O Destino da América
Marion G. Romney
Meus amados irmãos e irmãs, convido-os a se unirem a mim em oração para que, enquanto eu falo, vocês e eu possamos desfrutar do Espírito. Hoje lhes darei uma lição que o Senhor se empenhou grandemente em nos trazer. ¶
Entre as perguntas frequentemente levantadas em relação ao nosso próximo bicentenário nacional está: "Poderemos manter nossas liberdades básicas, a paz e a prosperidade por mais 200 anos?" ¶
A resposta a essa pergunta é sim, se cada um de nós se arrepender e se conformar às leis do Deus desta terra, que é Jesus Cristo. ¶
Ele declarou os fundamentos de suas leis nos Dez Mandamentos, no Sermão da Montanha e nos dois grandes mandamentos: ¶
"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. … ¶
"E … amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22:37, 39.) ¶
Há milênios ele declarou: "Ninguém virá a esta terra [ele se referia à América] a menos que seja trazido pela mão do Senhor. ¶
"… esta terra é consagrada àqueles que ele trouxer. E se acontecer que o sirvam de acordo com os mandamentos que ele deu, será uma terra de liberdade para eles." (2 Néfi 1:6–7.) ¶
Outro profeta antigo disse: ¶
"Esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo." (Éter 2:12.) ¶
É meu propósito, ao fazer estas observações, mostrar, a partir do registro dos antigos habitantes da América, que os decretos citados se cumpriram. ¶
Na parte oeste do estado de Nova York, perto de Palmyra, há uma colina proeminente conhecida como "monte Cumora." (Mórmon 6:6.) No dia vinte e cinco de julho deste ano, ao ficar em pé no cume daquele monte, admirando com reverência o panorama de tirar o fôlego que se estendia diante de mim em todas as direções, minha mente voltou aos eventos ocorridos naquelas redondezas há cerca de vinte e cinco séculos — eventos que puseram fim à grande nação jaredita. ¶
Vocês que conhecem o Livro de Mórmon devem se lembrar de que, durante a campanha final da guerra fratricida entre os exércitos liderados por Siz e os liderados por Coriântumr, "quase dois milhões" do povo de Coriântumr haviam sido mortos pela espada; "dois milhões de homens fortes e também suas esposas e filhos." (Éter 15:2.) ¶
À medida que o conflito se intensificava, todo o povo que não havia sido morto — homens "com as esposas e filhos" (Éter 15:15) — reuniu-se junto àquele monte Cumora (vide Éter 15:11). ¶
"Os que eram a favor de Coriântumr se haviam unido ao exército de Coriântumr; e os que eram a favor de Siz se haviam unido ao exército de Siz. … ¶
"Tanto homens como mulheres e crianças, estando armados com armas de guerra … marcharam uns contra os outros para batalhar; e lutaram durante todo aquele dia e ninguém venceu. ¶
"E aconteceu que quando chegou a noite, estavam exaustos e retiraram-se para seus acampamentos; e … começaram a gemer e a lamentar a perda dos seus mortos." (Éter 15:13, 15–16.) ¶
Essa rotina se repetiu dia após dia, até que "todos tinham caído pela espada, exceto Coriântumr e Siz." O próprio Siz "desmaiara com a perda de sangue. ¶
"E aconteceu que Coriântumr, depois de apoiar-se sobre a espada [e] descansar um pouco, cortou a cabeça de Siz. ¶
"E aconteceu que depois de haver cortado a cabeça de Siz, Siz levantou-se sobre as mãos e caiu; e depois de haver feito um esforço para cobrar alento, morreu. ¶
"E aconteceu que Coriântumr caiu por terra e permaneceu como se estivesse morto." (Éter 15:29–32.) ¶
Assim pereceu, ao pé de Cumora, o remanescente da outrora poderosa nação jaredita, da qual o Senhor havia dito: "Não haverá … maior sobre toda a face da Terra." (Éter 1:43.) ¶
Ao contemplar essa cena trágica do cume de Cumora e observar a bela terra da Restauração como ela se apresenta hoje, clamei em minha alma: "Como isso pôde acontecer?" ¶
A resposta veio de imediato, ao lembrar-me de que, cerca de quinze a vinte séculos antes de sua destruição, quando o pequeno grupo de seus antepassados era divinamente conduzido desde a torre de Babel, o Senhor "quis que viessem até [esta] terra de promissão, que era escolhida acima de todas as outras terras, a qual o Senhor Deus preservara para um povo justo. ¶
"E em sua ira havia jurado ao irmão de Jarede [seu profeta-líder] que todos os que possuíssem esta terra … daquele tempo em diante e para sempre, deveriam servi-lo, o verdadeiro e único Deus, ou seriam varridos quando sobre eles caísse a plenitude de sua ira. ¶
"E agora podemos ver os decretos de Deus relativos a esta terra", escreveu o antigo profeta-historiador, "que é uma terra de promissão; e toda nação que a habitar deverá servir a Deus ou será varrida quando a plenitude de sua ira cair sobre ela. E a plenitude de sua ira cairá sobre ela quando houver amadurecido em iniquidade. ¶
