Amar e Perdoar uns aos Outros
O. Leslie Stone
É uma inspiração para todos nós lembrar os ensinamentos de nosso Salvador e as muitas coisas maravilhosas que ele deu ao mundo. Ele viveu muito antes da história registrada. Ele estava no grande conselho nos céus — ajudou seu Pai na formação dos céus, na criação da terra e na formação do homem. ¶
Em oposição ao plano de Satanás, foi ele quem propôs o livre-arbítrio do homem — dando-lhe o glorioso privilégio da escolha, que significa tanto para todos nós. ¶
Ele viveu na terra na meridiana dos tempos — na terra prometida. ¶
Ele andou ensinando e fazendo o bem. Os homens o seguiam, não por riquezas mundanas, mas para obter tesouros no céu. ¶
Ele estabeleceu um novo código de vida — amar uns aos outros — até mesmo os inimigos. Ele nos ordenou que não julgássemos, que perdoássemos e que déssemos a todos os homens uma segunda chance. ¶
Em Doutrina e Convênios, seção 64, versículos 8–11, ele nos diz que é nosso dever perdoar uns aos outros e que aquele que não perdoa a seu irmão está condenado e é o maior pecador. ¶
Ele deu à nossa sociedade a mais duradoura fórmula para nos relacionarmos bem uns com os outros, quando fez esta declaração encontrada em Mateus 7:12: ¶
“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles, porque esta é a lei e os profetas.” ¶
Muito poucos de nós vivem plenamente de acordo com isso. No entanto, tenho certeza de que todos concordamos que, se os homens seguissem esse princípio, resolveriam os problemas que agora enfrentamos em todas as nações da terra. Sim, se vivêssemos esse princípio, seria fácil amar e perdoar aqueles que transgridem contra nós. ¶
Em Mateus 22:36–39, lemos sobre um episódio em que Cristo foi abordado por alguns dos principais doutores da lei da época, que disseram: ¶
“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” ¶
Deve-se lembrar que nossos vizinhos mais próximos são os membros de nossa própria família. Em seguida, vêm aqueles que moram ao nosso lado, no mesmo quarteirão, na mesma cidade, no mesmo estado, na nação, sim, até mesmo no mundo inteiro. Todos com quem convivemos ou que influenciamos de alguma forma são nossos próximos. ¶
Pode um homem alcançar o reino celestial se não amar o próximo como a si mesmo? Quando Jesus deu o segundo mandamento, disse que era semelhante ao primeiro e, repetindo ambos, afirmou: “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mateus 22:40.) ¶
Ele os tornou muito importantes — tão importantes que todas as outras leis e mandamentos se apoiam neles. ¶
Façamos outra pergunta. Pode um homem viver o primeiro e grande mandamento se não vive o segundo? Em outras palavras, pode ele amar a Deus de todo o coração se não ama o próximo? ¶
O apóstolo João disse: ¶
“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus ame também seu irmão.” (1 João 4:20–21.) ¶
Em Terceiro Néfi 11:29–30, encontramos esta declaração: ¶
“Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros. ¶
“Eis que esta não é minha doutrina, levar a cólera ao coração dos homens, uns contra os outros; esta, porém, é minha doutrina: que estas coisas devem cessar.” ¶
Essas declarações, e muitas outras, devem deixar claro para todos nós que o Senhor deseja que amemos e perdoemos uns aos outros. Cabe a nós vencer nosso orgulho e resolver nossas diferenças com nossos semelhantes. Como acabamos de citar de Terceiro Néfi, as contendas e disputas são do diabo e não são aprovadas por nosso Pai Celestial. Amar nosso próximo como a nós mesmos trará grande alegria e felicidade às nossas vidas. ¶
Cristo praticou o perdão. Vocês se lembram da história da mulher que havia pecado. A lei determinava que ela fosse apedrejada até a morte. Trouxeram-na perante o Salvador para ver como ele a julgaria. Em João 8:6–7, está registrado: ¶
“Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. ¶
“E como insistissem em perguntar-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” ¶
Nenhum daquele grupo pôde se qualificar, e a multidão se dispersou. Ele então se voltou para a mulher e disse: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8:11.) Ele certamente não aprovou o que ela havia feito, mas demonstrou perdão e deixou que seu Pai celestial a julgasse. ¶
