Inércia
William H. Bennett
Meus amados irmãos e irmãs, existe uma propriedade da matéria, universalmente manifestada nos céus e na Terra, pela qual as coisas e os indivíduos permanecem em repouso, ou em movimento uniforme, a menos que sejam impelidos por alguma força que altere seu curso. Chamamos essa propriedade da matéria de inércia. A inércia se evidencia de várias formas: nas coisas com que e por meio das quais trabalhamos; em nossa vida pessoal e em nossos lares; em nossos relacionamentos com nossos semelhantes e com nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo; e na maneira como honramos ou magnificamos — ou deixamos de honrar ou magnificar — o sacerdócio e os ofícios e chamados que exercemos na Igreja. ¶
A inércia pode agir contra nós ou a nosso favor, dependendo de nosso ponto de partida e de nossa atitude. Ela age contra nós se estivermos em repouso e satisfeitos em permanecer assim, em vez de entrarmos em ação. A procrastinação, que é o hábito de adiar, intencional e habitualmente, aquilo que deveria ser feito em tempo oportuno, não apenas desperdiça tempo, mas deixa nossa vida vazia, incompleta e infeliz. A inércia age a nosso favor se estivermos em ação, avançando e progredindo de maneiras significativas rumo a objetivos de suma importância, baseados numa compreensão clara de quem somos, de onde viemos, por que estamos aqui e para onde vamos. ¶
Ao pensarmos nessas coisas, talvez seja bom lembrarmo-nos de que, não importa quem sejamos, passamos pela vida apenas uma vez, e qualquer registro que deixemos é feito para sempre. O tempo continua a passar. Vivemos nossa vida, é claro, no presente — um momento de cada vez. Mas a cada segundo que passa, o presente se torna passado, e o passado não pode ser mudado. Também é verdade, porém, que a cada segundo que passa, uma parte do futuro se torna presente. Assim, a chave para uma vida bem-sucedida e feliz é esforçar-se diligentemente, sempre, para aproveitar ao máximo o presente — para aproveitar ao máximo cada momento à medida que ele chega. Se conseguirmos praticar a autodisciplina necessária para isso, nosso passado poderá se tornar glorioso de se contemplar, e nosso futuro estará assegurado. ¶
A maior perda de poder que existe é a que resulta do fracasso dos indivíduos em atingir seu potencial. Há muitas razões para isso. Mas, se as reduzirmos a alguns denominadores comuns, podemos dizer que algumas das mais importantes são: a falta de um planejamento adequado e realista; a falta de desejo, compromisso e dedicação; a falha em usar o tempo com eficácia; e a falha em corrigir os próprios erros. Pensemos por um momento nas 26 letras do alfabeto inglês. Podemos repeti-las de frente para trás ou de trás para frente, mas, ao fazê-lo, elas têm pouco significado, porque não foram organizadas com propósito e direção. Mas, quando lhes é dada uma direção propositada, o resultado final é grande poesia, prosa, canções emocionantes, hinos sagrados, escrituras, escritos científicos, e assim por diante. Tais resultados não surgem sem esforço. Conta-se que Ernest Hemingway, autor de grande sucesso, disse ter sido necessário reescrever os capítulos iniciais de seus livros de 45 a 50 vezes antes de considerá-los prontos para o público. Ao empenhar esse tipo de esforço, ele conseguiu produzir o que muitas pessoas consideram uma leitura fácil. ¶
Assim como no uso das letras do alfabeto na escrita, também é assim ao organizarmos as coisas em nossa vida: a ação é de suma importância, mas a ação por si só não basta. Precisamos do tipo certo de ação, uma ação com propósito — as coisas que fazemos devem se somar de maneiras significativas e contribuir para uma vida rica e cheia de propósito aqui, e trazer alegria eterna no futuro. O tipo errado de ação pode destruir. ¶
Muitos poetas, filósofos e outros já escreveram sobre esses temas de maneiras significativas, mas hoje eu gostaria de destacar algumas das palavras inspiradas de nosso amado Richard L. Evans, proferidas em suas apresentações de "Sunday Morning from Temple Square" [Domingo de Manhã na Temple Square]: ¶
"O passado tem seu lugar e é valioso pelas lições aprendidas. O presente também tem seu lugar, e aquilo que não podemos mudar não deve, desnecessariamente, nos impedir de olhar e seguir em frente. Nada que se tenha perdido ou deixado para trás deve nos impedir de agora nos tornarmos o que podemos nos tornar, de aprendermos o que agora podemos aprender. ¶
"Há novas decisões a cada dia, a cada hora, e razões para melhorar e para nos arrependermos. Sejamos o que formos, onde quer que tenhamos estado, a cada dia temos alguma oportunidade de determinar nosso rumo. … ¶
"Seja qual for o passado, seu significado, sua duração, suas perdas, ou suas lições aprendidas ou não aprendidas, seguimos adiante de onde estamos — onde quer que seja — e nos tornamos o que podemos nos tornar; com trabalho, arrependimento, aperfeiçoamento; com fé no futuro." (Richard L. Evans, Jr., Richard L. Evans—The Man and the Message, Bookcraft, Inc., 1973, pp. 124–25.) ¶
