Tradições Familiares
L. Tom Perry
Os profetas nos ensinaram que, antes que o mundo existisse, houve um conselho nos céus. O Presidente Brigham Young instruiu os santos: ¶
“O conselho… decretou: ‘Que haja uma terra e que haja um firmamento em cima e embaixo dela.’ E assim foi. Eles disseram: ‘Que haja calor e frio’, e assim foi. Eles disseram: ‘Que haja primavera, verão, outono e inverno’, e assim aconteceu. ¶
‘Quem redimirá a terra, quem descerá e fará o sacrifício pela terra e todas as coisas que ela contém?’ O irmão mais velho disse: ‘Eis-me aqui’, e então acrescentou: ‘Manda-me.’ Mas o segundo, que era ‘Lúcifer, o Filho da Manhã’, disse: ‘Eis-me aqui, manda-me e serei teu filho, e redimirei todo filho e filha de Adão e Eva que vive e que viverá sobre a terra.’ ‘Mas’, disse o Pai, ‘isso não resolverá tudo. Eu dou a cada indivíduo e pessoa o livre-arbítrio; todos devem usá-lo para alcançar a exaltação em meu reino e, já que eles têm o poder para escolher, devem exercê-lo. Eles são meus filhos; os atributos que em mim vês existem também em meus filhos, e eles devem usar seu arbítrio. Se tentares salvar a todos, deverás salvá-los em iniqüidade e corrupção.’” (Discursos de Brigham Young, pp. 53-54.) ¶
Quando esses espíritos vêm para a terra, saídos do conselho nos céus, continuam desejando o livre-arbítrio; aliás, estão dispostos até mesmo a se sacrificarem por essa liberdade. Estamos testemunhando hoje a ocorrência de eventos admiráveis no mundo: evidência do grande desejo que o homem tem de liberdade. A história da experiência mortal do homem indica que esse desejo tem raízes espirituais. ¶
Existe no homem um desejo inato, dominante e compulsivo de ser livre, e que parece ser mais precioso do que a própria vida. ¶
Outro desejo que trazemos da existência pré-mortal é o de saber quem somos e de onde viemos, bem como quais são nossas oportunidades no grande plano eterno. As respostas para tais perguntas só podem ser realmente encontradas no evangelho de nosso Senhor e Salvador. ¶
Ao ouvirmos os brados de ajuda daqueles que agora estão procurando lidar com sua recém-adquirida liberdade, que estão tentando usá-la e compreendê-la, podemos voltar-nos para as escrituras e ler de que forma o Senhor preparou outra nação para a liberdade. ¶
As escrituras registram que Israel viveu na terra do Egito por quatrocentos e trinta anos. Durante algum tempo o povo havia prosperado, sob a liderança de José. Lemos: ¶
“Sendo pois José falecido, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração. ¶
Os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles. ¶
Depois levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; ¶
O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. ¶
Eia, usemos sabiamente para com ele, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra.” (Êxodo 1:6–10.) ¶
Então a narrativa continua, contando como os israelitas foram escravizados pelos egípcios. Moisés cresceu, foi instruído e encarregado de livrá-los da escravidão e de conduzi-los à sua própria terra prometida. A tarefa foi difícil, pois Israel tinha vivido cerca de dois séculos em escravidão; muitas das práticas idólatras proeminentes na terra lhe haviam sido ensinadas. Teria sido impossível a Moisés conduzir seu povo sem a orientação do Senhor. ¶
A fim de reedificar a fé e relembrar-lhes quem era o seu verdadeiro Deus, Moisés foi instruído a estabelecer certos princípios e práticas entre eles, para ajudá-los a voltar para a verdadeira doutrina. Primeiro, o Senhor os instruiu a construir um tabernáculo que poderia ser levado de um lugar para outro, em sua jornada para a terra prometida. Esse tabernáculo deveria ser uma casa de adoração, onde as cerimônias sagradas poderiam ser realizadas. Deveria ser usado por aqueles que estivessem dispostos a seguir a lei do Senhor. ¶
Quando os filhos de Israel eram desobedientes, o privilégio das bênçãos de um tabernáculo lhes era negado. Lemos: ¶
“E tomou Moisés a tenda, e a estendeu para si fora do arraial, desviada longe do arraial, e chamou-lhe a tenda da congregação: e aconteceu que todo aquele que buscava o Senhor saiu à tenda da congregação, que estava fora do arraial.” (Êxodo 33:7.) ¶
Quando os filhos de Israel novamente acharam graça à vista do Senhor, o tabernáculo foi levado com eles de um lugar para outro, em busca da terra prometida. Era o seu guia durante o dia e sua segurança à noite. ¶
Mais tarde, quando alcançaram a terra que deveriam habitar, o Rei Salomão construiu um templo magnífico no Monte Sião, em Jerusalém, onde poderiam continuar a usufruir uma casa de adoração oficial. Os israelitas adoraram no Templo de Salomão durante trezentos e cinqüenta anos, mas deixaram de ser fiéis, e suas desavenças causaram conflito nas tribos. Isto os enfraqueceu de tal forma que quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, os atacou, derrotou-os e saqueou o templo, destruindo-o. Os israelitas perderam não só seu lugar de adoração mas, por muitos anos, seus lares, pois Nabucodonosor levou-os cativos para a Babilônia. ¶
