Para Esta Vida e para Toda a Eternidade
Boyd K. Packer
No grande conselho dos céus,3 foi apresentado o plano de Deus:4 o plano de salvação,5 o plano de redenção,6 o grande plano de felicidade.7 O plano estabelece um tempo de provação; todos têm que escolher o bem ou o mal.8 Provê um Redentor, uma expiação, uma ressurreição; e, se obedecermos, a nossa volta à presença de Deus. ¶
O propósito único de Lúcifer é opor-se ao grande plano de felicidade, corromper as mais puras, mais belas e atraentes experiências de vida: romance, amor, casamento, paternidade e maternidade.12 Os espectros do coração magoado e da culpa13 seguem-no por toda parte. Somente o arrependimento pode curar o que ele fere. ¶
Nenhum outro homem serviria. Nem sozinho, nem com outro homem Adão poderia progredir. Nem tampouco Eva com outra mulher. Era assim então. E assim hoje. ¶
Nada há nas revelações que sugira que, à vista de Deus, é preferível ser homem a ser mulher, ou que Ele dá um valor maior aos filhos do que às filhas. ¶
Depois da Queda, a lei natural teve grande poder sobre o nascimento mortal. Existem, o que o Presidente J. Reuben Clark, Jr. chamou de “logros” da natureza,27 que causam variadas anormalidades, deficiências e deformidades. Entretanto, por mais injustas que possam parecer aos homens, elas, de alguma forma, ajudam os propósitos do Senhor, de testar a humanidade. ¶
Seguir cada instinto digno, a cada necessidade justa, consumar cada relação humana que exalta, são coisas previstas e aprovadas nas doutrinas do evangelho de Jesus Cristo e protegidas por mandamentos revelados à Sua igreja. ¶
As responsabilidades do sacerdócio, que se referem à administração da Igreja, por necessidade funcionam fora do lar. Por decreto divino, elas foram confiadas aos homens. Tem sido assim desde o começo, pois o Senhor revelou: “A ordem desse sacerdócio foi confirmada a fim de ser passada de pai a filho…Essa ordem foi instituída nos dias de Adão”.30 ¶
Um portador do sacerdócio não tem vantagem sobre a mulher no que se refere à qualificação para exaltação. A mulher, por sua natureza, é também co-criadora com Deus e a primeira educadora dos filhos. Virtudes e atributos, dos quais dependem a perfeição e a exaltação, são naturais na mulher e refinados por meio do casamento e da maternidade. ¶
O sacerdócio é conferido somente aos homens dignos, a fim de conformar-se ao plano de felicidade de nosso Pai. Com as leis da natureza e a palavra revelada de Deus trabalhando em harmonia, ele simplesmente funciona melhor desta maneira. ¶
Embora as diferentes funções do homem e da mulher sejam estabelecidas em declarações celestiais, elas são melhor demonstradas nas experiências mais práticas, comuns da vida familiar. ¶
Recentemente ouvi um orador, na reunião sacramental queixar-se de que não podia entender por que seus netos sempre falavam em ir à casa da avó e nunca à casa do avô. Resolvi aquele grande mistério para ele: “O avô não faz tortas!” ¶
Anos atrás supervisionei os seminários para os índios. Numa visita a uma escola em Albuquerque, Novo México, o diretor contou-me um incidente ocorrido em uma classe da primeira série. ¶
Durante a aula, um gatinho entrou na sala, distraindo as crianças. O gato foi levado à frente da classe, para que todos o vissem. ¶
Um aluno perguntou: “É um gatinho ou gatinha?” ¶
O professor, despreparado para aquele momento, disse: “Não importa; é só um filhote”. ¶
As crianças, porém, insistiram e um menino disse. “Eu sei como decidir se é um gatinho ou gatinha”. ¶
O professor, encurralado, disse: “Está bem, diga-nos como podemos saber se é um gatinho ou gatinha”. ¶
O menino respondeu: “Podemos fazer uma votação!” ¶
Certas coisas não podem ser mudadas. ¶
O Presidente Wilford Woodruff disse: “Os princípios revelados para a salvação e exaltação dos filhos dos homens são princípios que não se pode destruir. São princípios que nenhuma união de homens [ou mulheres] pode destruir. São princípios que nunca morrerão…Estão além do alcance dos homens — não podem ser manipulados nem destruídos. O mundo inteiro reunido não conseguirá destruir esses princípios…Nem um jota nem um til desses princípios será jamais destruído”.36 ¶
Durante a segunda Guerra Mundial, homens foram chamados a lutar. Na emergência, esposas e mães do mundo inteiro foram empurradas para a frente de trabalho como nunca acontecera antes. O efeito mais devastador da guerra foi sobre a família. O efeito estende-se até esta geração. ¶
