Faça-se a Tua Vontade, Ó Senhor
Franklin D. Richards
Meus queridos irmãos e irmãs, venho perante vocês com um coração humilde e me regozijo com vocês no espírito maravilhoso desta conferência. ¶
Sou grato pelas bênçãos deste dia. Sou grato pelo meu conhecimento e testemunho de que Deus vive e de que, por meio do sacrifício expiatório de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, podemos desfrutar da vida eterna à medida que somos obedientes às leis e ordenanças do evangelho. Somos abençoados por viver nesta dispensação, em que o evangelho, a Igreja e o sacerdócio, que é o poder de agir em nome de Deus, foram restaurados por intermédio do Profeta Joseph Smith, um dos grandes líderes de todos os tempos. ¶
E hoje, num mundo em que há milhões de filhos de Deus frustrados e desanimados, buscando uma explicação para a vida, somos abençoados por sermos guiados e conduzidos por outro profeta, nosso amado Presidente Harold B. Lee. Que o Senhor o abençoe e o sustente. ¶
Ao considerar o propósito da vida, o Profeta Joseph Smith disse: “A felicidade é o objeto e o desígnio de nossa existência; e o será até o fim, se seguirmos o caminho que a ela conduz; e esse caminho é a virtude, a retidão, a fidelidade, a santidade e a observância de todos os mandamentos de Deus.” (Documentary History of the Church, vol. 5, pp. 134–35.) ¶
Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, em sua vida, estabeleceu o padrão que devemos seguir em nossa busca por essa alegria e felicidade eternas. Ele exortou seus discípulos a serem perfeitos, “como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:48.) ¶
Há um poder tremendo em concentrar-se num ideal. As pessoas tendem a se tornar como aqueles a quem admiram. À medida que aumentamos nosso conhecimento e amor pelo Salvador e indicamos nossa disposição de fazer sua vontade, tornamo-nos necessariamente mais perfeitos e semelhantes a ele. ¶
Alguns dos maiores atributos e ensinamentos mais profundos do Salvador encontram-se nos episódios que antecederam imediatamente sua crucificação. ¶
Depois da Última Ceia, Jesus e os onze apóstolos deixaram a casa onde haviam comido e caminharam até o olival conhecido como Getsêmani, na encosta do Monte das Oliveiras. Jesus aparentemente frequentava esse olival ou jardim quando desejava privacidade para orar e meditar. ¶
Deixou oito dos apóstolos perto da entrada, com a sugestão: “Assentai-vos aqui, enquanto vou ali orar.” (Mateus 26:36.) ¶
Pedro, Tiago e João acompanharam o Salvador mais adiante, e “então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. ¶
“E indo um pouco mais para adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; porém, não seja como eu quero, mas como tu queres.” (Mateus 26:38–39.) ¶
A vida do Salvador está repleta de exemplos em que ele aplicou o princípio “Faça-se a tua vontade, não a minha.” A capacidade de Cristo de aplicar esse grande princípio em sua vida tornou possível que ele se tornasse perfeito. ¶
À medida que aplicarmos “Faça-se a tua vontade, não a minha” em nossa vida, também nos moveremos em direção à perfeição e à verdadeira felicidade. ¶
Mas como podemos conhecer a vontade de Deus para conformar nossa vida a ela? O Salvador disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” (João 14:15.) ¶
Vivam de modo que o Espírito Santo os guie e oriente. ¶
Busquem crescer em conhecimento, sabedoria e entendimento por meio do estudo contínuo e da contemplação das palavras de Cristo e daqueles que Deus nomeou para nos ensinar e instruir. ¶
E orem sempre, lembrando-se da promessa que nos foi dada: “Achegai-vos a mim e achegar-me-ei a vós. …” (D&C 88:63.) ¶
À medida que vivermos nesse tipo de ambiente, conheceremos a vontade de Deus e teremos o desejo e a coragem de nos conformar a ela. Essa doutrina, ou filosofia, requer que se ame profundamente o Senhor e se tenha grande fé em seu juízo. ¶
Deixem-me ilustrar: ¶
