Você Também Deve Saber
Marion D. Hanks
Já dissemos muitas vezes que acreditamos que os jovens aprendem mais com nossa conduta, como pais e adultos, do que com as lições que deliberadamente nos propomos a ensinar-lhes. Eles adquirem a qualidade da integridade não tanto por meio de declarações, mas por observar e conviver com pessoas nas quais a integridade é a norma estabelecida. Os jovens tendem a imitar o que realmente somos, não o que dizemos ser, nem mesmo o que acreditamos ser. Nenhuma lição é mais importante do que o exemplo de uma vida de integridade, de honestidade sólida, de cidadania responsável. ¶
Mas isso não põe em dúvida a importância vital do privilégio que temos, como pais e adultos, de compartilhar nosso conhecimento e entendimento, nossas convicções mais profundas, com nossos filhos e com outros da geração jovem, nem nos exime da obrigação sagrada de fazê-lo. As lições que aprendemos aos pés de nossa mãe permanecem claras e caras a nós. O entendimento obtido do conselho de nosso pai penetra profundamente na alma. ¶
Temos a responsabilidade de não negar a nossos filhos, seja qual for a razão, a chance de aprenderem conosco os princípios que formam o alicerce de tudo o que há de bom em nós. ¶
Aqueles que conhecem bem as escrituras sabem que muitos dos ensinamentos mais poderosos e pessoalmente proveitosos dos registros sagrados são de pais para seus próprios filhos, muitas vezes de pai para filho. ¶
Tem sido especialmente vital para mim, já que não tive a bênção de conhecer meu próprio pai antes de ele morrer quando eu ainda era criança, descobrir o que era que os pais, os pais especialmente, ansiavam que seus filhos aprendessem, sentir a intensidade profunda de seu desejo de dar a conhecer, em pensamento e sentimento, a seus próprios filhos aquilo que se tornara tão sumamente importante para eles. ¶
Um exemplo poderoso e motivador das instruções de um pai a seus filhos é a série de capítulos em que Alma compartilha com seus filhos as mais profundas lições de sua própria vida. De suas experiências, boas e más (pois teve ambas, como todos nós), havia certas convicções cruciais que ele ansiava ensinar. A respeito de três dessas questões, esse homem humilde fala num testemunho forte e terno a seu filho Helamã (Alma 36), e repete o testemunho a seus outros filhos. ¶
"Meu filho", disse ele, "eis que estás na juventude; peço-te, portanto, que ouças as minhas palavras e aprendas de mim; porque sei que aqueles que confiarem em Deus serão auxiliados em suas tribulações e em suas dificuldades e em suas aflições; e serão elevados no último dia. ¶
"E eu não quero que penses que sei por mim mesmo — não pelo que é físico, mas pelo espiritual; não pela mente carnal, mas por Deus." (Alma 36:3–4.) ¶
"… [pois] é o Espírito de Deus que está em mim que me dá a conhecer estas coisas; pois se eu não tivesse nascido de Deus, não saberia estas coisas. ¶
"… e nunca, até que clamei ao Senhor Jesus Cristo por misericórdia, obtive a remissão de meus pecados. Mas … clamei a ele e achei paz para minha alma." (Alma 38:6–8.) ¶
"E fui amparado em provações e dificuldades de toda espécie, sim, em todo tipo de aflições; … e ponho minha confiança nele e ele ainda me libertará." (Alma 36:27.) ¶
"E agora, meu filho, disse-te isto para que adquiras sabedoria, para que aprendas de mim que não há outro caminho ou meio pelo qual o homem possa ser salvo, a não ser em Cristo e por intermédio dele. Eis que ele é a vida e a luz do mundo. Eis que ele é a palavra da verdade e da retidão." (Alma 38:9.) ¶
Esse foi o primeiro grande testemunho desse pai a seus filhos: que ele sabia, da única maneira pela qual os homens podem saber — isto é, por meio do Espírito — que Deus vive, que Jesus é o Cristo, e que por intermédio dele o penitente pode nascer de novo. ¶
Há uma segunda questão sobre a qual Alma testificou a seu filho — que, desde o momento de seu próprio testemunho do Senhor, ele disse: "tenho trabalhado sem cessar para conseguir trazer almas ao arrependimento; para fazer com que elas experimentem a intensa alegria que eu experimentei; para que também nasçam de Deus e encham-se do Espírito Santo. ¶
"… meu filho, o Senhor me concede imensa alegria com o fruto de meus labores; ¶
"Pois por causa da palavra que ele me transmitiu … muitos nasceram de Deus e experimentaram, como eu experimentei, e viram olho a olho, como eu vi; portanto, conhecem, como eu conheço, as coisas sobre as quais falei; e o conhecimento que possuo é de Deus." (Alma 36:24–26.) ¶
Porque ele sabia, muitos outros haviam recebido a mesma bênção. Ele se tornara um instrumento disposto e eficaz nas mãos de Deus para levar outros ao conhecimento da verdade. ¶
Mas isso não bastava para Alma, assim como não basta para nenhum homem que tenha um testemunho pelo Espírito e ame alguém profundamente. Assim, ele tinha uma terceira mensagem vital a transmitir: ¶
"Mas eis que isto não é tudo, meu filho; pois deves saber, assim como eu sei." (Alma 36:30.) ¶
Claro que sim! Não basta a nenhum pai amoroso ter ele mesmo o testemunho, nem basta ter ajudado outros a obter o conhecimento dos verdadeiros princípios. Ele não pode estar verdadeiramente contente a menos que aqueles a quem mais ama também saibam. É assim com todo pai verdadeiro, como foi com Israel de outrora: ¶