Além do tabernáculo como lugar de adoração, o Senhor lhes deu a lei escrita, em placas de pedra. Tais mandamentos foram escritos pelo dedo do Senhor e conservados como guia e orientação. Os Dez Mandamentos eram o fundamento da lei hebraica. Quatro deles referem-se à nossa atitude para com Deus; os seis restantes à nossa atitude para com o próximo. A reverência a Deus foi o alicerce dos Dez Mandamentos. Eis a base para uma sociedade edificada na lei e na ordem. ¶
O Senhor tinha outra forma de lembrar Israel das bênçãos que lhe havia concedido. Fez com que fossem estabelecidos costumes religiosos que se tornaram parte da vida do povo, e que representavam as formas pelas quais podiam expressar fé em Deus. Israel se recusou a abandonar tais práticas, mesmo depois de ter sido levada em cativeiro. Os israelitas entenderam que o domínio de Deus não se limitava a fronteiras nacionais ou políticas, e não desistiram de sua fé, mesmo em meio a provações em terra estranha. Não tinham mais seu templo, mas restavam-lhes a lei e os costumes religiosos para adorar a seu Deus. ¶
A maioria de nós não será chamada para ajudar as nações a organizarem a liberdade recém-adquirida mas todos podemos envolver-nos e garantir que a luz da liberdade continue ardendo em nossas almas. Podemos ter certeza de que, por meio de nossas ações, damos o exemplo de como a liberdade deve ser gozada. ¶
Seguindo o padrão estabelecido pelo Senhor para a Israel antiga, ele nos ordenou que construíssemos casas de adoração, a fim de que houvesse lugar para o ensino do evangelho. Depois de obtermos conhecimento, podemos fazer convênios com ele de que seremos obedientes à sua vontade e, como recompensa, receberemos as bênçãos que ele prometeu, como resultado de nossa fidelidade. Possuímos templos em muitas nações, onde as pessoas dignas podem adorar, receber ensinamentos e fazer convênios de servir a Deus e obedecer à sua lei. ¶
Desde o início da existência do homem na terra foi-lhe ensinado que deve ser obediente à lei. ¶
“Há uma lei, irrevogavelmente decretada nos céus, desde antes da fundação deste mundo, na qual se baseiam todas as bênçãos. ¶
E quando de Deus obtemos uma bênção, é pela obediência àquela lei na qual a bênção se baseia.” (D&C 130:20–21.) ¶
Em todas as eras, os profetas nos ensinaram a obediência às leis do Senhor, que são o alicerce de nossa existência terrena e o estabelecimento da ordem em meio ao caos. ¶
O Presidente Wilford Woodruff ensinou: ¶
“O Deus dos céus, que criou esta terra e nela colocou seus filhos, deu-lhes uma lei pela qual poderão ser exaltados e salvos num reino de glória. Pois uma lei foi dada a todos os reinos, e todas as coisas são governadas pela lei, através do universo. Seja qual for a lei que a pessoa observe, ela é preservada por essa lei e recebe as recompensas que ela garante. É desejo de Deus que todos os seus filhos obedeçam à lei maior, para que possam receber a glória maior, instituída para todos os seres imortais. Deus deu a todos eles o livre-arbítrio, com o direito de escolher a lei que quiserem.” (The Discourses of Wilford Woodruff, selecionados por G. Homer Durham, Salt Lake City: Bookcraft, 1946, p. 10.) ¶
O Senhor não foi tão explícito na instituição de costumes religiosos, no que se refere a festas e festivais que nos lembrem das bênçãos recebidas hoje. No entanto, as tradições que nos aproximam da grande herança que nos foi concedida são algo que toda família deveria procurar conservar. ¶
Ajoelhemo-nos diariamente em oração familiar e estudemos as escrituras juntos. Guardemos semanalmente o Dia do Senhor, assistindo às reuniões, principalmente à sacramental, e nos comportando apropriadamente, em atividades adequadas para o dia santificado. Reunamos também nossa família em noite familiar semanal. Seria apropriado sairmos, semanalmente, com nossa esposa, para lembrar-nos da grande bênção que elas são em nossa vida. Jejuemos e paguemos o dízimo e as ofertas ao Senhor. Ouvir as mensagens transmitidas nas conferências gerais a cada seis meses também deve ser uma tradição familiar. Organizemos, anualmente, reuniões de família que conservem viva nossa grande herança do evangelho. ¶
Outras tradições que deveriam fazer continuamente parte de nossa vida são as bênçãos paternas e a patriarcal, a preparação missionária e para o templo, a freqüência regular nessa casa sagrada, sempre que possível, e reunião em família nas ocasiões em que ordenanças sagradas são realizadas em favor de um ente querido. ¶
Se criarmos tradições honradas em família, a luz do evangelho poderá crescer e se tornar muito mais brilhante na vida de nossos filhos, de geração em geração. Podemos aguardar aquele dia glorioso em que estaremos juntos, em unidades familiares eternas, para colher a alegria eterna prometida pelo Pai Eterno a seus filhos dignos. ¶
Nossas atividades e tradições familiares podem ser um farol para o resto do mundo, como exemplo do que devemos fazer para merecer suas maiores bênçãos e viver em paz e harmonia até o dia de sua volta, como nosso Rei. ¶
Esta obra na qual estamos empenhados é do Senhor. Deus vive! Jesus é o Cristo, o Salvador do mundo, é o meu testemunho solene, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