É Uma Experiência Muito Agradável e Humilhante...
Marion D. Hanks
• É uma experiência muito agradável, humilhante e edificante olhar para seus rostos nesta congregação e recordar, com gratidão e afeição, a bondosa gentileza com que aceitam nossos humildes esforços em suas estacas e missões, quando somos designados a servir nelas. Sei que muitos dos problemas com que lidam, muitos dos mais difíceis, envolvem lares e famílias, e é sobre isso que gostaria de falar nesta tarde. Poucos outros assuntos me parecem tão urgentemente importantes em nossa época ou de tão eterna relevância. ¶
O Lar e a Família
Falo aos que têm filhos em casa e aos que exercem influência em lares onde há crianças, bem como à grande geração, representada por este maravilhoso coro do [Instituto de Religião de Logan], que agora toma decisões que influenciarão efetivamente seus futuros lares e famílias. ¶
Ao prestar meu testemunho sobre o lar e a família, renovo minha expressão de profundo respeito pelos filhos que sabiamente escolhem o melhor caminho, muitas vezes superando seus pais, e minha profunda compaixão pelos bons pais que se esforçam sinceramente para criar seus filhos no caminho em que devem andar, apenas para ver esses filhos usarem sua individualidade e seu arbítrio para seguir outros caminhos. O Senhor ensinou-nos enfaticamente que, a Seus olhos, “o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho”. (Ezequiel 18:20.) Cada pessoa responsável deverá finalmente responder por suas próprias decisões. ¶
É nossa responsabilidade individual, como pai, filho ou futuro pai, tomar decisões que melhorem a qualidade de nossos lares e de nossos relacionamentos dentro deles; e cada um de nós deve ser diligente e honesto em seus esforços para fazê-lo — cada um de nós. ¶
Foi escrito: “Assim como são as famílias, assim é a sociedade. Se forem bem ordenadas, bem instruídas e bem governadas, elas serão as fontes das quais correm os rios da grandeza e prosperidade nacionais — da ordem civil e da felicidade pública”. (Thayer.) ¶
“Ponde em Ordem Vossas Casas”
Nos primeiros dias da Restauração, os líderes da Igreja foram instruídos a “pôr em ordem [suas] casas”. ¶
O Senhor deu instruções claras e explícitas aos irmãos e certamente a todos os membros da Igreja para que fossem “mais diligentes e interessados em casa e orem sempre. . . .” (Doutrina e Convênios 93:50.) Os sábios do mundo acrescentaram seu testemunho da importância de fazer isso. Permitam-me citar um deles, Martin Buber: ¶
“Se tivéssemos poder sobre os confins da terra, isso não nos daria aquela realização da existência que uma relação tranquila e devotada com a vida próxima pode nos dar. Se conhecêssemos os segredos dos mundos superiores, eles não nos permitiriam tanta participação real na verdadeira existência quanto podemos alcançar realizando, com santa intenção, uma tarefa pertencente aos nossos deveres diários. Nosso tesouro está escondido sob a lareira de nosso próprio lar.” ¶
É com base nessa firme afirmação, na qual creio de todo o coração, que ofereço cinco sugestões específicas sobre como podemos encontrar e multiplicar os tesouros escondidos sob a lareira de nosso próprio lar. ¶
Associações Familiares
Primeiro, permitam-me mencionar as associações familiares. ¶
Que outras famílias sua família conhece bem? Que outros pais e mães eles veem em ação? Seus filhos alguma vez se sentam à mesa ou participam da noite familiar, ou se ajoelham em oração com outra família? ¶
Os pais devem preocupar-se profundamente em estabelecer amizades com outras famílias que tenham ideais saudáveis, cuja vida familiar seja construtiva e forte. ¶
As crianças podem beneficiar-se grandemente da convivência com outros lares, pais e famílias onde haja boa disposição, atitude agradável, boa diversão, bom humor, boa literatura, respeito e disciplina, limpeza e oração; onde haja devoção em servir ao Senhor; onde o evangelho seja vivido. ¶