Na conferência geral de outubro de 1942, a Primeira Presidência enviou uma mensagem aos “santos em todas as partes do mundo”, que dizia: “Em virtude da autoridade em nós investida, como Primeira Presidência da Igreja, advertimos nosso povo”. ¶
E eles diziam: “Entre os primeiros mandamentos dados a Adão e Eva, o Senhor disse: ‘Multiplicai e enchei a terra’. Ele repetiu esse mandamento em nossos dias. Ele revelou, nesta última dispensação, o princípio da eternidade do convênio do casamento… ¶
O Senhor disse-nos que é dever de cada marido e mulher obedecer ao mandamento dado a Adão, a fim de que legiões de espíritos escolhidos, que esperam por seus tabernáculos de carne, possam vir à terra e progredir sob o grande desígnio de Deus, para se tomarem almas perfeitas, pois sem esses tabernáculos de carne eles não podem progredir em direção ao destino planejado por Deus. Assim cada marido e mulher deve tomar-se pai e mãe, em Israel, de filhos nascidos sob o santo e eterno convênio. ¶
Ao trazer esses espíritos escolhidos à terra, cada pai e cada mãe assume, com o tabernáculo do espírito e com o Senhor uma obrigação das mais sagradas porque o destino daquele espírito nas eternidades vindouras e as bênçãos e punições que o aguardam na vida futura dependem, em grande parte, do cuidado, dos ensinamentos e do treinamento dado pelos pais a esse espírito. ¶
Nenhum pai pode fugir dessa obrigação e responsabilidade, e o Senhor nos considera estritamente responsáveis por um desempenho apropriado. Não existe dever mais elevado que possa ser assumido por mortais.” ¶
Ao falar às mães, a Primeira Presidência disse: “A maternidade portanto, torna-se um chamado santo, uma dedicação sagrada à execução dos planos do Senhor, uma consagração à criação, educação, nutrição do corpo, da mente e do espírito daqueles que mantiveram seu primeiro estaclo e vêm a essa terra para seu segundo estado para ‘ver se eles farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes mandar’ (Abraão 3:25). Fazer com que guardem seu segundo estado é a função da maternidade, e ‘os que guardarem seu segundo estado terão aumento de glória sobre suas cabeças’ (Abraão 3:26). ¶
Esse serviço divino da maternidade pode ser prestado somente pelas mães. Não pode ser transferido a outros. Enfermeiras não o podem fazer, creches públicas não o podem fazer, empregadas ou babás não o podem fazer — somente a mãe, com a ajuda das mãos amorosas do pai, dos irmãos e irmãs, pode cuidar na medida certa. ¶
A Primeira Presidência aconselhou: “A mãe que confia seu filho aos cuidados de outros a fim de realizar trabalhos de outra natureza, seja por ouro, fama ou serviço cívico, deve lembrar-se de que ‘o rapaz entregue a si mesmo envergonha sua mãe’ (Prov. 29:15). Em nossos dias o Senhor disse que, a menos que os pais ensinem aos filhos as doutrinas da Igreja ‘sobre a cabeça dos pais seja o pecado’ (D&C 68:25). ¶
Qualquer alma que, por natureza ou circunstâncias, não receba a bênção do casamento e da paternidade ou maternidade, ou que precise criar os filhos sozinha, não deixará de receber, nas eternidades, qualquer bênção — desde que cumpra os mandamentos.39 Como prometeu o Presidente Lorenzo Snow: “Isto é certo e positivo”.40 ¶
Termino com uma parábola: ¶
Certa vez um homem recebeu, como herança, duas chaves. A primeira, foi-lhe dito, abria uma caixa-forte que ele deveria proteger a todo custo. A segunda era para um cofre que estava dentro da caixa-forte e que continha um tesouro inestimável. Ele deveria abrir esse cofre e usar livremente as coisas preciosas ali guardadas. Foi advertido de que muitos procurariam roubar-lhe a herança. Foi-lhe prometido que, se usasse o tesouro dignamente, este seria reabastecido e nunca diminuiria, por toda a eternidade. O homem seria testado. Se usasse o tesouro para benefício de outros, suas próprias bênçãos e alegria aumentariam. ¶
O homem dirigiu-se sozinho à caixa-forte. A primeira chave abriu a porta. Ele tentou abrir o tesouro com a outra chave, mas não conseguiu, pois havia dois cadeados no cofre. A sua chave, sozinha, não o abriria. Por mais que tentasse, não conseguiu abri-lo. Estava confuso. Recebera as chaves. Sabia que o tesouro era seu, por direito. Obedecera às instruções, mas não conseguia abrir o cofre. ¶
