Pulpit

A Alegria da Esperança Cumprida

M. Russell Ballard

Conferência Geral de Outubro de 1992·Saturday Afternoon Session·1992-10-01

Viver nestes tempos difíceis, irmãos e irmãs, exige que cada um de nós mantenha uma perspectiva positiva e cheia de esperança quanto ao futuro. Hoje, mais do que no passado, perguntam-me a respeito dos sinais dos tempos e se penso que o fim do mundo está próximo. Minha resposta é a mesma que Jesus deu há cerca de dois mil anos: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.

"Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo" (Marcos 13:32–33).

Quando perguntaram a Jesus sobre o sinal de sua vinda, ele disse: "E ouvireis de guerras e de rumores de guerras: vede que não vos assusteis, porque é necessário que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

"Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

"Mas todas essas coisas são o princípio das dores" (Mateus 24:6–8; ênfase adicionada).

Embora as profecias nos digam que essas coisas devem acontecer, cada vez mais pessoas expressam grande alarme diante do que parece ser uma aceleração de calamidades em todo o mundo. Como membros da Igreja, não devemos esquecer a admoestação do Salvador: "Não vos assusteis, porque é necessário que isso tudo aconteça." Estes são tempos difíceis, em que as forças da natureza parecem desencadear uma enxurrada de "fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares."

Recentemente, li um artigo de jornal que citava estatísticas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, indicando que os terremotos ao redor do mundo estão aumentando em frequência e intensidade. Segundo o artigo, apenas dois grandes terremotos (terremotos que medem pelo menos seis na escala Richter) ocorreram durante a década de 1920. Na década de 1930, o número aumentou para cinco, e depois diminuiu para quatro na década de 1940. Mas na década de 1950, ocorreram nove grandes terremotos, seguidos de quinze na década de 1960, quarenta e seis na década de 1970 e cinquenta e dois na década de 1980. Já ocorreram, na década de 1990, quase tantos grandes terremotos quanto em toda a década de 1980.

O mundo está passando por violentos distúrbios, tanto físicos quanto sociais. Aqui nos Estados Unidos, ainda estamos abalados por dois furacões incrivelmente destrutivos. As pessoas nas Filipinas não veem fim para a devastação causada pela erupção vulcânica do Monte Pinatubo. A fome assola partes da África, onde predomina um trágico sofrimento humano. Em menor grau, a fome aflige milhões de pessoas, mesmo em países com alto padrão de vida.

A agitação política, a guerra e o caos econômico predominam em muitas partes do mundo, e as pragas da pornografia, do abuso de drogas, da imoralidade, da AIDS e do abuso infantil tornam-se mais opressivas a cada dia que passa. A mídia se ocupa em satisfazer um apetite aparentemente insaciável de audiências que desejam testemunhar assassinato, violência, nudez, sexo e profanidade. Não é este o dia de que Morôni falou quando registrou: "Eis que eu vos falo como se estivésseis presentes e, contudo, não estais. Mas eis que Jesus Cristo vos mostrou a mim e conheço as vossas obras" (Mórmon 8:35)? E, em seguida, ele profetizou sobre as condições do mundo tal como são hoje.

Irmãos e irmãs, sejam ou não estes verdadeiramente os últimos dias, ou mesmo "o princípio das dores", como o Salvador predisse, alguns de nós podem encontrar sua vida carregada de frustração, decepção e tristeza. Muitos se sentem impotentes para lidar com o caos que parece predominar no mundo. Outros se angustiam por causa de familiares que estão sendo arrastados por uma corrente rápida e violenta de valores enfraquecidos e padrões morais em declínio. As crianças, particularmente, sofrem à medida que a sociedade se afasta cada vez mais dos mandamentos de Deus.

Muitos até se resignaram a aceitar a maldade e a crueldade do mundo como algo irremediável. Perderam a esperança. Decidiram desistir de tentar tornar o mundo um lugar melhor para viverem, eles e suas famílias. Renderam-se ao desespero.

É verdade que temos motivos de sobra para estarmos profundamente preocupados, pois não vemos respostas imediatas para os problemas aparentemente insolúveis que enfrenta a família humana. Mas, independentemente desse quadro sombrio, que em última análise piorará, nunca devemos permitir-nos perder a esperança! Morôni, tendo visto nossos dias, aconselhou: "Portanto, é preciso haver fé; e se é preciso haver fé, também é preciso haver esperança" (Morôni 10:20).

A todos os que têm nutrido sentimentos de desespero e ausência de esperança, ofereço as palavras do Senhor por meio do Profeta Joseph Smith:

"Portanto, não temais, pequeno rebanho; fazei o bem; deixai que a Terra e o inferno se unam contra vós, pois se estiverdes estabelecidos sobre minha rocha, eles não poderão prevalecer. ...