Com as crianças, como todos sabemos, a vida é muitas vezes uma questão de seguir o líder, e pais sábios desejarão que seus filhos desfrutem da influência de outras famílias cujas convicções e exemplo lhes ofereçam fortes incentivos para construir relacionamentos felizes em seus próprios lares. ¶
Vizinhanças Maravilhosas
Como pais, temos sido muito gratos pelas maravilhosas vizinhanças em que tivemos o privilégio de morar e pelas famílias fortes em cujos lares nossos filhos visitaram como amigos ou cuidadores de crianças. Muitas religiões e pontos de vista estão representados entre nossos vizinhos, e nossos filhos têm se beneficiado grandemente e sido muito fortalecidos em sua gratidão por seu próprio lar e fé ao verem a qualidade dos lares e das famílias das boas pessoas entre as quais temos o privilégio de viver. ¶
Do outro lado da rua, por exemplo, há uma maravilhosa família de Santos dos Últimos Dias, a cujo lar sempre agradeci por poder enviar meus filhos. ¶
A mãe é uma amiga e dona de casa calorosa e bondosa, cujos arredores refletem seu próprio caráter. Seu marido é um homem especial, que inspirou nossos filhos e outros na vizinhança por meio de seus esforços criativos para incentivar o patriotismo, o aprendizado e a apreciação de nossa herança histórica. Houve concursos, redações e questionários, celebrações solenes juntamente com festas e diversão em feriados especiais. ¶
Tradições Familiares
Isso me leva à segunda sugestão. As famílias prosperam com tradições e os rituais especiais da vida familiar. Celebrar dias e épocas especiais de maneiras especiais, trabalhar juntos, desfrutar noites familiares, conselhos familiares e conversas, decidir, preparar e desfrutar juntos os feriados, as refeições e as orações em família — há tantas maneiras significativas de construir tradições familiares que serão lembradas. ¶
Com tudo o mais que há de sagrado no Natal, por exemplo, ele pode significar uma querida estrela branca na chaminé que simboliza a época. Pode também significar aquele tempo especial juntos na véspera de Natal, canções cantadas em cada lar da vizinhança, subindo e descendo o quarteirão, diversão e música, e a participação de outros que vêm de fora do lar. Todos participam, mas especialmente os convidados que compartilham a experiência, que tomam parte, que leem e contribuem com algum pensamento especial de Natal. A Bíblia ensina-nos que não devemos esquecer-nos de receber estrangeiros, pois, fazendo isso, muitos receberam anjos sem o saber. O costume de termos convidados honrados conosco em nosso lar proporcionou-nos essa experiência todos os anos, no Natal e em outras ocasiões. ¶
Permitam-me ser pessoal o bastante para mencionar que as mais preciosas lembranças dos últimos anos, quando falamos de ritual ou celebração em nosso lar, são as ocasiões em que nos preparamos como família para despedir-nos de uma filha querida a caminho da escola. Celebramos o evento triste e feliz e unimos nosso coração quando o chefe da família lhe deu uma bênção paterna e invocou sobre ela o Espírito do Senhor. Duas vezes tivemos esse glorioso privilégio e rogamos a Deus que possamos desfrutá-lo com cada filho. ¶
É de coisas simples, mas significativas, como essas que se constroem as tradições familiares, e com elas, famílias unidas. ¶
Todos nós nos voltamos com reflexão para as doces lembranças de nossa infância no lar, e cada um de nós, agora abençoado com famílias ou aguardando esse privilégio, deve pensar nas lembranças que proporcionaremos para o futuro deles. ¶
Valores Familiares
Em terceiro lugar, permitam-me mencionar os valores familiares. ¶
