O Anjo Morôni Veio!
Mark E. Petersen
Há cerca de duas semanas, assinalamos um dos mais importantes aniversários de nossa história como Igreja. ¶
Foi em 21 de setembro de 1823 que o anjo Morôni apareceu pela primeira vez ao jovem profeta Joseph Smith, em sua casa de fazenda perto de Palmyra, Nova York. ¶
Ao nos recordarmos disso hoje, declaramos nosso solene testemunho a toda a humanidade de que, de fato, Morôni veio! É um fato, uma verdade firme e inabalável. Morôni veio! ¶
Como um anjo de Deus, um mensageiro dos céus, esse glorioso personagem visitou Joseph Smith em realidade física. Não foi sonho, nem qualquer tipo de ocorrência mística. ¶
Foi uma visitação. Dois seres físicos se comunicaram — com Morôni, uma pessoa ressuscitada de carne e ossos, emergindo do véu eterno e fazendo repetidas e inesquecíveis visitas a este rapaz mortal de fazenda, Joseph Smith. (Ver JS—H 1:30–54.) ¶
Muitas pessoas não mais creem no ministério dos anjos. Mas Deus crê! Ele tem usado esse meio de comunicação desde os dias de Adão. Existe alguma razão para que Ele não continue esse procedimento em nossos dias? ¶
Anjos ministraram a muitas pessoas, tanto nos tempos do Antigo como do Novo Testamento, entregando mensagens do Senhor. ¶
Abraão andou e falou com anjos. Um anjo ajudou Israel na época do Êxodo. (Ver Êx. 14:19.) Um anjo lutou contra um exército invasor nos dias do profeta Isaías. (Ver Isa. 37:36.) Quando Daniel estava na cova dos leões, um anjo fechou a boca dos leões, e a vida de Daniel foi poupada. (Ver Dan. 6:22.) ¶
O anjo Gabriel anunciou à virgem Maria, em Nazaré, que ela se tornaria a mãe do Salvador. (Ver Lucas 1:30–33.) O mesmo anjo contou ao pai de João Batista sobre seu filho-profeta que logo nasceria. (Ver Lucas 1:13.) ¶
Quando José e Maria e o Divino Infante fugiram para o Egito, foi um anjo quem lhes deu direção, e, após a morte do perverso Rei Herodes, o anjo lhes disse para voltarem para casa. (Ver Mat. 2:13, 19–20.) ¶
Quando o Salvador falou sobre a santidade das criancinhas, disse: “Vede que não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus.” (Mat. 18:10; itálico acrescentado.) ¶
Quando Jesus se aproximava de Sua crucificação, Ele poderia ter chamado doze legiões de anjos em Seu auxílio, se assim desejasse evitar o cálice amargo. (Ver Mat. 26:53.) Então, existem anjos? Teria Jesus falado assim se eles não existissem? ¶
Em Sua ressurreição, um anjo removeu a pedra do sepulcro. As mulheres o viram ali e o ouviram falar. (Ver Mat. 28:2, 5.) ¶
Um anjo libertou Pedro da prisão. (Ver Atos 5:19.) Paulo falou das línguas dos homens e dos anjos. (Ver 1 Cor. 13:1.) ¶
A escritura ensina claramente que o propósito do ministério dos anjos é “convidar os homens ao arrependimento … declarando a palavra de Cristo aos vasos escolhidos do Senhor, para que deem testemunho dele”. (Morôni 7:31.) E isso é muito pertinente no que diz respeito a Morôni. ¶
O Senhor também ensina que, ao longo das eras, se os anjos deixaram de aparecer, é por causa da incredulidade e do espírito de apostasia entre os homens. Mas onde há fé, o ministério dos anjos durará enquanto a Terra existir ou “houver um homem sobre a face dela a ser salvo”. (Morôni 7:36.) ¶
Porque o Senhor deseja salvar a humanidade até o fim, Ele revelou a João, o Revelador, que nos últimos dias os anjos voariam novamente pelo meio dos céus como emissários do Todo-Poderoso. João viu que um desses anjos voaria do céu à terra e traria o evangelho eterno de volta à terra, tendo este sido perdido pela humanidade ao longo das eras. (Ver Apoc. 14:6.) ¶
