O Caminho Estreito e Apertado
Joseph B. Wirthlin
Enquanto viajávamos por uma estrada montanhosa ao anoitecer, irmã Wirthlin e eu passamos por uma forte tempestade, agravada por freqüentes estrondos de trovões e relâmpagos, de modo que mal conseguíamos ver o caminho à frente, nem o que estava à direita e à esquerda. Procurei fixar-me atentamente nas linhas brancas da estrada. Permanecer dentro dos limites por elas estabelecido foi o que impediu que nos aproximássemos da beira do caminho e caíssemos no despenhadeiro profundo que ficava de um lado, e nos ajudou a evitar uma colisão. Ultrapassar o limite das linhas poderia ter sido muito perigoso. Então pensei: “Será que alguém, com a cabeça no lugar, se desviaria para a esquerda ou para a direita da pista, se soubesse que o resultado seria fatal? Se desse valor à vida mortal, certamente haveria de permanecer entre as linhas.” ¶
Esta experiência de viajar por uma estrada montanhosa, se assemelha muito à vida. Se permanecemos dentro dos limites demarcados por Deus, ele nos protegerá e poderemos chegar em segurança ao nosso destino. ¶
Este princípio foi ensinado pelo Salvador, ao dizer: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; ¶
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 7:13–14.) ¶
Numa revelação moderna ele adicionou: “Pois estreita é a porta e apertado o caminho que leva à exaltação e à continuação das vidas, e poucos há que o encontram.” (D&C 132:22.) ¶
Josias, rei de Judá, reinou em justiça. Quando sucedeu a seu pai, tinha apenas oito anos de idade. As escrituras nos dizem que, embora não passasse de um menino, Josias “fez o que era reto aos olhos do Senhor… e não se apartou dele nem para a direita nem para a esquerda”. (II Reis 22:2.) ¶
Q Senhor revelou o seguinte ao Profeta Joseph Smith: “Pois Deus não anda por sendas tortuosas, esquerda, nem se desvia daquilo que falou, portanto, suas veredas são retas, e o seu caminho, um círculo eterno.” (D&C 3:2.) ¶
Embora estes ensinamentos do Salvador sejam claros e diretos, corremos o risco de nos desviarmos do caminho. Alguns seguem os ensinamentos do Senhor e do profeta vivo só quando lhes é conveniente, mas os rejeitam quando deles é requerido algum sacrifício ou um compromisso mais sério. Outros deixam de seguir os ensinamentos divinos apenas por não concordarem com as idéias preconcebidas na própria mente. ¶
Nós nos desviamos do caminho quando nos submetemos a tentações que nos levam a ultrapassar os limites da segurança. Satanás conhece nossas fraquezas. Ele nos arma ciladas atrativas bem na hora em que.mais estamos vulneráveis, com a intenção de afastarmos do caminho que nos leva de volta ao Pai Celestial. O pecado pode ser o resultado de atividades, de início, inocentes ou perfeitamente legítimas, quando moderadas, mas que, em excesso, podem desviar-nos do caminho estreito e apertado, levando-nos à destruição. ¶
Os esportes são um exemplo. Muitos de nós gostamos de assistir a um bom jogo, seja no estádio ou na televisão. Eu não sou exceção. Gosto de assistir a uma boa competição atlética. Se, no entanto, passarmos muito tempo assistindo a eventos esportivos, podemos negligenciar coisas muito mais importantes. ¶
Uma boa saúde física e espiritual pode ajudar-nos a permanecer no caminho estreito e apertado. O Senhor nos deu seu código de saúde na Palavra de Sabedoria, um “princípio com promessa” que a ciência médica moderna continua a comprovar. (D&C 89:3.) Todos os mandamentos de Deus, incluindo a Palavra de Sabedoria, são espirituais. (Vide D&C 29:34–35.) Precisamos nutrir-nos espiritualmente, até mesmo mais do que fisicamente. Estaremos dando valor adequado ao nosso bem-estar espiritual? ¶
Outra atividade que pode tirarmos do caminho certo é assistir à televisão em excesso ou ver filmes impróprios. Embora alguns programas elevem e entretenham, precisamos selecionar muito bem o que vemos e quanto tempo despendemos em tal atividade. Nosso precioso tempo não pode ser usado para assistir a programas de linguagem vulgar, conduta imoral, pornografia e violência. ¶
Outro desvio consiste na tentação de dar demasiado valor à obtenção de bens materiais. Construir uma casa linda e espaçosa, muito maior do que precisamos, por exemplo. Talvez tenhamos que gastar demais para decorar, mobiliar e ajardinar essa casa. E, mesmo que sejamos tão abençoados a ponto de termos condições de nos dar a esse luxo, talvez estejamos fazendo mau uso de recursos, que poderiam ser usados de maneira mais aproveitável, para edificar o reino de Deus ou vestir e alimentar nossos irmãos necessitados. ¶