"Porque eis que esta é uma terra escolhida acima de todas as outras terras; portanto, aquele que a possuir deverá servir a Deus ou será varrido; porque este é o eterno decreto de Deus." (Éter 2:7–10.) ¶
Em conformidade com esse decreto relativo à terra da América, os jareditas foram varridos da maneira que revisamos, porque, rebelando-se contra as leis de Jesus Cristo — o Deus da terra —, "amadureceram em iniquidade." ¶
Tampouco foram eles o único povo que, antigamente, foi divinamente conduzido a esta terra escolhida para crescer em retidão e tornar-se uma nação poderosa, para depois deteriorar-se na maldade até amadurecer em iniquidade e ser, em conformidade com o decreto de Deus, varrido. ¶
Enfatizo "divinamente conduzido" porque, como já indicado, o Senhor lhes disse que assim estavam sendo conduzidos, e "que ninguém virá a esta terra a menos que seja trazido pela mão do Senhor. ¶
"Portanto, esta terra é consagrada àqueles que ele trouxer. E se acontecer que o sirvam de acordo com os mandamentos que ele deu, será uma terra de liberdade para eles; portanto, jamais serão reduzidos à escravidão; se o forem, será por causa de iniquidade; porque se houver muita iniquidade, a terra será amaldiçoada por causa deles; mas para os justos será abençoada para sempre." (2 Néfi 1:6–7.) ¶
Essa segunda civilização a que me refiro, os nefitas, floresceu na América entre 600 a.C. e 400 d.C. Sua civilização chegou ao fim pela mesma razão, no mesmo lugar e da mesma maneira que a dos jareditas. Do relato de sua luta de morte, cito: ¶
"E agora", diz Mórmon, seu historiador, "termino meu relato concernente à destruição de meu povo, os nefitas. E aconteceu que marchamos adiante dos lamanitas … para a terra de Cumora. … E quando … reunimos todos os remanescentes de nosso povo na terra de Cumora, … meu povo, com suas esposas e seus filhos, … viu os exércitos dos lamanitas marchando em sua direção; e com aquele horrível temor da morte que enche o peito de todos os iníquos, esperaram para recebê-los. ¶
"E aconteceu que caíram sobre meu povo com espadas e com arcos e com flechas e com machados e com toda sorte de armas de guerra. ¶
"E aconteceu que meus homens foram abatidos, sim, os dez mil que estavam comigo, e eu caí ferido no meio deles; e eles passaram por mim sem pôr fim a minha vida. ¶
"E depois de haverem passado e abatido todo o meu povo, com exceção de vinte e quatro de nós (entre os quais estava meu filho Morôni), e tendo nós sobrevivido aos nossos mortos, vimos, na manhã seguinte, … do topo do monte Cumora, [230.000] de meu povo que haviam sido abatidos, … ¶
"Sim, todo o meu povo, com exceção daqueles vinte e quatro que estavam comigo, e também uns poucos que haviam escapado para os países do sul, e alguns que haviam se passado para o lado dos lamanitas, tinha caído. … ¶
"E minha alma estava despedaçada de angústia, … e clamei: ¶
"Ó vós, formosos, como pudestes vos apartar dos caminhos do Senhor! … Como pudestes rejeitar aquele Jesus que estava de braços abertos para vos receber! ¶
"Eis que, se não tivésseis feito isto, não teríeis caído. … ¶
"Ó vós, belos filhos e filhas, vós, pais e mães, vós, maridos e mulheres, … como pudestes cair! … ¶
"Oh! Se vos tivésseis arrependido antes que esta grande destruição vos sobreviesse." (Mórmon 6:1, 4, 5, 7, 9–11, 15–19, 22.) ¶
Morôni, pouco depois, escreveu: ¶
"Eis que eu, Morôni, termino o registro de meu pai, Mórmon. … ¶
"… depois da grande e terrível batalha em Cumora, … os nefitas que haviam escapado para o país do sul foram perseguidos pelos lamanitas até serem todos destruídos. ¶
"E meu pai também foi morto por eles, e eu fiquei sozinho para escrever a triste história da destruição de meu povo." (Mórmon 8:1–3.) ¶
O destino trágico das civilizações jaredita e nefita é prova irrefutável de que o Senhor falava sério quando disse que esta "é uma terra de promissão; e toda nação que a habitar deverá servir a Deus ou será varrida quando a plenitude de sua ira cair sobre ela. E a plenitude de sua ira cairá sobre ela quando houver amadurecido em iniquidade." (Éter 2:9.) ¶
Essas informações, escreveu Morôni, dirigindo-se a nós, que hoje ocupamos esta terra, "chegam a vós, ó gentios" (o termo gentios é o que os profetas do Livro de Mórmon usam para se referir aos atuais habitantes da América e aos povos do velho mundo de onde vieram), "[isto] chega a vós, ó gentios, para que conheçais os decretos de Deus — para que vos arrependais e não continueis em vossas iniquidades até que venha a plenitude, para que não chameis a plenitude da ira de Deus sobre vós, como os habitantes da terra têm feito até agora. ¶
"Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo." (Éter 2:11–12.) ¶
