A Beleza e a Importância do Sacramento
John H. Groberg
Um dos convites mais importantes já feitos a nós e a toda a humanidade é o de "vir a Cristo e ser aperfeiçoado nele." (Morôni 10:32.) Como fazemos isso? Uma das maneiras mais belas e importantes é por meio da ordenança do sacramento. ¶
O Senhor instituiu o sacramento, como o conhecemos hoje, durante o que comumente chamamos de Última Ceia. Em certo sentido, foi a última ceia, mas, em outro, foi a primeira ceia — o começo de muitos banquetes espirituais. ¶
O Senhor ressuscitado instruiu o povo do Livro de Mórmon: ¶
"Eis que um dentre vós será ordenado e a ele eu darei poder para partir o pão e abençoá-lo e distribuí-lo ao povo de minha igreja, a todos os que crerem e forem batizados em meu nome. ¶
"E sempre procurareis fazer isto tal como eu fiz, da mesma forma que eu parti o pão, abençoei-o e dei-o a vós. … ¶
"E isto fareis em lembrança de meu corpo, o qual vos mostrei. E será um testemunho ao Pai de que vos lembrais sempre de mim. E se lembrardes sempre de mim, tereis meu Espírito convosco." (3 Néfi 18:5–7.) ¶
A comovente ternura e o profundo significado desse acontecimento transcendente ainda estão disponíveis para nós hoje. Mas devemos fazer como fizeram os primeiros discípulos e seguir a doutrina de Cristo, que é crer em Jesus, confiar nele, arrepender-nos de nossos pecados, tomar seu nome sobre nós ao sermos batizados em sua igreja, receber o dom do Espírito Santo e seguir fielmente a Cristo por toda a nossa vida. ¶
Ele sabe que precisamos de muita ajuda para fazer isso, por isso providenciou que a ordenança do sacramento fosse repetida com frequência. ¶
Esse convite do Salvador para virmos a ele é feito regularmente e é universal. Todos estão incluídos — homens, mulheres e crianças. Velhos e jovens participam igualmente. Ninguém é excluído, exceto por si mesmo. ¶
O Senhor disse: "E vistes que eu mandei que nenhum de vós se afastasse, mas ordenei que viésseis a mim." (3 Néfi 18:25.) ¶
Mas o Senhor, que conhece as terríveis consequências da hipocrisia, também advertiu: ¶
"Não permitireis, sabendo-o, que alguém participe indignamente da minha carne e do meu sangue, … ¶
"Porque todo aquele que come e bebe da minha carne e do meu sangue indignamente, come e bebe condenação para sua alma." (3 Néfi 18:28–29.) ¶
O que significa participar do sacramento dignamente? Ou como sabemos se somos indignos? ¶
Se desejamos melhorar (o que é arrepender-nos) e não estamos sob restrição do sacerdócio, então, em minha opinião, somos dignos. Se, porém, não temos desejo de melhorar, se não temos intenção de seguir a orientação do Espírito, devemos perguntar: Somos dignos de participar, ou estamos fazendo uma zombaria do próprio propósito do sacramento, que é servir de catalisador para o arrependimento pessoal e a melhoria? Se nos lembrarmos do Salvador e de tudo o que ele fez e fará por nós, melhoraremos nossas ações e assim nos aproximaremos mais dele, o que nos mantém no caminho da vida eterna. ¶
Se, porém, nos recusarmos a arrepender-nos e melhorar, se não nos lembrarmos dele e não guardarmos seus mandamentos, então cessamos nosso crescimento, e isso é a condenação de nossa alma. ¶
O sacramento é uma experiência intensamente pessoal, e somos nós que, conscientemente, somos dignos ou não. ¶
Vocês se lembram do sentimento que tiveram quando foram batizados — aquele sentimento doce e puro de uma alma limpa, tendo sido perdoada, lavada por meio dos méritos do Salvador? Se participarmos do sacramento dignamente, podemos sentir isso regularmente, pois renovamos esse convênio, que inclui seu perdão. ¶