Jacó, o profeta do Livro de Mórmon, advertiu-nos: “Não despendais dinheiro naquilo que não tem valor, nem vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer.” (2 Néfi 9:51.) E, numa linguagem ainda mais forte, ele disse: ¶
“Porque alguns dentre vós obtiveram mais abundantemente do que vossos irmãos, haveis enchido vossos corações de orgulho e andais empertigados, com as cabeças levantadas devido aos vossos custosos trajes, e perseguis vossos irmãos, porque supondes que sois melhores do que eles. ¶
E agora, meus irmãos, supondes que Deus vos justifica nestas coisas? Eis que vos digo: Não. Mas ele vos condena… ¶
Não pensais que tais coisas são abomináveis àquele que criou toda a carne? Pois para ele uma criatura é tão preciosa como a outra.” (Jacó 2:13–14, 21.) ¶
Orgulho e vaidade, sentimentos opostos à humildade, podem destruir nossa saúde espiritual, tão certo quanto uma enfermidade debilitante pode destruir nossa saúde física. ¶
O Salvador ensinou claramente o valor dos bens terrenos, em conversa com o mancebo rico que lhe perguntou o que mais precisava fazer para ganhar a vida eterna; ele havia observado todos os mandamentos, desde a mocidade, e queria saber o que lhe faltava ainda. Jesus aconselhou-o a vender tudo o que tinha e dar o dinheiro aos pobres, depois segui-lo. O mancebo, porém, retirou-se triste, porque amava suas propriedades. (Vide Mateus 19:16–22.) Quantos de nós passaríamos neste teste? ¶
Muitos de nós fizemos convênios sagrados de viver as leis de sacrifício e consagração, mas quando somos abençoados pelo Senhor com riquezas e abundância, dificilmente nos lembramos de usar essas bênçãos para ajudar a edificar sua igreja. ¶
As escrituras estão repletas de admoestações contra a vida mundana e o orgulho, porque são coisas que também podem desviarmos de nosso curso. O Senhor explicou ao Profeta Joseph Smith que muitos se afastam do caminho “porque seus corações estão tão fixos nas coisas deste mundo”. (D&C 121:35.) ¶
Irmãos, peço-vos também que façais tudo para não cruzar as linhas de segurança, penetrando nos caminhos da imoralidade. Nosso profeta, o Presidente Ezra Taft Benson, disse deste púlpito: “O maldito pecado desta geração é a imoralidade sexual… Ela infesta a nossa sociedade.” (A Liahona, julho de 1986, p. 3.) Os corações partidos e as famílias desfeitas que vejo constantemente demonstram que a imoralidade é um problema muito sério no mundo, e mesmo para alguns membros da Igreja. Lembrai-vos de que “iniqüidade nunca foi felicidade”. (Alma 41:10.) “Não podeis fazer o que é errado e sentir que é certo.” (Ezra Taft Benson, New Era, junho de 1986, p. 6.) ¶
O primeiro desvio em direção à queda moral, no homem ou na mulher, é semelhante à centelha que dá início a um devastador incêndio florestal. Este ano, em Midway, Utah, num dia quente e ventoso de verão, as brasas restantes de uma pequena fogueira de um acampamento foram sopradas pelo vento, dando início a um devastador incêndio que se espalhou montanha afora. Antes que as chamas pudessem ser controladas, dois excelentes membros da Igreja perderam a vida. O fogo abrasador destruiu a bela paisagem e dezoito casas. Arriscamo-nos a praticar um dano semelhante à nossa integridade moral, quando nos descuidamos dela, mesmo que seja por um só momento. A fagulha de um pensamento mau pode penetrar a mente, incendiando e destruindo a fibra moral da alma. ¶
Como podemos permanecer no caminho estreito e apertado? O Senhor nos deu a resposta, vez após outra. Temos que aprender a palavra de Deus estudando as escrituras, aplicando-as, orando ao Senhor e servindo ao próximo. ¶
No Livro de Mórmon, a palavra de Deus recebe o nome de barra de ferro. Ao interpretar o sonho do pai para os irmãos, Néfi escreveu: ¶
“E eles me disseram: O que significa a barra de ferro que nosso pai viu, e que conduzia à árvore? ¶
E eu lhes disse que representava a palavra de Deus, e todos os que dessem ouvido à palavra de Deus e a ela se apegassem jamais pereceriam; nem as tentações nem os ardentes dardos do adversário poderiam dominá-los cegando-os, para os encaminhar à destruição.” (1 Néfi 15:23–24.) ¶
