Evidência das Coisas que se Não Veem
Mark E. Petersen
Algumas pessoas continuam a desafiar o Livro de Mórmon. Não apenas atacam a autenticidade daquele volume sagrado, mas questionam nosso direito de ter escrituras além da Bíblia. ¶
Nós, Santos dos Últimos Dias, temos três volumes de escritura além da Bíblia. São testemunhas adicionais do Senhor Jesus Cristo, declarando a todos os que estão dispostos a lê-las que Ele é nosso Salvador e nosso Redentor. Neste dia de tribulação e dúvida, não deveríamos ser gratos por afirmações crescentes de Cristo? ¶
Tendo sido ensinadas que a Bíblia contém toda a palavra de Deus, algumas pessoas nos perguntam por que temos essas outras escrituras. Não percebem que a própria Bíblia prevê mais escritura, e que ela aponta para um padrão estabelecido antigamente pelo Senhor, no qual Ele colocou profetas na terra para fornecer essa escritura. ¶
As revelações desses profetas eram registradas, juntamente com parte da história de sua época, e se tornavam escritura. À medida que cada novo profeta escrevia, seus registros eram acrescentados à escritura já existente. Dessa forma, havia um volume constantemente crescente da palavra sagrada. Eventualmente, muitos desses escritos foram compilados num livro que conhecemos como a Bíblia. ¶
Esse processo continuou enquanto o Senhor teve profetas na terra, tanto na época do Velho quanto do Novo Testamento. Nunca se pensou que esse registro acumulado contivesse toda a palavra de Deus, porque, ao longo dos anos, o Senhor continuou a enviar novos profetas, que recebiam novas revelações, as quais, por sua vez, se tornavam nova e adicional escritura. Foi um padrão estabelecido pelo Senhor, desde os dias dos patriarcas até a época de João, o Revelador. ¶
Há aqueles que não percebem que havia profetas na igreja cristã original, e que era a intenção do Senhor que eles continuassem na Igreja até que todos chegássemos à unidade da fé. ¶
Mas, em vez de unidade entre os cristãos, o que temos? Temos divisão, o que é evidência avassaladora da necessidade do ministério contínuo de profetas cristãos. ¶
Vocês se lembram de como Paulo explicou esse princípio aos efésios? Ele disse que o próprio fundamento da Igreja repousava sobre os apóstolos e os profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra da esquina. ([Efésios 2:20].) ¶
Então, descrevendo a organização da Igreja, disse que o Salvador "deu a uns o serem apóstolos, e a outros profetas, e a outros evangelistas, e a outros pastores e doutores" como oficiais na Igreja. Declarou que seu propósito era "o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo" da Igreja. ([Efésios 4:12].) ¶
Existirá alguma vez em que os membros possam parar de trabalhar em direção à perfeição, em que já não sejam beneficiados pela atividade na Igreja, ou em que já não precisem de ensino e edificação? ¶
Paulo disse que esses oficiais que ensinam e edificam são necessários na Igreja até que nos tornemos perfeitos, até chegarmos à plenitude da medida da estatura de Cristo. O Céu sabe que nenhum de nós alcançou essa distinção. ¶
Mas qual foi outra razão pela qual esses oficiais deveriam permanecer na Igreja? Paulo diz que nos foram dados como proteção "para que não sejamos mais meninos inconstantes … levados em roda por todo vento de doutrina." ([Efésios 4:14].) ¶
Eles nos protegerão dos falsos ensinamentos de seitas e grupos dissidentes, e das filosofias enganosas dos homens. ¶
A Igreja de Jesus Cristo, então, deveria sempre ser liderada por apóstolos e profetas vivos, que receberiam a orientação constante do céu. Eles continuariam sempre na Igreja como videntes e reveladores para o povo. ¶
Mas, ao ministrarem dessa forma, também forneceriam nova e adicional escritura, apropriada à época em que viviam, de acordo com o padrão do Senhor. ¶
Os profetas da igreja cristã primitiva ministraram em sua época assim como os profetas do Velho Testamento o fizeram durante os séculos anteriores. E por quê? Porque seguiram esse mesmo padrão divino, pois, como explicou Amós, o Senhor age somente por meio de profetas. ([Amós 3:7].) ¶
Quando não há profetas, não há direção divina, e sem tal orientação o povo anda em trevas. ¶
É um sinal infalível da igreja verdadeira que ela tenha em si profetas vivos, divinamente escolhidos, para guiá-la, homens que recebem revelação atual de Deus e cujas obras registradas se tornam nova escritura. ¶