Aqueles que se privam da bênção do sacramento por não comparecerem à reunião sacramental ou por não pensarem no Salvador durante os serviços certamente não devem compreender a grande oportunidade de serem perdoados, de terem o Espírito dele para guiá-los e confortá-los! O que mais alguém poderia pedir? ¶
À medida que participamos dignamente do sacramento, perceberemos aquilo em que precisamos melhorar e receberemos a ajuda e a determinação para fazê-lo. Sejam quais forem nossos problemas, o sacramento sempre traz esperança. ¶
A maioria desses problemas devemos resolver por nós mesmos. Por exemplo, se não estamos pagando o dízimo, simplesmente decidimos começar a fazê-lo. Mas, para alguns problemas, devemos procurar o bispo — o Espírito nos fará saber quando. Fazer o que o Espírito determina sempre resulta em bênçãos. ¶
Deixem-me dar um exemplo. Alguns anos atrás, um jovem casal a quem chamaremos de Joneses conversou com o bispo sobre um problema que a esposa tinha. Os detalhes não são importantes, mas, por meio da orientação do Espírito, a decisão do bispo foi de que, entre outras coisas, a Irmã Jones não participaria do sacramento por um período de tempo enquanto resolvia certas atitudes e problemas. ¶
Com muito amor e apoio, ela continuou a comparecer às reuniões com a família, e poucos além do marido e do bispo sabiam da situação ou sequer notaram que, semana após semana, ela não participava do sacramento. No início, não sentiu muita diferença; mas, com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais desejosa de ser digna de participar do sacramento. Ela pensava que já havia se arrependido antes, mas, à medida que a verdadeira introspecção se aprofundava e seu desejo de participar dignamente do sacramento aumentava, verdadeiras mudanças fundamentais começaram a ocorrer em sua vida, em suas ações e em seus pensamentos. ¶
Mais tempo passou. Finalmente, durante uma reunião sacramental, o Espírito testificou ao bispo e ao Irmão e à Irmã Jones que havia chegado o momento de ela voltar a participar do sacramento. "No próximo domingo," disse o bispo. ¶
O domingo seguinte chegou, e a Irmã Jones sentou-se novamente com sua família, nervosa, mas ansiosa e cheia de expectativa. "Será que sou realmente digna? Como desejo sê-lo!," pensou. O hino sacramental teve um significado maior do que nunca. Ela cantou com tanto sentimento que era difícil conter as lágrimas. E as orações sacramentais — quão profundas! Ela escutou tão atentamente que cada palavra penetrou fundo em sua alma — tomar seu nome, sempre lembrar-se dele, guardar seus mandamentos, ter sempre consigo seu Espírito. (Ver Doutrina e Convênios 20:77, 79.) "Ah, como desejo isso," pensou. ¶
Os diáconos começaram a se mover pelos corredores, e as bandejas foram passadas de pessoa a pessoa ao longo das fileiras. À medida que um jovem diácono se aproximava cada vez mais de sua fileira, o coração dela começou a bater cada vez mais forte. Então a bandeja chegou à sua própria fileira. Agora seu marido segurava a bandeja diante dela! Lágrimas escorriam por seu rosto. Houve um soluço de alegria quase inaudível, "Ah!", enquanto ela alcançava o emblema do amor do Senhor por ela. A congregação não ouviu o soluço, mas notaram as lágrimas nos olhos do bispo. ¶
Vida, esperança, perdão e força espiritual haviam sido dados e recebidos. Ninguém poderia ser mais digno. A Irmã Jones verdadeiramente desejava ter o Espírito dele. Ela desejava tomar o nome dele sobre si. Com todo o coração, ela desejava lembrar-se dele e guardar seus mandamentos. Ela desejava arrepender-se, melhorar e seguir a orientação de seu Espírito. ¶
Pensem nisso. Pensem no que poderia e deveria acontecer em sua vida, em sua ala, em sua estaca, em toda a Igreja, no mundo inteiro, se, todos os domingos, indivíduos — centenas, milhares, até milhões — sob a autoridade do sacerdócio de Deus, participassem do sacramento dignamente e, assim, se arrependessem e determinassem sinceramente seguir melhor a orientação do Espírito do Senhor. ¶