Na oração oferecida pelo Profeta Joseph Smith na dedicação do Templo de Kirtland, oração que lhe foi dada por revelação, ele disse: “… Ajuda teus servos a dizerem, com o auxílio de tua graça: Seja feita a tua vontade, ó Senhor, e não a nossa.” (D&C 109:44.) ¶
No outono de 1834, o Profeta estava ocupado se preparando para a escola dos élderes e escreveu em seu diário: “Nenhum mês jamais me encontrou mais atarefado do que novembro; mas como minha vida consistia de atividade e esforços incansáveis, fiz esta a minha regra: Quando o Senhor ordena, faze-o.” (DHC, vol. 2, p. 170.) ¶
Aqui, mais uma vez, evidencia-se o espírito de “Faça-se a tua vontade.” A vida de Joseph Smith exemplifica esse grande princípio. ¶
O sentimento do Presidente Brigham Young sobre esse princípio divino está registrado numa carta a Orson Spencer, em janeiro de 1848, quando disse: “Como a vontade do Senhor é sempre a minha vontade, conforme ele dita, assim eu executo.” (Millennial Star, vol. 10, p. 115.) ¶
Alguns de vocês são conversos à Igreja. Foi difícil para vocês aceitar o batismo, quando sentiram que isso significaria se distanciar de sua família ou amigos, perder a segurança de sua posição social, talvez até perder o emprego? ¶
Mas, no coração, vocês sabiam que era a vontade de Deus que aceitassem a ele e se tornassem membros de sua igreja, porque o Espírito Santo lhes havia dado esse testemunho. ¶
Quando vocês tiveram a vontade de dizer “Não a minha vontade, mas a tua se faça”, depositando sua confiança em Deus e, por meio da aceitação do batismo, demonstrando sua fé e humildade, não descobriram que haviam justamente aberto o caminho para que Deus lhes desse bênçãos maiores do que jamais haviam conhecido? ¶
Este é o testemunho de dois jovens maravilhosos que conheci recentemente no México, o Irmão e a Irmã Alvarez. Eles me contaram que, desde que foram batizados, há oito meses, em vez do distanciamento de família e amigos que temiam, estavam encontrando um novo amor e respeito, além de todos os maravilhosos novos amigos que haviam feito entre seus irmãos e irmãs na Igreja. Haviam prosperado materialmente e, acima de tudo, haviam encontrado uma paz e uma proximidade com seu Pai Celestial que nunca antes haviam conhecido. ¶
Permitam-me relatar duas experiências pessoais: ¶
Quando jovem, recebi uma nomeação para a Academia Naval dos Estados Unidos. Foi uma honra e uma verdadeira tentação. No entanto, em minha vida jovem, eu já havia decidido definitivamente que gostaria de servir numa missão, e pude perceber que, se aceitasse a nomeação para a Academia Naval, provavelmente não conseguiria servir como missionário. ¶
Depois de considerar o assunto em oração, recusei a nomeação, pois senti que era a vontade do Senhor que eu fosse numa missão. Pouco depois, recebi um chamado para servir na Missão dos Estados do Leste. ¶
Serei eternamente grato pelo chamado que recebi, porque foi no campo missionário que aprendi a amar o evangelho, aprendi o poder da fé e senti a felicidade e a paz que vêm quando somos receptivos aos sussurros do Espírito Santo. O padrão que estabeleci no campo missionário tem sido um guia para mim ao longo de toda a minha vida. ¶
Meu presidente de missão, Brigham H. Roberts, em sua carta de desobrigação, prometeu-me que eu “encontraria novos começos de tempos em tempos … até mesmo outras missões”. Ao deixar o campo missionário, orei fervorosamente e com afinco para que essa promessa se cumprisse. Vinte e quatro anos depois, ela se cumpriu parcialmente quando fui chamado para ser presidente da missão de estaca da Estaca East Mill Creek. Naquela época, o Élder Gordon B. Hinckley era presidente daquela estaca, e também naquela ocasião o Presidente Harold B. Lee me deu uma bênção maravilhosa ao me separar para o cargo. ¶
Quatro anos depois, isso se realizou ainda mais quando fui chamado para presidir a Missão dos Estados do Noroeste. E uma das experiências mais valiosas e inspiradoras de nossa vida foi quando a Irmã Richards e eu passamos aproximadamente dez dias com o Presidente e a Irmã Lee, percorrendo nossa missão. ¶