Em outras palavras, Néfi ensinou que quando nos agarramos à palavra de Deus, como se fosse um corrimão, somos capazes de evitar as tentações, sem nos perder na escuridão. Assim conseguimos permanecer no caminho apertado. ¶
Usando outro simbolismo, o salmista escreveu: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” (Salmos 119:105.) ¶
A palavra de Deus é, então, a luz de nosso caminho, a barra de ferro ou corrimão a que devemos nos agarrar. Ela estabelece o limite das linhas que não devemos cruzar, se desejamos alcançar nosso destino. ¶
Podemos fazer com que nossos valores se conservem de acordo com a vontade do Pai Celestial, pelo estudo diário das escrituras e da palavra dos profetas modernos. As escrituras nos guiam “à fonte de água viva, ou à árvore da vida; as águas representavam o amor de Deus”. (1 Néfi 11:25.) ¶
As orações diárias nos ajudam a continuar no caminho da vida eterna. Em Provérbios lemos: “Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Provérbios 3:6.) Orações diárias, em particular ou em família, nos ajudam a permanecer junto ao Pai Eterno e a conhecer o que é de maior valor para nós e para ele. Não nos desviaremos do caminho, se todos os dias, pelo menos de manhã e à noite, proferimos orações humildes e simples, que expressem nosso agradecimento e peçam orientação divina. ¶
O Salvador ensinou o valor do serviço em benefício do próximo na parábola dos bodes e das ovelhas, declarando aos justos: ¶
“Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; ¶
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; ¶
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. ¶
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? ¶
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? ¶
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? ¶
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:34–40.) ¶
O rei Benjamim ensinou o mesmo princípio dizendo: “Quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus.” (Mosiah 2:17.) ¶
Ao orar, fazei ocasionalmente um inventário, para ver até que ponto vai a vossa retidão em seguir os padrões do evangelho de Jesus Cristo. Podemos saber por nós mesmos, como o Salvador o sabe, onde precisamos progredir. Agarremo-nos aos padrões. Se já progredimos nas coisas materiais e externas, como estamos indo com as coisas de natureza interna? Nossa vida é aceitável ao Senhor? Estamos dispostos a reconhecer nossos pecados e fazer o esforço de não mais cometê-los, de nos arrepender e corrigir o curso que nos levará de volta ao caminho estreito e apertado? ¶
Sei que temos todos muito o que fazer. Sei que às vezes ficamos aturdidos com tantas tarefas, mas, se ordenamos as prioridades, podemos realizá-las todas. Podemos persistir até o fim, sejam quais forem as tentações, problemas e desafios. Aqueles que permanecem fiéis receberão as maiores bênçãos, a vida eterna, e o privilégio de viver com o Pai Celestial e seu Filho Amado no reino celestial. ¶
Elder Marion G. Romney disse: “Quando a vida terrena terminar e as coisas se mostrarem em sua perspectiva real, poderemos ver mais claramente … que os frutos do evangelho são os únicos objetivos dignos de nossos esforços.” (Conferência Geral, outubro de 1949.) ¶
Jacó, um profeta do Livro de Mórmon, declarou: “Assim pois, meus queridos irmãos, vinde ao Senhor, ao Santo. Lembrai-vos de que seus caminhos são retos. Eis que o caminho para o homem é estreito; mas segue em linha reta ante ele; e o guarda do portão é o Santo de Israel; e ele ali não tem nenhum empregado.” (2 Néfi 9:41.) ¶
Que todos possamos gozar dos frutos do evangelho. Sejamos fiéis e leais aos convênios. Tenhamos o caminho estreito e apertado em mente e façamos tudo o que pudermos para permanecer no limite das linhas, em meio às tempestades e tentações da vida. Estudemos as escrituras, nos agarremos à barra de ferro que é a palavra de Deus, sejamos piedosos e ajamos de maneira cristã. Sejamos repletos de caridade, o puro amor de Cristo, e que esse amor seja refletido em nossas ações. Assim estaremos observando “o mais importante” da lei de Deus, não omitindo o resto. (Mateus 23:23.) ¶
Presto testemunho solene de que Jesus é o Santo de Israel, nosso Salvador e Redentor. Esta é sua Igreja. Ele é o Filho de Deus, o Pai Celestial. Joseph Smith é o profeta da restauração nestes últimos dias, e o Presidente Ezra Taft Benson é um profeta vivo em nossos dias. Presto testemunho disto em nome de Jesus Cristo, amém. ¶