Num determinado momento apareceu uma mulher na caixa-forte. Ela também tinha uma chave; era uma chave diferente da que ele possuía. A chave dela serviu no outro cadeado. Isso fez com que ele humildemente reconhecesse que não poderia obter sua herança, por direito, sem ela. ¶
Eles fizeram um convênio de que, juntos, abririam o tesouro e, conforme instruído, ele vigiaria a caixa-forte e a protegeria. Ela, por sua vez, vigiaria o tesouro. Ela não estava preocupada por ele, como guardião da caixa-forte, ter as duas chaves, pois seu objetivo era garantir que ela estivesse em segurança enquanto vigiava aquilo que era muito precioso para ambos. Juntos eles abriram o cofre e partilharam da herança. Alegraram-se pois, como prometido, o tesouro não se esgotava. ¶
Com grande alegria descobriram que podiam passar o tesouro para seus filhos, que cada um poderia receber a medida plena, sem que diminuísse, até a última geração. ¶
Talvez alguns de sua posteridade não encontrassem um companheiro que possuísse a chave complementar, ou alguém digno e desejoso de cumprir os convênios relacionados ao tesouro. Não obstante, se eles guardassem os mandamentos, não lhes seria negada nem a menor das bênçãos. ¶
Como alguns tentaram levá-los a fazer mau uso de seu tesouro, eles foram cuidadosos ao ensinar seus filhos sobre chaves e convênios. ¶
Mais tarde apareceram, entre os de sua posteridade, alguns que foram enganados, ficaram enciumados, ou se tornaram egoístas porque a um foram dadas duas chaves e a outro só uma. “Por que”, os egoístas perguntaram, “o tesouro não pode ser só meu, para que eu o use do jeito que desejar?” ¶
Alguns tentaram moldar a chave que receberam, no formato da outra. Talvez, pensaram, ela poderia servir nos dois cadeados. E assim o cofre foi fechado para eles. Suas chaves remoldadas eram inúteis e sua herança foi perdida. ¶
Aqueles que receberam o tesouro com gratidão e obedeceram às leis referentes a ele, receberam alegria sem limites nesta vida e por toda a eternidade. ¶
Presto testemunho do plano de nosso Pai para a felicidade, e testifico em nome Daquele que elaborou a Expiação para que esse plano tivesse efeito, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Vide D&C 76:24; vide também Núm. 16:22; Heb. 12:9. ↩
-
Vide D&C 132:63; Primeira Presidência, "Origin of Man" (nov. 1909), em James R. Clark, comp., Messages of the First Presidency of the Church of Jesus Christ of Latter Day Saints, 6 vols. (Salt Lake City: Bookcraft, 1965-75), 4:203; vide também Spencer W. Kimball, Ensign, mar. 1976, p. 71; Gordon B. Hinckley, Ensign, Nov. 1983, p. 83. ↩
-
Vide Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pp. 348-349, 357, 365. ↩
-
Vide Abr. 3:24–27. ↩
-
Vide Jarom 1:2; Alma 24:14; Alma 42:5; Mois. 6:62. ↩
-
Vide Jacó 6:8; Alma 12:25–36; Alma 17:16; Alma 18:39; Alma 22:13–14; Alma 39:18; Alma 42:11, 13. ↩
-
Vide Alma 42:2–5. ↩
-
Vide 2 Né. 9:28; Alma 12:4, 5; Hel. 2:8; 3 Né. 1:16; D&C 10:12, 23; Mois. 4:3. ↩
-
Vide Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pp. 176, 288–289 ↩
-
Vide Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 176. ↩
-
Vide 2 Né. 2:18; 2 Né. 28:20. ↩
-
Vide D&C 130:2; D&C 131:2; I Cor. 11:11; Ef. 5:31. ↩
-
Vide Mois. 6:8–9. ↩
-
Vide Mois. 6:67. ↩
-
Vide Mois. 3:18. ↩
-
Vide Mois. 3:23–24. ↩
-
Vide Mois. 4:7–12. ↩
-
Cowley and Whitney on Doctrine, comp. Forace Green (Salt Lake City: Bookcraft, 1963), p.287. ↩
-
Mois. 2:28; vide também Gên. 1:28; Gên. 9:1. ↩
-
Vide Gál. 5:22–23; D&C 4:5–6; Alma 7:23–24. ↩
-
Vide "Our Wives and Our Mothers in the Eternal Plan", discurso proferido na Conferência Geral da Sociedade de Socorro, 3 out. 1946, em J. Reuben Clark: Selected Papers on Religion, Education, and Youth, ed. David H. Yam, Jr. (Provo, Utah: Brigham Young University Press, 1984), p.62. ↩
-
Vide D&C 75:28; I Tim. 5:8. ↩
-
D&C 107:40–41; Vide também D&C 84:14–16. ↩
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D&C 121:41–42; grifo nosso ↩
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Vide Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pp. 300, 358–359. ↩
-
Journal of Discourses, 22:342; grifo nosso. ↩
-
Conference Report, out. 1942, pp. 7, 11–12. ↩
-
Vide D&C 107:8–9, 22, 91. ↩
-
Vide D&C 137:7–9. ↩
-
Millennial Star, 61 (31 de agosto de 1899):547. ↩