O Farol no Porto da Paz
Howard W. Hunter
Meus queridos irmãos e irmãs, temos consciência de que, apesar do progresso animador observado nos últimos anos, muitas partes do mundo ainda estão repletas de conflitos, tristeza e desespero. ¶
Nosso coração se dilacera e nossas emoções se comovem quando a cobertura diária das notícias locais ou mundiais traz mais uma história de conflito e sofrimento e, com demasiada frequência, guerra aberta. Certamente nossa oração é para que o mundo se torne um lugar melhor para se viver, para que haja mais cuidado e preocupação de uns para com os outros, e para que a causa da paz e do consolo aumente em todas as direções e se estenda a todos os povos. ¶
Na busca de tal paz e consolo, permitam-me citar uma grande voz do passado. Ele disse: "[Para tornar o mundo] um lugar melhor … para se viver, … o primeiro e mais importante passo é escolher como líder alguém cuja liderança seja infalível, cujos ensinamentos, quando praticados, jamais falharam. Em … [qualquer] mar tempestuoso de incerteza, o piloto deve ser alguém que, através da tempestade, consiga ver o farol no porto da paz" (David O. McKay, Man May Know for Himself [Salt Lake City: Deseret Book Co., 1967], p. 407). ¶
A mensagem desta conferência geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é que existe apenas uma mão orientadora no universo, apenas uma luz verdadeiramente infalível, um farol infalível para o mundo. Essa luz é Jesus Cristo, a luz e a vida do mundo, a luz que um profeta do Livro de Mórmon descreveu como "uma luz sem fim, que nunca poderá ser obscurecida" (Mosias 16:9). ¶
Ao buscarmos a costa da segurança e da paz — sejamos nós homens e mulheres individualmente, famílias, comunidades ou nações —, Cristo é o único farol em que podemos, em última análise, confiar. Foi ele quem disse a respeito de sua missão: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida" (João 14:6). ¶
Nesta época, como em toda época que nos precedeu e em toda época que há de vir, a maior necessidade em todo o mundo é uma fé ativa e sincera nos ensinamentos básicos de Jesus de Nazaré, o Filho vivo do Deus vivo. Justamente porque muitos rejeitam esses ensinamentos, é ainda maior a razão para que os crentes sinceros no evangelho de Jesus Cristo proclamem sua verdade e demonstrem, pelo exemplo, o poder e a paz de uma vida justa e mansa. ¶
Considerem, por exemplo, esta instrução de Cristo a seus discípulos. Ele disse: "Amai vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem" (Mateus 5:44). ¶
Pensem no que essa admoestação, por si só, faria em seu bairro e no meu, nas comunidades em que vocês e seus filhos vivem, nas nações que compõem nossa grande família global. Reconheço que essa doutrina representa um desafio significativo, mas certamente é um desafio mais agradável do que as terríveis tarefas impostas a nós pela guerra, pela pobreza e pela dor que o mundo continua a enfrentar. ¶
Como devemos agir quando somos ofendidos, incompreendidos, tratados injusta ou indelicadamente, ou quando pecam contra nós? O que devemos fazer se formos magoados por aqueles que amamos, ou preteridos numa promoção, ou falsamente acusados, ou se nossos motivos forem injustamente atacados? ¶
Reagimos com violência? Enviamos um batalhão cada vez maior? Voltamos ao princípio de olho por olho e dente por dente ou, como diz Tevye em Um Violinista no Telhado, chegamos à percepção de que isso, por fim, nos deixa cegos e desdentados? ¶
Todos nós temos uma oportunidade significativa de praticar o cristianismo, e devemos tentar fazê-lo em cada oportunidade. Por exemplo, todos podemos ser um pouco mais perdoadores. Em revelação dos últimos dias, o Senhor disse: "Meus discípulos, nos dias antigos, procuraram pretextos uns contra os outros e em seu coração não se perdoaram; e por esse mal foram afligidos e severamente repreendidos. ¶
"Portanto, digo-vos que vos deveis perdoar uns aos outros; pois aquele que não perdoa a seu irmão suas ofensas está em condenação diante do Senhor; pois nele permanece o pecado maior. ¶
"Eu, o Senhor, perdoarei a quem desejo perdoar, mas de vós é exigido que perdoeis a todos os homens" (D&C 64:8–10). ¶
Na majestade de sua vida e no exemplo de seus ensinamentos, Cristo nos deu muitos conselhos, sempre acompanhados de promessas seguras. Ele ensinou com uma grandeza e autoridade que encheu de esperança tanto os instruídos quanto os ignorantes, tanto os ricos quanto os pobres, tanto os sãos quanto os enfermos. ¶
