Pulpit

Receberás Revelação

Bruce R. McConkie

Conferência Geral de Outubro de 1978·Sunday Afternoon Session·1978-10-01

Falarei de um dos maiores dons já recebidos pelos homens mortais. É uma dádiva espiritual superlativa que, por sua própria natureza, distingue os Santos dos Últimos Dias do mundo e os torna um povo adquirido. É um dom que o Senhor sempre concede a seu povo, que os identifica como os escolhidos de Deus, e sem o qual nada mais, de natureza religiosa, tem valor especial ou mérito duradouro.

Falarei da revelação, da abertura dos céus, da revelação tal como é dada aos profetas e apóstolos para a orientação da Igreja e do mundo, e também da revelação dada aos santos em geral, para sua própria orientação e a de suas famílias.

Busquei diligentemente a orientação do Espírito Santo ao preparar estas palavras, e agora oro — sincera e devotamente — para que vossos corações se abram ao ouvi-las, para que vosso peito arda com fogo vivo, e para que saibais, pelo poder do Espírito Santo, que as doutrinas ensinadas e o testemunho prestado são verdadeiros.

Como se comunica um Deus gracioso com seus filhos na terra? Como podemos nós, que estamos na terra, cujas experiências são limitadas pelo tempo, pelo espaço e pelas fraquezas da carne, compreender aquilo que é infinito e eterno? Por que meios podem os olhos mortais ver além do véu, ou os ouvidos da terra ouvir as vozes da eternidade?

É verdadeiramente estranho que profetas falem de acontecimentos futuros como se estivessem presentes diante de seus olhos videntes. É verdadeiramente maravilhoso que olhos terrenos consigam penetrar as névoas e as trevas de nosso planeta e ver o interior das portas do céu. É maravilhoso, quase incrível, que meros mortais possam começar a compreender aquele que é eterno, possam conhecer com certeza as coisas passadas, presentes e futuras, e possam ter a garantia de uma herança eterna junto a seres imortais que habitam na glória sempiterna.

Mas, estranho ou não, assim é. Aquele que é eterno proveu um caminho. Um Pai gracioso e amoroso ordenou as leis pelas quais, mediante obediência, podemos aprender seus caminhos e conhecer sua vontade.

Aqueles que creem em Cristo, tal como é revelado pelos apóstolos e profetas de seus dias, aqueles que abandonam o mundo e se arrependem de todos os seus pecados, aqueles que fazem convênio com o Senhor nas águas do batismo de amá-lo e servi-lo todos os seus dias — estes são os que recebem o dom do Espírito Santo.

Esse dom é o direito ao companheirismo constante daquele membro da Trindade, baseado na fidelidade. Esse dom é o direito de receber revelação do Espírito Santo. "Nenhum homem pode receber o Espírito Santo sem receber revelações", disse o Profeta, pois "o Espírito Santo é um revelador" (Teachings of the Prophet Joseph Smith, comp. Joseph Fielding Smith, Salt Lake City: Deseret Book Company, 1977, p. 328).

As revelações vêm de muitas maneiras, mas sempre se manifestam pelo poder do Espírito Santo. A promessa de Jesus aos antigos apóstolos foi: "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas" (João 14:26). Nossas escrituras modernas dizem: "Porque eis que o Consolador conhece todas as coisas e presta testemunho do Pai e do Filho" (D&C 42:17). Elas também nos dão esta promessa: "E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas" (Morôni 10:5).

Quando os homens são vivificados pelo poder do Espírito, o Senhor pode revelar-lhes suas verdades da maneira que escolher.

O Pai e o Filho romperam os céus e desceram a Joseph Smith na primavera de 1820, para inaugurar a dispensação da plenitude dos tempos. Dessas duas gloriosas personagens ele recebeu, então, a promessa de que, se permanecesse fiel e verdadeiro, seria o instrumento em suas mãos para restaurar a plenitude do evangelho eterno.

O Senhor Jeová — o Deus de nossos pais; o Deus de Abraão, Isaque e Jacó; o Senhor Onipotente que nasceu de Maria em Belém da Judeia — apareceu em glória a Joseph Smith e Oliver Cowdery no terceiro dia de abril de 1836, no Templo de Kirtland.

"Os seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; o seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e a sua voz era como o ruído de muitas águas, sim, a voz de Jeová, que dizia:

"Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai.

"… manifestar-me-ei a meu povo com misericórdia. …

"Sim, aparecerei aos meus servos e falar-lhes-ei com a minha própria voz, se o meu povo guardar os meus mandamentos." (D&C 110:3–4, 7–8.)

Miguel, Gabriel, Rafael e diversos anjos vieram — "todos anunciando sua dispensação, seus direitos, suas chaves, suas honras, sua majestade e glória e o poder de seu sacerdócio" (D&C 128:21).

Moisés voltou para trazer as chaves para coligar Israel; Elias veio para restaurar "o evangelho de Abraão" e prometer novamente aos homens mortais que, neles e em sua semente, todas as gerações seriam abençoadas; e Elias, o profeta, veio conferir o poder selador, para que mais uma vez os administradores legais tivessem poder para ligar na terra e ter seus atos selados eternamente nos céus. (Vide D&C 110:11–13.)

