. Ela concordou. Ao abrir a porta, muitas crianças correram. Lembrei-me de ocasiões, quando eu era jovem, em que vi gado e cavalos correndo para a liberdade quando alguém abria a porteira de um curral. Essas crianças, contudo, não estavam correndo para se libertarem, mas estavam carentes de amor. Logo tínhamos uma ou mais crianças agarrando-nos as pernas, à procura do amor pelo qual tanto ansiavam. Sempre me lembrarei da fotografia que tirei da irmã Choules segurando uma dessas crianças nos braços, abraçadas uma à outra. Essas crianças só queriam amar e ser amadas. Esses pequeninos e outras crianças parecem ter nascido com esse desejo e essa capacidade irrestritos. ¶
Quando crescemos, porém, parece que nos acostumamos com algo diferente. Parece mais difícil dar e receber amor sincero como as crianças o fazem tão naturalmente. O Senhor não apenas disse “amai-vos uns aos outros”, mas prefaciou essas palavras com: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros.” Em seguida, ensinou-nos o tipo de amor que deveríamos cultivar, acrescentando: “Como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”. (João 13:34.) ¶
Muitas vezes me pergunto: Por que é preciso que nos mandem, nós, adultos, fazer o que flui tão naturalmente nas crianças? Talvez seja por isso que Cristo nos tenha dito que deveríamos ser como as criancinhas, “porque dos tais é o reino dos céus.” (Mateus 19:14.) ¶
O reino dos céus pelo qual lutamos pode começar com uma vida celestial aqui e agora. Podemos desenvolver um amor como o das crianças, mas de forma amadurecida. O Presidente David O. McKay disse: ¶
“Não conheço outro local melhor do que o lar para encontrarmos felicidade nesta vida. É possível fazer do lar um pedaço do céu; na verdade, vejo o céu como uma continuação do lar ideal. Certo homem disse: ‘O lar repleto de alegria é uma das maiores esperanças da vida.’” (Conference Report, Abr. 1964, p. 5; ou Improvement Era, jun. 1964, p. 520.) ¶
Como fazermos de nossa casa um lar ideal e o prelúdio do céu? Acho que começamos com a admoestação do Salvador de guardar Seus mandamentos e de fazê-lo especificamente dentro de nosso lar. Esposos e esposas—pais e mães—dai o exemplo e mostrai como tudo deve transcorrer no lar. Espera-se que o relacionamento entre o casal comece num altar sagrado e num templo santo. Lá eles se ajoelham, sabendo que são dignos desse privilégio sagrado. Estão preparados e prontos para fazer convênios sagrados—para estabelecer em primeiro lugar na vida a meta de estarem juntos no céu. O egoísmo tem que ser posto de lado. Eles iniciam uma sociedade—uma sociedade plena—que deve ser eterna. ¶
Há poucos anos, soube de vários exemplos em que um homem em especial tentou exercer domínio injusto, simplesmente porque se convencera de que esse era o seu papel como homem. Alguns declaram erroneamente que tal atitude é certa porque portam o sacerdócio. Nada poderia estar mais longe da verdade. A sagrada declaração da seção 121 de Doutrina e Convênios desmente esse conceito errôneo. ¶
A escritura afirma claramente: ¶
“Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido por virtude do sacerdócio, a não ser que seja com persuasão, com longanimidade, com mansuetude e ternura, e com amor não fingido; ¶
Com benignidade e conhecimento puro que grandemente ampliarão a alma, sem hipocrisia e sem dolo. ¶
Reprovando logo com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando um amor maior por aquele que repreendeste, para que não te julgue seu inimigo; ¶
Para que ele saiba que a tua fidelidade é mais forte do que os laços da morte.” (D&C 121:41-44.) ¶
Um homem dominador e insensível, ao contrário, talvez zombe da frase “reprovando logo com firmeza”. Na verdade, talvez reprove com firmeza elevando freqüentemente o tom de voz, proferindo palavras e frases vulgares, até agredindo fisicamente ou utilizando-se de outros tipos de abuso. Esquece-se de como deve reprovar: “Quando movido pelo Espírito Santo”. Nenhum gesto abusivo tem a sanção dos céus, muito menos tem lá a sua origem. Tal homem parece ter-se esquecido também de que há não muito tempo se ajoelhou num altar sagrado e fez convênio com sua companheira e com Deus de guardar todos os mandamentos do Senhor. Nenhum homem—particularmente um portador do sacerdócio—tem direito de tratar mal qualquer mulher, especialmente a esposa, com quem espera compartilhar a alegria eterna. Sem dúvida, não se justifica um domínio injusto sob a asserção errônea de que um homem pode agir dessa forma porque é o marido, o cabeça da família e, especialmente, porque tem a autoridade do sacerdócio. A escritura é clara ao dizer que quando há abuso da autoridade sagrada, a autoridade do sacerdócio é retirada. (Ver D&C 121:34-37.) ¶
