As Bênçãos da Obediência Justa
Delbert L. Stapley
Meus irmãos e irmãs e amigos, uma meta que a maioria de nós compartilha nesta vida é o desejo de alcançar a verdadeira alegria e a felicidade duradoura. Há apenas uma maneira de fazer isso, que é sendo obediente a todos os mandamentos de Deus. Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, entramos voluntariamente em santos convênios, prometendo obedecer aos mandamentos do Senhor. A obediência voluntária e justa conduz à vida celestial; de fato, não há progresso eterno sem ela. No entanto, a obediência aos mandamentos de Deus parece ser um dos maiores desafios do homem. ¶
Algumas pessoas não obedecem porque sentem que seu livre-arbítrio será atropelado se se considerarem subordinadas às autoridades da Igreja ou entrarem em ordenanças vinculantes. Outras escolhem deliberadamente uma existência “contrária à natureza da felicidade”. (Alma 41:11.) Ainda outras, produto de uma vida sem disciplina, persistem em suas fraquezas e justificam seu comportamento dando de ombros e dizendo: “É assim mesmo que eu sou.” ¶
A desobediência a Deus e a seus servos escolhidos ignora o fato de que todos somos filhos de um Pai Eterno, que nos dotou da capacidade de ser como Ele e Seu Filho Jesus Cristo são — personagens aperfeiçoados, glorificados e santos. Frequentemente esquecemos que a obediência precisa ser aprendida. Até mesmo Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, aprendeu a obediência perfeita, o que o qualificou a servir como nosso Legislador e Senhor. Em Hebreus lemos: ¶
“Ainda que era Filho, todavia aprendeu a obediência pelas coisas que padeceu; ¶
“E tendo ele sido aperfeiçoado, veio a ser o autor da eterna salvação para todos os que lhe obedecem.” (Hebreus 5:8–9.) ¶
Agora trilhamos o mesmo caminho que Ele trilhou. Esse caminho foi claramente demarcado para cada um de nós, com sinais e advertências para nos guiar ao longo do percurso, evitando que sejamos desviados e nos percamos. Mas, assim como Jesus, devemos aprender a obediência. Esse é o propósito de nossa vida mortal. Se falharmos nessa experiência, não encontraremos a verdadeira felicidade que conduz à exaltação. ¶
Há várias maneiras que o Senhor estabeleceu para que aprendamos a obediência, para que possamos provar a nós mesmos e merecer sua aprovação e bênçãos aqui, e a glória eterna com Ele nos mundos por vir. ¶
Em primeiro lugar, não fomos deixados para caminhar sozinhos. O Senhor revelou claramente sua vontade a respeito de seus filhos e nos mostrou seu plano de redenção. Suas leis estão explicitamente registradas nas obras-padrão da Igreja, que são a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e a Pérola de Grande Valor. ¶
O Profeta Joseph Smith ensinou: ¶
“Não podemos guardar todos os mandamentos sem primeiro conhecê-los, e não podemos esperar conhecer todos, ou mais do que já conhecemos, a menos que cumpramos ou guardemos os que já recebemos.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 256.) ¶
A respeito do estudo das escrituras, o Profeta também ensinou: “Quem as lê com mais frequência é quem mais gosta delas.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 56.) ¶
As escrituras contêm as promessas do Senhor a seus filhos obedientes. Onde o Senhor Deus ordena, Ele também promete grandes recompensas àqueles que obedecem. Lemos na Bíblia: ¶
“E há de ser que, se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. … ¶
“O Senhor te estabelecerá como povo santo para si, assim como te jurou, se guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos.” (Deuteronômio 28:1, 9.) ¶
Agora, uma citação do Livro de Mórmon: ¶
“E eis que tudo que ele requer de vós é que guardeis seus mandamentos; e ele prometeu-vos que, se guardásseis seus mandamentos, prosperaríeis na terra; e ele nunca se desvia do que disse; portanto, se guardardes seus mandamentos, ele vos abençoará e far-vos-á prosperar. ¶
“Ora! em primeiro lugar ele vos criou e concedeu-vos a vida, pelo que lhe sois devedores. ¶
“E, em segundo lugar, ele requer que façais conforme vos ordenou; e se o fizerdes, ele imediatamente vos abençoará; e, portanto, ter-vos-á pago. E vós ainda lhe sereis devedores e o sois e sê-lo-eis para sempre.” (Mosias 2:22–24.) ¶
A seguir, de Doutrina e Convênios: ¶
Por fim, da Pérola de Grande Valor: ¶
“E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar; ¶
