Proclamai Meu Evangelho de Terra em Terra
L. Tom Perry
Do livro de Primeira Pedro, recebemos este conselho: ¶
"Antes, santificai o Senhor Deus em vosso coração; e estai sempre preparados para responder a qualquer que vos perguntar a razão da esperança que há em vós, com mansidão e temor." (1 Pedro 3:15.) ¶
Vivemos na era mais empolgante da história da humanidade. O potencial para proclamar o evangelho aos povos do mundo jamais foi tão grande. Em muitas terras, temos estabelecido estacas de Sião. Edifícios recém-construídos e bem cuidados tornam o serviço de adoração convidativo a todos os que o frequentam. Líderes do sacerdócio treinados estão sendo ensinados a como ministrar ao povo e edificar a fé no evangelho de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. O Livro de Mórmon tem sido traduzido para muitos idiomas, disponibilizando essa grande base doutrinária de escritura a tantos mais filhos de nosso Pai Celestial. Isso está abrindo caminho para que compreendam as bênçãos decorrentes de viver a lei do Senhor. ¶
A tecnologia abençoou a humanidade com ferramentas para ensinar e comunicar. Templos pontilham os mapas das nações, disponibilizando as ordenanças de salvação a milhões a mais de filhos de nosso Pai Celestial. Que emocionante é viver neste grande dia e ser chamado a trabalhar e testificar da grande obra em que agora estamos empenhados! ¶
Contudo, vemos que há muito mais a ser feito. A maior parte da população do mundo ainda aguarda a mensagem do evangelho. Abençoados com um alicerce firme e um mundo preparado como nunca antes para receber essa mensagem, este é certamente o momento de atentar às palavras de nosso profeta, o Presidente Benson: ¶
"Deus nos ordena levar este evangelho a todo o mundo. Essa é a causa que deve nos unir hoje. Somente o evangelho salvará o mundo da calamidade de sua própria autodestruição. Somente o evangelho unirá os homens de todas as raças e nacionalidades em paz. Somente o evangelho trará alegria, felicidade e salvação à família humana." (Teachings of Ezra Taft Benson, Salt Lake City: Bookcraft, 1988, p. 167.) ¶
A obra cresce em proporção direta ao número de mensageiros que temos proclamando as boas novas. No ano passado, tivemos o maior número de missionários de tempo integral servindo em muitas terras na história da Igreja. No ano passado, também tivemos o maior índice de batismos de conversos. Isso é gratificante, mas, ah, tão distante de nosso potencial. Ainda assim, muitos de nossos rapazes, moças e casais não têm atendido ao chamado do profeta para servir. ¶
Embora tenhamos ouvido os profetas declararem, por décadas, "Todo membro, um missionário", ainda temos apenas uma pequena porcentagem dos membros da Igreja ativamente engajados em auxiliar os missionários de estaca e de tempo integral em nossas responsabilidades de proclamar o evangelho ao mundo. ¶
Por que temos sido tão relutantes em captar o espírito desta obra? Creio que há duas razões básicas. ¶
Primeira, tememos ofender. Mas não temos conseguido encontrar justificativa para esse temor. De fato, a experiência confirma que o processo de missionário-membro geralmente fortalece os relacionamentos entre nós e nossos amigos. ¶
Segunda, creio que não nos preparamos para ser bons mensageiros. Os membros da Igreja em geral parecem estar na mesma posição em que me encontrei, muitos anos atrás, como missionário de tempo integral. Naquela época, recebíamos pouco treinamento para cumprir nossas responsabilidades. Ao chegar ao campo missionário, fui designado a um companheiro que também era novo no campo. Ele estava ansioso para começar a obra que lhe fora designada e chamada a realizar. Quase imediatamente, encorajou-me a ir com ele fazer proselitismo de porta em porta. Nunca esquecerei nossa primeira abordagem a uma porta. Ao nos aproximarmos da casa, virei-me para ele e perguntei: "O que eu faço?" Sua resposta me surpreendeu. Ele disse: "Não sei. Nunca tentei isso antes." Como é diferente o treinamento dos missionários de tempo integral que temos servindo hoje! Precisamos estar mais à altura deles se quisermos cumprir nossas responsabilidades como missionários-membros. ¶
