Pela Fé e pela Esperança, Todas as Coisas se Cumprem
Paul H. Dunn
Perto daqui há um edifício alto, de vinte e seis andares. Nele há dois conjuntos de elevadores, um expresso e outro que se move de maneira um pouco mais normal. ¶
Não faz muito tempo, entrei no elevador expresso. Alguns dos funcionários de lá dizem que ele poderia servir como uma atração da Disneylândia. Um menino e seu pai entraram comigo. De repente, o elevador disparou, e o menino, sem esperar por aquela emoção, perdeu o fôlego e olhou para o pai com grande fé e confiança, dizendo: "Papai, será que o Pai Celestial sabe que estamos chegando?" ¶
Há uma grande lição nessa experiência. ¶
A Dra. JoAnn Larsen, terapeuta familiar de Salt Lake City, deu recentemente alguns conselhos sábios e práticos sobre como ensinar as crianças e desenvolver sua autoestima. Ela nos lembrou da tendência que a maioria dos pais tem, em seus esforços para ensinar responsabilidade aos filhos, de enfatizar tão frequentemente as coisas negativas que as crianças fazem — os erros e equívocos que cometem e os transtornos e problemas que causam. Ela afirmou que, entre o nascimento e os vinte anos de idade, a criança média ouve de pais, professores, irmãos e colegas cerca de cem mil mensagens negativas, raramente equilibradas com mensagens positivas. No caso de uma criança extremamente afortunada, a proporção provavelmente seria de dez mensagens negativas para uma positiva, o que, segundo ela, pode ser altamente prejudicial, muitas vezes para a vida toda, para o sentimento de autovalorização da criança. ¶
Ela nos incentiva a todos a desenvolver lentes — uma visão que enxerga o que há de positivo em vez do negativo, tornando possível, às vezes, realizar milagres e, certamente, melhorar muito os resultados de nossos esforços educativos e de nossos relacionamentos entre pais e filhos. O bem realizado na construção de um mundo melhor por meio de abordagens edificantes e de confiança diante das situações da vida, em contraste com as que destroem, dificilmente poderia ser avaliado com exatidão. ¶
Por que será que, como seres humanos, tendemos a enfatizar o negativo quando há tanto pelo que ser positivo? Não apenas criticamos constantemente nossos filhos e uns aos outros, encontramos defeitos, somos muito críticos e frequentemente buscamos e ressaltamos as fraquezas e falhas das pessoas em vez de seus pontos fortes e seus êxitos, mas também, em nosso próprio estilo de vida pessoal, há entre nós aqueles que são preocupados incessantes e crônicos. Preocupamo-nos com todas as coisas negativas que poderiam acontecer, mas que geralmente não acontecem, em vez de tentar enfrentar os problemas de maneira positiva, com certa medida de fé e esperança de sucesso. ¶
Em nossa sociedade, por alguma razão, parecemos nos deter no bizarro, no trágico, no profano e nos males de nossos dias. Com frequência, os jornais e os noticiários de televisão concentram a atenção nos aspectos negativos da vida: suicídios de adolescentes, drogas, AIDS, assassinatos, infidelidades, desonestidade e uma série de outros males sociais. ¶
Ao viajar pela Igreja, ocasionalmente vejo outra forma de pensamento que pode se tornar bastante negativa — membros sobrecarregados, às vezes com grande seriedade, pelas tarefas sérias que precisam realizar para ganhar a vida, pagar hipotecas, criar filhos, cumprir fielmente os chamados da Igreja, atender às responsabilidades escolares e comunitárias, viver com retidão e dignamente — e a lista poderia continuar indefinidamente. ¶
Frequentemente penso que, para algumas dessas pessoas, a alegria e o entusiasmo desapareceram de suas vidas e que tudo o que enxergam ao olhar para trás são dias apressados e sombrios, muitas vezes repletos de grande culpa por causa da pressão de tentar realizar tudo o que julgam necessário e de ser perfeitos agora mesmo. Curiosamente, as atitudes negativas parecem nos afetar dessa maneira. ¶