“E os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo; e os que não guardarem seu primeiro estado não terão glória no mesmo reino que aqueles que guardarem seu primeiro estado; e os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre.” (Abraão 3:25–26.) ¶
Essas passagens escriturísticas afirmam claramente que grandes recompensas são prometidas àqueles que obedecem. ¶
Uma segunda maneira de aprendermos a obediência é seguindo o conselho dos profetas viventes e de outros líderes da Igreja devidamente designados. Temos a sorte de viver numa época em que há um profeta vivente na terra para nos aconselhar e guiar. Nosso Pai Celestial comunica sua vontade por meio de seu profeta, e Deus não permitirá que seu profeta conduza seu povo por caminhos errados. A importância das palavras do profeta de Deus foi claramente declarada à Igreja da seguinte forma: ¶
“Portanto, vós, ou seja, a igreja, dareis ouvidos a todas as palavras e mandamentos que ele vos transmitir à medida que ele os receber, andando em toda santidade diante de mim; ¶
“Pois suas palavras recebereis como de minha própria boca, com toda paciência e fé.” (D&C 21:4–5; itálico acrescentado.) ¶
Segue-se então esta promessa a nós, quando atendemos à admoestação do Senhor: ¶
O Senhor também providenciou autoridades locais — presidentes de estaca e de distrito, bispos e presidentes de ramo. Em uma carta da Primeira Presidência, datada de 29 de janeiro de 1973, os membros da Igreja foram admoestados: ¶
“O Senhor organizou sua Igreja de tal forma que há, acessível a cada membro — homem, mulher e criança —, um conselheiro espiritual, e também um conselheiro temporal, que os conhece intimamente e conhece as circunstâncias e condições das quais seus problemas surgem, e que, em razão de sua ordenação, tem direito a receber, de nosso Pai Celestial, o discernimento e a inspiração do Senhor necessários para poder dar o conselho de que tanto precisa aquele que está em dificuldade. Referimo-nos ao Bispo ou Presidente de Ramo. Se o Bispo ou Presidente de Ramo precisar de auxílio, poderá recorrer ao Presidente de Estaca ou de Missão. Esses irmãos, por sua vez, poderão buscar aconselhamento junto a uma das Autoridades Gerais, caso seja necessário.” ¶
Se um assunto não puder ser resolvido satisfatoriamente pelas primeiras etapas desse processo, devemos ser obedientes e dar apoio àqueles que presidem sobre nós até que se receba novo conselho. ¶
Em terceiro lugar, aprendemos a obediência disciplinando nossa vida em todas as coisas. Um processo pelo qual nos disciplinamos é o arrependimento, pois este “é a maneira de anular os efeitos de uma falta anterior de obediência na vida de alguém”. (Spencer W. Kimball, The Miracle of Forgiveness, Bookcraft, 1969, p. 28.) ¶
Devemos reconhecer que a mortalidade nos foi concedida como um estado probatório, no qual todos os apetites físicos devem ser dominados. É muito mais difícil arrepender-se, no mundo espiritual, de pecados que envolvem hábitos e ações físicas. As palavras de Amuleque no Livro de Mórmon dão ênfase a esse princípio: “Eis”, disse ele, “que agora é o tempo e o dia de vossa salvação. … ¶
“Esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para o encontro com Deus. … ¶
“Se não melhorarmos nosso tempo enquanto nesta vida, então virá a noite tenebrosa, na qual nenhum labor poderá ser executado. … ¶
“O mesmo espírito que possuir vosso corpo no momento em que sairdes desta vida, esse mesmo espírito terá poder para possuir vosso corpo naquele mundo eterno.” (Alma 34:31–34.) ¶
É evidente que ou disciplinamos nossa vida aqui, ou pagamos o preço por uma vida sem disciplina no mundo por vir. ¶
Por fim, aprendemos a obediência, assim como o Salvador aprendeu, pelas coisas que sofremos. Ao considerarmos a vida dos santos, tanto em dispensações passadas quanto na atual, aprendemos que suas vidas foram refinadas pela aflição, pelas dificuldades, pela perseguição e pelo sofrimento pessoal. Jó, que não era estranho à aflição, disse no tempo de suas provações: “[Deus] sabe o meu caminho; pondo-me ele à prova, sairei como o ouro.” (Jó 23:10.) ¶
No desespero de seu próprio sofrimento pessoal, Joseph Smith foi lembrado de que o sofrimento pode fazer santos dos homens mortais, quando estes estão “dispostos a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai”. (Mosias 3:19.) ¶