O que recebe maior atenção em nossos lares? Com o que realmente nos importamos e para que reservamos tempo? O que é digno de nossa consideração, nossa atenção, nosso dinheiro, nossos esforços? E quanto aos livros e à leitura deles? E quanto a atos ponderados de bondade, de compartilhar, envolvendo toda a família dentro e fora do lar? E quanto à oração, à conversa, à preocupação genuína uns com os outros? ¶
Em 1926, a revista The Improvement Era publicou uma declaração memorável de um formando universitário a respeito de pensamentos sobre o lar e os relacionamentos nele. Permitam-me ler o que ele escreveu sobre seu bom lar: ¶
“1. Gostaria de poder lembrar-me de um Dia da Independência, ou de um dia de circo, ou de uma viagem ao cânion, em que meu pai tivesse se juntado a nós, meninos, em vez de nos dar o dinheiro e o equipamento para irmos, enquanto ele e mamãe ficavam em casa e nos faziam sentir culpados por trabalhar enquanto brincávamos. ¶
“2. Gostaria de poder lembrar-me de uma noite em que ele tivesse se juntado a nós para cantar, ler ou brincar de luta, em vez de sempre sentar-se tão quieto com seu jornal junto à lâmpada de leitura. ¶
“3. Gostaria de poder lembrar-me de um mês, ou uma semana, ou até mesmo um dia, em que ele tivesse transformado o trabalho pesado em trabalho com propósito, planejando conosco o trabalho da fazenda, em vez de simplesmente anunciar, a cada manhã, qual seria o trabalho daquele dia. ¶
“4. Gostaria de poder lembrar-me de um domingo em que ele tivesse reunido todos nós na charrete e levado todos juntos à igreja, em vez de ficar em casa enquanto íamos pela manhã e deixar-nos em casa enquanto ele e mamãe iam à tarde. ¶
“5. Gostaria de poder lembrar-me de apenas uma conversa em que tivéssemos discutido juntos os problemas e fatos que perturbam todo menino em crescimento, sobre os quais seu ponto de vista claro e vigoroso poderia ter lançado tanta luz e consolo, em vez de deixar-me colher os fatos ao acaso, como pudesse, e resolver os problemas da melhor forma que conseguisse. ¶
“E, no entanto, minha consciência clamaria vergonha se eu o culpasse, pois nenhum homem poderia ser mais devotado à sua família, mais ansioso por seu bem-estar, mais orgulhoso de seus êxitos. Seu exemplo tem sido um farol para nós. Ele simplesmente não sabia — e aí está, para mim, a tristeza disso — ele simplesmente não sabia que precisávamos dele. Não sabia que preferiríamos sua companhia à terra que poderia nos deixar — que um dia talvez pudéssemos ganhar dinheiro para nós mesmos, mas que nunca poderíamos criar para nós mesmos as lembranças que poderiam ter enriquecido, suavizado e moldado nossa vida. Não consigo ver uma atividade de Pais e Filhos sem sentir um nó na garganta.” (Era, dezembro de 1926, p. 145.) ¶
Disciplina no Lar
Em quarto lugar, falo de disciplina — disciplina no lar; e, naturalmente, não estou falando de punições severas, mas de regras justas, compreendidas e aplicadas, com sanções impostas de modo consistente quando são quebradas. Penso em realidades, em fatos que devem ser enfrentados, em um futuro de atitudes em relação à lei, às regras e à responsabilidade pessoal que está sendo aprendido. Samuel Johnson, o grande gênio literário britânico, disse que jamais permitiria que seus filhos “o negassem” — isto é, que negassem aos visitantes que ele estava em casa quando estava, por mais ocupado que estivesse. Ele disse: “Se ensino meus filhos a mentir por mim, posso estar certo de que logo conceberão a ideia de mentir para mim.” ¶
A disciplina envolve soluções adultas para os problemas que surgem ao vivermos juntos. Pais sábios não submetem um ao outro nem seus filhos a envenenamento emocional. As divergências são tratadas de maneira madura e construtiva, e não destrutiva. ¶
A disciplina começa com preocupação, compromisso e exemplo, como aquela outra palavra que vem da mesma raiz: discípulo. ¶
As crianças precisam de padrões, de diretrizes de comportamento e de limites. Precisam de modelos que se importem, que sejam firmes, justos, sensíveis e coerentes. ¶
