Pulpit

Enquanto Esperam

Marvin J. Ashton

Conferência Geral de Abril de 1988·Sunday Morning Session·1988-04-01

Há poucos dias, um novo amigo, que não é mais membro da Igreja por causa de uma disciplina recente, perguntou: "O que posso fazer enquanto espero? No período que passou, ficou muito evidente o que eu não posso fazer. Diga-me, a mim e a outros em minha situação, o que podemos fazer."

Ao tentar responder a esse apelo sincero de uma boa pessoa, talvez eu esteja direcionando minhas sugestões apenas a alguns, mas eles são poucos e preciosos. Eu procuraria incutir esperança, em vez de desespero, naqueles que temporariamente perderam certos poderes e privilégios. Algumas dessas pessoas nessa categoria não ousam mais ter esperança, com medo de se decepcionarem. Que elas e suas famílias sejam ajudadas com pensamentos que tragam ação, conforto e um novo senso de valor próprio.

Lembro-me vividamente e com emoção do pedido adicional desse amigo: "Por favor, não me diga para ser paciente, amoroso, meigo e compreensivo. Preciso de mais do que isso. Preciso de uma orientação sólida. Tenho uma necessidade urgente de superar meus sentimentos de frustração e seguir em frente com a vida. Por favor, me ajude."

Como podemos, como membros da Igreja, ajudar melhor essas boas pessoas?

Sugiro uma citação do Livro de Mórmon como fundamento para nossas ações: "Não obstante, não o expulsareis de vosso meio, mas ensiná-lo-eis e rogareis por ele ao Pai em meu nome; e se ele se arrepender e for batizado em meu nome, vós então o recebereis e administrar-lhe-eis da minha carne e do meu sangue" (3 Néfi 18:30).

Com frequência, nas escrituras, somos lembrados de que devemos ministrar a todos os filhos de Deus, e que devemos fazê-lo com o puro amor de Deus em nosso coração. George Bernard Shaw certa vez escreveu que o pior pecado para com nossos semelhantes não é odiá-los, mas sermos indiferentes a eles (The Devil's Disciple, ato 2). A indiferença pode ser uma das formas de comportamento mais dolorosas. Nunca devemos, na vida, nos permitir virar as costas, atravessar para o outro lado da rua e fingir que não vimos, ou impedir o envolvimento de formas aceitas. Precisamos aprender a amar a todos, mesmo aqueles que são difíceis.

Um aperto de mão caloroso e um sorriso amigável podem ser um remédio maravilhosamente curativo. Por outro lado, como somos imprudentes quando declaramos: "Nunca mais falarei com ele." Nunca é muito tempo, e até mesmo aqueles que causaram mágoa ou vergonha não estão além do arrependimento final. Às vezes, as feridas do coração são mais prejudiciais do que golpes físicos. Sim, elas podem demorar mais para sarar, mas sararão mais depressa se evitarmos a amargura e a raiva e praticarmos o perdão.

Ao apoiarmos os esforços daqueles que estão tentando superar seus desafios, devemos ser prestativos, e o seremos se pudermos oferecer bondade, compaixão, paciência e amor. É um dia triste quando qualquer um de nós se rende ao pecado ou às circunstâncias.

Muitos dos que estão "esperando" foram, com frequência, feridos por palavras e atos irrefletidos daqueles ao seu redor. Bendito é aquele ou aquela que evita se ofender. Há tarefas apropriadas e aceitáveis que podem e devem ser dadas àqueles que estão nesse período de espera.

Agora, quanto ao pedido de meu amigo: "O que posso fazer enquanto espero?" Também em 3 Néfi, recebemos este cálido convite:

"Sim, em verdade vos digo que, se vierdes a mim, tereis vida eterna. Eis que meu braço de misericórdia está estendido para vós e aquele que vier, eu o receberei; e benditos são os que vêm a mim" (3 Néfi 9:14).

Essa escritura indica que, na vida, não há período de espera antes que possamos vir a Deus. Em nossa fraqueza, sabemos para onde nos voltar em busca de força. Que bom conselho e que sábia orientação para nossa vida podem ser obtidos pelo estudo das escrituras! A autoestima pode ser renovada, e a força para fazer Sua vontade pode ser revigorada. As pessoas devem sempre contar mais do que os programas.

Ao vir a Cristo, a pessoa aprende a realidade do perdão: "Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado e eu, o Senhor, deles não mais me lembro.

"Desta maneira sabereis se um homem se arrepende de seus pecados — eis que ele os confessará e abandonará" (D&C 58:42-43).

Quando um homem se convence da verdade dessa escritura — "eu, o Senhor, deles não mais me lembro" —, ele está pronto para começar a retornar à plena comunhão. Algumas sugestões podem ser feitas usando duas palavras eficazes: evitar e participar. Evitar significa afastar-se deliberadamente e, especialmente, de modo consistente, abominar. Participar significa tomar parte ou compartilhar algo em comum com os outros.

