A Centelha da Fé
Henry B. Eyring
Ao final da última conferência geral, o Presidente Benson disse o seguinte: "Eu os abençoo com maior compreensão do Livro de Mórmon. Prometo-lhes que, a partir deste momento, se nos alimentarmos diariamente de suas páginas e obedecermos a seus preceitos, Deus derramará sobre cada filho de Sião e da Igreja uma bênção até então desconhecida" (em Conference Report, abr. 1986, p. 100; ou Ensign, maio 1986, p. 78). ¶
Presto meu testemunho de que fui abençoado como Ele prometeu, e tenho visto novas bênçãos virem sobre pessoas que amo. Sou grato por Deus honrar as promessas que faz por meio de seu profeta. ¶
Mesmo enquanto sinto essa gratidão, penso naqueles cujo coração dói por causa de promessas ainda não cumpridas. Esta noite, ou amanhã, muitos de nós oraremos com verdadeira intenção, e talvez com lágrimas, por alguém cuja felicidade nos traria felicidade, alguém a quem foram prometidas todas as bênçãos de paz que vêm com o batismo e o dom do Espírito Santo, e que, no entanto, considera essas promessas sem valor. Nenhum de nós está imune a isso, porque todos nós temos círculos de amor grandes o suficiente para incluir tais pessoas. Meu coração é atraído especialmente àqueles que fazem a pergunta que todos nós já fizemos: "Como posso ter certeza de que fiz tudo o que podia para ajudar?" ¶
Há cinquenta anos, na conferência de outubro, o Presidente J. Reuben Clark Jr., da Primeira Presidência, deu esta resposta, que carrego copiada num cartão: ¶
"É minha esperança e minha crença que o Senhor jamais permite que a luz da fé seja completamente extinta em qualquer coração humano, por mais fraco que essa luz possa brilhar. O Senhor providenciou que ainda ali permaneça uma centelha que, com ensino, com o espírito de retidão, com amor, com ternura, com exemplo, com o viver o Evangelho, voltará a brilhar e a arder novamente, por mais escurecida que a mente possa ter estado. E se deixarmos de alcançar assim aqueles dentre nós, dos nossos, cuja fé tenha diminuído, falharemos em uma das principais coisas que o Senhor espera de nossas mãos" (em Conference Report, out. 1936, p. 114). ¶
Essa bela metáfora — de uma centelha, uma centelha de fé — me dá confiança. O Presidente Clark retratou a centelha quase escondida, quase sufocada pelas cinzas da transgressão. Pode ser tão pequena que a pessoa não consiga sentir seu calor. O coração pode estar endurecido. Até mesmo o Espírito Santo pode ter sido forçado a se retirar. Mas a centelha ainda vive, e arde, e pode ser reavivada em chama. ¶
O Presidente Clark também sugeriu o que podemos fazer. Ele não sugeriu uma única abordagem para alcançar todas as pessoas. Mas descreveu o que todo esforço que consiga reavivar a centelha incluirá. ¶
O ensino vem primeiro. Mas o que devemos ensinar? Suponha que o tempo e a oportunidade sejam escassos, como geralmente são com pessoas que não acreditam precisar de nosso ensino. Se você tivesse o dom, e a oportunidade, de ensinar apenas uma coisa, o que seria? ¶
Para mim, a resposta está ilustrada no êxito de um grande homem cujo coração doía por alguém que ele amava. Seu nome era Alma, e seu filho, também Alma, andava tentando destruir a verdadeira Igreja. Vocês se lembram de que, em resposta às orações de seu pai e de membros fiéis da Igreja, Deus enviou um anjo para repreender o filho. ¶
A repreensão trouxe ao jovem Alma um remorso tão grande que ele teria sido destruído se não tivesse se lembrado do ensinamento de seu pai. Ele descreveu isso desta maneira: ¶
"E durante três dias e três noites fui atormentado pelas dores de uma alma condenada. ¶
"E aconteceu que enquanto eu estava sendo assim atormentado e enquanto eu estava perturbado pela lembrança de tantos pecados, eis que me lembrei também de ter ouvido meu pai profetizar ao povo sobre a vinda de um Jesus Cristo, um Filho de Deus, para expiar os pecados do mundo. ¶
"Ora, tendo fixado a mente nesse pensamento, clamei em meu coração: Ó Jesus, tu que és Filho de Deus, tem misericórdia de mim que estou no fel da amargura e rodeado pelas eternas correntes da morte" (Alma 36:16–18). ¶
Porque seu pai lhe havia ensinado que o Salvador era sua única fonte de esperança, Alma iniciou o processo que o levou ao arrependimento pleno. Se eu tivesse a oportunidade de ensinar apenas uma coisa, seria o que significa e como é sentir exercer fé em Jesus Cristo para o arrependimento. ¶
Para fazê-lo, eu tentaria levar a pessoa que amo numa jornada desde quando estávamos com um Pai Celestial amoroso até quando podemos voltar a viver com Ele novamente. Veríamos a queda de Adão e Eva e sentiríamos seus efeitos sobre nós. Iríamos a Belém e nos alegraríamos com o nascimento do Filho de Deus, e ao Jardim e ao Gólgota, enquanto nosso coração se despedaça com o dom transcendente da Expiação. E iríamos ao túmulo vazio, e à Galileia, e a este hemisfério, para sentir esperança em guardar os mandamentos do Senhor ressuscitado. Então iríamos a um bosque em Nova York, para observar o jovem Joseph Smith conversar com Deus, o Pai, e seu Filho ressuscitado, para dar início à missão que restaurou as ordenanças do evangelho, que podem nos levar de volta ao lar novamente. ¶