Pedro, Tiago e João restauraram as chaves do reino de Deus e trouxeram novamente a comissão apostólica de pregar o evangelho a todas as nações e a toda criatura. Morôni veio restaurar o Livro de Mórmon, e João Batista, trazer novamente o Sacerdócio Aarônico com todas as suas chaves e poderes. (Vide D&C 128:20–21.)

Joseph Smith e Sidney Rigdon, em 16 de fevereiro de 1832, em Hiram, Ohio, viram em visão os reinos de glória no mundo eterno e receberam tal derramamento de graça e verdade como raramente chegou aos homens mortais. (Vide D&C 76.)

A voz de Deus — falando audivelmente, à maneira de nossa linguagem, e também falando pelo poder do Espírito na mente dos homens — tem sido ouvida repetidas vezes em nossos dias.

Inúmeras vezes, membros fiéis da igreja do Senhor têm labutado e lutado com problemas quase insolúveis, chegado ao que lhes pareceram soluções apropriadas e, em seguida, recebido uma confirmação espiritual que atesta a verdade e a veracidade de suas decisões.

Não podemos falar de revelação sem prestar testemunho do grande e maravilhoso derramamento de conhecimento divino que veio ao Presidente Spencer W. Kimball, estabelecendo que o sacerdócio e todas as bênçãos e obrigações do evangelho devem agora ser oferecidos a pessoas de todas as nações, raças e cores.

Verdadeiramente, o Espírito Santo é um revelador. Ele fala, e sua voz é a voz do Senhor. Ele é ministro de Cristo, seu agente, seu representante. Ele diz o que o Senhor Jesus diria se estivesse pessoalmente presente.

Falando "a todos os que" foram "ordenados a" seu "sacerdócio", o Senhor diz: "E tudo que disserem, quando movidos pelo Espírito Santo, será escritura, será a vontade do Senhor, será a mente do Senhor, será a palavra do Senhor, será a voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação" (D&C 68:2–4).

Verdadeiramente, este é aquele dia prometido em que "todo homem" pode "falar em nome de Deus, o Senhor, sim, o Salvador do mundo" (D&C 1:20).

Se todos os Santos dos Últimos Dias vivessem como deveriam, então a petição de Moisés seria concedida: "Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele!" (Números 11:29).

Este é o dia prometido em que "Deus" nos "dará conhecimento por seu Santo Espírito", quando, "pelo indescritível dom do Espírito Santo", obteremos conhecimento "que não foi revelado desde a fundação do mundo até agora" (D&C 121:26).

Este é o dia de que falou Joseph Smith, ao dizer: "Deus nada revelou a Joseph que Ele não dê a conhecer aos Doze, e até mesmo o menor dos santos pode saber todas as coisas tão depressa quanto for capaz de suportá-las" (Teachings, p. 149).

E aguardamos com expectativa aquele glorioso dia milenar quando "não ensinará mais alguém a seu próximo, nem alguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior deles, diz o Senhor" (Jeremias 31:34).

Mas mesmo agora não há fim para as revelações que podemos receber. "Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus" (Regras de Fé 1:9).

Aos profetas, videntes e reveladores, ele manifestará sua mente e sua vontade a respeito da Igreja e do mundo. Aos oficiais presidentes nas estacas, alas e quóruns, ele revelará o que deve ser feito por essas organizações. Aos pais, às mães e aos filhos, ele revelará "grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos" (D&C 89:19), para guiá-los no caminho para a perfeição.

É sua vontade que obtenhamos testemunhos, que busquemos a revelação, que aspiremos a profetizar, que desejemos os dons espirituais, e que busquemos a face do Senhor.

O Senhor deseja que todos os seus filhos obtenham luz, verdade e conhecimento do alto. É sua vontade que penetremos o véu e rompamos os céus e vejamos as visões da eternidade.

Por sua própria boca ele nos deu esta promessa: "Acontecerá que toda alma que abandonar os seus pecados e vier a mim, e invocar o meu nome, e obedecer à minha voz, e guardar os meus mandamentos verá a minha face e saberá que eu sou" (D&C 93:1).

Essa é sua promessa para nós, aqui e agora, enquanto ainda habitamos como mortais em um mundo de tristeza e pecado. É nosso privilégio, mesmo agora — o privilégio de todos os que possuem o santo sacerdócio —, se nos despirmos de invejas e temores e nos humilharmos perante ele, como ele disse, ter o véu rompido, vê-lo e saber que ele é. (Vide D&C 67:10.)

Para os homens carnais, e mesmo para aqueles entre nós cujas almas não estão sintonizadas com o Infinito, essas promessas podem parecer o algaravismo de línguas estranhas, mas para aqueles cujas almas ardem com a luz do céu, elas serão como uma sarça que arde e não se consome. Como disse Paulo, nosso companheiro apóstolo e testemunha desse mesmo Senhor de quem somos servos: "Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus" (Tradução de Joseph Smith, 1 Coríntios 2:11).

Agora presto um solene testemunho, um testemunho prestado pelo Espírito, de que essas doutrinas são verdadeiras, de que o Senhor Deus está fazendo chover retidão sobre seu povo, e de que continuará a fazê-lo até aquele dia perfeito em que conhecerão todas as coisas e se tornarão como ele é. Em nome do Senhor Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoBruce R. McConkie, “Receberás Revelação”, Conferência Geral de Outubro de 1978, Sunday Afternoon Session (1978-10-01). Pulpit Vault, 1978-10-mcconkie-thou-shalt-receive-revelation. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).