Aquele anjo era Morôni. Ele havia vivido na América cerca de mil e quinhentos anos antes, e era um profeta de Deus naquela época. Ele e seu pai, Mórmon, foram os historiadores do povo que antigamente habitava esta terra. Escreveram a história de sua nação, gravando-a em placas de ouro para resistir aos estragos do tempo, pois aquele registro haveria de ter grande importância nos últimos dias. ¶
Para preservá-lo em segurança, Morôni o guardou numa caixa que fez de pedra e o enterrou no solo. Alguns críticos consideram isso algo muito peculiar de se fazer, mas teria sido mais incomum se ele não o tivesse feito. Por quê? ¶
Porque o que ele fez estava em plena harmonia com um costume bem estabelecido, seguido por várias nações no mundo antigo, de preservar e proteger seus documentos preciosos. ¶
Registros têm sido gravados em metal ao longo de muitos séculos. Vários já foram recuperados. Tais tesouros foram encontrados desde a Coreia até o Sri Lanka, desde a antiga Assíria e Pérsia até a Índia, de Java até Bangkok, da Itália, da Grécia, e das cavernas de Qumran, na Palestina, onde os Manuscritos do Mar Morto foram obtidos. ¶
Nem todos esses registros foram feitos em ouro. Os povos antigos também escreviam em placas de prata, placas de latão, placas de cobre, placas de chumbo e, em alguns casos, até mesmo em estanho, o que não se mostrou totalmente permanente, já que é mais suscetível à oxidação do que outros metais. ¶
Uma das mais divulgadas dessas descobertas foi o rolo de cobre encontrado junto com os outros Manuscritos do Mar Morto, na Palestina. Ele também continha antigos escritos sagrados. ¶
O rei Dario, que colocou Daniel na cova dos leões (ver Dan. 6), escreveu seus registros em folhas de ouro e prata e as colocou em caixas de pedra, enterrando-as no solo para proteção, exatamente como fez Morôni. Seus registros já foram traduzidos e publicados. Para se certificar de que alguém pudesse lê-los, Dario escreveu em três idiomas diferentes. ¶
O rei Sargão II, da antiga Assíria, teve a mesma ideia, mas usou uma variedade de metais para fazer seus livros — ouro, prata, latão, cobre e até estanho. Também gravou em alabastro. Ele desejava ardentemente preservar aqueles registros para a posteridade futura, então o que fez? Como Dario e como Morôni, ele os colocou em caixas de pedra bem construídas para protegê-los, e os enterrou no solo, nos alicerces de seu palácio. Seus registros também já foram traduzidos e publicados. ¶
Um livro feito de dezenove finas folhas de ouro, encontrado na Coreia em 1965, contém parte da escritura budista, gravada em chinês. As finas páginas que compõem esse valioso registro têm aproximadamente trinta e cinco centímetros quadrados, unidas por dobradiças para que possam abrir e fechar como um livro. ¶
As placas encontradas em Pyrgi, na Itália, em 1964, têm cerca de dezenove centímetros de comprimento e cerca de metade dessa largura, são gravadas em caracteres fenícios e se referem à dedicação de um santuário para a deusa Astarte. Datam de cerca de 500 a.C., aproximadamente na época de Leí. ¶
É interessante que alguns desses registros antigos foram escondidos em caixas de pedra especialmente construídas, como a de Morôni, algumas completamente talhadas de uma única pedra, outras cimentadas em seções. Algumas eram de obsidiana e eram belamente gravadas tanto por dentro como por fora. Eram usadas para conter várias coisas preciosas. Caixas de pedra maiores que foram encontradas sabe-se que eram usadas para armazenamento de grãos. ¶
No México e na América Central, dezenas de caixas de pedra foram descobertas, grandes e pequenas, e algumas delas também são belamente gravadas com desenhos, tanto por dentro como por fora. ¶
Ninguém mais precisa ser cético a respeito de registros mantidos por povos antigos, que preservaram seus escritos gravando-os em metal, nem a respeito das caixas de pedra e metal em que foram guardados. ¶
