Pulpit

A Voz Continua a Ser Mansa

Graham W. Doxey

Conferência Geral de Outubro de 1991·Saturday Afternoon Session·1991-10-05

Meus irmãos, sinto-me humilde ao enfrentar esta nova responsabilidade, mas encoraja-me a calorosa e sólida fraternidade que sinto entre os irmãos aqui presentes.

Eu também, como Néfi, “tendo nascido de boa família, fui, portanto, instruído…” (1 Néfi 1:1). Depois, fui abençoado com o privilégio de casar-me com uma bela esposa, uma santa de nobre origem; estou, portanto, recebendo educação secundária. O meu estágio de treinamento teve início quando começamos a ter filhos. Mais tarde nossos maravilhosos netos se tornaram a nossa pós-graduação. A minha oração e confiança a este respeito é que, uma vez que obtenhamos “qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição” (D&C 130:18).

O Presidente Spencer W. Kimball, um homem de singular experiência em todos os níveis de liderança da Igreja, descreveu bem o assunto que tenho em mente desde que recebi esta designação de vos falar. Peço desculpas ao Élder Packer. Percebo que fui inspirado pelo Espírito — como ele também — e vejo que minha linha de pensamento segue quase na mesma direção que a dele. O Presidente Kimball declarou:

“As sarças ardentes, as montanhas fumegantes,… os Cumorahs e os Kirtlands foram realidades; mas foram exceções. O grande volume de revelações foi dado a Moisés e a Joseph e é dado ao profeta atual da forma mais simples — impressões profundas, sem espetáculo, charme ou eventos dramáticos.

Sempre esperando pelo fantástico, muitos não perceberão o fluxo constante da comunicação revelada” (Conference Report, Conferência da Área Munique Alemanha, 1973, p. 77).

Respostas extraordinárias e miraculosas à oração podem acontecer, mas são exceções. Mesmo nos níveis mais elevados de responsabilidade, neste reino de Deus que está sendo construído na terra, a voz continua a ser mansa.

Lemos na Bíblia o relato de um profeta antigo que foi rejeitado e sentiu-se desalentado. Elias ouviu a palavra do Senhor, quando os filhos de Israel haviam abandonado o seu convênio, derrubado altares e matado os profetas. Ele recebeu esta instrução: “Põe-te neste monte perante a face do Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante da face do Senhor; porém o Senhor não estava no vento: e depois do vento um terremoto: também o Senhor não estava no terremoto:

E depois do terremoto um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo: e depois do fogo uma voz mansa e delicada” (I Reis 19:11-12).

O meu testemunho é que o Senhor está falando convosco! Todavia, com os ensurdecedores decibéis do ambiente moderno, quase sempre deixamos de ouvi-lo. Lembro-me de que, quando jovem, tive a oportunidade de conviver com um homem mais idoso, que havia perdido parte da audição. Ele não usava aparelho auditivo e sempre nos pedia que falássemos mais alto, para que ele pudesse participar da conversa. Ele dizia: “Falem mais alto; falem mais alto; não consigo ouvi-los.”

Isto aconteceu antes da época da televisão, dos discos compactos, dos alto-falantes e amplificadores. Achei muito interessante certa observação feita por alguém: “Com a TV, rádio e fitas cassete, que jovem tem tempo para ouvir a razão?” Ouvir é um grande desafio para todos nós, hoje em dia.

Tempo para ouvir. A habilidade de ouvir. O desejo de ouvir. Em questões religiosas, muitos estão dizendo: “O que disseste? Fala mais alto; Não posso ouvir-te.” E quando o Senhor não grita a resposta, não faz um arbusto arder, nem nos escreve com o dedo uma mensagem numa pedra, ficamos inclinados a pensar que ele não ouve, que não se importa conosco. Muitos até mesmo concluem que Deus não existe.

Elizabeth Barret Browning escreveu: “Todo arbusto comum está ardendo com Deus; mas somente aquele que vê, tira os sapatos” (Aurora Leigh, livro 7, linhas 822-823).

Não se trata de perguntar: “Deus vive? Deus me ama? Deus fala comigo?” A pergunta fundamental é: “Estou ouvindo o Senhor?” Removestes os vossos calçados? Convosco acontece o mesmo que com Elias e com os profetas modernos: “A voz mansa e delicada continua a ser delicada

Dispomos de alguns “aparelhos de audição”. Como podemos filtrar os elevados decibéis da escuridão que nos cerca? Quero mencionar três dos auxílios mais óbvios.