A vida que seria dada, o perdão que seria obtido, a força espiritual que seria recebida! A luz assim gerada faria Sião resplandecer brilhantemente e prepararia um povo puro de coração, pronto para a segunda vinda do Senhor, de uma maneira que seria maravilhosa de se contemplar. ¶
Irmãos, como líderes, devemos fazer mais para que mais pessoas compareçam à reunião sacramental e participem do sacramento com maior dignidade! Devemos ensinar mais plenamente, com sentimento mais profundo e poder maior, a doutrina de Cristo tal como corporificada no sacramento. ¶
Vocês, jovens, devem ser dignos e perceber que privilégio têm de distribuir o pão e a água, os emblemas do amor do Senhor por todos nós. Pensem nas bênçãos que oferecem — esperança, amor, alegria, perdão, liberdade e vida eterna. Que contraste com tantos jovens que hoje distribuem outros tipos de substâncias brancas e outras espécies de líquidos que trazem tristeza e fracasso, cativeiro e morte sob o disfarce enganoso da felicidade! Ó, a bondade e a misericórdia de nosso Deus ao vencer a astúcia do maligno! ¶
Testifico, do fundo de minha alma, que esses princípios são verdadeiros. Jesus, de fato, sofreu e morreu por nós. Por meio dele, e somente por meio dele, podemos ter a vida e a alegria dela, tanto no tempo como na eternidade. ¶
Amo o Salvador. Sinto que, ao pender na cruz e olhar para a cena sombria diante dele, ele viu mais do que soldados zombeteiros e cruéis provocadores. Viu mais do que mulheres chorando e amigos temerosos. Lembrou-se e viu ainda mais do que mulheres junto a poços ou multidões em colinas ou multidões à beira-mar. Ele viu mais, muito mais. Ele, que tudo conhece e tem todo o poder, viu através do fluir do tempo. Sua alma imensa, magnânima e amorosa abraçou toda a eternidade e abrangeu todas as pessoas, todos os tempos, todos os pecados e todo o perdão e tudo o mais. Sim, ele nos viu, a você e a mim, e nos proporcionou uma oportunidade abrangente de escapar das terríveis consequências da morte e do pecado. ¶
E, mesmo enquanto sofria por todos nós, ele proferiu o mais belo de todos os pedidos: "Pai, perdoa-lhes." (Lucas 23:34.) ¶
Devemos fazer nossa parte e clamar com todo o fervor da alma: "Pai, perdoa-me, pelos méritos de teu Amado Filho, ao participar destes emblemas de seu corpo partido e de seu sangue derramado por mim. Por favor, Pai, por meio dele, perdoa-me! Ajuda-me a fazer melhor." ¶
Toda a vida, como a conhecemos, surge da união de dois elementos separados — cada um necessário. O Salvador, por meio de sua infinita expiação, provê aquele elemento vital para nós. Ele nos pede que forneçamos o outro elemento — mesmo um coração quebrantado e um espírito contrito — pois ele não nos forçará. ¶
Pensem no simbolismo. Pensem no poder de trazer uma novidade de vida ao participarmos dignamente do sacramento. ¶
Testifico que Deus, nosso Pai, vive. Testifico que Jesus é o Cristo. Sei que ele vive. Sei que ele perdoa. Sei que ele ama. Sei que ele sorri com ternura, suplicante. Sei que ele está sempre pronto a nos ajudar. Sei que ele orienta, dirige e abençoa com bênçãos indizíveis e tesouros inexprimíveis da eternidade. Sei que ele dá conhecimento das coisas de eterna importância, se assim o desejarmos. Sei que participar dignamente do sacramento é de importância eterna para ele e para nós. ¶
Sim, sei que ele dá vida — em toda a profundidade de seu significado. À medida que os emblemas de seu amor nos são apresentados regularmente, que possamos ouvir: "Pai, perdoa-lhes," e responder: "Pai, perdoa-me." Isso leva à vida — à vida eterna — em nome de Jesus Cristo, amém. ¶