Aprendendo a Vontade de Nosso Pai
Hugh W. Pinnock
O Espírito Santo, por vezes, opera fervorosamente sobre nossa mente. Sabemos então, com absoluta certeza, qual assunto abordar. Falarei da necessidade inerente de aprendermos mais completamente a vontade de nosso amoroso Pai Celestial. ¶
Ao servir na Pensilvânia, alguns anos atrás, fui agradavelmente surpreendido pela visita de um pastor de uma enorme congregação protestante. Trocamos gentilezas e discutimos assuntos doutrinários nos quais podíamos encontrar acordo pacífico. De repente, ele interrompeu nossa conversa, afirmando: "Vocês ensinam uma crença com a qual eu jamais poderia concordar. É a ideia de que 'assim como Deus é, o homem pode chegar a ser'." (Vide History of the Church, 6:302–17.) Ele segurava nas mãos uma Bíblia branca e bem usada. Pedi-lhe que abrisse em Mateus 5:48. Seus dedos ágeis rapidamente encontraram a referência, e ele leu: "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus." ¶
Ele suspirou e, hesitante, concordou com o grande potencial do homem. Lemos outras escrituras, tais como: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." (Gênesis 1:26.) Ele compreendeu e passou a ter um novo respeito por nossos ensinamentos. Partiu como um homem mais sábio, e senti uma gratidão renovada pelas verdades inspiradoras que compreendemos e ensinamos. ¶
Uma jovem quase havia deixado a Igreja. Enquanto eu visitava a distante cidade em que ela morava, pediu-me que conversássemos por alguns minutos, e eu concordei. Ela ouvira muitos dos conceitos errôneos que nossos detratores têm usado, por décadas, para desacreditar a Igreja. Lemos juntos as escrituras durante cerca de uma hora. Com alívio refletido nos olhos, ela finalmente disse: "Fui enganada, não fui?" ¶
Eu disse: "Sim, você foi." ¶
Ela ficou desapontada com o que aqueles inimigos errantes da Igreja andavam ensinando, mas ficou animada por se ver pensando com clareza novamente. Tudo o que havíamos feito foi ler as escrituras juntos. A confusão e os enganos surgem quando esquecemos a importância da palavra de Deus como nosso guia inabalável. ¶
Um amigo me perguntou, há alguns meses, por que tantos problemas têm afligido ultimamente um número de membros da Igreja. Respondi, hesitante: "Bem, os últimos dias certamente se aproximam, quando até os eleitos serão enganados." (Vide Mateus 24:24.) Ele olhou para mim por um instante e disse: "Bem, talvez isso seja parte da resposta, mas creio que o verdadeiro motivo de tantos andarem por caminhos estranhos é não seguirem o conselho profético de estudar as escrituras e frequentar as classes na Igreja." ¶
Já pensei muitas vezes nessa conversa. ¶
Alguém padeceria de autopiedade e culpa se compreendesse os ensinamentos de Jesus: "Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar"? (João 14:2.) Também o episódio em que o Mestre pediu que os que estavam sem pecado lançassem a primeira pedra na mulher apanhada em adultério e, depois, quando eles se retiraram, perguntou-lhe: "Mulher, onde estão... aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?... Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." (João 8:10–11.) ¶
Ou como poderia alguém fraudar seus clientes, empregador ou empregados, se compreendesse plenamente as palavras de Paulo: "Mas os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados"? (2 Timóteo 3:13.) Tal indivíduo saberia que sua vida se tornaria progressivamente mais ferida e que perderia o espírito de discernimento. ¶
Como alguém poderia afirmar que não somos um povo cristão, se tivesse ao menos um entendimento mínimo da Igreja original, tal como descrita no Novo Testamento, com o batismo pelos mortos (vide 1 Coríntios 15:29), o Sacerdócio de Melquisedeque (vide Hebreus 5:6, 10), apóstolos, profetas, evangelistas e mestres? (Vide Efésios 4:11.) ¶
Ou como poderia alguém cometer o hediondo crime do abuso infantil se se lembrasse das palavras protetoras de Jesus, quando ensinou: "Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar." (Mateus 18:6.) ¶
Ou seria possível que alguém fosse apanhado pela sutil filosofia humanista que parece estar se espalhando por toda parte, se compreendesse plenamente estas palavras de Néfi: "Maldito é aquele que põe sua confiança no homem, ou faz da carne o seu braço, ou dá ouvidos aos preceitos dos homens, a menos que esses preceitos sejam dados pelo poder do Espírito Santo." (2 Néfi 28:31.) ¶
Ou será que nossos jovens demonstrariam, em alguns casos, quase total desrespeito pelos pais, se tivessem analisado cuidadosamente este versículo: "Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isso é agradável ao Senhor"? (Colossenses 3:20.) ¶
Da mesma forma, será que os pais seriam mais sensíveis para com seus pequeninos, se compreendessem o conceito ensinado bem no versículo seguinte: "Vós, pais, não irriteis vossos filhos, para que não percam o ânimo"? (Colossenses 3:21.) ¶
Ou será que a imoralidade estaria tão desenfreada, se as pessoas compreendessem aquelas preciosas palavras encontradas na primeira epístola aos Coríntios, em que aprendemos que a pessoa que comete fornicação peca contra o próprio corpo, que é o templo do Espírito Santo, e que nosso corpo não nos pertence, mas foi comprado por meio do sacrifício de Jesus. Ele comprou nosso corpo e nosso espírito, e eles pertencem a Deus. Certamente devemos cuidar de suas posses. (Vide 1 Coríntios 6:15–20.) ¶