Em 1492, em harmonia com a declaração do Senhor já citada, "que ninguém virá a esta terra a menos que seja trazido pela mão do Senhor" (2 Néfi 1:6), Colombo foi divinamente conduzido à América. ¶
Há muito tempo, entre 590 e 600 anos a.C., Néfi, contemplando em visão o curso do tempo, "viu entre os gentios [isto é, entre as nações da Europa] um homem que estava separado [desta terra prometida] pelas muitas águas; e vi", disse ele, "que o Espírito de Deus desceu e inspirou aquele homem; e ele foi pelas muitas águas, até … a terra da promissão. ¶
"E aconteceu que vi o Espírito de Deus inspirar outros gentios; e eles saíram … pelas muitas águas. ¶
"E aconteceu que vi muitas multidões de gentios na terra da promissão." (1 Néfi 13:12–14.) ¶
O próprio Colombo corroborou o fato de que fora divinamente conduzido a esta terra. ¶
"Na presença real de Isabel, Irving [seu biógrafo] diz: 'Ele expôs seus planos com eloquência e zelo, pois sentia-se, como depois declarou, inflamado como que por um fogo vindo do alto, e considerava-se o agente escolhido do céu para realizar o grande desígnio. … ¶
"Seu filho Fernando, na biografia de seu pai, cita-o dizendo em certa ocasião: 'Deus me deu a fé e, depois, a coragem, de modo que fiquei plenamente disposto a empreender a viagem.' ¶
"E o testamento de Colombo diz: ¶
"'Em nome da … santíssima trindade, que me inspirou a ideia e depois me deixou perfeitamente claro que eu poderia navegar e ir às Índias partindo da Espanha, atravessando o oceano rumo ao ocidente.'" (Nephi Lowell Morris, Prophecies of Joseph Smith and Their Fulfillment, Deseret Book, 1945, pp. 289, 294–95; itálico acrescentado.) ¶
Porque Colombo foi conduzido, estamos aqui nesta terra escolhida. ¶
Deus nos deu a vitória na Guerra da Independência. Somos-lhe devedores pela independência de nossa nação. Ele nos tem prosperado em todo empreendimento justo. Ele estabeleceu a Constituição dos Estados Unidos "pelas mãos de homens prudentes que [ele] levantou para esse mesmo propósito." (D&C 101:80.) ¶
Ele próprio, com seu Filho Amado, apareceu ao Profeta Joseph Smith para abrir uma nova dispensação do evangelho de Jesus Cristo aqui nesta terra. Ele estabeleceu aqui sua Igreja e tem enviado, e continua a enviar, representantes dela a cada canto e recanto desta terra — e, tanto quanto possível, a toda a Terra — para declarar e ensinar as leis de Jesus Cristo, o Deus desta terra. ¶
Ele revelou de novo e repetiu, vezes sem conta, o antigo decreto: "Esta é uma terra escolhida acima de todas as outras terras; portanto, aquele que a possuir deverá servir a Deus ou será varrido; porque este é o eterno decreto de Deus" a respeito desta terra. (Éter 2:10.) ¶
Esse conhecimento nos foi revelado para que "possamos conhecer os decretos de Deus — para que [nós] possamos nos arrepender e não continuar em [nossas] iniquidades até que venha a plenitude, para que não chamemos a plenitude da ira de Deus sobre [nós], como os habitantes da terra têm feito até agora." (Éter 2:11.) ¶
Vivemos na dispensação da plenitude dos tempos, a qual culminará com a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo. Sobre a aproximação desse evento, e sobre o que está reservado para os habitantes da Terra entre agora e então, o Senhor disse há 144 anos: ¶
"A ira de Deus se derramará sem medida sobre os iníquos. … ¶
"Portanto, a voz do Senhor chega aos confins da Terra, para que ouçam os que quiserem ouvir." ¶
E esta é sua mensagem: "Preparai-vos, preparai-vos para o que está para vir, porque o Senhor está perto; ¶
"E a ira do Senhor está acesa e sua espada está lavada nos céus e cairá sobre os habitantes da Terra. … ¶
"Ainda não é chegada a hora, mas está perto, em que a paz será tirada da Terra e o diabo terá poder sobre seu próprio domínio. ¶
"E também o Senhor terá poder sobre seus santos e reinará em seu meio e descerá para julgar … o mundo." (D&C 1:9, 11–13, 35–36.) ¶
Agora, meus amados irmãos e irmãs em toda parte, tanto membros da Igreja quanto não membros, presto-lhes meu testemunho pessoal de que sei que as coisas que lhes apresentei hoje são verdadeiras — tanto as que dizem respeito a eventos passados quanto as que dizem respeito a eventos ainda por vir. A questão que enfrentamos é clara e bem definida. A escolha é nossa. A pergunta é: Iremos nós, desta dispensação, arrepender-nos e obedecer às leis do Deus desta terra, que é Jesus Cristo, ou continuaremos a desafiá-las até amadurecermos em iniquidade? ¶
Que nos arrependamos e obedeçamos e, assim, nos qualifiquemos para receber as bênçãos prometidas aos justos nesta terra, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo, nosso Redentor. Amém. ¶