Número 1: Revigorai a vossa adoração semanal. Ao entoar hinos, por exemplo, refleti no significado da letra, desfrutai o espírito da música. Cantai com entusiasmo, sem preocupação com a vossa tonalidade vocal. Sentir-vos-eis bem e vosso espírito será reavivado; e quando vos unis aos santos, em cânticos do coração, o Senhor promete responder-vos com bênçãos sobre as vossas cabeças. (Vide D&C 25:12.)

Depois, participai do sacramento. Não tomeis o sacramento, apenas. Refleti nos convênios que estais renovando. Testificai verdadeiramente ao Pai que tomareis sobre vós o nome de seu Filho, Jesus Cristo. Comprometei-vos de novo a sempre vos lembrardes dele, e a guardar os mandamentos que ele vos deu. Vossa obediência vos dará o direito de ter convosco o seu Espírito. Se esta ordenança sagrada se tornar uma coisa banal em vossa adoração, se deixardes a mente divagar durante esta oportunidade semanal de renovação do espírito, se apenas tomardes o pão e a água, ao serem servidos, sem refletir nem vos comprometerdes de novo com Deus, então tereis recusado um importante auxílio auditivo.

Número 2: Orai para conhecer a vontade de Deus, não para “obter coisas”. Muitas vezes, por causa de nossos desejos egoístas, após um apressado “Obrigado, Senhor”, despendemos o tempo de nossa oração procurando ouvir o que desejamos, até o de que pensamos necessitar. Devemos estar dispostos a nos libertar do profundo apego às coisas materiais, que se tornaram um manto de segurança em nossa vida. Imaginai as centenas de casais missionários que são necessários e que estariam servindo, se esse apego ao lar, aos filhos e netos fosse menos forte. O Senhor está pronto a realizar o milagre, fazendo com que sobrevivais e até mesmo vos desenvolvais, com essa separação de dezoito meses. Devemos aprender a orar com sinceridade: “Não se faça a minha vontade, mas a vossa.” Quando fordes capazes de assim proceder, a inspiração que recebereis do Senhor será mais alta e clara. O Profeta Joseph Smith, após cinco anos de extremo sofrimento na Cadeia de Liberty, sentiu isso, e afirmou: “Quando o coração é suficientemente contrito, a voz da inspiração chega furtivamente e sussurra: Meu filho, paz seja à tua alma” (History of the Church, 3:293; grifo nosso).

O auxílio de audição número 3 diz respeito às escrituras. Em Doutrina e Convênios o Senhor nos ensina que ele nos fala pelas escrituras. Naturalmente, apenas ler as palavras, sem centralizar a mente na mensagem, não é realmente ouvir. Lemos na seção 18:

“E eu, Jesus Cristo, vosso Senhor e vosso Deus, o disse.

Estas palavras são, não de homens ou de um homem, mas minhas; portanto, vós testificareis que são minhas e não de homem;

Pois é a minha voz que vo-las diz; pois são dadas pelo meu Espírito… Portanto, podeis testificar que ouvistes a minha voz, e conheceis as minhas palavras.” (Vers. 33-36.)

Assim, o que muitos consideram o monólogo da oração, realmente se torna um diálogo com Deus, quando mergulhamos nas escrituras.

Acontece hoje o mesmo que aconteceu ao profeta Elias. Deus não está no terremoto nem nos ventos ou fogos de guerra, mas ele nos fala com voz mansa. Juntamente com o Presidente Kimball, eu testifico que é o fluxo constante de comunicações reveladas que continua a dirigir esta Igreja, por meio de nosso profeta, Ezra Taft Benson, de seus conselheiros e dos Doze Apóstolos. Essa voz chega aos Setenta e ao Bispado Presidente. Vai aos presidentes de estaca, aos bispos e aos oficiais de quorum e da Igreja em todo o mundo. Fala aos nossos missionários; chega aos chefes de família. Testifico que esta voz mansa e delicada está falando pessoalmente a vós. Por favor, acjuietai-vos e ouvi! O salmista disse: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” ((Salmos 46:10).

Eu sei que ele vive. Ele vos ama. Ele deseja que o sigais, mas não que o façais em virtude de qualquer demonstração espetacular da parte dele — simplesmente porque ele vos ama — simplesmente por isso! Presto-vos solene testemunho de que ele vive e está perto de vós, e que nestes últimos dias somos conduzidos por um profeta vivo. Tudo isto eu faço em nome de nosso Salvador, Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoGraham W. Doxey, “A Voz Continua a Ser Mansa”, Conferência Geral de Outubro de 1991, Saturday Afternoon Session (1991-10-05). Pulpit Vault, 1991-10-doxey-the-voice-is-still-small. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).