"Buscai-me em cada pensamento; não duvideis, não temais" (D&C 6:34, 36). "Assim também estou no meio de vós" (D&C 6:32).

Minha mensagem para vocês hoje, meus irmãos e irmãs, é simplesmente esta: o Senhor está no controle. Ele conhece o fim desde o princípio. Ele nos deu instruções adequadas que, se seguidas, nos conduzirão em segurança por qualquer crise. Seus propósitos se cumprirão, e um dia compreenderemos as razões eternas de todos esses acontecimentos. Portanto, hoje devemos ter o cuidado de não reagir de maneira exagerada, nem devemos nos deixar levar por preparativos extremos; mas o que devemos fazer é guardar os mandamentos de Deus e nunca perder a esperança!

Mas onde encontramos esperança em meio a tanta agitação e catástrofe? Muito simplesmente, nossa única esperança de segurança espiritual durante estes tempos turbulentos é voltar nossa mente e nosso coração para Jesus Cristo. O profeta Mórmon ensinou: "E o que é que deveis esperar? Eis que vos digo que deveis ter esperança de que, por intermédio da expiação de Cristo e do poder da sua ressurreição, sereis ressuscitados para a vida eterna; e isto por causa da vossa fé nele, de acordo com a promessa.

"Portanto, se um homem tem fé, ele tem que ter esperança; porque sem fé não pode haver qualquer esperança" (Morôni 7:41–42).

A fé em Deus e em seu Filho, Jesus Cristo, é absolutamente essencial para mantermos uma perspectiva equilibrada nos tempos de provação e dificuldade. Lembrem-se: nada acontecerá em nossa vida que ele não compreenda. Alma ensinou: "E ele seguirá, sofrendo dores e aflições e tentações de toda espécie; e isto para que se cumpra a palavra que diz que ele tomará sobre si as dores e as enfermidades de seu povo" (Alma 7:11).

Voltem-se para ele, por favor, se estiverem desanimados e lutando por direção em sua vida. Munidos do escudo da fé, podemos superar muitos de nossos desafios diários e vencer nossas maiores fraquezas e medos, sabendo que, se fizermos o melhor que pudermos para guardar os mandamentos de Deus, aconteça o que acontecer, ficaremos bem.

É claro que isso não significa necessariamente que seremos poupados de sofrimento pessoal e angústia. A retidão jamais excluiu a adversidade. Mas a fé no Senhor Jesus Cristo — a fé verdadeira, de toda a alma e inabalável — é um poder a ser levado em conta no universo. Ela pode ser uma força causadora por meio da qual milagres são realizados. Ou pode ser uma fonte de força interior por meio da qual encontramos paz, conforto e coragem para enfrentar as dificuldades.

À medida que colocamos nossa fé e confiança em ação, a esperança nasce. A esperança brota da fé e dá significado e propósito a tudo o que fazemos. Ela pode até nos dar a tranquila certeza de que precisamos para viver felizes num mundo repleto de iniquidade, calamidade e injustiça.

Ao se aproximar o fim do ministério mortal do Salvador, ele ofereceu esta esperança reconfortante a seus amados discípulos: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize" (João 14:27).

A esperança é um princípio precioso pelo qual viver. Contudo, alguns entre nós podem ter perdido toda a esperança por causa do pecado e da transgressão. Uma pessoa pode se envolver tão profundamente nos caminhos do mundo que não vê saída e perde toda a esperança. Meu apelo a todos os que caíram nessa armadilha do adversário é que nunca desistam! Não importa quão desesperadoras as coisas possam parecer, ou quão desesperadoras ainda possam se tornar, por favor, acreditem em mim: vocês sempre podem ter esperança. Sempre.

Recentemente, tive o privilégio de realizar as ordenanças de selamento do templo para uma família maravilhosa. Foi uma ocasião belíssima, como quase sempre são essas cerimônias. Mas, se vocês tivessem conhecido o pai dessa família alguns anos antes, teriam compreendido que milagre estava ocorrendo na casa do Senhor naquele dia. Com sua permissão, cito uma carta que ele me escreveu:

"Nasci na Igreja e recebi os ensinamentos do evangelho junto aos joelhos de minha mãe. Por meio de sua diligência e perseverança, ela acendeu uma pequena brasa de testemunho que nunca me abandonou, mesmo nos períodos mais difíceis de minha vida. Na adolescência, Satanás me atingiu duramente. Foi no final da década de 1960 e início da década de 1970, uma época de grande agitação, e Satanás trabalhava arduamente contra mim. Envolvi-me com a prática das drogas livres, do amor livre, da diversão livre, e que o resto do mundo se dane. Começando com minha primeira dose de álcool, comecei a deteriorar-me lentamente. Depois do álcool, outras drogas se tornaram muito mais fáceis de usar. Para usar drogas, é preciso tornar-se um bom mentiroso. Você aprende a fazer o que for preciso para esconder seu comportamento dos outros.