Ou será que o divórcio seria usado tão rapidamente como solução para diferenças e frustrações conjugais, se as palavras amorosas de nosso Pai Celestial, registradas nas escrituras modernas, fossem mais plenamente compreendidas? "Amarás tua esposa de todo o teu coração e a ela te apegarás e a nenhuma outra. ¶
"E aquele que olhar uma mulher para a cobiçar negará a fé e não terá o Espírito; e se não se arrepender, será expulso." (D&C 42:22–23.) ¶
Com demasiada frequência esquecemos nossos ensinamentos e nossa doutrina e, ao fazê-lo, erramos em prejuízo próprio e daqueles a quem mais amamos. Dentro dos ensinamentos de Deus encontram-se as respostas para os dilemas e desafios da vida. Os exemplos são infindáveis, mas a solução é fixa; ela não varia. ¶
O que podemos fazer para nos mantermos mais afinados doutrinariamente com nosso Pai Celestial? Há três passos simples: ¶
Primeiro, comparecer a nossas reuniões da Igreja. Alguns anos atrás, foi-nos dado um horário de reuniões que consolidou o culto formal num período de três horas. A cada um é dado o mesmo bem, idêntico: 168 horas semanais. Ao velhaco é dado o mesmo tempo que ao cavaleiro. Ao erudito das escrituras é dado o mesmo tempo que ao ignorante em doutrina. Sim, durante três horas por semana somos convidados a comparecer às reuniões formais da Igreja, para nos familiarizarmos com a palavra de Deus. Isso é menos de dois por cento de nosso tempo. No entanto, com demasiada frequência, presidências realizam reuniões, membros conversam nos corredores e líderes fazem entrevistas durante esse precioso período. Sim, nossos líderes liderariam melhor, nossos conselheiros aconselhariam melhor, e nossos membros, ao adorarem com mais dedicação, seriam capazes de enfrentar a vida de forma mais duradoura e satisfatória. ¶
Que melhor lição pode um bispo, uma presidente da Sociedade de Socorro ou das Moças, um líder de quórum do Sacerdócio de Melquisedeque, ou um presidente de estaca ensinar, do que estar na classe de Doutrina do Evangelho junto com seu cônjuge, estudando a palavra de Deus? As crianças certamente se tornam mais dedicadas ao aprendizado doutrinário quando veem os pais indo às reuniões da Igreja com as escrituras em mãos e estudando juntos a palavra de Deus. ¶
Segundo, estudar as escrituras com nossa família, com outros membros e com amigos, mas também buscar as palavras de Deus em contemplação particular. Buscar nas escrituras aquilo que se relaciona com nossas lições de sacerdócio, da Sociedade de Socorro, da Escola Dominical, das Moças e da Primária. Estudar as escrituras em busca de esclarecimento adicional sobre como sermos mais felizes e menos frustrados neste mundo que, com demasiada frequência, é ao menos temporariamente triste e sombrio. A cada quatro anos somos cuidadosamente guiados por todas as escrituras, no currículo de adultos da Igreja. No decorrer de uma vida, cada membro pode tornar-se um espiritual conhecedor das escrituras, em vez de permanecer um simplório em relação a elas. Como somos abençoados por termos nossos quatro livros de escrituras em edições que incluem índices eficientes, cabeçalhos de capítulo e outros auxílios de estudo, como o Guia Temático! ¶
Em abril passado, fiquei profundamente impressionado com as palavras do Élder J. Thomas Fyans, quando relatou ao Primeiro Quórum dos Setenta o método que ele e sua esposa, Helen, usam para estudar as escrituras. Como as designações de conferência de estaca dele os impediam de sentar-se juntos na classe de Doutrina do Evangelho, que este ano estuda o Livro de Mórmon, eles estudaram juntos, em casa, o manual da Escola Dominical, marcando cuidadosamente as escrituras à medida que avançavam. Completaram seu estudo do Livro de Mórmon em apenas quatro meses e aguardavam ansiosos por repetir a experiência. ¶
Terceiro, irmãos e irmãs, devemos praticar o que aprendemos e ensinamos. Para vencer o torpor em relação às escrituras, precisamos colocar em prática o que aprendemos. As escrituras viveram para aqueles que as escreveram; nós podemos torná-las igualmente reais para nós hoje, se vivermos de acordo com seus ensinamentos. ¶
Muitas vezes, o autodomínio exercido por nossos jovens sob a lua cheia resulta de se lembrarem de uma escritura aprendida no seminário, no sacerdócio, na Escola Dominical ou numa reunião das Moças. ¶
Muitas vezes, a disciplina ou a integridade total necessárias numa entrevista de trabalho ou numa situação de vendas provêm de um princípio aprendido por meio do estudo pessoal das escrituras ou de um professor bem preparado. E como apreciamos e amamos vocês, professores no reino! ¶
Com muita frequência, nossos membros solteiros conseguem superar o desconforto, a angústia e o desânimo, tomando decisões baseadas nos ensinamentos do evangelho. ¶
Sim, cada um de nós tem o encargo de administrar a própria vida, de modo a ser feliz agora e para sempre. Só podemos fazê-lo aprendendo e cumprindo a vontade de nosso Pai Celestial. ¶
Talvez consideremos tolo um homem ou uma mulher que não reivindicasse uma rica herança. No entanto, quão tolos somos nós, se não reivindicamos a dotação doutrinária que nos foi dada. ¶
Que cada um de nós compareça regularmente a nossas reuniões, estude e medite diligentemente as palavras de Deus e de nossos profetas, e pratique constantemente o que aprendemos. Deixo-vos estas palavras em nome de nosso Rei, Redentor e Mestre Supremo, Jesus Cristo, amém. ¶