“Ele Te Declarou, Ó Homem, o Que É Bom”
S. Dilworth Young
Começarei prestando um testemunho. Tenho certeza e presto testemunho, aplicando o princípio recém-declarado pelo Irmão McConkie, de que o chamado que veio a mim e a meus colegas nestes últimos dois dias é tão inspirado pelo Senhor quanto foi o meu chamado há trinta e três anos. Gostaria que vocês soubessem disso. ¶
Nestes dias de maravilhas mecânicas, minha mente volta-se para os dias de minha infância. Suponho que isso seja bastante natural para aqueles sobre quem a idade vai avançando. ¶
Lembro-me bem da antiga capela de pedra, de um só cômodo, da Second Ward, na Rua Seventh South, entre a Fourth East e a Fifth East, em Salt Lake City. Essa ala em particular era um dos locais de reunião dos membros vindos da Dinamarca. O bispo, Heber C. Iverson, sabia falar a língua deles. Nas reuniões de jejum, os testemunhos muitas vezes me pareciam incompreensíveis, à medida que os santos se esforçavam por testificar em inglês, sua nova língua. Na Escola Dominical, a sala era dividida em classes por cortinas verdes penduradas em arames no teto. Se eu não estivesse interessado no que meu professor dizia, podia escolher entre outras cinco classes, todas as quais eu conseguia ouvir. Era sempre interessante tentar descobrir a identidade do menino que ficava me cutucando as costas através da cortina atrás de mim. ¶
Mesmo naqueles primeiros anos, de alguma forma compreendi a ideia de que somente eu deveria trabalhar minha própria salvação, e que não poderia culpar ninguém mais se não o fizesse. Hoje não consigo identificar o ensinamento exato desse princípio, mas suspeito que veio dos testemunhos que ouvi na Second Ward, da classe da Escola Dominical, de meus pais e da repetição da segunda Regra de Fé, que eu repetia muitas vezes naquele tempo. Essa regra declara: "Cremos que os homens serão punidos por seus próprios pecados e não pela transgressão de Adão." ¶
Tomei, ainda cedo, a resolução de ser bom e assim escapar do castigo. A palavra castigar também era bastante comum. Meu pai e minha mãe a usavam para me explicar por que eu estava sendo castigado de palmada, tanto antes quanto depois do fato. Cresci com o firme conhecimento de que eu era responsável por meus próprios atos, bons e maus. ¶
Cheguei a perceber que os atos dos homens, outrora governados pelos Dez Mandamentos e pelo Sermão da Montanha, são hoje, em grande medida, governados pelos caprichos das pessoas que os praticam. A desculpa é que cada um precisa "fazer o que lhe apraz". E, ao que parece, os mandamentos foram esquecidos. Mas eles não foram revogados. Continuam de pé como um farol no caminho para a vida eterna — que é, naturalmente, a felicidade e a alegria eternas. ¶
As declarações severas e concisas dos Dez Mandamentos sempre me encheram de reverência. Elas se tornam ainda mais nítidas quando vejo alguns dos atos das pessoas. Permitam-me citar, em parte, Abinadi, que os repetiu ao rei Noé: ¶
Não terás outro Deus diante de mim. ¶
Não farás para ti nenhuma imagem de escultura. ¶
Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. ¶
Lembra-te do dia do sábado, para o santificares. ¶
Honra a teu pai e a tua mãe. ¶
Não matarás. ¶
Não cometerás adultério. ¶
Não furtarás. ¶
Não dirás falso testemunho. ¶
Não cobiçarás. (Ver Mosias 12:35–36; 13:12–24.) ¶
Abinadi disse aos que estavam presentes com o rei Noé que percebia que esses Dez Mandamentos, para citá-lo, "não estão escritos em vosso coração" (Mosias 13:11). ¶
Mas ali permanecem, a palavra imutável proveniente do grande encontro de Moisés com seu Criador, em meio aos trovões e relâmpagos do Sinai. ¶
Em nossos dias, a necessidade de seguir os Dez Mandamentos é ainda mais urgente. Cinco deles foram repetidos na seção 42 de Doutrina e Convênios. Outros são mencionados em outras seções. Resolvi, desde cedo, guardá-los todos. ¶
A propósito, a esta geração de jovens pais sugiro que dediquem tempo extra a ensinar a seus filhos o quinto mandamento, que lhes ordena honrar seus pais. ¶
Ensinamos às crianças que não devem mentir nem furtar, mas fazemos pouco para que compreendam que a rebeldia da adolescência é uma flagrante violação do mandamento de honrar os pais. Para que o ensino seja eficaz, os pais precisam viver de modo a merecer a honra que os filhos são ordenados a lhes prestar. É devastador para uma criança descobrir que seu pai não tem integridade. ¶
Certo dia deparei-me com algumas palavras de Miqueias que me pareceram expressar minha própria norma de conduta. Eu as cito, pois ainda hoje despertam o melhor que há em mim: ¶
"Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?" (Miqueias 6:8). ¶
"Praticar a justiça" — isso eu desejo. "Amar a benevolência" — meu coração se enche só de pensar nisso. E "andar humildemente com o teu Deus" me aproxima dele. Esses pensamentos são repetidos na seção 11, versículo 12, de Doutrina e Convênios. ¶
Mais tarde, ouvi a Irmã Jessie Evans Smith cantar um solo como parte de um grande número do Coro do Tabernáculo. Todos os que já a ouviram cantar essas palavras sentiram-se impelidos à resolução de conformar sua vida a esse ensinamento. Nas palavras do Salmo 24, o salmista primeiro faz duas perguntas: "Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?" A resposta vem com surpreendente simplicidade: "Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente." Depois vem a promessa: "Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação." (Sal. 24:3–5.) O salmista prossegue então afirmando que a geração assim obediente é a geração que verdadeiramente busca a sua face. ¶
Essas declarações das qualidades de caráter que assinalam os justos podem ser guardadas em nosso coração como guia nas situações que enfrentamos em nosso convívio diário com nosso próximo. Descobrimos, então, que não é difícil seguir o ensinamento do Profeta Joseph Smith, quando declarou que temos, como padrão de conduta diária, "ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e [fazer] o bem a todos os homens" (Regras de Fé 1:13). Pois, se alguém tem mãos limpas e coração puro, pratica a justiça, ama a benevolência, não busca a vaidade e anda humildemente, a tentação de violar o Decálogo dificilmente lhe ocorrerá. ¶
Testifico que aquele que obedece aos mandamentos e assim busca a vida virtuosa e justa encontrará a pérola de grande valor do conhecimento do Filho de Deus, que é o nosso Salvador, e, ao encontrá-la, terá alegria. Se, além disso, amar e servir ao próximo, acrescentará a essa pérola uma cadeia de pérolas e encontrará a vida eterna na presença de seu Pai Celestial e daquele Salvador. ¶
Obedecemos às ordenanças que tornam possível a exaltação. ¶
Seguimos e obedecemos ao código de conduta que a torna certa. ¶
Essa dupla obediência, fielmente guardada, é a maneira mais segura de prestarmos testemunho de que honramos o Senhor Deus, guardamos os seus mandamentos e sustentamos o Presidente Kimball como seu profeta. Estes são os meus desejos, ao prestar testemunho da verdade de que o Senhor Jesus Cristo é o nosso Salvador. Em seu santo nome, amém. ¶