A experiência nos diz que há três mensagens que têm o maior apelo para aqueles que possam estar interessados no evangelho. Talvez elas nos ofereçam um ponto de partida em nossa preparação para nos tornarmos melhores mensageiros. ¶
A primeira é o propósito da vida. Se tivéssemos vida apenas aqui, e se a morte fosse o fim de nossa existência, teríamos pouco com que nos preocupar. Mas, ao estudarmos os escritos dos santos profetas desde o princípio, logo descobrimos que o homem é um ser dual, que possui corpo e espírito. O principal propósito da vida terrena é permitir que nosso espírito, que existia antes de o mundo ser, se una a nosso corpo por um tempo de grande oportunidade na mortalidade. A associação dos dois juntos nos deu o privilégio de crescer, desenvolver-nos e amadurecer como só é possível com espírito e corpo unidos. Com nosso corpo, passamos por certa medida de provação naquilo que se denomina o estado probatório de nossa existência. Este é um tempo de aprendizado e de prova, para nos provarmos dignos de oportunidades eternas. Tudo isso faz parte de um plano divino que nosso Pai tem para Seus filhos. ¶
Sim, todos nós estamos ansiosos para conhecer o propósito de nossa criação e as oportunidades e limitações resultantes de nossa provação mortal. As respostas a todas essas perguntas são encontradas no evangelho de Jesus Cristo. Devemos estar preparados para proclamar essa mensagem empolgante àqueles que buscam a verdade. ¶
Poderia eu sugerir que, em família, vocês estudem as escrituras especificamente para aumentar sua compreensão do propósito da vida? Talvez pudessem retirar da biblioteca de sua ala um vídeo ou uma fita cassete intitulada Our Heavenly Father's Plan [O Plano de Nosso Pai Celestial] e exibi-la como parte de uma de suas noites familiares. À medida que os membros da família compreendem melhor de onde vieram, por que estão aqui e para onde vão, ficam mais bem equipados para compartilhar essa lição básica sobre o sentido da vida com aqueles que buscam sinceramente respostas. ¶
A segunda mensagem para aqueles que gostariam de saber mais sobre o evangelho é o conceito de família eterna. Bem no princípio, o Senhor ensinou a Adão e Eva a importância da família. As escrituras registram: "Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne." (Gênesis 2:24.) ¶
O plano de Deus é unir Sua família eterna por meio de uma união sagrada entre marido e mulher que pode perdurar além da sepultura. Sobre maridos e mulheres recaem responsabilidades de trazer filhos ao mundo e ensinar-lhes quem são e qual será a parte deles neste plano divino de nosso Pai Eterno. ¶
Os pais têm a gloriosa oportunidade de ser a influência mais poderosa, acima e além de qualquer outra, sobre as novas vidas que abençoarão seus lares. Olhem ao redor, e logo descobrirão que a maior alegria nesta vida, e a mais reconfortante esperança para as eternidades vindouras, encontra-se na união das unidades familiares eternas. Sejamos casados ou solteiros, fazemos parte de uma família que pode ser eterna. ¶
Podemos também observar a dor infligida à sociedade quando o devido cuidado e treinamento não são exercidos por pais e mães retos no lar. ¶
Uma vez mais, encorajamos vocês, em família, a estudar as escrituras que tratam da natureza eterna da família, a fim de que possam ser exemplos vivos da alegria que pode ser trazida a este mundo como resultado de sua devoção a esse princípio eterno. Temos outro vídeo ou fita cassete, intitulado Together Forever [Juntos para Sempre], que talvez queiram exibir em uma de suas noites familiares. Ele também deve estar disponível na biblioteca de sua capela. ¶
A terceira mensagem é o testemunho de nosso Senhor e Salvador. Declaramos ao mundo que Jesus é o Cristo. Repudiamos a doutrina de que Ele seja um mito ou uma criação de homens conspiradores no mundo. Denunciamos a ideia de que Ele tenha sido apenas um grande mestre. Testificamos da divindade de Jesus de Nazaré, de que Ele é o Filho de Deus, o Salvador do mundo. Declaramos que temos um testemunho adicional dessa verdade divina, contido no Livro de Mórmon. ¶