É claro que há registros em metal na Antiguidade. É claro que eram feitos de ouro, prata, cobre e chumbo! É claro que muitos deles datam do período em que Leí deixou Jerusalém, e é claro que esse costume foi levado por ele para a América! ¶
O último homem na antiga linhagem dos profetas americanos foi Morôni. Ele e seu pai, Mórmon, compilaram os registros sagrados de seu próprio povo, cobrindo mil anos, incluindo o relato de um povo ainda mais antigo, os jareditas, que vieram a este continente vindos da Torre de Babel. Os registros jareditas foram gravados em vinte e quatro folhas de ouro maciço. ¶
Após a destruição de sua nação em guerra, e sendo o único sobrevivente das batalhas ferozes que foram travadas, Morôni também fez uma caixa de pedra e nela colocou o registro feito por seu pai e por ele mesmo, e o enterrou no solo para proteção, exatamente como fizeram Dario e Sargão. Ele deveria permanecer ali até o momento em que o Senhor decretasse de outra forma. ¶
Nestes tempos modernos, a própria menção de anjos traz zombaria e desdém de alguns ouvintes críticos, que dizem que as ministrações angélicas são coisa do passado, se de fato algum dia ocorreram. ¶
Afirmam também que não há mais revelação vinda dos céus e que não há mais apóstolos e profetas na Terra, já que estes pertenceram à época de Pedro e Paulo. Ensinam que a Bíblia contém tudo o que é necessário, em qualquer caso, e é um guia suficiente para a salvação. Esquecem-se de que a escritura está sujeita a tantas interpretações quantas são as diferentes denominações e credos existentes neste mundo, e estas chegam às centenas. ¶
Declaramos que há revelação hoje! Há apóstolos e profetas na Terra agora! Eles são inspirados, e realmente falam a palavra de Deus. Maravilhosas e repetidas visitações angélicas ocorreram nos tempos modernos, à medida que Deus mais uma vez estabeleceu Sua Igreja divina na Terra, após um longo período de trevas. ¶
Morôni cumpriu duas profecias bíblicas ao vir a Joseph Smith. João, o Revelador, viu um anjo voar pelo meio dos céus, trazendo o evangelho eterno de volta à terra. (Ver Apoc. 14:6–7.) ¶
João disse ainda que esse anjo voaria na “hora do [Seu] juízo” (Apoc. 14:7), o que só poderia significar os últimos dias. Essa cronologia tornava isso estritamente um acontecimento moderno. ¶
Ele veio como predito, e Morôni foi aquele anjo. Sua vinda abriu uma nova dispensação do evangelho de Cristo, direto de Deus. Isso não teve relação com qualquer outro movimento religioso. Foi um episódio novo e divino, uma revelação moderna dos céus, um esforço renovado por parte do Todo-Poderoso para apresentar às nações de hoje o evangelho de Seu Filho Amado. ¶
Há apenas um evangelho de Cristo. Aquele anjo, voando pelo meio dos céus, o possuía e o trouxe de volta à terra como uma restauração divina de verdades divinas. E repetimos — aquele anjo era Morôni. ¶
De que forma ou de que maneira, ou por qual método Morôni restaurou o evangelho eterno? Foi por algum meio tangível? ¶
Então, o que faria Deus a respeito do anjo que traria o evangelho de volta à terra nos tempos modernos? Não havia profetas na Terra a quem ele pudesse vir. O mundo nem mesmo mais acreditava neles. Se o Senhor nada fizesse — nem mesmo enviasse Seu anjo à terra para restaurar o evangelho — sem os serviços de um profeta vivo, como Ele poderia realizar Seu propósito divino? Como a visitação angélica predita para os últimos dias poderia consumar-se se não houvesse profetas para recebê-la? ¶
Deus só poderia fazer uma coisa, que era levantar um novo profeta especificamente para esse propósito, e isso Ele fez na pessoa do Profeta Joseph Smith, Jr., que vivia perto de Palmyra, Nova York, em 1823. Foi a esse jovem que o anjo Morôni veio. ¶