É um sinal infalível da igreja verdadeira, também, que ela produzirá escritura nova e adicional, surgida dos ministérios desses profetas. Esse padrão infalível de Deus se manifesta claramente por meio de seu relacionamento com seu povo, desde o princípio. ¶
O próprio Senhor predisse que haveria outros volumes de escritura além da Bíblia. Ele sabia, porém, que algumas pessoas se recusariam a crer e se oporiam a receber mais escritura. Por isso disse: ¶
"E porque minhas palavras hão de silvar — muitos dos gentios clamarão: Uma Bíblia, uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia. ¶
"Não sabeis que há mais de uma nação? Não sabeis que eu, o Senhor vosso Deus, criei todos os homens e que me lembro dos que estão nas ilhas do mar? E que governo nas alturas dos céus e embaixo, na Terra; e revelo minha palavra aos filhos dos homens, sim, a todas as nações da Terra? ¶
"Por que murmurais por receberdes mais palavras minhas? Não sabeis que o depoimento de duas nações é um testemunho a vós de que eu sou Deus, de que me recordo tanto de uma como de outra nação? Portanto, digo as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. E quando as duas nações caminharem juntas, os testemunhos das duas nações também caminharão juntos. ¶
"E isso eu faço para provar a muitos que sou o mesmo ontem, hoje, e para sempre; e que pronuncio as minhas palavras segundo a minha própria vontade. E porque eu disse uma palavra não deveis supor que não possa dizer outras; pois o meu trabalho ainda não está terminado, nem estará até o fim do homem, nem depois disso para sempre. ¶
"Portanto, porque tendes uma Bíblia não deveis supor que ela contenha todas as palavras minhas; nem deveis supor que eu não fiz com que se escrevesse mais. ¶
"Pois eu ordeno a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo; pois pelos livros que forem escritos julgarei o mundo, cada homem de acordo com as suas obras, conforme o que está escrito. ¶
"Pois eis que falarei aos judeus e eles escreverão; e também falarei aos nefitas e eles escreverão; e falarei também às outras tribos da casa de Israel, que levei para longe, e elas escreverão; e também falarei a todas as nações da Terra e elas escreverão. ¶
"E acontecerá que os judeus terão as palavras dos nefitas e os nefitas terão as palavras dos judeus; e os nefitas e os judeus terão as palavras das tribos perdidas de Israel; e as tribos perdidas de Israel terão as palavras dos nefitas e dos judeus. ¶
"E acontecerá que o meu povo, que é da casa de Israel, será reunido nas terras de suas possessões; e minha palavra também será reunida em uma." ([2 Néfi 29:3, 7–14].) ¶
Assim disse o Senhor. ¶
Nós, é claro, temos a Bíblia, como os demais cristãos. Mas também temos os escritos dos nefitas, os antigos habitantes da América, que registraram suas revelações e sua história naquilo que hoje conhecemos como o Livro de Mórmon. E o que é o Livro de Mórmon? ¶
O apóstolo Paulo, certa vez, definiu a fé como a evidência das coisas que se não veem. O Livro de Mórmon é evidência sólida e tangível tanto do que se vê quanto do que se não vê. ¶
É um livro que pode ser sentido, manuseado e lido. É um objeto físico. Não pode ser explicado como se não existisse. Os críticos não conseguem fazê-lo desaparecer. Como livro publicado, ele está aqui — tangível, físico e material. ¶
Podemos segurá-lo em nossas mãos. Podemos dá-lo de presente. Podemos enviá-lo pelo correio. Se quiséssemos, poderíamos jogá-lo no oceano ou queimá-lo no fogo, ou até mesmo estudá-lo página por página em busca de luz e inspiração espiritual. ¶
É um volume físico que foi impresso numa prensa elétrica, numa gráfica comercial, em papel feito numa fábrica de papel comercial, e com o uso de tinta comum de impressão. ¶
Em outras palavras, o Livro de Mórmon é um objeto físico, assim como a Bíblia ou qualquer outro livro. Como objeto físico, ninguém pode dizer que ele não existe. Tampouco pode ser explicado como se não existisse. ¶
Mas de onde ele veio? ¶
Foi trazido por um anjo de Deus, que veio à terra com o propósito específico de entregar aquele livro a Joseph Smith, o profeta mórmon. ¶
Mas será que alguém acredita em anjos nesta era esclarecida? ¶
Se vocês creem na Bíblia, devem crer em anjos. E mais: se lerem a Bíblia, saberão que ela diz claramente que um anjo foi designado a vir à terra nos últimos dias para entregar um livro específico a um homem específico, dentro de um período de tempo específico. ¶