À medida que ouvimos os missionários prestarem seus testemunhos, muitos nos contaram como deixaram de lado sonhos e planos de estudo e carreira e aceitaram chamados missionários. Outros que foram chamados para importantes designações na igreja deixaram de lado, em grande medida, seus assuntos pessoais, para dedicar a atenção necessária à obra do Senhor; e todos deram testemunho da felicidade e das bênçãos que eles e suas famílias receberam. ¶
Em minha opinião, a força e a vitalidade da Igreja se devem, em grande parte, à disposição de seus membros de viver o princípio: “Faça-se a tua vontade, não a minha.” ¶
Em 1959, quando recebi meu chamado para presidir a Missão dos Estados do Noroeste, ele veio num momento muito inconveniente. Mas tanto a Irmã Richards quanto eu sentimos que, se o Senhor quisesse que fôssemos, então deveríamos ir. ¶
Muitos de nossos amigos, membros e não membros da Igreja, indicaram que sentiam que estávamos fazendo um verdadeiro sacrifício. Sentíamos o contrário e, quando o Presidente McKay me separou para o cargo, prometeu-me que seria o período mais feliz de nossa vida. E foi, porque todo o nosso tempo foi dedicado a servir nossos semelhantes. E nos lembramos das palavras do rei Benjamim: “… quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus.” (Mosias 2:17.) ¶
Por que deveríamos considerar um sacrifício desfrutar de tamanha felicidade, crescimento e desenvolvimento? ¶
Novamente, fui grato porque meus pais me ensinaram a viver segundo a regra: “Faça-se a tua vontade, não a minha.” ¶
Aplicar essa regra em nossa vida pode significar nunca recusar uma oportunidade de servir na edificação do reino quando solicitados por alguém em autoridade. Nossos chamados para servir na Igreja, vindos de um agente autorizado de nosso Pai Celestial, podem corretamente ser interpretados como a vontade do Senhor. ¶
De muitas outras maneiras, aceitar a vontade do Senhor é, muitas vezes, muito difícil, como no caso da morte de um ente querido. ¶
A morte é uma parte importante da vida eterna, mas nunca estamos totalmente preparados para a mudança. Não sabendo quando ela virá, lutamos, com razão, para preservar a vida para nós mesmos e para nossos entes queridos. Oramos pelos enfermos e administramos aos aflitos. Suplicamos ao Senhor que cure e prolongue a vida. Mas nem todos são curados, ainda que grande fé seja manifestada. ¶
No entanto, Deus nos deu a promessa de que, embora um ente querido possa morrer, ele ou ela viverá novamente, por meio da expiação e ressurreição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. ¶
A perda de entes queridos é uma experiência difícil que constrói grande fé, coragem e humildade, e todos devemos esperar tais experiências. ¶
Para obter a felicidade desejada nesta terra e no mundo vindouro, devemos enfrentar firmemente provações e tribulações, seja qual for a forma que assumam, com o espírito: “Faça-se a tua vontade, não a minha.” ¶
O Salvador, mais uma vez, estabeleceu o padrão a esse respeito. Nenhum mártir jamais se aproximou da morte com maior coragem e dignidade do que Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. ¶
Sem dúvida, a maior evidência de retidão numa pessoa é aceitar Jesus Cristo como nosso Salvador e Redentor sem quaisquer restrições, e uma evidência disso é viver a doutrina: “Faça-se a tua vontade, não a minha.” ¶
Em conclusão, permitam-me repetir mais uma vez as palavras do Profeta Joseph Smith: “A felicidade é o objeto e o desígnio de nossa existência; e o será até o fim, se seguirmos o caminho que a ela conduz; e esse caminho é a virtude, a retidão, a fidelidade, a santidade e a observância de todos os mandamentos de Deus.” ¶
Ao amarmos o Senhor, guardarmos seus mandamentos e servirmos nossos semelhantes, estamos fazendo a sua vontade, e isso nos trará grande felicidade e vida eterna. ¶
Presto-lhes este testemunho em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