Ele perdoou aqueles que tirariam sua vida. No exato momento em que mais sofria, ele disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34.) ¶
O evangelho que ele trouxe à terra e que foi restaurado nesta dispensação nos proporciona um belo plano de salvação. Sabemos que tivemos uma existência anterior e que fomos valorosos nela. O Senhor nos permitiu vir à terra para que pudéssemos obter um corpo, adquirir conhecimento, desenvolver nossas habilidades e nosso caráter, aprender a vencer o mal e ver se conseguimos permanecer verdadeiros e fiéis a ele, e sermos suficientemente diligentes e obedientes aos mandamentos, a ponto de sermos dignos de voltar e habitar em sua presença. ¶
Muitos de nossos problemas são bênçãos disfarçadas. Eles são proporcionados para que possamos obter as experiências que nos são destinadas nesta terra e, assim, nos preparar para enfrentar e resolver problemas na próxima fase de nossa existência eterna. ¶
Hoje, ao contemplar as muitas, muitas bênçãos que nos foram dadas, recordo as palavras do rei Benjamim no Livro de Mórmon quando, depois de enumerar as bênçãos que o Senhor havia derramado sobre seu povo, disse-lhes isto: “E eis que tudo que ele requer de vós é que guardeis seus mandamentos.” (Mosias 2:22.) Sim, a única coisa que o Senhor exige de nós é que guardemos seus mandamentos! Isso soa relativamente simples, não soa? Mas todos nós sabemos que não é simples, nem se destinava a ser. Onde muito é dado, muito se espera. O Senhor exige daqueles que habitam com ele a capacidade de superar fraquezas e imperfeições. Ele exige abnegação e autodisciplina. ¶
Alguns de nós podem sentir, de tempos em tempos, que alguns dos mandamentos do Senhor são um impedimento à felicidade nesta vida, mas não é assim; e, no fundo do coração, sabemos que, enquanto aderirmos aos mandamentos, tão certamente quanto a noite segue o dia, colheremos as bênçãos prometidas aos fiéis. Às vezes, o caminho de cumprimento pode não nos parecer evidente, mas sua realidade está assegurada. O Senhor disse: ¶
“Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma.” (D&C 82:10.) ¶
Quantos de nós, no dia do juízo, gostaríamos de ouvir que falhamos em cumprir nossa parte — que fomos servos indignos do Senhor porque nossa própria vida foi um exemplo tão pobre no cumprimento dos mandamentos? ¶
Em Mateus 5:16, o Senhor nos dá uma mensagem muito importante: ¶
“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” ¶
Deixar de guardar os mandamentos do Senhor não apenas traz condenação, mas na verdade nos priva de muitas bênçãos aqui nesta terra — sem falar naquelas bênçãos eternas pelas quais todos nós lutamos. Em 1 Coríntios 2:9, lemos esta declaração: ¶
“Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.” ¶
Pensem nessa grande promessa. E, por fim, a maravilhosa promessa dada a todos os homens: ¶
“E, se guardares meus mandamentos e perseverares até o fim, terás vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus.” (D&C 14:7.) ¶
Nosso saudoso presidente Heber J. Grant nos disse como perseverar até o fim, quando afirmou: ¶
“Façamos hoje a vontade de nosso Pai celestial — estaremos então preparados para os deveres de amanhã e para as eternidades vindouras.” ¶
Cristo enfatizou repetidamente o fato de que o evangelho é de trabalho e serviço. Para obter bênçãos, devemos ser praticantes da palavra, e não apenas ouvintes. Em Mateus 7:21, lemos: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” ¶
Isso significa que, se quisermos obter a salvação, a exaltação e a vida eterna, devemos viver de acordo com os princípios do evangelho. Devemos amar e perdoar todos os homens e guardar os mandamentos de Deus. ¶
Deixo meu testemunho com vocês hoje de que sei que o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo foi restaurado nesta dispensação, que Joseph Smith foi um instrumento nas mãos do Senhor para realizar isso. Ele foi e é um profeta de Deus. Testifico que somos guiados hoje por um profeta, o presidente Harold B. Lee. Que todos demos a ele e a seus associados nosso amor e apoio, e oremos continuamente para que sejam abençoados com saúde, força e inspiração para carregar suas tremendas responsabilidades. Que tenhamos coragem e determinação para guardar os mandamentos e viver de acordo com os princípios do evangelho, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