De que forma o anjo entregou o evangelho a Joseph Smith, restaurando-o assim ao conhecimento público? ¶
O profeta Isaías explica. No vigésimo nono capítulo de seu livro, ele conta de um registro antigo que sairia da terra nos últimos dias, num tempo que precederia a restauração da Palestina como um campo fértil. (Ver Isa. 29:17.) Esse registro estaria na forma de um livro, ele disse, e teria a ver com um povo que fora destruído subitamente. (Ver Isa. 29:5.) ¶
Algumas palavras deste livro, previu Isaías, seriam levadas a um homem letrado, que as rejeitaria. Então, disse ele, o próprio livro seria dado a um homem iletrado, que hoje sabemos ser Joseph Smith, que se encaixava na descrição de Isaías, pois ele tinha apenas uma educação formal muito limitada. Em suas mãos, disse Isaías, este livro seria publicado ao mundo pelo poder miraculoso de Deus e se tornaria uma obra maravilhosa e um prodígio. (Ver Isa. 29:11–12, 14; JS—H 1:63–65.) ¶
Esse livro era o mesmo volume preparado antigamente por Mórmon e Morôni, contendo as simples e belas verdades do evangelho em sua plenitude, ensinadas pelos antigos profetas americanos. É chamado de Livro de Mórmon. Foi esse livro que Morôni disponibilizou ao mundo por meio dos serviços do Profeta Joseph Smith. Assim, esse registro, contendo o evangelho eterno, restaurou ao homem as verdades salvadoras necessárias para a salvação, que somente vem por meio de Cristo. ¶
Morôni havia escondido aquele registro na terra cerca de quatrocentos anos depois de Cristo, e ele sabia exatamente onde ir para recuperá-lo. Ele o havia guardado numa caixa de pedra e enterrado, exatamente como fizeram o rei Dario e o imperador Sargão em seus dias. ¶
Tendo assim escondido o registro, Morôni foi então escolhido por Deus para recuperá-lo e entregá-lo ao novo profeta moderno para publicação. Dessa forma, ele trouxe o evangelho de volta à terra, pois o registro continha o evangelho em sua simplicidade e em sua plenitude. O registro estava lá, era a palavra de Deus, e veio a existir pelo ato de Deus. Foi um poderoso milagre de Deus. ¶
Assim, Morôni cumpriu duas profecias bíblicas ao vir a Joseph Smith: o décimo quarto capítulo de Apocalipse e o vigésimo nono capítulo de Isaías. Ele realmente veio à terra como um anjo. Ele realmente entregou a Joseph Smith o registro dourado que fora preparado sob a direção do Deus Todo-Poderoso. É uma nova testemunha do Senhor Jesus Cristo; declara, como faz a Bíblia, que Jesus de Nazaré é de fato o Filho de Deus, nosso Salvador e Redentor. Esse livro está disponível a toda a humanidade. Um milhão de exemplares são publicados a cada ano, em mais de vinte idiomas. ¶
Assim, novamente, testificamos que o Livro de Mórmon é verdadeiro. É a palavra do Deus Todo-Poderoso, restaurada nestes dias por ministério angélico e pela direção do próprio Deus. Testificamos que Morôni veio como um anjo em 21 de setembro de 1823, revelando seu antigo registro, e que o fez como servo de Jesus Cristo. Antes de sua publicação, ele permitiu que doze cidadãos americanos modernos, de boa reputação, examinassem o registro dourado, para que pudessem dar testemunho de tê-lo visto ou segurado. ¶
Testificamos que Joseph Smith foi, de fato, um profeta moderno de Deus, levantado especialmente para o propósito que descrevemos. ¶
E, muito solenemente, testificamos que Jesus Cristo de Nazaré é o Filho de Deus, nosso Salvador, nosso Redentor, nosso Criador. Testificamos ainda que somos Seus servos ordenados, e falamos pelo poder que Ele nos restaurou e nos deu nestes dias. E testificamos, em toda solenidade, que esta obra em que estamos empenhados é verdadeiramente verdadeira, em nome do Senhor Jesus Cristo, amém. ¶