Fazendo das Conferências Pontos de Mudança em Nossa Vida
J. Thomas Fyans
Meus amados irmãos e irmãs, o espírito da conferência está sobre nós. Com vocês, agradeço a nosso Pai Celestial por ele e por um profeta que nos lidera e por seus inspirados cooperadores, que nos têm edificado nesta sessão e nas sessões anteriores. E eu, com vocês, oro fervorosamente para que esta conferência seja tanto um marco para a Igreja quanto um ponto de mudança em nossa própria vida. ¶
Durante os últimos quatro anos, um grande e maravilhoso milagre tem ocorrido na Igreja, sob a forma de conferências gerais de área — em Manchester, Inglaterra, em 1971; na Cidade do México, em 1972; em Munique, Alemanha, em 1973; e, há apenas algumas semanas, a conferência em Estocolmo, Suécia. Talvez vocês já tenham ouvido que a Primeira Presidência convocou quatro conferências gerais de área para o próximo ano — em São Paulo, Brasil; em Buenos Aires, Argentina; em Tóquio, Japão; e em Seul, Coreia — uma quadruplicação do esforço em 1975. E estamos aprendendo que isso é característico da administração do Presidente Spencer W. Kimball. ¶
Ao observar o desenrolar dessas conferências de área, tem sido evidente como o Espírito do Senhor tem sido derramado sobre os santos nas várias nações do mundo. As tarefas de preparação para essas conferências são levadas a cabo pela liderança local da Igreja — a aquisição e preparação das instalações e do equipamento, as comunicações e relações com a mídia, o transporte para as conferências e de volta, a hospedagem, a alimentação, a música, os programas culturais. E posso dizer-lhes que, depois de quatro anos de íntima convivência com esses santos, o Senhor tem inspirado líderes em todo o mundo. ¶
Os santos que compareceram às conferências de área têm feito declarações como estas: "Eu não sabia que nosso povo era capaz de fazer coisas assim. Temos mais liderança do que imaginamos." Outra: "Tudo é mais do que qualquer um de nós poderia ter imaginado — tão bem organizado, tão bem planejado. E pensar que fomos nós mesmos que fizemos isso!" E outra ainda: "Estas semanas de preparação têm sido as maiores semanas de minha vida como membro da Igreja. Eu não sabia que tínhamos tanto talento, tamanha capacidade." ¶
Tenho conhecido o amor desses santos pelo Senhor. Tenho visto seu grande desejo de comparecer a essas conferências. Lembro-me dos dez santos de Tijuana, no México, que, depois de quatro meses trabalhando e economizando, finalmente conseguiram dinheiro suficiente para comprar suas passagens para a viagem de ônibus de 48 horas até a Cidade do México. Quando lhes disseram que não havia assentos disponíveis para a longa viagem, responderam: "Não importa. Ficaremos felizes em viajar de pé no corredor, pela oportunidade de ouvir o profeta." Como seria de se esperar, no espírito do evangelho, todos no ônibus se revezaram nos assentos, para que todos pudessem sentar-se durante parte do trajeto. ¶
Lembro-me de outros santos mexicanos que, porque as enchentes haviam destruído suas colheitas, temiam não poder comparecer à conferência, mas que, depois de jejuar e orar, venderam alguns de seus bens e reuniram seu dinheiro para o transporte. Para muitos, não sobrou dinheiro para comida, mas isso não importava. Decidiram que poderiam jejuar durante os três ou quatro dias da conferência. Como seria de se esperar, outros santos cheios de amor encheram-lhes os pratos, assim como o Senhor havia enchido suas almas. ¶
A resposta dos santos na Escandinávia e na Finlândia é típica. Disse um de seus líderes: "Tenho ouvido muitos de nosso povo dizer: 'Quero estar espiritualmente pronto para receber a mensagem do profeta.'" Eles transformaram seus desejos em ação. Uma medida disso foi a frequência ao templo antes da conferência. Em muitas áreas, dobrou o número total daqueles que economizaram e oraram para poder viajar de suas terras natais no norte, através da Europa, até o templo na Suíça, a fim de renovar seus convênios com o Senhor. ¶
Na Itália vive um irmão Luigi Pittino que, com outros santos europeus, compareceu à conferência de Munique. Durante 17 anos, o irmão Pittino se reunira aos domingos com um ou dois outros santos. Faziam uma oração inicial, liam e discutiam as escrituras, e participavam do sacramento. Nestes últimos anos, todos eles estavam na casa dos 70 e 80 anos. Havia solidão e um sentimento de isolamento. Imaginem a emoção do irmão Pittino ao sentar-se com outros 14.000 santos na conferência de Munique! ¶