Sua mensagem, como disse certo escritor, "fluía tão doce e generosamente para um único ouvinte quanto para multidões arrebatadas; e algumas de suas revelações mais ricas não foram concedidas nem a governantes nem a multidões, mas ao proscrito perseguido da sinagoga judaica, ao investigador tímido na solidão da meia-noite, e à mulher frágil junto ao poço ao meio-dia." Seus ensinamentos tratavam menos de cerimônia e minúcias do que "da alma humana, do destino humano e da vida humana — de Esperança, Caridade e Fé. … Brotando das profundezas das emoções sagradas, emocionava o ser de cada ouvinte como que com uma chama elétrica. Em uma palavra, [sua] autoridade era a autoridade de [Deus]." A voz de Cristo era pura e impregnada de compaixão. Até a severidade de suas admoestações mais rígidas era expressa com um amor indizível. (Frederic W. Farrar, The Life of Christ [Portland, Oreg.: Fountain Publications, 1964], p. 215.) ¶
Permitam-me relembrar uma das grandes histórias do triunfo de Cristo sobre aquilo que parece nos testar e nos experimentar e trazer temor a nosso coração. Quando os discípulos de Cristo partiram em uma de suas frequentes travessias pelo Mar da Galileia, a noite estava escura e os elementos, fortes e contrários. As ondas eram violentas e o vento, forte, e aqueles homens mortais e frágeis ficaram amedrontados. Infelizmente "não havia ninguém com eles … para acalmá-los e salvá-los, pois Jesus estava só na [margem]." ¶
Como sempre, ele velava por eles. Ele os amava e cuidava deles. No momento de maior aflição, olharam e viram na escuridão uma imagem com "um manto esvoaçante" caminhando em sua direção sobre "as cristas do mar. … Gritaram de terror ao ver aquilo, pensando que era um fantasma que andava sobre as ondas. E através da tempestade e da escuridão até eles — como tantas vezes acontece conosco, quando, em meio às trevas da vida, o oceano parece tão grande e nossos pequenos barcos, tão pequenos —," veio a voz derradeira e reconfortante da paz com esta simples declaração: "Sou eu; não temais." Pedro exclamou: "Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas." E a resposta de Cristo a ele foi a mesma que é dada a todos nós: "Vem." ¶
Pedro "saltou por sobre a borda do barco e lançou-se nas ondas agitadas, … e enquanto seu olhar estava fixo em seu Senhor, o vento podia agitar seus cabelos e a espuma podia encharcar suas vestes, mas tudo estava bem." Somente quando, com fé vacilante, desviou o olhar do Mestre para fitar as ondas furiosas e o abismo negro sob seus pés, somente então começou a afundar. Mais uma vez, como a maioria de nós, ele clamou: "Senhor, salva-me." Tampouco Jesus o desamparou. "Ele estendeu a mão e segurou a mão de Seu discípulo que se afogava, com a suave repreensão: 'Homem de pouca fé, por que duvidaste?'" ¶
Então, a salvo a bordo de sua pequena embarcação, viram o vento cessar e o embate das ondas transformar-se em uma leve ondulação. Logo chegaram a seu refúgio, seu porto seguro, aonde todos um dia esperam chegar. "Todos — tanto a tripulação quanto Seus discípulos — ficaram tomados de [profundo] espanto." Alguns deles se dirigiram a ele por um título que hoje eu declaro: "És verdadeiramente o Filho de Deus." (Ver Farrar, The Life of Christ, pp. 310–13; ver também Mateus 14:22–33.) ¶
É minha firme convicção de que, se nós — individualmente, como famílias, comunidades e nações — pudéssemos, como Pedro, fixar nossos olhos em Jesus, também poderíamos caminhar triunfantes sobre "as ondas crescentes da descrença" e permanecer "destemidos em meio aos ventos crescentes da dúvida." Mas se desviarmos os olhos daquele em quem devemos crer, como é tão fácil fazer e o mundo é tão tentado a fazer, se olharmos para o poder e a fúria desses elementos terríveis e destrutivos ao nosso redor em vez de olharmos para aquele que pode nos ajudar e nos salvar, então inevitavelmente afundaremos em um mar de conflito, tristeza e desespero. ¶
Nesses momentos em que sentimos que as inundações ameaçam nos afogar e que o abismo está prestes a engolir a embarcação açoitada de nossa fé, oro para que sempre possamos ouvir, em meio à tempestade e à escuridão, aquela doce declaração do Salvador do mundo: "Tende bom ânimo, sou eu, não tenhais medo" (Mateus 14:27). ¶
Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