A Força DO Livro de Mórmon
Ruth B. Wright
As paredes de nosso escritório da Primária ostentam desenhos feitos por crianças de todo o mundo, ilustrando alguns dos grandes acontecimentos do Livro de Mórmon. Olhando para eles, sinto o espírito de nobres profetas e líderes que escolheram ser obedientes ao Senhor, apesar das provações terrenas. Os exemplos de fé, coragem, amor, humildade, serviço e perseverança me sustêm e dão-me forças para enfrentar desafios em minha própria vida. ¶
Para que também vós possais tirar forças de sua mensagem, vou descrever alguns desses singelos desenhos, e falar de idéias sobre os poderosos princípios que eles ensinam. As histórias são conhecidas; no entanto, os preceitos que aprendemos podem ser diferentes, toda vez que as lemos. As escrituras têm o poder de falar à nossa situação particular, onde quer que nos encontremos na vida. Os discernimentos que obtereis poderão ser totalmente diferentes dos meus, mas todos poderão fortalecer-nos pessoalmente. ¶
O primeiro quadro ilustra a jornada de Léhi. Com total fé em que o Senhor o guiaria, Léhi abandonou a segurança e o conforto de sua casa em Jerusalém e iniciou a jornada pelo deserto enfrentando um futuro incerto. ¶
Quando me deparo com o desconhecido, obtenho forças ao lembrar-me de Léhi, e tenho fé em que o Senhor há de me guiar. ¶
Quando observo Néfi construindo um navio, posso imaginar o que lhe passou pela mente. “Como fazê-lo? Nada sei a respeito da construção de navios. Não tive qualquer treinamento!” Em vez disso, ele enfrentou o desafio com coragem, dizendo: ¶
“Se Deus me ordenasse que fizesse todas as coisas, eu as poderia fazer. Se ele me ordenasse que dissesse a esta água: Converte-te em terra, ela se converteria; e, se eu dissesse, assim seria feito. ¶
E agora, se o Senhor tem tão grande poder e fez tantos milagres entre os filhos dos homens, por que não poderá ensinar-me a construir um navio?” (1 Néfi 17:50–51.) ¶
E assim, Néfi construiu o navio. ¶
Quando as tarefas parecem grandes demais ou impossíveis, penso no corajoso Néfi, à beira-mar, construindo um navio. ¶
Gosto de admirar o quadro do Rei Benjamim de pé na imensa torre com os braços estendidos em amor para todo seu povo. Esse querido monarca, que passou a vida a serviço de seus semelhantes, demonstrou grande humildade, admitindo francamente, suas fraquezas e imperfeições; não obstante, afirmou com convicção que sabia que seu chamado era de Deus. ¶
“Não ordenei que subísseis aqui para que me temesseis, nem para que pensásseis que eu por mim mesmo seja mais que um homem mortal. ¶
Sou, porém, como vós outros, sujeito a todas as enfermidades do corpo e da mente… e a mão do Senhor permitiu que eu fosse rei e chefe deste povo… para servir-vos com todo o poder, inteligência e fortaleza que o Senhor me concedeu.” (Mosiah 2:10–11.) ¶
Quando me sinto inadequada e assoberbada pelas fraquezas, penso no rei Benjamim e tento novamente. ¶
Imaginai Alma e Amuleque sentados lado a lado, amarrados com cordas, na prisão. Homens iníquos os perseguiram, aprisionaram e causaram-lhes grandes aflições por testificarem a verdade. Sabemos que os filhos de Deus vêm sofrendo desde o início dos tempos por amor à justiça e continuarão a ser provados. Encontro forças lendo sobre Alma e Amuleque ao enfrentar minhas provações pessoais. ¶
Numa época de valores tão inconstantes em que alguns dizem: “Faça o que quiser, desde que não magoe ninguém”, ou “Se achar bom, faça-o”, ou “Só é errado se for apanhado”, lembro-me dos jovens guerreiros de Helamã. Eles, que aprenderam princípios corretos de suas mães, eram “muito valentes e corajosos, dotados de grande vigor e atividade; mas eis que isto não era tudo, pois eram também homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as empresas que lhes fossem confiadas”. (Alma 53:20.) ¶
Pois bem, isto significa ser fiel quando tentado, ser fiel quando não se quer ser, ser fiel quando significa ficar à parte do resto do mundo. Recordar o exemplo desses jovens fiéis fortalece-me, no esforço de ser constante na obediência ao evangelho. ¶
Olhando para o quadro de Cristo aparecendo aos nefitas, lembro-me de uma querida amiga que passou por acontecimentos traumáticos num curto espaço de tempo. Ficou fisicamente fraca, emocionalmente abalada e espiritualmente exaurida. Cada dia parecia-lhe mais difícil de enfrentar que o anterior.1 Aguardando no hospital uma cirurgia não desejada, mas necessária, sentia-se totalmente só. Seus pensamentos voltaram-se para Joseph Smith e seu sofrimento na Cadeia de Liberty. Depois pensou em Jesus Cristo. Pediu ao marido que lesse para ela parte de 3 Néfi. Os nefitas haviam-se reunidos no templo da terra de Abundância, e por duas vezes ouviram uma voz, que não entenderam e que parecia vir do céu. ¶
“Apesar de ser uma voz suave, penetrava até o âmago… de tal modo que fazia tremer todas as partes do corpo; sim, penetrou até o mais profundo da alma e incendiou todos os corações… ¶
E eis que, na terceira vez, compreenderam o que dizia a voz… ¶
Eis aqui meu Filho bem amado, no qual me alegro e no qual glorifiquei meu nome; a ele deveis ouvir… ¶
Viram um homem que descia, vestido com uma túnica branca.-.. ¶
Eis que sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi anunciada pelos profetas. ¶
E eis que sou a luz e a vida do mundo; bebi da taça amarga que o Pai me deu e o glorifiquei, tomando sobre mim os pecados do mundo, cumprindo assim a vontade do Pai em todas as coisas, desde o princípio.” (3 Néfi 11:3, 3 Néfi 6–8, 3 Néfi 10–11.) ¶
Ouvindo esta passagem, uma doce paz envolveu minha amiga. Pela primeira vez em meses, ela sentia-se aliviada. Seus temores se acalmaram. Ela ganhou forças para ir em frente. ¶
Cristo ministrou não só à multidão, mas deu forças, também, às crianças. No capítulo dezessete de 3 Néfi, Jesus pediu que lhe trouxessem as criancinhas e as reunissem em torno dele. ¶
“Tomou das criancinhas, uma a uma, abençoou-as e rogou por elas ao Pai. ¶
E, dirigindo-se à multidão, disse: Olhai para vossas criancinhas. ¶
E, ao levantar a vista, dirigiram o olhar ao céu; e viram que se abriam os céus e deles desciam anjos que pareciam estar no meio do fogo; e os anjos desceram e circundaram aqueles pequeninos e eles foram rodeados por fogo e anjos lhes ministraram.” (Versículos 21, Versículos 23–24.) ¶
Ao ler esta passagem, sinto-me inundada pelo amor de Jesus Cristo e do Pai Celeste. Jesus nos abençoa diariamente, assim como abençoou aquelas criancinhas, com um amor que me dá forças para ir avante, certa de que me guiará. ¶
Queridos irmãos, testifico que, ponderando fervorosamente o Livro de Mórmon, podemos obter forças para enfrentar os desafios. Sei que o Livro de Mórmon é a palavra de Deus. Quando o leio, recebo a confirmação dessa verdade. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Notes
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Estava desesperada na busca de alívio. ↩