"Algumas coisas herdamos. Algumas coisas nos são transmitidas por outros. Mas isso não faz de nós algo que não somos. Podemos apreciar os talentos alheios, mas isso não desenvolve os nossos. Não nos tornamos repentinamente aquilo em cuja formação não cooperamos. Não aprendemos bem aquilo que não estamos dispostos a aprender. ¶
"Na indiferença, algumas coisas podem permanecer em nossa mente, algumas coisas podem se apegar a nós. Mas, de modo geral, o que somos, o que fazemos, o que nos tornamos é porque estivemos dispostos a investir naquilo que queremos obter. ¶
"No fundo, sempre fomos o que éramos. E o que seremos é o que somos, mais aquilo que a isso acrescentarmos — sempre e para sempre. E não haveria momento melhor do que agora para decidir aprender, fazer, desenvolver-nos, trabalhar, melhorar, produzir, aumentar nossa competência, estender-nos em serviço. ¶
"'O dia mais sombrio da vida', disse Allen Shawn, 'é aquele em que esperamos obter algo sem nada dar em troca.' 'Nada vem do nada. Nada jamais poderia.'" (The Man and the Message, pp. 101–102.) ¶
Meus irmãos e irmãs, se quisermos aproveitar ao máximo nossa vida, precisamos ter o desejo de fazê-lo e precisamos nos empenhar nisso. Precisamos reconhecer que somos filhos espirituais de nosso Pai Celestial, que estamos aqui na Terra para sermos provados e para nos provarmos. Precisamos atentar ao conselho dado no Novo Testamento, em Tiago, capítulo um, versículos 22 a 24, como segue: ¶
"Mas sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. ¶
"Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; ¶
"Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era." ¶
Um dos grandes desafios que enfrentamos hoje na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é que temos portadores do sacerdócio demais que estão em repouso. Por serem assim, muitas vezes suas esposas e filhos não são tão ativos na Igreja quanto poderiam e deveriam ser. Convoco todos vocês que se encontram nessa situação a despertar, levantar-se e avançar, para que as bênçãos do evangelho de Jesus Cristo possam ser vivenciadas em sua vida pessoal e na vida de seus entes queridos. Não se contentem apenas em passar pela vida cumprindo seu tempo. Resolvam aproveitar ao máximo sua vida, viver o evangelho, guardar os mandamentos e dar o exemplo adequado diante de seus entes queridos e de todos com quem tiverem contato. Não se prejudiquem, nem prejudiquem os outros, sendo condescendentes demais consigo mesmos. Há demasiado em jogo para que se leve esse assunto de ânimo leve. Aqueles de nós que têm responsabilidades de liderança na edificação do reino e na salvação das almas dos filhos de nosso Pai — que é o principal objetivo de tudo o que fazemos na Igreja — devem ser imaginativos e engenhosos ao buscar formas e meios de alcançar a mente e o coração daqueles por quem somos responsáveis, e de envolvê-los de maneiras significativas. A chave para a atividade é o envolvimento significativo. É verdade que aprendemos a fazer, fazendo. Seamann A. Knapp, considerado o pai do método demonstrativo de ensino, disse certa vez que um homem pode duvidar do que ouve, e possivelmente do que vê, mas não pode duvidar do que ele mesmo faz. Como isso é verdadeiro. ¶
Em conclusão, permitam-me sugerir que cada um de nós realize periodicamente uma entrevista pessoal consigo mesmo, para ver como estamos indo. Para que isso seja o mais significativo possível, precisamos ter metas desafiadoras que nos exijam esforço para alcançá-las. Sejamos verdadeiramente objetivos conosco mesmos ao realizarmos essas entrevistas pessoais. Um dos melhores planejamentos e supervisões de que qualquer um de nós pode participar é o planejamento e a supervisão que fazemos de nós mesmos, ao tomarmos medidas concretas para traçar um rumo significativo na vida, estabelecendo metas e métodos para alcançá-las e depois avaliando nosso progresso. Ao fazê-lo, devemos deixar que o evangelho de Jesus Cristo seja nosso guia, e usar os parâmetros que o próprio Senhor e Seus profetas — inclusive nossos profetas viventes de hoje — nos deram para nossa orientação. ¶
Meus irmãos e irmãs, hoje presto homenagem ao Presidente Kimball como grande homem e profeta de Deus, e comprometo minha lealdade e pleno apoio a ele, a seus conselheiros, aos membros do Quórum dos Doze e a todas as demais Autoridades Gerais. Sei que Deus vive e que Seu Filho vive, e sou muito grato por estar associado aos demais Irmãos, ajudando a edificar o reino aqui na Terra. Há muito trabalho importante a ser feito, e cada um de nós é necessário. Que sejamos diligentes em guardar os mandamentos e em sermos Santos dos Últimos Dias fiéis, humildemente rogo em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