Ora, é claro que a vida é séria. As crianças precisam ser ensinadas, as contas precisam ser pagas, precisamos viver com retidão — esse é o conselho do Senhor para nós. Não podemos deixar de nos preocupar às vezes; existem, e sempre existirão, negatividades intermináveis ao nosso redor, que precisam ser enfrentadas, tratadas e resolvidas. Mas eu me pergunto se o constante bombardeio de dilemas e desafios, e as situações muitas vezes aparentemente sem esperança, tanto pessoais quanto nacionais, não acabam por nos frustrar, desanimar e deprimir, às vezes a ponto de distrair nossa mente e nossas atitudes dos próprios princípios que nos permitiriam superar o negativo e encontrar as respostas positivas de que precisamos. ¶
Apesar das muitas ocorrências negativas na vida, há aqueles que parecem ter o dom de enxergar o lado positivo. Um jovem empresário estava inaugurando uma nova filial, e um amigo enviou um arranjo de flores para ajudar a comemorar a ocasião. Quando o amigo chegou à inauguração, ficou horrorizado ao ver que a coroa de flores trazia a inscrição "Descanse em Paz". Furioso, mais tarde reclamou com o florista. Depois de se desculpar, o florista disse: "Veja bem desta forma. Em algum lugar, hoje, um homem foi sepultado sob uma coroa que dizia: 'Boa sorte em seu novo local.'" ¶
No Livro de Mórmon, no qual encontramos muitas respostas e tanta orientação para solucionar problemas, há uma escritura que, para mim, lança grande luz sobre a questão de uma atitude de fé positiva, confiante e cheia de esperança, como substituta para encarar os problemas da vida com desânimo e desespero. Ouçam as palavras do profeta Éter ao nos exortar a conhecer e crer em Deus como fundamento de esperança e fé: ¶
"Pela fé, todas as coisas se cumprem — ¶
"Portanto, todos os que creem em Deus podem, com segurança, esperar por um mundo melhor, sim, até mesmo um lugar à mão direita de Deus, esperança essa que vem pela fé e é uma âncora para a alma dos homens, tornando-os seguros e constantes, sempre abundantes em boas obras, sendo levados a glorificar a Deus" (Éter 12:3–4). ¶
Ao longo de todo esse maravilhoso capítulo, somos ensinados sobre as maravilhas realizadas pela fé, pelo amor e pela esperança. Parece-me que se deter em pensamentos e abordagens negativas é, de fato, trabalhar diretamente contra a esperança, a fé e a confiança — no Senhor, em nós mesmos e nos outros — e provoca sentimentos contínuos de tristeza, ao passo que o positivo nos eleva e sustenta, nos incentiva a seguir em frente, e é uma atitude que pode ser desenvolvida, um hábito que podemos cultivar. ¶
O epítome de celebrar a beleza e superar a desventura é a história de Thomas Moore. ¶
Pouco depois de se casar, Thomas Moore, o famoso poeta irlandês do século dezenove, foi chamado para uma viagem de negócios. Ao voltar, foi recebido à porta não por sua bela noiva, mas pelo médico da família. ¶
"Sua esposa está lá em cima," disse o médico. "Mas ela pediu que você não subisse." Foi então que Moore soube da terrível verdade: sua esposa havia contraído varíola. A doença deixara sua pele, antes impecável, marcada e cicatrizada. Ao se olhar no espelho, ela ordenara que as venezianas fossem fechadas e que o marido nunca mais a visse. Moore não quis ouvir. Correu escada acima e abriu a porta do quarto da esposa. O interior estava escuro como a noite. Nenhum som vinha da escuridão. Tateando a parede, Moore procurou os bicos de gás. ¶
Um grito assustado veio de um canto escuro do quarto. "Não!" ela disse. "Não acenda as luzes!" ¶
Moore hesitou, comovido pela súplica na voz. ¶
"Vá!" ela implorou. "Por favor, vá! Este é o maior presente que posso lhe dar agora." ¶
Moore foi. Desceu até seu escritório, onde ficou acordado até tarde da noite, escrevendo em oração. Não um poema dessa vez, mas uma canção. Ele nunca havia escrito uma canção antes, mas naquele momento achou-a mais natural ao seu estado de espírito do que a simples poesia. Não apenas escreveu a letra, mas também compôs a música. Na manhã seguinte, assim que o sol nasceu, voltou ao quarto da esposa. ¶
Ele foi tateando até uma cadeira e sentou-se. "Você está acordada?" perguntou. ¶
"Estou," veio uma voz do outro lado do quarto. "Mas você não deve pedir para me ver. Não deve insistir, Thomas." ¶
"Então eu cantarei para você," respondeu ele. E assim, pela primeira vez, Thomas Moore cantou para a esposa a canção que ainda vive até hoje: ¶