"E eu, se for desfilhado, desfilhado ficarei." (Gênesis 43:14.) E com Judá: ¶
"Porque como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo?" (Gênesis 44:34.) ¶
Essas, então, eram as questões vitais que Alma precisava ter certeza de que seus filhos compreendiam. Ele lhes ensinou muitas verdades relacionadas, muitos princípios maravilhosos, mas nenhum mais importante: Ele sabia! Pela graça e misericórdia de Deus, ele sabia! ¶
Por meio dele, outros haviam sido ensinados. Mas isso não bastava; seu filho também precisava saber! Esse mesmo testemunho presto hoje a meu próprio filho e minhas filhas. Sei que Deus vive e que Jesus é o Cristo. Porque eu sei, outros tiveram a oportunidade de aprender. ¶
Mas isso não basta, meus filhos; vocês precisam saber por si mesmos. ¶
E há algo mais que eu gostaria de acrescentar que vocês precisam saber. Alma compreendia, de maneira especial e pessoal, a maravilhosa bênção do perdão de Deus. Está registrado que, em sua juventude, havia na terra um clima de incredulidade e trevas espirituais: "Muitos da nova geração … não acreditavam na tradição de seus pais. ¶
"Não acreditavam no que fora dito sobre a ressurreição dos mortos nem acreditavam no que se referia à vinda de Cristo. ¶
"Ora, por causa de sua incredulidade, não podiam compreender a palavra de Deus; e seu coração estava endurecido. ¶
"… não queriam ser batizados; nem desejavam unir-se à igreja … [nem] invocar o Senhor seu Deus." (Mosias 26:1–4.) ¶
Alma, filho de um profeta, e seus amigos, filhos de um rei justo, participaram do espírito de rebelião e usaram seus dons e talentos especiais para destruir a fé. "[Ele e eles] tornaram-se um grande obstáculo à prosperidade da Igreja de Deus; atraindo o coração do povo; causando muita dissensão … dando oportunidade ao inimigo de Deus de exercer seu poder sobre eles." (Mosias 27:9.) ¶
Com o tempo, experimentaram o sofrimento e a tristeza que inevitavelmente seguem tal caminho. Pela misericórdia de Deus e por causa do jejum e das orações de seus pais, dos líderes do sacerdócio e do povo, e depois de um árduo arrependimento que envolveu tormento e dor tão intensos que quase os destruíram, eles também aprenderam a bênção do arrependimento e do perdão, e o poder curador da fé. Eles mudaram de vida, foram perdoados, e a partir de então dedicaram plena energia para tentar corrigir seus erros fazendo o bem. ¶
Há uma descrição maravilhosa, no registro, do processo pelo qual esses antigos companheiros do caminho errado se haviam tornado "fortalecidos no conhecimento da verdade; porque eram homens de grande entendimento e haviam examinado diligentemente as escrituras para conhecerem a palavra de Deus. ¶
"Isto, porém, não é tudo; haviam-se devotado a muita oração e jejum; por isso tinham o espírito de profecia e o espírito de revelação; e quando ensinavam, faziam-no com poder e autoridade de Deus." (Alma 17:2–3.) ¶
E que cada um de nós se lembre de que, entre nossos próximos, estão os de nossa própria casa, que precisam saber por si mesmos. ¶
O pai de Alma tinha um testemunho, mas isso não foi suficiente para Alma. ¶
O pai de Enos sabia e o ensinou, mas somente quando a "alma [de Enos] teve fome" e ele clamou a seu Criador em poderosa oração e súplica é que obteve o testemunho. ¶
A síntese deste testemunho a você, vindo do passado e de seu pai, meu filho, é esta: sei que Deus vive e que somos seus filhos. Você e eu somos contemporâneos no sentido eterno. Compreendo e sei que nosso Pai Celestial se compraz em exercer bondade amorosa, juízo e retidão na terra, e que sustentará seus filhos em suas alegrias e em suas aflições. Porque esse conhecimento me veio de Deus por meio do Espírito, outros também sabem e provaram da doçura e alegria desse conhecimento. ¶
Mas você também precisa saber. ¶
Sabendo, você será um homem melhor do que seria de outra forma, um homem melhor do que seu pai. Você será, como escreveu alguém há 600 anos, mais preocupado em possuir verdadeira humildade e viver uma vida virtuosa, agradando assim a seu Pai Celestial, do que em discorrer profundamente sobre ele. Você preferirá "sentir a contrição a saber defini-la". (Tomás de Kempis, A Imitação de Cristo, Milwaukee: Bruce Publishing Co., 1940, p. 2.) ¶
Que Deus os abençoe, a vocês e a todos os filhos e filhas em toda parte, para que cada um busque moldar uma vida de serviço e devoção sagrada, dê amor genuíno e escolha aquele caminho de discipulado que talvez exija ainda tudo o que temos a dar. Que sua vida seja enriquecida pela experiência pessoal com aquele amor de Deus que se manifesta por meio de Jesus Cristo, e do qual nada além de vocês mesmos pode separá-los. Que Deus os abençoe para que estejam ativamente engajados numa boa obra, mas não se contentem em deixar que a luz do evangelho fique escondida sob um alqueire de atividades destinadas a mantê-los inofensivamente ocupados, mas que encontrem e se alimentem do pão da vida e o compartilhem. ¶
Testifico que Deus vive, e que Jesus é o Cristo, e que esta é a obra dele. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