O Presidente Clark compreendia que uma pessoa em quem a fé é uma brasa não receberá nem mesmo um grande ensino, a menos que seu coração seja amolecido. E assim ele disse que devemos tocar a pessoa com o espírito de retidão, com amor e com ternura. Ora, você e eu poderíamos, com razão, sentir que aquilo que ele pede é quase sobre-humano. Em nossos esforços para convidar outros a voltarem, já sentimos rejeição e até mesmo escárnio. Podemos sentir cansaço, frustração e, às vezes, culpa. Como então podemos continuar a estender a mão num espírito de retidão, com amor e ternura? ¶
A melhor resposta que conheço vem de outro maravilhoso pai. Seu nome era Mórmon. Ele escreveu uma carta a seu filho Morôni numa época em que enfrentavam não apenas rejeição, mas ódio desenfreado, e não apenas frustração, mas fracasso quase certo. Mórmon queria que Morôni enfrentasse até mesmo tal provação com amor e ternura e o espírito de retidão. Ele deu uma fórmula, a mesma dada por verdadeiros profetas em todas as épocas. Ela sempre funcionou. A promessa é certa. Aqui está, da carta de Mórmon: ¶
"E o primeiro fruto do arrependimento é o batismo; e o batismo vem pela fé, para cumprirem-se os mandamentos; e o cumprimento dos mandamentos traz remissão de pecados; ¶
"E a remissão de pecados traz mansidão e humildade; e a mansidão e a humildade resultam na presença do Espírito Santo, o Consolador, que nos enche de esperança e perfeito amor, amor que se conserva pela diligência na oração até que venha o fim, quando todos os santos habitarão com Deus" (Morôni 8:25–26). ¶
Se você tentar imaginar o Salvador trazendo de volta ao rebanho uma ovelha perdida, não a visualizará sendo aconchegada em seus braços? Essa ternura e amor, testificou Mórmon a seu filho, é o resultado natural da expiação de Jesus Cristo operando em nossa vida. Nossa fé nos conduz ao arrependimento, aos dons do Espírito, e disso ao amor perfeito que o Mestre Pastor tem e sabe que devemos ter para servi-lo. ¶
Os efeitos da Expiação em nossa vida também podem produzir em nós o exemplo de que aqueles que amamos precisarão. Aprendi novamente outra noite o exemplo que precisamos ser. ¶
Eu conversava com minha esposa ao final de um longo dia. Três de nossos filhos estavam na sala, ouvindo. Virei-me e notei que um deles estava me observando — observando meu rosto atentamente. E então ele me perguntou, suavemente: "Por que você está infeliz?" Tentei dar uma razão para minha testa franzida, mas percebi mais tarde que ele bem poderia estar fazendo esta pergunta mais profunda: "Posso ver em você a esperança pela paz nesta vida que Jesus prometeu?" ¶
Para desviar meus pensamentos daquilo que escurecia meu semblante para aquilo que o iluminaria, recorri a outra carta de Mórmon a seu filho. Tanto Mórmon quanto Morôni enfrentavam dias de dificuldade que fazem meus desafios parecerem pequenos. Mórmon sabia que seu filho poderia ser dominado pela tristeza e pelo pressentimento sombrio, então lhe disse o antídoto perfeito. Disse-lhe que ele poderia escolher, pelo que colocasse em sua mente, tornar-se um exemplo de esperança. Eis o que ele escreveu: ¶
"Sê fiel em Cristo, meu filho; e oxalá não te aflijam as coisas que te escrevi, a ponto de causar-te a morte, mas possa Cristo animar-te; e os seus sofrimentos e a sua morte e a manifestação do seu corpo a nossos pais e sua misericórdia e longanimidade e a esperança de sua glória e da vida eterna permaneçam em tua mente para sempre" (Morôni 9:25). ¶
O que podemos fazer para ajudar — ensinar, e fazê-lo com o espírito de retidão, com amor, com ternura, com exemplo — centra-se no Salvador e em sua expiação. Isso é o que ensinaríamos. A Expiação operando em nossa vida produzirá em nós o amor e a ternura de que precisamos. E, ao nos lembrarmos Dele e de seu dom, o que prometemos fazer ao participarmos do sacramento a cada semana, podemos colocar em nosso rosto uma luz de esperança que aqueles que amamos tanto precisam ver. ¶
O Presidente Clark nos lembrou, ao final de suas sugestões, que existe, e sempre existirá, o livre-arbítrio. A centelha não brilhará mais forte até que a pessoa tente viver o evangelho. É por isso que temos tanta esperança de que aqueles que amamos sejam chamados e cumpram alguma designação, por menor que seja. Depois que escolherem servir aos outros, sacrificar-se, experimentar os mandamentos com a promessa, a centelha da fé se acende. Mesmo depois de termos feito tudo o que podemos fazer, essa escolha — se agir ou não segundo a fé que têm — deve ser deles. ¶
Presto meu testemunho de que Deus vive, de que Jesus é o Cristo, e de que, nesta dispensação, por meio de profetas desde Joseph Smith até Ezra Taft Benson, Ele deu o poder de oferecer novamente as plenas bênçãos do evangelho de Jesus Cristo. Oro para que nunca deixemos de oferecer a oportunidade de escolher essas bênçãos àqueles em quem a centelha da fé ainda possa ser reavivada em chama. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