Recomendaríamos que a pessoa devesse—

  • Evitar sentimentos de ressentimento, amargura e contenda para com os indivíduos que proferem decisões. Quando a disciplina é administrada, há, da parte de alguns, uma tendência a se ressentirem dos indivíduos e das instituições que tiveram de fazer o julgamento. Devemos permitir-nos fazer uma autoavaliação antes de "atirar a primeira pedra". O ressentimento e a raiva não fazem bem à alma. São coisas más.

A amargura deve ser substituída pela humildade. Verdadeiramente, a amargura fere a quem a carrega. Ela cega, encolhe e corrói.

Alguns de nós tendem a procurar as fraquezas e as falhas dos outros a fim de ampliar nossa própria zona de conforto. Um sistema de apoio pessoal digno, em casos assim, deve incluir, para ser eficaz, familiares, amigos e conhecidos dispostos a nos ajudar a lidar com o que vemos e vivenciamos.

Morôni nos deu algumas palavras de conselho: "Não me condeneis, em virtude de minha imperfeição, nem a meu pai, por causa de sua imperfeição, nem àqueles que escreveram antes dele; mas dai graças a Deus por ele vos ter manifestado nossas imperfeições, para que aprendais a ser mais sábios do que nós fomos" (Mórmon 9:31).

Um indivíduo arrependido escolherá seu próprio rumo e prosseguirá com confiança. Ele não tem necessidade de proteger um eu ferido. Não se permitirá o perigo da autopiedade. Geralmente é bom remédio ter compaixão pelos outros, mas não por si mesmo.

  • Evitar o desânimo. Uma das ferramentas mais poderosas de Satanás é o desânimo. Sussurros como "você não consegue", "você não presta", "é tarde demais", "de que adianta?" ou "não há mais esperança" são ferramentas de destruição. Satanás gostaria que você acreditasse que, por ter cometido um erro, tudo está perdido. Ele quer que você desista de tentar. É importante que o desânimo seja expulso da vida daqueles que estão esperando. Isso pode exigir uma boa dose de trabalho e energia, mas pode ser feito.

  • Evitar rotas de fuga. Há aqueles que receberiam você de braços abertos em grupos rebeldes ou apóstatas. Nunca poderemos construir com propósito se nos unirmos às fileiras dos que criticam e visam destruir.

É mais fácil rebaixar e culpar os outros por nossa situação do que arrepender-se e crescer. Alguns que se propõem a prejudicar e destruir os outros acabam por se perder no processo. Drogas, bebida, materiais pornográficos e associações de subculturas também são rotas de fuga. Atitudes como "não vai fazer diferença agora" ou "não há nada que você possa fazer" são totalmente inadequadas. "A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se imaculado do mundo" (Tiago 1:27). Manter e edificar exigem disciplina e paciência. Evite aqueles que buscam se edificar destruindo os outros.

  • Evitar o desejo de se tornar anônimo. Quando surgem dificuldades, alguns querem desaparecer na multidão e se tornar perdidos e desconhecidos. Qualquer pessoa pensante perceberá que há um sistema de apoio maravilhoso disponível para aqueles que constam nos registros da Igreja. Há aqueles que ouvirão, ajudarão e ensinarão. Haverá oportunidades para estudar as escrituras, meditar e orar. Pessoas atenciosas e um Deus atencioso querem saber onde você está.

Todos precisam ser conhecidos, reconhecidos e amados. Corações e almas anseiam por cuidado e convivência significativa. Até mesmo aqueles que afirmam querer apenas ser deixados em paz estão, na realidade, buscando sua própria identidade.

Alguns privilégios e poderes se perdem quando perdemos nossa condição de membro da Igreja, mas não percamos a nós mesmos no processo de nos reencontrarmos. Aos olhos de Deus, ninguém é insignificante. Nunca devemos perder de vista aquilo que podemos vir a ser e quem somos.

Enquanto esperam, há muitas maneiras de participar:

  • Participar com sua família. Os membros da família são posses inestimáveis. Eles oferecem amor e força. Mas, mais do que isso, os membros da família precisam uns dos outros. Você pode optar por estar atento às necessidades de cada membro da família e fazer sua parte para ajudar a supri-las. Alguns precisam de alguém que os escute; outros podem precisar de um elogio ou de um reforço positivo. Há força e satisfação em se envolver em projetos familiares. Encoraje o amor familiar sendo acessível, mesmo quando você sente que tem motivos para se afastar. É verdade hoje, era verdade ontem e será verdade amanhã que uma liderança eficaz só pode ser exercida por meio do amor.

  • Participar de funções e reuniões da Igreja. Aceite oportunidades de assumir tarefas apropriadas quando lhe forem dadas. Serei sempre grato a um bom homem que ajudou nossos meninos continuamente, mesmo quando não lhe era possível participar de todos os programas da Igreja. Ele era muito querido, e amava os meninos a quem dedicava tempo e orientação.