Depois da conferência de Manchester, um santo britânico disse: "Quando vi outros 2.000 homens britânicos na reunião do sacerdócio, todos possuindo o mesmo santo sacerdócio que eu possuo, não posso explicar-lhes o que isso significou para mim." Disse outro: "Viemos juntos porque queremos vir a Ele." ¶
Tenho conhecido o grande amor do Senhor pelos santos. Há inúmeros testemunhos, histórias de sua bondade para com eles, de milagres que têm ocorrido à medida que os santos têm dado tudo de si a serviço do Senhor. Há histórias de orações respondidas, de curas, de corações transformados, de portas abertas, e de doação de tempo, talento, dinheiro e do próprio eu. ¶
Na conferência de Munique, o Presidente Harold B. Lee parafraseou as palavras do apóstolo Paulo ao dizer: "Não somos ingleses, nem alemães, nem franceses, nem holandeses, nem espanhóis, nem italianos, mas somos todos um, como membros batizados de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias." (Conference Report, ago. de 1973, p. 5.) ¶
Na conferência de Estocolmo, lembro-me dos dinamarqueses, dos suecos e dos finlandeses cantando, junto com os noruegueses, um grande hino norueguês, "Descoberta", de Edvard Grieg. O comentário do regente foi muito esclarecedor. Ele disse: "Às vezes temos ciúmes nacionais, mesmo na Igreja. Mas este canto nos uniu. Existe agora um verdadeiro espírito de unidade, um espírito de saber que podemos trabalhar juntos e realizar tudo o que quisermos." Esse espírito de unidade tomou conta de todos os presentes naquela noite. Milhares se levantaram numa ovação de pé para o coro de mais de 300 vozes, formado por quatro nações. ¶
Mas, acima de tudo, irmãos e irmãs, através dessas conferências aprendi que somos sempre guiados por um profeta de Deus. Quem, na conferência de Estocolmo, jamais esquecerá o conselho e o desafio do Presidente Spencer W. Kimball? Ele disse: "A partir de hoje, temos uma nova ordem de coisas nestas terras." Presidente Kimball, as coisas são diferentes agora do que eram antes. Recebemos relatórios de que a frequência às reuniões sacramentais aumentou tremendamente. As raízes espirituais agora estão profundas em solo acolhedor. ¶
E assim chegamos agora a esta conferência, irmãos e irmãs. O que queremos realizar em decorrência dela? Queremos que ela afete nossa vida? Que melhore nossas famílias? Que mude nossas alas e nossos ramos? ¶
A pergunta é: Queremos realmente uma "nova ordem de coisas" em nossa vida? Se assim for, é por isso que nos reunimos nesta conferência — para começar uma "nova ordem de coisas" para cada um de nós. ¶
Como poderíamos fazer isso? Poderíamos sugerir uma maneira? A três mil milhas deste púlpito vive uma família que, mais uma vez, fará algo muito especial depois desta conferência. Quando a revista Ensign chegar com os discursos da conferência à casa deles, a família lerá imediatamente as mensagens, com os filhos mais velhos relatando sobre discursos selecionados. ¶
Mas eles farão mais do que ler. Em noites familiares, escolherão metas familiares e pessoais baseadas nas mensagens da conferência. Suas metas são práticas: "Lembrar da vovó em nossas orações diárias, decorar um hino da Igreja, revisar nossa preparação familiar, fazer a obra do Senhor à maneira dEle — não à nossa, trazer um não membro à igreja." Discutirão suas metas, orarão a respeito delas e as revisarão com frequência. Há alguma dúvida quanto ao motivo de o pai dizer: "Nossa família considera a conferência geral como a lista do Senhor das coisas em que devemos nos concentrar. Ela tem significado mais para nós e para nossos filhos do que as palavras podem exprimir." ¶
Irmãos e irmãs, quanto irão significar para nós as instruções desta conferência? Quanto significarão para nós como pais? Como oficiais e professores? Como mestres familiares e instrutoras visitantes? ¶
Pelas minhas experiências com as conferências, testifico que aquilo que é dito sob a influência do Espírito Santo é "escritura" e, como o Senhor disse, "será a vontade do Senhor, será a mente do Senhor, será a palavra do Senhor, será a voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação." (D&C 68:4.) ¶
Para que possamos escolher, nesta conferência, metas que tragam salvação a nós e a nossas famílias, a nossos vizinhos, a nossas alas e ramos, oro fervorosamente e presto-lhes meu testemunho de que, com cada fibra do meu ser, sei que Deus vive. Sei que Jesus é nosso Salvador. Sei, por experiências muito pessoais e maravilhosas, que o Presidente Spencer W. Kimball é um profeta de Deus, e esse testemunho presto a vocês em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