"Acredite, se todos esses encantos cativantes que hoje contemplo com tanto carinho viessem a mudar amanhã e escapar de meus braços como dons mágicos que se desvanecem, você ainda seria adorada, como o é neste momento — deixe que sua beleza se desvaneça como quiser." ¶
Moore ouviu um movimento vindo do canto escuro onde sua esposa jazia em sua solidão. Ele continuou: ¶
"Deixe que sua beleza se desvaneça como quiser, que ao redor dessa querida ruína cada desejo do meu coração continuará a se entrelaçar, sempre verdejante—" ¶
A canção terminou. Quando sua voz se esvaeceu na última nota, Moore ouviu a esposa se levantar. Ela atravessou o quarto até a janela, esticou os braços e abriu as venezianas. ¶
Precisamos de mais atitudes como essa no mundo. Há a história do marido e da mulher que haviam poupado e poupado para comprar um carro novo. Depois de receber o carro, o marido disse à esposa que todos os documentos legais necessários e as informações do seguro estavam num envelope no porta-luvas. No primeiro dia em que saiu com o carro novo, ela se envolveu num acidente que destruiu a frente do carro. Ilesa, em lágrimas e quase em pânico, ela abriu o envelope para mostrar seus documentos ao policial. Ali encontrou um bilhete escrito à mão por seu marido, que dizia: "Agora que você teve um acidente, lembre-se de que eu sempre poderei substituir o carro, mas não você. Por favor, saiba o quanto eu a amo!" ¶
Como dito no início, com as crianças frequentemente vemos o negativo antes do positivo; um menino quase foi silenciado em sua tentativa de expressar seus sentimentos porque um adulto não o compreendeu. Um amigo especial meu, o Dr. Thomas Myers, compartilhou esta terna experiência: ¶
Um menino acompanhava seu pai e seus avós até seu consultório médico. O idoso apoiava-se nas duas mãos erguidas do menino enquanto caminhava. A criança o encorajava dizendo: "Vamos, vovô, o senhor consegue! ... Só um pouquinho mais, vovô. ... O médico vai melhorar sua perna." Uma doce avó caminhava atrás. ¶
Depois da consulta, os três saíram pelo mesmo caminho. O menino recebeu um balão de hélio ao sair. Ele ajudou o avô a chegar ao carro, depois correu de volta para dentro e, erguendo-se até o balcão, perguntou à recepcionista: "Por favor, posso ter outro balão?" ¶
Sua avó, que ainda estava ali, repreendeu-o: "Claro que não pode. Eu o avisei para não soltar aquele balão!" Ela se desculpou com a recepcionista. "Ele fez isso na semana passada — saiu correndo e soltou o balão. Eu realmente o avisei desta vez." ¶
O menino estava tentando lhe dizer algo. Ela se abaixou para ouvi-lo. Então, com lágrimas no rosto fino e enrugado, a avó perguntou: "Ele poderia, por favor, ter outro balão? É que a irmãzinha dele morreu há alguns meses, e ele queria que ela também tivesse um balão para brincar!" ¶
Por mais críticos e severos que muitas vezes precisemos ser, por mais que tenhamos de corrigir, por mais que devamos, verdadeiramente, enfrentar realidades desagradáveis todos os nossos dias, reconheçamos e louvemos as milhares de belezas da vida ao nosso redor; os muitos e maravilhosos exemplos de vida virtuosa; as forças e a coragem de tantas almas; os talentos e conquistas excepcionais dos membros de nossa família, vizinhos e colegas; as inúmeras bênçãos que recebemos. Como já foi citado por tantos, mas que parece se encaixar bem aqui: "Dois homens olham através das mesmas grades: um vê a lama, e o outro, as estrelas" (Frederick Langbridge, A Cluster of Quiet Thoughts, citado em The Oxford Dictionary of Quotations, 2ª ed., Londres: Oxford University Press, 1966, p. 310). ¶
E como o profeta Mórmon nos ensinou: ¶
"Mas a caridade [neste caso, a caridade em nosso modo de pensar a respeito dos outros e de apreciá-los] é o puro amor de Cristo e permanece para sempre; e para todos os que a possuírem, no último dia tudo estará bem" (Morôni 7:47). ¶
Lembrem-se, meus irmãos e irmãs, particularmente vocês, jovens: Cristo veio para nos erguer, não para nos derrubar. Juntamente com estes grandes irmãos aqui presentes, como testemunha, convidamo-los a virem a Ele. ¶
Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