Em algum momento nas eternidades futuras, veremos que nossas provações foram calculadas para nos fazer recorrer a nosso Pai Celestial em busca de força e apoio. Qualquer aflição ou sofrimento que somos chamados a suportar pode ser dirigido a nos dar experiência, refinamento e aperfeiçoamento. ¶
O Senhor revelou nesta dispensação que nossas recompensas nas eternidades são estabelecidas de acordo com nosso nível de obediência. Se formos plenamente obedientes à lei celestial, cumprindo as leis de Cristo, seremos dignos de uma glória celestial. Mas para aqueles que não cumprem plenamente a lei celestial, outros graus menores de glória foram preparados, pois as escrituras registram: ¶
“Os que não forem santificados por meio da … lei de Cristo, herdarão outro reino, sim, um reino terrestre ou um reino telestial. ¶
“Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial.” (D&C 88:21–22.) ¶
E esta é a recompensa prometida àqueles que cumprem completamente as leis do reino celestial e perseveram até o fim: ¶
“Estes são aqueles em cujas mãos o Pai colocou todas as coisas — ¶
“Estes são os que são os sacerdotes e reis, que receberam de sua plenitude e de sua glória.” (D&C 76:55–56.) ¶
À luz dessas promessas gloriosas, é difícil compreender como algum dos filhos de nosso Pai Celestial escolheria voluntariamente algo menos do que o melhor que nosso Deus tem a oferecer. Talvez fosse bom que cada um de nós se reavaliasse para determinar em que ponto nos encontramos atualmente em relação à lei fundamental do reino celestial — a lei da obediência. Os resultados deveriam nos revelar qual reino escolhemos como nossa meta. Por exemplo: ¶
Estudo e medito nas escrituras, num esforço de conhecer a vontade de Deus e compreender seus mandamentos a respeito de seus filhos? ¶
Sigo o conselho do profeta vivente de Deus, ou apenas escolho as coisas com as quais concordo, desconsiderando as demais? ¶
Busco o conselho e a orientação de meu bispo e de meu presidente de estaca em assuntos que me preocupam a mim e à minha família? ¶
Estou me esforçando seriamente para me disciplinar, colocando meus apetites físicos sob o domínio de minha vontade? ¶
Estou fazendo todo o esforço para me arrepender de erros passados ou presentes e corrigi-los, fazendo o que é certo? ¶
Tenho uma atitude de fé em Deus mesmo quando passo por provações, adversidades e aflições? E carrego meu fardo sem espírito de queixa? ¶
Guardar os mandamentos de Deus não é um fardo difícil quando o fazemos por amor a Ele, que tão graciosamente nos abençoou. O Salvador nos implorou: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. ¶
“Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:29–30.) ¶
Nossa disposição de cumprir os mandamentos de Deus é um testemunho de nossa fé nEle e de nosso amor por Ele. Uma disposição rebelde não pode herdar o reino celestial. ¶
Em Doutrina e Convênios aprendemos: ¶
“Mas eis que não aprenderam a ser obedientes às coisas que exigi de suas mãos, mas estão cheios de toda sorte de maldades e não repartem seu sustento com os pobres e aflitos dentre eles, como convém a santos; ¶
“E não estão unidos segundo a união exigida pela lei do reino celestial; ¶
“E Sião não pode ser edificada a não ser pelos princípios da lei do reino celestial; de outra forma, não posso recebê-la para mim mesmo. ¶
“E meu povo precisa ser corrigido até aprender obediência, ainda que seja pelas coisas que sofre.” (D&C 105:3–6.) ¶
Ao lermos as escrituras, ao atendermos ao conselho dos profetas de Deus e de outros líderes da Igreja divinamente chamados, ao disciplinarmos nossa vida e ao suportarmos nossos fardos com fé, nossa natureza se tornará refinada e aperfeiçoada. ¶
Que possamos guardar diante de nós esta sabedoria que fluiu da pena do Profeta Joseph Smith aos primeiros santos desta dispensação: ¶
“Na obediência há alegria e paz imaculadas, sem mescla; e, como Deus planejou nossa felicidade … Ele jamais instituirá uma ordenança nem dará um mandamento a seu povo que não seja calculado, por sua natureza, para promover essa felicidade que Ele planejou, e que não resultará na maior soma de bem e de glória para aqueles que se tornarem os recipientes de sua lei e de suas ordenanças.” (History of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 5:135.) ¶
“Quando o Senhor manda, faça-o” era uma regra na vida do primeiro profeta desta dispensação. Que essa seja o lema e a prática de cada um de nós, oro humildemente, ao passo que dou testemunho da verdade em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