Pulpit

Mudanças

Jacob de Jager

Conferência Geral de Abril de 1991·Priesthood Session·1991-04-06

Irmãos, é bom estar convosco. Falar na reunião do sacerdócio de uma conferência geral é para mim, literalmente, uma oportunidade que só se tem uma vez na vida, pois nunca antes, nos quinze anos que pertenço ao Quorum dos Setenta, tive esse privilégio, e não é provável que o tenha novamente. Considero, portanto, uma bênção pessoal poder dirigir-me a tão vasta audiência de homens dignos, portadores do sacerdócio de Deus.

Muitos de vós sois solteiros, e muitos casados. Para os que são casados eu gostaria de testificar, fundado em experiência pessoal, que ter uma mulher que nos ame e apóie é uma grande fonte de fortalecimento. Provavelmente já ouvistes o que foi dito: “Atrás de cada grande homem existe uma grande mulher.” Na igreja mudamos um pouco esse adágio, dizendo: “Atrás de cada grande homem existe uma sogra surpresa.” Pois ela pode dizer: “E este o rapaz que casou com minha filha? Agora ele é bispo? Não posso acreditar!” Sim, mãe, o rapaz amadureceu, ganhou experiência, tomando sobre si responsabilidades cada vez maiores, e aprendeu a servir ao Senhor servindo ao próximo. Resumindo, ele mudou!

Esta noite eu gostaria de falar sobre mudanças, porque tudo o que nos cerca parece estar mudando num ritmo acelerado. Nos últimos dois anos, observamos mudanças tremendas na Europa Oriental. Os recentes acontecimentos na região do Golfo Pérsico também mudaram a vida de muitas pessoas de maneira dramática, o que é compreensível. E inevitável que nossa vida seja igualmente influenciada pelos eventos que nos cercam, e talvez experimentemos o sentimento desconfortante de que tais mudanças no mundo estão fora de nosso controle.

Existem, porém, mudanças importantes que todos deveriam poder fazer, por meio de uma preparação adequada — mudanças sobre as quais certamente temos controle. Irmãos, como portadores do sacerdócio, deveríamos fazer a nós mesmos estas perguntas: “Estou dedicando atenção e tempo suficientes a mudanças pessoais, que farão com que me torne uma pessoa melhor aos olhos do Senhor? E: “Estou, como pai e líder espiritual de meu próprio lar, dedicando atenção e tempo suficientes ao desempenho de minhas responsabilidades e deveres básicos?” São eles:

Número 1. Conduzir e dirigir regularmente as orações familiares e o estudo das escrituras.

Número 2. Preparar meus filhos para receberem o sacerdócio, e os outros membros da família para honrarem o sacerdócio.

Número 3. Incentivar minha família a ser digna de receber as ordenanças do templo e a ser fiel aos convênios feitos.

Número 4. Ajudar meus familiares a desenvolverem seus talentos pessoais e dons divinos, a fim de fortalecerem e servirem ao próximo.

Número 5. Inspirar meus familiares a guardarem os mandamentos de Deus e perseverarem na fé até o fim.

Quando realmente compreendemos e aceitamos estes deveres do sacerdócio, comprometendo-nos a cumpri-los, preparamo-nos para uma mudança miraculosa de conseqüências eternas.

Não nos foi prometido que podemos ser “participantes da natureza divina”? (Vide II Pedro 1:4.) Isto significa que, por meio de uma mudança pessoal, desenvolvemos o desejo de viver em harmonia com os ensinamentos do Senhor, e o desejo de libertar a mente de todo e qualquer mau sentimento para com os outros. Isto nos torna mais dignos, e até mais perfeitos.

O velho ditado “mudança é progresso” ganha então um significado especial para todos nós — porque arrependimento é mudança, conversão é mudança, aperfeiçoamento é mudança. Tudo isto está em completa harmonia com os desejos do Pai Celestial e os apelos amorosos do Redentor.

Como membros da igreja restaurada do Senhor recebemos, por revelação divina, um conhecimento perfeito do que nos reserva o futuro. O plano de redenção nos foi revelado em toda a sua glória. Ele cobre de maneira perfeita nossa existência pré-mortal, nossa jornada terrena e nossa vida além-túmulo, conforme registrado no Livro de Mórmon.

Élder Neal A. Maxwell fez a seguinte declaração sobre a maneira de lermos o Livro de Mórmon: “Alguns membros da Igreja nunca leram o Livro de Mórmon. Outros o usam ocasionalmente, como se fosse uma mera e conveniente fonte de citações. Outros ainda o aceitam e lêem, mas não o exploram realmente, não meditam no seu conteúdo. O livro é para ser saboreado, não apenas mordiscado.” (But for a Small Moment, Cidade do Lago Salgado: Bookcraft, 1986, p. 28.)

