Estender a Mão aos Filhos de Nosso Pai
Jack H Goaslind Jr.
Meu sincero desejo nesta manhã é compartilhar com vocês alguns de meus sentimentos a respeito do evangelho de Jesus Cristo e do efeito que ele deve ter em nossos relacionamentos uns com os outros. Ao reler o relato da ressurreição do Salvador, fiquei impressionado com o fato de que as primeiras palavras do Salvador como ser ressuscitado constituem o alicerce de nossos relacionamentos com os outros. ¶
Vocês devem se lembrar de que, de madrugada, no primeiro dia da semana, Maria foi ao sepulcro onde haviam colocado o corpo do Senhor. Ao encontrar removida a pedra que selava o túmulo, ela correu e contou a Pedro e João que o corpo do Senhor havia sido levado. Pedro e João correram ao túmulo para confirmar essa informação. Ao verem o túmulo vazio, voltaram para suas casas. ¶
Mas Maria Madalena “estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o interior do sepulcro.” Ali ela viu dois anjos vestidos de branco, que lhe perguntaram: “Mulher, por que choras?” E ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.” ¶
Tendo dito isso, ela se voltou para trás e viu Jesus em pé, porém não sabia que era Jesus. O Salvador também perguntou por que ela chorava. Maria disse, pensando estar falando com o hortelão: “Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.” (João 20:11–15.) ¶
O Salvador então a chamou pelo nome, como também poderia fazer com cada um de nós, e ela imediatamente o reconheceu. Por causa de seu grande amor por ele e de seu testemunho de que ele vive, ela estendeu os braços para abraçá-lo. ¶
Com amor, cuidado e segurança, ele proferiu estas palavras de significado eterno: “Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.” (João 20:17.) ¶
“Para meu Pai, e vosso Pai; para meu Deus, e vosso Deus.” Como essa mensagem foi importante naquela época, e como é vital para nós hoje! O apóstolo Paulo claramente ensinou a mesma doutrina quando disse: ¶
“Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Porque somos também sua geração. ¶
“Sendo, pois, geração de Deus, não havemos de pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.” (Atos 17:28–29.) ¶
Por meio da oração, do estudo e de viver o evangelho, cheguei a compreender o fato de que somos todos filhos de nosso Pai — parte de uma grande família. Somos filhos e filhas de Deus. Nosso Pai Celestial é, em sentido muito real, o verdadeiro Pai de nosso espírito, o que dá significado literal à expressão “nosso Pai Celestial”. Segue-se que somos todos irmãos e irmãs, independentemente de raça, credo ou nacionalidade. Há uma centelha de divindade em cada um de nós. ¶
Como essa verdade deveria afetar nossos relacionamentos com os outros? Se todos os filhos de Deus verdadeiramente compreendessem e sentissem o impacto dessa grande verdade, haveria muito mais compreensão, compaixão e amor demonstrados uns pelos outros. As guerras, o crime e todas as formas de crueldade cessariam. ¶
Estou convencido de que o verdadeiro amor fraternal é essencial para nossa felicidade e para a paz mundial. Precisamos amar uns aos outros e compartilhar generosamente nossos dons, talentos e recursos. Não é de admirar que, ao ser perguntado por um fariseu, advogado de profissão, “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”, o Salvador respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. ¶
“Este é o primeiro e grande mandamento. ¶
“E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. ¶
“Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mateus 22:36–40.) ¶
E novamente, nos últimos momentos de sua vida, ele fez este glorioso pronunciamento: ¶
“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que também vós uns a outros vos ameis. ¶
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (João 13:34–35.) ¶
William Shakespeare certa vez disse: “Não amam aqueles que não demonstram seu amor.” (Os Dois Cavalheiros de Verona, ato 1, cena 2, linha 31.) Precisamos demonstrar nosso amor, começando pelo lar e depois ampliando nosso círculo de amor para abranger os membros de nossa ala, nossos vizinhos menos ativos e não membros, e também aqueles que já passaram para além do véu. ¶
Aos líderes da Igreja, a cada membro, peço que estendam a mão como nunca antes e ofereçam a mão da irmandade a nossos irmãos e irmãs que precisam da luz do evangelho. Estou persuadido de que grande parte de nosso amor se limita a meras palavras e a sonhos de boas ações realizadas, mas o verdadeiro amor deve ser expresso em atos generosos de bondade que aproximem outras pessoas de nosso Pai Celestial. ¶
Quantas vezes penso no grande exemplo de Pedro e João ao se aproximarem do templo na hora da oração. Certo homem, coxo desde o nascimento, era colocado à porta chamada Formosa para pedir esmola aos que entravam. Ao ver Pedro e João se aproximando, estendeu a mão esperando receber sua contribuição. Pedro lhe disse: “Olha para nós.” Ele imediatamente atendeu, esperando receber deles alguma coisa. “E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” ¶
