O Plano de Felicidade e Exaltação
Richard G. Scott
Nosso filho tem um pequeno robô de brinquedo. Ele pode andar e realizar outras funções simples. Se cair, consegue, com certa dificuldade, endireitar-se sozinho. Executa suas funções programadas mecanicamente, sem sentimento. No entanto, não tem capacidade de crescer nem de alterar seu curso predestinado. Responde imediatamente a qualquer força externa que satisfaça suas necessidades e deixa de funcionar quando sua mola interna se esgota. Satanás gostaria que todos os filhos do Pai Celestial se comportassem como robôs. ¶
Como é diferente o plano do Senhor. Considerem o nascimento de um bebê — um espírito independente, criado por Deus (vide Moisés 6:36) e amadurecido na existência pré-mortal, tabernaculado num corpo de carne e ossos. Uma mãe e um pai participam com Deus dessa sagrada experiência. Esses pais amam, guiam e inspiram o filho em crescimento. Com o devido entendimento e obediência aos ensinamentos do Salvador, o filho aprende “preceito sobre preceito” (vide D&C 98:12), e, pela prática da verdade, converte-se num filho ou filha de Deus autossuficiente, amoroso, prestativo, cujo potencial de crescimento e realização é ilimitado; cujo destino, se for plenamente obediente, é retornar à presença de Deus, participar de sua glória e compartilhar de sua obra exaltada. Tal pessoa pode ter grande felicidade também nesta vida. ¶
A vida mortal é um campo de provas. Deus disse: “Faremos uma terra em que estes possam habitar; ¶
“E os provaremos com isto, para ver se farão tudo quanto o Senhor seu Deus lhes ordenar.” (vide Abraão 3:24-26.) ¶
Nossos campos de provas variam. Alguns de nós nascem com limitações físicas; outros vivem sós ou não desfrutam de boa saúde. Alguns são desafiados por condições econômicas, pela falta de um bom exemplo dos pais, ou por uma miríade de outras coisas que testam o nosso temperamento. Embora muita da dor e da tristeza que suportamos seja resultado de nossos próprios atos obstinados de desobediência, muitas das coisas que parecem obstáculos em nosso caminho são usadas por um Criador amoroso para nosso próprio crescimento pessoal. ¶
A vida jamais foi feita para ser fácil. Pelo contrário, é um período de provação e crescimento. Está entrelaçada de dificuldades, desafios e fardos. Estamos imersos num mar de pressões mundanas persistentes que poderiam destruir nossa felicidade. No entanto, essas mesmas forças, se enfrentadas com firmeza, proporcionam a oportunidade de tremendo crescimento e desenvolvimento pessoal. A superação da adversidade produz força de caráter, forja a autoconfiança, gera autorrespeito e assegura o sucesso no empreendimento reto. ¶
Aquele que exerce o livre-arbítrio pela fé cresce diante dos desafios, é purificado pela tristeza e vive em paz. Em contraste, aquele que busca freneticamente satisfazer o apetite e o desejo mundano é impelido, numa espiral descendente, a profundezas trágicas. A tentação é a influência motivadora no exercício de seu livre-arbítrio. ¶
Alguns de nós, em algum momento, deixamos que as pressões da vida ou os falsos ensinamentos dos homens turvassem nossa visão, mas quando vemos com clareza, a diferença entre o plano de Deus e o de Satanás é inconfundível. Satanás gostaria de converter espíritos divinamente independentes em criaturas presas ao hábito, restringidas pelo apetite e escravizadas pela transgressão. Ele nunca se desviou de sua intenção de escravizar e destruir. Gostaria de persuadir-nos a usar de maneira imprópria o dom divino do livre-arbítrio. Por meio de influência sutil e tentadora, ele nos incentiva a satisfazer o desejo de poder e influência pessoal, ou a sucumbir ao apetite. Ele prende progressivamente aqueles que seguem o desejo carnal. A menos que se arrependam, são efetivamente convertidos em robôs que não mais exercem controle sobre seu destino eterno. ¶
Ele confunde astutamente alguns até que retratem Deus como um juiz exigente e severo, ou como uma divindade distante, dedicada a uma contabilidade meticulosa. Deus não é nem uma coisa nem outra. Ele é um Pai amoroso, paciente e compreensivo, profundamente interessado em nosso bem-estar pessoal, ansioso por nossa felicidade e totalmente comprometido com nosso progresso eterno. ¶
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. ¶
“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo; mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (João 3:16-17.) ¶
Nossa felicidade na Terra, bem como nossa salvação eterna, exige muitas decisões corretas, nenhuma das quais é difícil de tomar. Juntas, elas forjam um caráter resistente às influências corrosivas que nos cercam. O caráter nobre é como uma preciosa porcelana feita de matérias-primas selecionadas, formada com fé, cuidadosamente moldada por atos retos e consistentes, e queimada na fornalha da experiência edificante. É um objeto de grande beleza e valor inestimável. No entanto, pode ser quebrado num instante por meio da transgressão. Quando protegido pelo autocontrole, o caráter reto perdurará por toda a eternidade. ¶
Devemos cultivar a verdadeira humildade, não a capacidade de parecer humilde, mas o dom sagrado da verdadeira humildade. ¶
A humildade é o solo precioso e fértil do caráter reto. Ela germina as sementes do crescimento pessoal. Quando cultivadas pelo exercício da fé, podadas pelo arrependimento e fortalecidas pela obediência e pelas boas obras, tais sementes produzem o fruto estimado da espiritualidade. (Vide Alma 26:22.) A inspiração e o poder divinos resultam então. A inspiração é conhecer a vontade do Senhor. O poder é a capacidade de realizar essa vontade inspirada. (Vide D&C 43:15-16.) Tal poder vem de Deus depois de termos feito “tudo o que pudermos fazer”. (2 Néfi 25:23.) ¶
Permitam-me compartilhar estes pensamentos introspectivos de uma pessoa que encontrou o caminho para a felicidade: “Sou verdadeira e profundamente amado pelo Senhor. Ele fará tudo o que eu permitir que faça por minha felicidade. A chave para desbloquear esse poder sou eu mesmo. Embora outros aconselhem, sugiram, exortem e insistam, o Senhor me deu a responsabilidade e o arbítrio de tomar as decisões básicas para minha felicidade e meu progresso eterno. Ao ler e ponderar as escrituras e, com profunda fé, buscar seriamente a meu Pai em oração, a paz envolve o meu ser. Com sincero arrependimento e obediência aos mandamentos de Deus, aliados a genuína preocupação pelos outros e serviço a eles, o medo é purgado de meu coração. Estou condicionado a receber e interpretar o auxílio divino que me é dado para marcar meu caminho com clareza. Nenhum amigo, bispo, presidente de estaca ou Autoridade Geral pode fazer isso por mim. É meu direito divino fazê-lo por mim mesmo. Aprendi a estar em paz e a ser feliz. Sei que terei uma vida compensadora, produtiva e significativa.” ¶
Essa pessoa não é um robô escravizado pela adversidade, nem precisamos sê-lo, à medida que usamos sabiamente nosso livre-arbítrio para seguir os ensinamentos do Salvador. ¶
Com todo o amor de meu coração, estendo um convite a todos para que obtenham uma compreensão plena do plano de felicidade e exaltação proporcionado pelo Salvador. Testifico que essa plenitude se encontra em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Amo vocês e peço que busquem essa plenitude, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