O Cristo Ressuscitado
David B. Haight
Nesta gloriosa manhã de Páscoa, regozijo-me com vocês e com incontáveis milhões de pessoas em todo o mundo cujo coração está voltado para Jesus de Nazaré. À mulher samaritana junto ao poço de Jacó, que disse: "Eu sei que o Messias vem; … quando ele vier, nos anunciará todas as coisas", veio a declaração de Cristo: "Eu o sou, eu que falo contigo." (João 4:25–26.) ¶
Muitos dos eventos dirigidos pelos céus que antecederam e sucederam a crucificação de nosso Senhor foram narrados pelos primeiros Apóstolos e por outras testemunhas. ¶
Segundo esses relatos, José, um homem rico da vila de Arimateia e membro do Sinédrio, não declarava abertamente sua crença em Jesus, pois temia as autoridades judaicas. Mas agora a tristeza, bem como a indignação, despertaram sua coragem. Ele pediu a Pilatos permissão para retirar o corpo de Jesus. Pilatos concedeu a permissão. ¶
Nicodemos — um nobre discípulo que havia visitado Jesus à noite, para que ninguém os visse juntos — auxiliou José. Envolveram o corpo de Jesus em finos lençóis, juntamente com especiarias, segundo o costume judaico de preparar um corpo para o sepultamento. Depositaram o corpo, reverentemente, no nicho rochoso de um sepulcro num horto que pertencia a José. O sepulcro nunca havia sido usado. Era a véspera do sábado judaico. (Ver João 19:38–42.) ¶
No dia seguinte, Pilatos deu permissão para que o sepulcro fosse cuidadosamente guardado até o terceiro dia, para que os discípulos não pudessem roubar o corpo e depois dizer ao povo que Jesus havia ressuscitado dos mortos, como fora profetizado. Os principais sacerdotes e fariseus tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra e deixando uma guarda vigiando. (Ver Mateus 27:62–66.) ¶
Antes de amanhecer, na manhã seguinte, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, tendo preparado especiarias e unguentos frescos, foram ao sepulcro de Jesus e encontraram a pedra removida. Olhando para dentro e não encontrando o corpo, apressaram-se a procurar Pedro e os Apóstolos e lhes contaram o que haviam encontrado. Pedro e João apressaram-se imediatamente ao sepulcro. João ultrapassou seu companheiro mais velho na corrida. Abaixando-se, contemplou em silenciosa admiração o sepulcro vazio. Entrando, Pedro viu os lençóis do sepultamento deitados onde outrora estivera o corpo de Jesus. E então João o seguiu. E, apesar do medo, despontou neles a esperança, que mais tarde se tornaria conhecimento absoluto, de que Cristo de fato havia ressuscitado, mas ainda ninguém o tinha visto. Os dois Apóstolos, maravilhados, voltaram para seus irmãos. ¶
Maria permaneceu junto ao sepulcro, chorando à entrada, quando alguém se aproximou. Pensando que era o guardião do horto, perguntou-lhe onde ele havia colocado seu Senhor. Jesus lhe disse: "Maria." ¶
O próprio Jesus estava diante dela, mas não aparecia como ela o havia conhecido; ele estava agora ressuscitado e glorificado. Ela então reconheceu nosso Senhor e deve ter tentado abraçá-lo, pois ele disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." ¶
Cheia de espanto, apressou-se a obedecer e repetiu aquela gloriosa mensagem que daria esperança por todas as eras futuras, à qual acrescentou sua declaração pessoal de que havia visto o Senhor. (Ver João 20:1–18.) ¶
Mais tarde, mulheres que levavam especiarias para a preparação final do corpo para o sepultamento olharam para dentro do sepulcro e testemunharam anjos, que disseram: "Buscais Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui … Não está aqui, mas ressuscitou." (Marcos 16:6; Lucas 24:6.) ¶
Os anjos disseram às mulheres que fossem avisar os discípulos, mas os homens não creram nelas. (Ver Marcos 16:7; Lucas 24:9–11.) ¶
O Evangelho segundo Lucas relata que, naquele mesmo dia, dois seguidores de Jesus estavam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, a cerca de treze quilômetros de Jerusalém, e discutiam, com o coração triste e ansioso, as coisas que haviam acontecido nos dois dias anteriores. ¶
Enquanto caminhavam e conversavam, um estranho se juntou a eles e caminhou junto. Embora esse estranho fosse, de fato, o Cristo ressuscitado, eles não o reconheceram. ¶
Os escritores dos Evangelhos indicam que a conversa deles se deu mais ou menos assim: ¶
Jesus lhes perguntou: "Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes?" ¶
Ficaram surpresos e disseram: "És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias?" ¶
"Quais?" perguntou Jesus. ¶
"As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que redimisse Israel. ¶
"E, além disso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram", continuaram eles. "Algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; e não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estão conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém a ele não o viram." ¶
Então o estranho lhes disse: "Ó néscios, e tardos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?" E Jesus explicou-lhes, enquanto caminhavam, começando por Moisés e por todos os profetas, o que estava escrito a seu respeito em todas as escrituras. ¶
Ao se aproximarem da aldeia para onde iam, Jesus fez como quem ia para mais longe, mas eles o constrangeram a ficar, dizendo: "Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia." ¶
E entrou para ficar com eles. Estando à mesa com eles, tomou o pão, o abençoou, e partiu-o, e deu-o a eles. Ao fazer isso, abriram-se-lhes os olhos, e reconheceram o Senhor; e então ele desapareceu de diante deles. ¶
