Pulpit

Paciência na Aflição

Angel Abrea

Conferência Geral de Abril de 1992·Saturday Afternoon Session·1992-04-04

Na época em que se intensificou a perseguição contra a igreja recém-organizada, o Senhor disse a Joseph Smith e Oliver Cowdery: “Sê paciente nas aflições, pois terás muitas; suporta-as, pois eis que estou contigo, mesmo até o fim dos teus dias” (D&C 24:8).

Tribulações, aflições e testes sempre farão parte da jornada neste segmento da eternidade, pois, como disse o Salvador: “No mundo tereis aflições” (João 16:33). Assim, o grande desafio desta vida terrena não é determinar como fugir das aflições e problemas, mas a cuidadosa preparação para enfrentá-los.

Digo que deveis preparar-vos porque é necessário um esforço constante para desenvolver a paciência como atributo pessoal. Praticando a paciência, passamos a entendê-la e adquiri-la.

Da Cadeia de Liberty, numa época de angústia e profundo sofrimento por causa do evangelho, o Profeta Joseph Smith escreveu esta mensagem aos santos: “Queridos irmãos, não penseis que nossos corações desfalecem, como se nos tivesse acontecido algo inesperado, pois tínhamos visto e sabíamos seguramente que estas coisas nos aconteceriam, mas temos a certeza de uma esperança melhor que a de nossos perseguidores. Portanto, Deus tem fortalecido nossos ombros, a fim de podermos suportar o fardo. Regozijamo-nos na tribulação, porque sabemos que Deus está conosco, que é nosso amigo e salvará nossas almas” (Ensinamentos, p. 120).

Suportemos com paciência a dor e o pesar sem reclamações ou desânimo, coisas que aviltam o Espírito. E preciso ter paciência diante das tribulações e de perseguição pela causa da verdade. Nisso podemos ser um exemplo, pois a maneira como suportamos nossa cruz influenciará outros, ajudando-os a aliviar o peso de seu fardo.

Deve ser da mesma maneira e no mesmo espírito que foi com os filhos de Mosiah, quando receberam esta incumbência: “Ide entre os lamanitas, vossos irmãos, e estabelecei minha palavra; mas sede pacientes nos sofrimentos e aflições, para dar-lhes bons exemplos em mim; e eu farei de vós instrumentos em minhas mãos para salvar muitas almas” (Alma 17:11).

A paciência deve ser nossa companheira constante na jornada que nos leva à grande meta: “Continuai com paciência até que sejais aperfeiçoados”, conforme o conselho do Senhor aos élderes de Israel (D&C 67:13).

Devemos deixar claro que não nos estamos referindo aqui a uma paciência passiva, que espera apenas que o tempo cure ou resolva coisas que nos acontecem, mas sim uma paciência ativa, que faz com que as coisas aconteçam. Esta foi a paciência descrita por Paulo na epístola aos romanos, quando usou as palavras “perseverança em fazer bem” (Romanos 2:7).

Talvez um dos melhores exemplos de paciência, que nos dá uma perspectiva eterna de sua aplicação em nossa vida, encontre-se nas palavras de Pedro: “Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis, mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus” (I Pedro 2:20).

Paciência na aflição e adversidade significa persistir firmemente e nunca abandonar aquilo que sabemos ser verdadeiro, permanecendo firmes com a esperança de que, no devido tempo do Senhor, adquiriremos a compreensão daquilo que ora não entendemos e que nos faz sofrer.

Então a promessa de Malaquias se tomará realidade: “Então vereis outra vez a diferença… entre o que serve a Deus e o que o não serve” (Malaquias 3:18).

Na vida de uma irmã fiel, cujo filho foi morto enquanto estava na missão, surgiram muitas perguntas que lhe atribularam a mente, como também algumas formuladas pelos incrédulos, criando dúvidas, como: “Por que meu filho foi morto, se era um bom missionário e excelente filho”? “Meu filho estava servindo ao Senhor e era um exemplo para seus irmãos que se preparam para ir para o campo missionário. Por quê?”

Paciência na aflição e no sofrimento significa responder como ela a todas aquelas perguntas: “Não sei a razão nem tenho todas as respostas, mas de uma coisa estou certa: de que um dia, no cronograma divino do Senhor, verei meu filho novamente e me reunirei a ele”.

Acaso não teria sido esta resposta da irmã inspirada pelo mesmo espírito que deu lugar às palavras de Néfi: “Sei que ele ama seus filhos; não conheço, no entanto, o significado de todas as coisas” (1 Néfi 11:17)? Esse belo exemplo de fé produz em nós um sentimento de confiança, ao enfrentarmos o desconhecido.

Ao suportarem a perseguição e ameaças a que os antigos cristãos estavam sujeitos, a paciência, acompanhada do testemunho, manifestou-se em sua fé e esperança em Cristo, conforme se acha registrada nas palavras de Paulo: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados;

Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;

Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos;

Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco.

Por isso não desfalecemos: mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (II Coríntios 4:8–10, II Coríntios 14, II Coríntios 16–17).

A paciência na aflição e no sofrimento retrata a vida de Cristo, o supremo exemplo. Nos momentos de grande sofrimento e dor, passados no Getsêmani, ele foi capaz de dizer, em fervorosa oração: “Meu pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39), dando-nos o exemplo e uma referência para vivermos uma vida de obediência e perseverança, a despeito das circunstâncias e condições exteriores em que nos encontrarmos.