Élder M. Russell Ballard, do Quórum dos Doze, salientou isso na última conferência de outubro, dizendo: ¶
“Qualquer homem que invoca os poderes especiais do céu para os próprios interesses egoístas e procura usar o sacerdócio em qualquer grau de injustiça, na Igreja ou no lar, simplesmente não compreende a natureza de sua autoridade. ¶
Felizmente, a maioria de nossos pais e líderes do sacerdócio lideram com amor, assim como a maioria de nossas mães e líderes das auxiliares. A liderança fundamentada no amor é acompanhada de inacreditável poder. Ele é real e produz resultados duradouros na vida dos filhos do Pai Celestial.” (A Liahona, jan. 1994, p. 84.) ¶
Paulo ensinou resumidamente: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela”. (Efésios 5:25.) Quando prevalece o amor verdadeiro entre marido e mulher, eles querem dar-se um ao outro e sacrificar-se um pelo outro, como Cristo Se deu a Si mesmo pela igreja. Sacrificamo-nos um pelo outro diariamente, quando nos esforçamos sempre para fazer o cônjuge feliz. Assim, deixamos de pensar egoisticamente em nós mesmos e em nossas necessidades pessoais. Pensamos não apenas no aqui e agora, mas no depois. ¶
O Salvador disse: “( … ) se um homem tomar uma esposa conforme a Minha palavra, que é a Minha lei, e pelo novo e eterno convênio, ( … ) e se guardarem o Meu convênio, ( … ) ser-lhes-á feito de acordo com todas as coisas que o Meu servo lhes falou, nesta vida e por toda a eternidade; e estará em pleno vigor quando deixarem este mundo; e passarão pelos anjos e deuses que ali estão, e entrarão para a sua exaltação e glória em todas as coisas, conforme selado sobre as suas cabeças, glória que será uma plenitude e uma continuação das sementes para todo o sempre”. (D&C 132:19.) Essas são as grandes e maravilhosas bênçãos da exaltação, glória e vida eterna. Elas são seladas sobre nós somente no templo sagrado. Podemos realmente recebê-las. Com essa perspectiva eterna, somente as ações e os pensamentos amorosos podem prevalecer no lar, onde nos ajudamos mutuamente no caminho da exaltação. Essa perspectiva não apenas nos prepara para a eternidade, mas torna o aqui e agora muito mais feliz e mais satisfatório. ¶
Tenho observado as Autoridades Gerais—aqueles que compreendem os direitos do sacerdócio e as necessidades da eternidade talvez mais claramente do que as outras pessoas—e como tratam suas esposas e falam delas. Seria bom seguirmos seus exemplos de amor, respeito e bondade. ¶
As crianças aprendem a imitar os padrões dos pais. Se os pais guardam o Dia do Senhor, vão à igreja, servem fielmente em seus chamados sem criticar os líderes, guardam a Palavra de Sabedoria, pagam dízimos e ofertas de bom grado, honram os convênios feitos no templo, vivendo e ensinando os outros mandamentos aos filhos, estes recebem uma base de inestimável valor. Os filhos e filhas tratarão a futura esposa e o futuro marido da mesma forma que viram seus pais tratarem um ao outro. Podemos realmente fazer do lar um pedaço do céu na Terra, como declarou o Presidente McKay, e também estabelecer a base para que os lares de nossos filhos sejam semelhantes. ¶
Amo tanto minha esposa, Marilyn, e sou tão grato por ela, pelos anos que temos passado juntos e por seu amor a mim demonstrado de tantas maneiras! Ela é uma esposa, mãe e avó maravilhosa e é uma serva fiel do Senhor. Nas orações diárias, agradeço por ela e rogo que eu seja o tipo de marido que devo e quero ser. Sou grato por nossos filhos e netos e pelo amor que sentimos uns pelos outros. ¶
Presto testemunho de que Deus e Jesus Cristo vivem, que se nós os amarmos e guardarmos Seus mandamentos e nos amarmos uns aos outros—especialmente nossa esposa e filhos—seremos mais felizes aqui e teremos mais segurança eterna. Sou grato por esses extraordinários Irmãos que nos lideram e presto testemunho de seu chamado sagrado. Sinto-me humilde e grato pela oportunidade e bênção de servir com eles. Oro por eles e por vós todos. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