Creio que isso é até onde chegamos, na maioria dos casos, ao ajudar nosso próximo no mundo de hoje. Contudo, Pedro não parou apenas com palavras. A escritura registra que ele então “tomando-o pela mão direita, o levantou,” e imediatamente os pés e artelhos do homem receberam força, e ele se pôs em pé, andou, saltou e entrou no templo louvando a Deus. (Ver Atos 3:1–9.) ¶
Não é prata nem ouro que o mundo precisa hoje, mas a mão estendida e a influência edificante do Espírito do Senhor. ¶
Uma boa amiga compartilhou esta história sobre como aprendeu o significado mais profundo do amor. A família dela sempre foi ativa na Igreja, esforçando-se ao máximo para viver os mandamentos. Ficaram chocados e desapontados, porém, quando a filha ficou noiva de um rapaz que não era membro da Igreja. No dia seguinte, a mãe estava contando seus sentimentos a uma boa amiga. Ela sabia que o noivo de sua filha era um bom rapaz, mas se sentia zangada, magoada, traída e entorpecida, e não queria dar um casamento à filha nem sequer vê-la. Ela disse que o Senhor deve tê-la guiado a conversar com sua amiga, porque recebeu esta resposta: ¶
“Que tipo de mãe é você, que só a ama quando ela faz o que você quer que ela faça? Isso é amor egoísta, egocêntrico, condicional. É fácil amar nossos filhos quando eles são bons; mas, quando cometem erros, eles precisam ainda mais de nosso amor. Devemos amá-los e cuidar deles não importa o que façam. Isso não significa que aprovamos ou toleramos os erros, mas ajudamos, e não condenamos; amamos, e não odiamos; perdoamos, e não julgamos. Nós os edificamos, em vez de destruí-los; nós os guiamos, em vez de abandoná-los. Amamos quando eles estão mais difíceis de amar, e, se você não pode ou não quer fazer isso, você é uma mãe ruim.” ¶
Com lágrimas escorrendo pelo rosto, a mãe perguntou à amiga como poderia algum dia agradecer-lhe. A amiga respondeu: “Faça isso por outra pessoa quando surgir a necessidade. Alguém fez isso por mim, e serei eternamente grata.” ¶
Esta história trata do amor de uma mãe por sua filha. Mas isso é apenas o começo. Precisamos demonstrar esse amor genuíno por todos os filhos de nosso Pai. Quando aprendermos a fazer isso, seremos verdadeiramente semelhantes a Deus. Como escreveu João: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. ¶
“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 João 4:7–8.) ¶
Jesus Cristo, nosso exemplo perfeito, demonstrou constantemente seu amor por meio de atos de compaixão, e compreendia as formas mais apropriadas de expressar o amor. ¶
No poço de Jacó, ele dedicou tempo a ensinar a uma mulher de Samaria algumas gloriosas verdades eternas. Ela aceitou seu testemunho de que ele era o Messias e voltou à cidade para testificar: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura não é este o Cristo?” (João 4:29.) ¶
Ele se doou aos marginalizados da sociedade. Um leproso desprezado adorou o Senhor e disse: “Senhor, se tu queres, podes tornar-me limpo.” A escritura registra — observem bem — que “Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou limpo da lepra.” (Mateus 8:2–3.) ¶
Em um de seus milagres mais dramáticos, Jesus ainda assim dedicava atenção aos indivíduos. Ao se preparar para ressuscitar Lázaro dentre os mortos, ele viu Maria chorando e, segundo o registro, “moveu-se muito em espírito, e perturbou-se.” E então, “Jesus chorou.” (João 11:33–35.) Ele aproveitou essa ocasião para expressar um testemunho divino de sua missão: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (João 11:25.) ¶
Em sua visita aos nefitas, o Salvador deu esta importante admoestação: “E sabei vós que sereis os juízes deste povo, de acordo com o julgamento que vos darei, que será justo. Portanto, que tipo de homens devereis ser? Em verdade vos digo que devereis ser como eu sou.” (3 Néfi 27:27.) ¶
É meu testemunho de que podemos ser como ele é. Podemos demonstrar nosso amor de maneiras que trazem benefícios eternos tanto para nós mesmos quanto para aqueles a quem servimos. ¶
Aceitemos o desafio proposto por nosso profeta há dois anos: ¶
“Parece-me claro, de fato, esta impressão pesa sobre mim — que a Igreja está em um ponto de seu crescimento e maturidade em que finalmente estamos prontos para avançar de maneira significativa. … Mas as decisões básicas necessárias para avançarmos, como povo, devem ser tomadas pelos membros individuais da Igreja. Os grandes avanços que a Igreja precisa dar virão depois dos grandes avanços que nós, individualmente, precisamos dar. ¶
“Já paramos em alguns platôs por tempo suficiente. Retomemos nossa jornada adiante e para cima. Ponhamos silenciosamente fim à nossa relutância em estender a mão aos outros — seja em nossa própria família, em nossa ala, ou em nossa vizinhança.” (Spencer W. Kimball, em Conference Report, abr. 1979, p. 114.) ¶
Decidamos hoje que vamos estender a mão com amor às nossas famílias, aos nossos vizinhos menos ativos ou não membros, aos nossos parentes falecidos, ou a qualquer pessoa que precise de amor. Testifico que grandes bênçãos virão a nós como indivíduos, como Igreja e como irmandade da humanidade, quando aprendermos a viver fora de nós mesmos, em amor, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