Quantas vezes concluímos nossas orações com “Passa de mim este cálice”?

Em circunstância em que a taça simbólica poderia representar enfermidade, dor, angústia, desemprego, ou o sofrimento de um ente querido, somos capazes de continuar a oração, acrescentando: “Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”? Esta palavra-chave todavia, transmite a firme convicção de que estamos deixando tudo nas mãos do Senhor.

Quando surgirem momentos na vida em que sejamos forçados a conviver com as críticas dos céticos, o ódio de alguns, a rejeição de outros, a impaciência de muitos, ou a traição de um amigo, devemos ser capazes de orar de tal maneira, que uma fé inabalável e um forte testemunho de que o Senhor estará conosco até o fim nos induzirá a dizer: “Todavia, Pai seja feita a tua vontade, e com o teu auxílio, pacientemente seguirei, inabalável, o caminho que me levará de volta a ti”.

No ano de 1833, por intermédio do Profeta Joseph Smith, o Senhor consolou os santos que tinham sido “afligidos, perseguidos e expulsos da terra de sua herança” (D&C 101:1), com palavras de conforto e esperança, dizendo: “Sejam confortados os vossos corações…; toda a carne está em minhas mãos; sossegai e sabei que eu sou Deus” (D&C 101:16).

A Enoque, que tinha dificuldade de fala, numa época de grande tribulação, o Senhor disse: “Abre a tua boca e ela se encherá, porque te darei palavras, porque toda carne está em minhas mãos, e farei conforme me apraz” (Moisés 6:32).

A Joseph Smith, em horas de grande provação, referindo-se a seus inimigos, o Senhor disse: “Continua o teu caminho,… pois os limites de teus inimigos estão marcados e não poderão passar” (D&C 122:9).

Estes importantes conselhos foram dados a pessoas que estavam passando por circunstâncias adversas: “toda a carne está em minhas mãos”; “sabei que eu sou Deus”; “farei conforme me apraz”; “seus limites estão marcados e não poderão passar”. Em momentos de provação, tais expressões nos incentivam a ter paciência e perseverança, alicerçados em princípios que em si mesmos trazem um testemunho de sua veracidade.

Nas palavras do Salvador, a vida eterna consiste em conhecer a Deus (vide João 17:3) e isso implica conhecimento de seus atributos e testemunho deles. Conhecer a Deus consiste em conhecer a nós mesmos, pois, como disse o Profeta Joseph Smith: “Se os homens não compreenderem o caráter de Deus, não entenderão a si próprios “(Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 335). Conhecer a Deus é mais do que falar a respeito dele. O Élder Bruce R. McConkie explicou que significa “pensar como ele pensa, sentir o que ele sente” (Doctrinal New Testament Commentary, 3 vols., Salt Lake City: Bookcraft, 1973,1:762).

Como poderíamos não suportar pacientemente as provações da vida, se conhecemos Deus e compreendemos que ele é onipotente? Devemos ser levados a dizer, como Néfi: “Ele é mais poderoso que todo o mundo” (1 Néfi 4:1). Sabemos de sua onisciência e podemos testificá-la dizendo com Léhi: “Todas as coisas foram feitas pela sabedoria daquele que tudo conhece” (2 Néfi 2:24).

Baseados nesse conhecimento, alicerçados em forte testemunho dos atributos de nosso Pai Celestial, os santos dos últimos dias fiéis – ao invés de se desesperarem porque determinada meta de sua agenda não foi cumprida, porque o seu cronograma não traz solução de problemas, ou porque não recebe consolo para tribulações do momento – aguardam pacientemente o cumprimento das promessas, de acordo com o cronograma do Senhor, que “sabe todas as épocas que são designadas ao homem” (Alma 40:10). Os santos dos últimos dias fiéis aguardam pacientemente, porque certamente a fé, “o fundamento das coisas que se esperam” (Testemunho de Joseph Smith, Hebreus 11:1), é exercida com a convicção de que as promessas serão cumpridas “no seu próprio tempo, no seu próprio modo, e de acordo com a sua própria vontade” (D&C 88:68).

Deus realmente vive e cumpre suas promessas, e a tantos testemunhos prestados quero acrescentar o meu. Eu sei que mesmo em tempos de aflição e tribulação, se tivermos paciência e fé, receberemos bênçãos de conforto e esperança, e conseguiremos partilhar daquela “incompreensível alegria” recebida por Amon e seus irmãos. (Vide Alma 27:17–18; Alma 28:8.)

E assim, nas palavras de Joseph Smith: “Permanecei firmes, santos de Deus, e agüentai um pouco mais; assim, passarão as tormentas da vida e recebereis vossa recompensa desse Deus de quem sois servos, e que devidamente aprecia todas as vossas labutas e dores pelo amor de Cristo e do evangelho” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 180).

Estas coisas vos digo, em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoAngel Abrea, “Paciência na Aflição”, Conferência Geral de Abril de 1992, Saturday Afternoon Session (1992-04-04). Pulpit Vault, 1992-04-abrea-patience-in-affliction. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).