Devemos desenvolver, como uma de nossas habilidades de ensino, a apresentação da veracidade deste livro como mais uma testemunha confiável e sólida da missão de nosso Senhor e Salvador. Devemos conhecer sua história e seu conteúdo. Por exemplo, consideremos o milagre da tradução do Livro de Mórmon pelo Profeta Joseph Smith, tendo Oliver Cowdery como seu escriba. ¶
Depois que as 116 páginas se perderam quando Martin Harris obteve permissão para levá-las para casa, a verdadeira tradução começou em 7 de abril de 1829, dois dias depois de Oliver Cowdery chegar a Harmony, na Pensilvânia, para servir como escriba do Profeta. Em 15 de maio, cinco semanas depois, já haviam chegado ao relato do ministério do Salvador entre os nefitas, contido em 3 Néfi, capítulo 11. ¶
Em 11 de junho, já haviam traduzido as últimas placas de Mórmon, e foi em 11 de junho que o Profeta requereu os direitos autorais. Em 30 de junho, o livro estava concluído — do início ao fim, não mais de oitenta e cinco dias de tradução. No entanto, considerando tudo o que ocorreu durante esses oitenta e cinco dias, é evidente que houve apenas de sessenta a sessenta e cinco dias em que a verdadeira tradução pôde ter ocorrido. ¶
Lembrem-se de que, durante esse tempo, o Profeta mudou-se de Harmony para Fayette, fez várias viagens para obter suprimentos, recebeu e registrou treze seções da Doutrina e Convênios, restaurou os sacerdócios Aarônico e Melquisedeque, converteu e batizou várias pessoas, e assim por diante. Não tiveram tempo de consultar bibliotecas para estudar o conteúdo. Não houve tempo para revisar ou aperfeiçoar, nem tempo para conferir datas, intervalos ou detalhes. Em vez disso, o texto surgiu, como registrou Oliver, dia após dia, ininterruptamente, à medida que as palavras saíam da boca do Profeta. ¶
Essa foi uma conquista assombrosa! O texto veio pronto na versão final, de uma só vez, ditado e deixado como estava, com apenas pequenas revisões estilísticas até hoje. Não é um livro simples, escrito às pressas da cabeça de um jovem, mas reflete o melhor de mil anos de colonização e inspiração. Somando-se à rapidez com que a tradução ocorreu, há o fato assombroso de que o Profeta Joseph Smith a estava realizando em um idioma desconhecido, no qual não tinha nenhum treinamento e para o qual não havia ninguém a quem pudesse recorrer em busca de orientação e ajuda. ¶
O Livro de Mórmon apresenta-se como uma história sagrada dos habitantes da América antiga. Ele ensina a fé em Cristo e exorta fortemente à obediência à Sua vontade; testifica também da divindade de Jesus de Nazaré, de que Ele é o Filho de Deus, o Salvador do mundo. Certamente, nós, como membros da Igreja, podemos nos preparar para ser mestres capazes desta segunda testemunha, o Livro de Mórmon, e daquilo que ele dá ao mundo a respeito da missão de nosso Senhor e Salvador. ¶
Como nos aproximamos de um amigo que precisa da luz e da vida do evangelho? Sejamos um bom exemplo! Desenvolvamos um relacionamento de zelo significativo e sincero. Interessemo-nos genuinamente pelos pensamentos, sentimentos e experiências de nosso amigo envolvendo nosso Pai Eterno, o sentido da vida, a razão de ser das famílias e a missão de nosso Salvador. Tenhamos uma experiência agradável e edificante ao ouvir nossos amigos. Então, como o Presidente Kimball certa vez disse: "Temos uma dupla responsabilidade: devemos testificar das coisas que sabemos, sentimos e temos sentido, e devemos viver de modo que o Espírito Santo possa estar conosco e transmitir nossas palavras com poder ao coração do pesquisador" ("It Becometh Every Man," Ensign, out. de 1977, p. 5). ¶
A única esperança que encontro neste mundo conturbado é ter os padrões pelos quais nossa vida é regida firmemente alicerçados no evangelho de nosso Senhor e Salvador. ¶
Que cada um de nós esteja preparado e tenha a coragem de compartilhar este maior de todos os dons que o Senhor deu a Seus filhos. Testifico da veracidade de Sua mensagem em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Amém. ¶