Disseram, maravilhados, um para o outro: "Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as escrituras?" ¶
Apressaram-se a voltar para Jerusalém, onde encontraram os dez Apóstolos e outros discípulos reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. (Ver João 20:19.) Estes declararam: "Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão." ¶
Os dois homens então explicaram o que havia acontecido no caminho, e como haviam reconhecido o Senhor quando ele partiu o pão. ¶
Enquanto os dois homens ainda contavam isso, de repente o próprio Senhor se apresentou no meio deles, e disse: "Paz seja convosco." ¶
Ficaram apavorados, pensando que viam algum espírito, mas ele lhes disse: "Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? ¶
"Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." ¶
Mostrou-lhes as mãos e os pés. E não o crendo eles ainda por causa da alegria, e maravilhados, ele lhes perguntou: "Tendes aqui alguma coisa que comer?" Então eles lhe apresentaram parte de um peixe assado, e … um favo de mel. E ele o tomou, e comeu diante deles. ¶
Então ele lhes disse: "São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas, e nos salmos." ¶
Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as escrituras e lhes disse: "Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos; e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém." E então ele os lembrou: "E dessas coisas sois vós testemunhas." (Ver Lucas 24:13–48.) ¶
Um dos Doze, chamado Tomé, não estava com eles quando Jesus veio, de modo que os outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor." Porém Tomé lhes disse: "Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei." ¶
Uma semana depois, os discípulos estavam novamente reunidos dentro de casa, e Tomé estava com eles. As portas estavam trancadas, mas Jesus veio e ficou no meio deles, e disse: "Paz seja convosco." Então disse a Tomé: "Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente." ¶
Muitas vezes imaginei em minha mente a profundidade do remorso do cético Tomé, que deve ter ardido em sua alma, enquanto seu coração incrédulo, agora purificado, tentava responder a seu Senhor. ¶
A única resposta de Tomé foi: "Senhor meu, e Deus meu!" ¶
E Jesus lhe disse: "Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram, e creram." (Ver João 20:25–29.) ¶
Talvez nenhuma declaração de fato mais clara jamais tenha sido feita do que aquelas que relatam a ressurreição literal de Cristo. O registro das aparições aos Apóstolos durante os quarenta dias seguintes à sua ressurreição — em grupo ou separadamente, para lhes ensinar "do que diz respeito ao reino de Deus" (Atos 1:3) — não deixa margem para dúvida. João nos informa que "há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; se cada uma das quais fosse escrita, … nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem." (João 21:25.) ¶
Pouco depois da aparição de Jesus aos discípulos no Hemisfério Oriental, ele apareceu aos nefitas no Hemisfério Ocidental. O próprio Deus apresentou Seu Filho à multidão: "Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o." (3 Néfi 11:7.) ¶
"O povo viu um Homem, vestido com uma túnica branca, que desceu e ficou entre eles. Ele falou, dizendo: 'Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas; e eis que eu sou a luz e a vida do mundo; e bebi da taça amarga que o Pai me deu e glorifiquei o Pai, tomando sobre mim os pecados do mundo, no que me submeti à vontade do Pai em todas as coisas desde o princípio.' [3 Néfi 11:10–11.] A multidão [ajoelhou-se] em adoração, pois se lembraram de que seus profetas haviam predito que o Senhor apareceria entre eles depois de Sua ressurreição e ascensão. ¶
"Conforme ele orientou, o povo se levantou e, um por um, veio até ele, e viu e sentiu as marcas dos cravos em suas mãos e pés e a ferida de lança em seu lado. … Em uníssono, clamaram: 'Hosana! Bendito seja o nome do Deus Altíssimo!' [3 Néfi 11:17.] Então, prostrando-se aos pés de Jesus, o adoraram." (James E. Talmage, Jesus the Christ, Salt Lake City: Deseret Book Co., 1916, p. 725.) ¶
Quando Joseph Smith foi visitado pelo Pai e pelo Cristo ressuscitado em 1820, este último foi apresentado pelo Pai: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (Joseph Smith—História 1:17), dando início, assim, aos maravilhosos eventos da restauração do evangelho de Jesus Cristo. ¶
Nosso Senhor ressuscitado foi visto em visão por Joseph Smith e Sidney Rigdon em 1832. Joseph registrou: "O Senhor tocou os olhos do nosso entendimento, … ¶
"E contemplamos a glória do Filho, à direita do Pai, e recebemos de sua plenitude; ¶
"E vimos os santos anjos e os que são santificados diante de seu trono, adorando a Deus e ao Cordeiro, a quem adoram para todo o sempre. ¶
"E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho … que nós damos dele: Que ele vive! ¶
"Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — ¶
"Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus." (D&C 76:19–24.) ¶
Ora, esses eventos fragmentários que brevemente retratei atestam e testemunham que a ressurreição e a vida eterna nos vêm por causa do que Cristo, nosso Senhor, fez por cada um de nós. Ele declarou: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá." (João 11:25–26.) A essa declaração de verdade presto meu solene testemunho, no santo nome de Jesus Cristo, amém. ¶