"Depois de muitos anos vivendo dessa maneira, toda a minha fibra moral parecia ter se corroído completamente. Eu tinha uma consciência mínima e havia afundado nas profundezas do desespero e da depressão. Vi amigos morrerem por causa de drogas e suicídio. Com o passar do tempo, meus amigos e eu fomos expostos ao sistema de justiça criminal. Na verdade, muitos de meus antigos amigos ainda estão na prisão. Se não fosse pela pequena centelha de testemunho que minha mãe incutiu em mim quando eu era criança, de saber que o Pai Celestial ainda poderia me amar, tenho dúvidas se eu estaria sequer escrevendo esta carta hoje."

Alguns pais poderiam ter perdido a esperança quanto a esse filho pródigo, mas não a mãe desse homem. Ela continuou a acreditar que ele encontraria o caminho de volta aos ensinamentos de sua infância e voltaria a depositar sua confiança no Senhor Jesus Cristo. Com o apoio amoroso de sua família e de seus amigos, foi exatamente isso que ele fez. Permitam-me ler novamente um trecho de sua carta:

"Se há uma coisa que aprendi, é que não importa quão perdido você se sinta, não importa quão fundo você tenha afundado, sempre pode haver perdão e paz. Aprendi que, quanto mais alguém se afasta do Senhor, mais difícil é retornar a ele e a seus ensinamentos. Mas, assim que abri meu coração e clamei em oração ao Pai Celestial, pedindo ajuda em nome de seu Filho, Jesus Cristo, passei a conhecer o poder do arrependimento e as bênçãos da obediência aos mandamentos de Deus."

Irmãos e irmãs, gostaria que todos vocês pudessem ter estado conosco no templo naquele dia, para sentir a alegria da esperança cumprida. Tenho certeza de que teriam percebido, como eu percebi, o amor renovado por Deus e a felicidade sublime que encheu o coração da mãe de meu amigo, enquanto seus quatro filhos, seus cônjuges e outros familiares a cercavam na sala de selamento.

O Apóstolo Paulo ensinou que três princípios divinos formam o alicerce sobre o qual podemos edificar a estrutura de nossa vida. São eles a fé, a esperança e a caridade. (Ver 1 Coríntios 13:13.) Juntos, eles nos dão uma base de apoio como as pernas de um banquinho de três pernas. Cada princípio é significativo em si mesmo, mas cada um também desempenha um importante papel de sustentação. Cada um é incompleto sem os outros. A esperança ajuda a fé a se desenvolver. Da mesma forma, a fé verdadeira dá origem à esperança. Quando começamos a perder a esperança, também estamos vacilando em nossa medida de fé. Os princípios da fé e da esperança, atuando juntos, devem ser acompanhados pela caridade, que é a maior de todas. Segundo Mórmon, "a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre" (Morôni 7:47). Ela é a manifestação perfeita de nossa fé e esperança.

Atuando juntos, esses três princípios eternos nos ajudarão a ter a ampla perspectiva eterna de que precisamos para enfrentar os maiores desafios da vida, incluindo as provações profetizadas dos últimos dias. A fé verdadeira fomenta a esperança no futuro; ela nos permite olhar além de nós mesmos e de nossas preocupações presentes. Fortalecidos pela esperança, somos movidos a demonstrar o puro amor de Cristo por meio de atos diários de obediência e serviço cristão.

Asseguro-lhes, meus irmãos e irmãs, que nosso Pai Celestial está ciente de nós, individual e coletivamente. Ele compreende as dificuldades espirituais, físicas e emocionais que enfrentamos no mundo hoje. Na verdade, elas fazem parte de seu plano para nosso crescimento e desenvolvimento eternos. E sua promessa a nós é certa: "Contudo, o que permanecer na fé e fizer a minha vontade, vencerá" (D&C 63:20).

O Salvador prometeu que "nenhuma arma preparada contra ti prosperará. ... Esta é a herança dos servos do Senhor" (3 Néfi 22:17).

Que todos nós encontremos "a paz de Deus, que excede todo o entendimento" (Filipenses 4:7), que só pode ser encontrada por meio da caridade, da fé e da esperança.

Deixo-lhes meu testemunho de que sei que o Senhor Jesus Cristo vive. Ele restaurou sua Igreja à Terra por meio do Profeta Joseph Smith. Nossa certeza da vida eterna repousa em nosso amor a Deus e na guarda de seus mandamentos. Esse conhecimento me dá esperança e fé. Que assim seja com cada um de vocês, oro humildemente em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoM. Russell Ballard, “A Alegria da Esperança Cumprida”, Conferência Geral de Outubro de 1992, Saturday Afternoon Session (1992-10-01). Pulpit Vault, 1992-10-ballard-the-joy-of-hope-fulfilled. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).