Para identificar esse homem, a escritura refere-se a ele como um homem iletrado. É estranho, não é, que o profeta Isaías fizesse isso? Mas aquele anjo realmente veio no tempo especificado, e veio a Joseph Smith, que era o homem iletrado especificado. O livro foi então traduzido por Joseph Smith pelo poder de Deus e publicado ao mundo como o Livro de Mórmon. ¶
Não há explicação plausível para a origem daquele livro, exceto aquela dada por Joseph Smith. ¶
Os críticos tentaram outras explicações por cem anos, mas encontraram apenas fracasso melancólico. ¶
Quem era esse anjo de quem falamos? Seu nome era Morôni. Uma vez que ele trouxe o Livro de Mórmon, sua vinda tornou aquele livro tangível uma evidência física e material de que existem anjos de Deus, e de que um deles veio a Joseph Smith e lhe deu este livro. ¶
E quem era Morôni? Foi um dos profetas que viveram na América antiga e morreu há 1.500 anos. ¶
Para aparecer em nossos dias, evidentemente ele teve de voltar dos mortos. Toda a nossa religião se baseia em personagens angélicos que voltam dos mortos. Assim, a imortalidade é real, comprovada pelo fato de que um personagem imortal entregou este tangível e material Livro de Mórmon a um homem moderno e mortal. ¶
Ao voltar dos mortos, Morôni era um ser físico, de realidade literal, corpórea e material. Ele segurou aquelas pesadas placas de ouro em suas mãos. Um bloco de metal medindo sete por sete por oito polegadas poderia pesar de trinta a cinquenta libras. Mas Morôni as segurou em suas mãos e virou as páginas com os dedos. As mãos dele eram de carne e osso, mãos ressuscitadas. ¶
Assim, o Livro de Mórmon, como objeto físico, material e tangível, também se torna evidência da ressurreição dos mortos. ¶
Lembremo-nos de que doze homens modernos viram e manusearam essas mesmas placas depois que Morôni as entregou a Joseph Smith. Ao descrever essa experiência, oito deles disseram que as manusearam com as próprias mãos e acrescentaram: "Vimos e pegamos, e sabemos com certeza que o dito Smith tem as placas de que falamos." ("O Testemunho de Oito Testemunhas", Livro de Mórmon, p. vii.) ¶
Manusearam as placas com as mãos. Assim como Morôni. ¶
Viraram as páginas, uma a uma. Assim como Morôni. ¶
Examinaram as gravações naquelas placas, algumas das quais foram feitas por Morôni há 1.500 anos. ¶
Assim, o Livro de Mórmon publicado é uma testemunha física do fato da imortalidade, da ressurreição dos mortos, e da realidade de Deus e de Seu Filho, Jesus Cristo. ¶
Neste dia de dúvida e crítica, não deveríamos ser gratos por evidência física das coisas que se não veem? Então, não deveríamos aceitar o Livro de Mórmon como tal evidência? ¶
A principal razão pela qual temos o Livro de Mórmon é que pela boca de duas ou três testemunhas se estabelecerá toda palavra. (Vide [2 Coríntios 13:1].) Temos a Bíblia; temos também o Livro de Mórmon. Constituem duas vozes — dois volumes de escritura — de dois povos antigos amplamente separados, ambos prestando testemunho da divindade do Senhor Jesus Cristo. ¶
Mas temos também duas outras testemunhas escriturísticas, totalizando quatro ao todo. São as escrituras modernas, dadas como revelações por meio do Profeta Joseph Smith, e elas também declaram que Jesus é o Cristo, o Salvador, o Criador, o Messias há muito prometido. ¶
O mundo tem estado tão confundido pelos credos conflitantes dos homens que a verdade precisou ser dada novamente à humanidade, para desiludir suas mentes e corrigir seu pensamento. Havia apenas uma maneira de fazer isso: por meio de nova revelação. Mas, para haver nova revelação, é necessária a presença de um profeta para recebê-la, pois, como disse Amós, o Senhor não agirá senão por meio de profetas. (Vide [Amós 3:7].) ¶
Não havia profeta em toda a cristandade na época em que a nova revelação deveria ser dada. Assim, Deus levantou um novo profeta para receber aquela revelação, publicar o Livro de Mórmon e dirigir a pregação do verdadeiro evangelho em todas as nações. ¶
E quem foi esse profeta? Joseph Smith, Jr. Ele foi o vidente divinamente chamado dos últimos dias. Foi o revelador moderno. Foi o tradutor e editor do Livro de Mórmon sob a direção de Deus Todo-Poderoso. ¶
Não somente ele foi, por si só, um profeta divinamente escolhido, mas sob suas mãos outros profetas foram levantados para dar continuidade à obra após ele. ¶
Nós somos esses outros profetas! Detemos a autoridade divina de Jesus Cristo! Falamos em Seu nome e declaramos Sua palavra! E nosso testemunho é verdadeiro! ¶
Isto afirmamos solenemente, com todo o poder de nosso ser, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