Pratique a confiabilidade e o compromisso. Adapte-se às condições existentes. Há lugares para servir onde você é necessário.

Quando alguém declara: "Não há nada para eu fazer", isso simplesmente não é verdade. Às vezes fazemos essa afirmação porque aprendemos a nos conformar com as situações presentes e resistimos a novas oportunidades. Os líderes devem sempre ser sensíveis o suficiente para olhar além das restrições e políticas, em direção às necessidades finais de longo prazo dos filhos de Deus.

  • Participar de projetos comunitários dignos, incluindo serviços de compaixão e outros serviços voluntários. Muitas vezes, nossos próprios problemas parecem diminuir quando nos tornamos conscientes dos desafios enfrentados pelos outros. Quando minha esposa trabalhava como voluntária em um dos nossos hospitais locais, ela notou que alguns médicos da região incentivavam seus pacientes deprimidos, tristes ou emocionalmente doentes a se juntarem à organização de voluntários. Essa prescrição muitas vezes funcionava melhor do que remédios para reconstruir a autoimagem e restaurar a saúde daqueles que encontravam alegria em ajudar os outros.

À medida que os cortes de orçamento afligem tantos de nossos programas culturais e cívicos, há um lugar para qualquer um que deseje trabalhar com escoteiros, ajudar em campanhas idôneas de arrecadação de fundos e ajudar em escolas, galerias de arte, órgãos de assistência social e muitos outros lugares.

Não há restrições para participar de boas obras. Não há motivo para esperar enquanto os filhos de Deus precisam do seu amor e serviço. O amor deveria ser um veículo que pode viajar sem limitações. Jesus estava sempre supremamente interessado no indivíduo, acima das circunstâncias.

  • Participar "prestando contas". Parte de sua responsabilidade ao retornar é encontrar alguém com quem possa compartilhar suas preocupações, perguntas e progresso. John Powell, em seu livro The Secret of Staying in Love, ensina que o gênio da comunicação está na capacidade de ser total e simultaneamente honesto e gentil.

Procure esse tipo de pessoa em sua vida. Os problemas frequentemente parecem diminuir quando são verbalizados. O ponto de vista de outra pessoa pode ajudá-lo a obter uma perspectiva diferente de uma situação. É reconfortante ter alguém que ouça o que você sente e respeite suas necessidades.

A comunicação deve ser gentil, calorosa, aberta e construtiva.

Uma das maiores bênçãos disponíveis a todos é a oração pessoal. Por meio dela, todos podem "prestar contas" a um Pai compreensivo, que ama todos os Seus filhos. Deus conhece os sentimentos de cada coração humano. Ele pode suavizar a tristeza e conduzir quando parece não haver luz. A oração pode dar orientação e confiança. Ela nos lembra de que ninguém precisa estar sozinho neste mundo. Se tudo mais falhar, lembre-se: Deus e outra pessoa já podem formar uma família.

Meu apelo e convite a todos, especialmente àqueles que temporariamente perderam certos privilégios, é: voltem. Suas vidas são tão importantes para nós quanto deveriam ser para vocês. Um dos principais objetivos da Igreja é assegurar o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo. Queremos ter sua companhia e sua influência. O presidente David O. McKay certa vez escreveu que, ao enfatizar assim o esforço individual, não desconsiderava a necessidade da cooperação: um indivíduo lutando sozinho pode ficar paralisado com sua pesada carga logo ao começar a subir a colina diante dele; chegar ao topo sem ajuda é impossível; mas, com uma pequena ajuda de companheiros de jornada, ele consegue subir e prossegue seu caminho com gratidão e alegria (Pathways to Happiness, comp. Llewelyn R. McKay, Salt Lake City: Bookcraft, 1957, p. 131).

Queremos ser seus companheiros de jornada enquanto você retorna. Empenhe-se ansiosamente em ações e atitudes que tragam a plena comunhão e as alegrias e direitos que a acompanham, aos quais você terá direito. Estaremos ao seu lado para ajudar, à medida que você caminha para cima, em um sistema de apoio com Deus no comando. Prometemos a você, em todos os dias que virão, que, enquanto passar pelo que é identificado como um período de espera, a citação do Salmo 142:4 não será sua relação conosco: "Olhei para a minha direita, e vi, mas não havia quem me conhecesse; refúgio me faltou, ninguém cuidou da minha alma."

Nós os amamos. Nós os conhecemos, e cuidamos de vocês. Somos todos filhos de Deus, e para os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e seus estimados associados, não deve haver período de espera. Em vez disso, trabalharemos juntos pelo valor próprio e pela vitória final em uma realização justa. A essas verdades deixo meu testemunho, em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoMarvin J. Ashton, “Enquanto Esperam”, Conferência Geral de Abril de 1988, Sunday Morning Session (1988-04-01). Pulpit Vault, 1988-04-ashton-while-they-are-waiting. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).