Vamos, portanto, estudar atentamente as palavras de Amuleque, o companheiro missionário de Alma, o filho, conforme registradas no capítulo 34 de Alma, a começar do versículo 30:

“E agora, meus irmãos, eu quisera que, depois de terdes recebido tantos testemunhos, vendo que as santas escrituras testificam destas coisas, que viésseis e trouxésseis frutos de arrependimento.

Sim, eu quisera que viésseis, não endurecendo mais vossos corações, pois agora é chegado o tempo e o dia da vossa salvação; e se vos arrependerdes, não endurecendo vossos corações, imediatamente será realizado para vós o grande plano de redenção.

Pois eis que esta vida é o tempo para os homens se prepararem para o encontro com Deus; sim, eis que o dia desta vida é o dia para os homens executarem os seus labores.

E agora, como vos disse antes, já que haveis tido tantos testemunhos, peço-vos, portanto, que não deixeis o dia do arrependimento para o fim; porque depois deste dia de vida, que nos é dado para nos prepararmos para a eternidade, eis que se não aproveitarmos nosso tempo virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado.

Não podereis dizer, quando fordes levados a essa terrível crise: Eu me arrependerei para que possa retornar a meu Deus. Não, não podereis dizer isso; porque o mesmo espírito que possuir vossos corpos, quando deixardes esta vida, terá forças para possuir vossos corpos naquele mundo eterno.” (Versículos 30–34; grifo nosso.)

Oro, irmãos, que possamos sempre nos lembrar destas admoestações de Amuleque, em casa, no trabalho, na comunidade onde vivemos, e em nossos chamados na Igreja; e que possamos responder à tão freqüentemente citada pergunta de Alma: “Haveis experimentado essa poderosa mudança em vossos corações?” (Alma 5:14) com um alto e firme “sim!”

Irmãos, temos que melhorar nosso desempenho, individual e coletivamente, fortalecer os alicerces do sacerdócio da Igreja, preparar-nos para cumprir nossas responsabilidades no século que se aproxima, que pode muito bem ser o portador da mudança mais significativa da história da humanidade: A mudança dos corações humanos em todos os lugares, a verdadeira conversão de pessoas em números cada vez maiores, o avanço do reino até os confins da terra “como a pedra que, sendo cortada da montanha, sem mãos, rolará adiante até que encha toda a terra” (D&C 65:2).

O Pai Celestial prometeu que dará um espírito novo às pessoas e “(tirará) da sua carne o coração de pedra” (Ezequiel 11:19). As enormes mudanças pelas quais temos passado nos últimos anos, são o início de uma nova era. No seminário de representantes regionais de abril de 1987, Élder Maxwell nos relatou a seguinte visão:

“Todas as coisas devem ser feitas com sabedoria e ordem. Os pioneiros mórmons foram elogiados pela irrigação do deserto de Utah. Nós, mórmons, estamos atualmente nos preparando para uma irrigação definitiva, que virá quando a Igreja tiver crescido em número e espiritualidade, a ponto de a verdade do evangelho e a retidão varrerem a terra como um dilúvio. Estamos agora num breve interlúdio na história da Igreja, que precede uma era especial que logo virá, quando este evangelho será levado a nossos irmãos do Terceiro Mundo. A resposta desses irmãos poderá surpreender-nos e temos que nos certificar de que estamos firmemente estabelecidos e prontos para eles, pois eles estão prontos para nós. Atualmente estão sendo preparados para ouvir a palavra. Possa Deus abençoar nossa preparação para levar-lhes essa palavra.”

Irmãos, presto solene testemunho de que as linhas e preceitos dos quais vos falei esta noite são verdadeiros, que o Livro de Mórmon é verdadeiramente a palavra de Deus e o livro mais correto da terra, no que diz respeito à salvação e exaltação do homem.

Eu sei que Deus vive e que Jesus Cristo é nosso Salvador e Redentor. Testifico também que o Presidente Ezra Taft Benson é o profeta do Senhor na terra, hoje. Que possamos todos testificar ao mundo estas verdades simples, eu oro, em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoJacob de Jager, “Mudanças”, Conferência Geral de Abril de 1991, Priesthood Session (1991-04-06). Pulpit Vault, 1991-04-jager-change. Tradução oficial da Igreja, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).