A disciplina saudável pode ser gentil e sensível, mas muitas vezes não o é. ¶
O Interesse de uma Mãe Maravilhosa
Uma filha e eu discutíamos recentemente sua volta para casa em uma hora que me parecia questionável. Compartilhei com ela uma experiência com minha maravilhosa mãe. Eu passara alguns anos longe, em escolas, missões e guerras, e nós dois estávamos agora sozinhos em casa. Certa noite, voltei de um compromisso à meia-noite e encontrei a luz ainda acesa no pequeno quarto de Mamãe. Como sempre fizera, fui falar com Mamãe, sentei-me em sua cama e brinquei um pouco com ela. Perguntei-lhe por que ainda estava acordada. “Estou esperando você”, disse ela. ¶
Eu disse: “A senhora esperou por mim quando eu estava em uma missão, Mamãe, ou no mar, ou em batalha?” ¶
Sua resposta foi calma e doce. Ela me deu aquela leve palmadinha no joelho que reflete a madura compaixão dos sábios pelos ignorantes e disse: “Não, isso teria sido tolice. Apenas me ajoelhei aqui junto à cama e falei ao Senhor sobre meu filho. Disse-Lhe que espécie de homem eu acreditava que você fosse e queria que fosse, e pedi por Seu vigilante cuidado por você; depois deixei você em Suas mãos e fui dormir. ¶
“Mas agora você está em casa”, disse ela, “e pode contar com isto: estarei interessada em você enquanto eu viver.” ¶
Ela se foi agora, e é notável quantas vezes tenho a sensação de que ela ainda se interessa e sempre se interessará. ¶
Amor Familiar
Por fim, menciono o amor familiar, expresso de tantas maneiras maravilhosas. ¶
Alguém disse certa vez — e isso tem sido frequentemente citado — que a melhor coisa que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles. Creio nisso e que a base mais forte e segura para amar os outros é amar o Senhor e levar o bálsamo unificador e abençoador desse amor a todos os relacionamentos do lar. ¶
As crianças têm o direito de aprender que o amor é o alicerce de uma boa família e que o amor não pode existir separado de qualidades como respeito, consideração, responsabilidade e lealdade. O amor não é egocêntrico nem serve a si mesmo, mas preocupa-se com o bem-estar e a felicidade dos outros. É prover a nossos entes queridos uma atmosfera de calor e bondade que aceite e preserve a singularidade de cada um como pessoa individual, ao mesmo tempo que edifica a unidade do lar. ¶
Amor significa amizade, companheirismo, parceria e unidade. Expressa-se em modéstia, generosidade, sensibilidade, cortesia, conselho e conciliação apropriada. Inspira afeição, confiança e autocontrole. O amor, amor maduro, proporciona um clima de consideração saudável, arrependida e perdoadora. Ele escuta. Ouve e percebe as necessidades de outra pessoa. Nunca pode ser separado do caráter, do altruísmo, do bom humor e de toda virtude terna. ¶
Façam o Esforço
Deve-se dizer enfaticamente sobre cada um desses caminhos para a felicidade familiar que ela não acontece por si só — deve ser realizada por pessoas que pensam, se importam e fazem o esforço. ¶
Que Deus nos ajude a preocupar-nos mais com um alto padrão de vida do que com um alto padrão de consumo. Que Deus nos ajude, enquanto há tempo, a dedicar tempo para fazer tudo o que pudermos a fim de produzir agora, ou na família que um dia teremos, por meio de escolhas sábias feitas agora, a unidade, a força e a doçura que um lar deve ter. Creio que podemos fazer isso, ou avançar substancialmente para realizá-lo, por meio de associações familiares ponderadas, tradições memoráveis, valores corretos, disciplina sábia e grande amor. ¶
O que daremos a nossos filhos para que se lembrem? ¶
É provável que o que eles melhor se lembrarão seja o tesouro que desenterrarmos de sob a lareira de nosso próprio lar. ¶
Sei que o evangelho é verdadeiro, que foi restaurado e que se centraliza no lar. Que Deus nos abençoe para fortalecer o lar, em nome de Jesus. Amém. ¶