Pulpit

Meus Caros Irmãos do Sacerdócio

David O. McKay

Conferência Geral de Abril de 1969·General Priesthood Meeting·1969-04-05

PRESIDENTE DAVID O. McKAY (Lido por seu filho David Lawrence McKay)

Meus caros irmãos do sacerdócio, dou-lhes boas-vindas e agradeço este privilégio de mais uma vez expressar-lhes meus sentimentos a respeito de nossos grandes chamados.

Ao contemplar a vasta assembleia de portadores do sacerdócio reunidos esta noite nos diversos locais mencionados na abertura da reunião, e ao perceber o poder deste grande corpo de homens, sinto-me sobrepujado.

Senti meus sentimentos se avolumarem em meu peito diante da possibilidade do bem que será feito, e que pode ser feito, por estes muitos milhares de homens do sacerdócio que estão adorando esta noite. "Há, com certeza, em algum lugar, um lugar humilde nos amplos campos da colheita da terra, onde eu possa trabalhar durante o curto dia da vida, por Jesus, o Crucificado;

Assim, confiando tudo o que sou a Teu terno cuidado, e sabendo que Tu me amas, farei a Tua vontade com coração sincero, serei o que Tu quiseres que eu seja." (Hinos, no. 318.)

Espero que todos os que ouviram esse verso esta noite o aplicaram a si mesmos, e de algum modo fizeram um voto sagrado de agir melhor no futuro do que no passado. Vieram-me à mente algumas virtudes fundamentais que deveriam estar associadas a essa vontade. Vou apenas nomeá-las.

Virtudes Fundamentais

A primeira é a fé: fé em Deus, o Pai, fé em Seu Filho, fé em nossos semelhantes.

A segunda é a honestidade, uma sinceridade infantil, a honestidade em nossas relações com nossos semelhantes. É o alicerce de todo o caráter. Se vocês oram à noite e trataram desonestamente com seus semelhantes durante o dia, tendo a pensar que, como o rei em Hamlet, suas palavras sobem, mas seus pensamentos permanecem embaixo; mas se agiram honestamente, o Senhor ouvirá e responderá aos seus verdadeiros sentimentos.

A terceira é a lealdade. É um princípio maravilhoso. Um verdadeiro amigo é leal. Muitos conhecidos não são, e podem não ser. Sejam leais ao sacerdócio. Sejam leais às suas esposas e às suas famílias, leais aos seus amigos.

Força na Resistência

Aos homens do sacerdócio dou esta advertência. Seu ponto mais fraco será o ponto em que Satanás tentará tentá-los, e tentará conquistá-los, e, se vocês mesmos o tiverem enfraquecido antes de se dedicarem a servir ao Senhor, ele acrescentará a essa fraqueza. Resistam a ele e ganharão força. Ele os tentará em outro ponto. Resistam a ele, e ele se tornará mais fraco, e vocês se tornarão mais fortes, até que possam dizer, não importa quais sejam suas circunstâncias: "Vai-te, Satanás; porque está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus, e só a Ele servirás." (Lucas 4:8.)

Menciono isso porque há corações partidos demais em nossa Igreja, porque homens, alguns dos quais possuem o sacerdócio e ocupam posições de destaque, são tentados justamente onde são fracos. Eles se esquecem de que fizeram convênios com o Senhor, e se desviam do caminho da virtude e da discrição, e partirão o coração de suas esposas por causa de indulgência tola e por causa de sua cedência.

Convênios Sagrados

Temos um dos convênios mais sagrados de todo o mundo, relativo à felicidade do lar. Há homens ao alcance de minha voz que se esqueceram de quão sagrado é esse convênio. Os irmãos dos Doze, as Autoridades Gerais da Igreja, as autoridades das estacas estão exortando os jovens em toda parte a irem ao templo para se casar. Não vão a esse templo a menos que estejam prontos para aceitar os convênios que fazem.

O casamento no templo é uma das coisas mais belas do mundo. Um casal é levado até lá pelo amor, o mais divino atributo da alma humana. Um jovem olha, com razão, para aquela noiva que será a mãe de seus filhos como sendo tão pura quanto um floco de neve, tão imaculada quanto um raio de sol, tão digna da maternidade quanto qualquer virgem. É algo glorioso para uma mulher, assim, vestir as vestes e ser o orgulho do coração de um jovem élder, alguém que confia nela para ser a chefe de seu lar.

Ela confia nele como sendo tão digno da paternidade quanto ela o é da maternidade, e com razão também, porque sobre seus ombros estão as vestes do Santo Sacerdócio, testificando à sua jovem noiva, e a todos, de sua dignidade.

Juntos, ficam de pé na casa do Senhor para testificar e fazer convênio perante Ele de que serão fiéis aos convênios que fazem naquele dia, cada um guardando-se para o outro e para nenhuma outra pessoa. Esse é o mais elevado ideal de casamento já dado ao homem. Se esses convênios forem guardados com toda a sacralidade com que convênios sagrados devem ser guardados, haveria menos corações partidos entre as esposas e menos entre os maridos. Um convênio é algo sagrado. Um homem que se casou no templo não tem o direito de ficar olhando para moças jovens, quer estejam no coral, na Sociedade de Socorro, sejam membros de alguma junta geral, ou estejam desempenhando quaisquer deveres da Igreja. Vocês têm um convênio de serem fiéis a essa esposa. Irmãos, mantenham-no fiel, sejam fiéis a ele. "É fácil o bastante ser prudente, quando nada nos tenta a desviar, quando por fora ou por dentro nenhuma voz de pecado atrai a alma para longe; mas é apenas uma virtude negativa até ser posta à prova pelo fogo, e a vida que é digna da honra da terra é a vida que resiste ao desejo. Pelo cínico, o triste, o caído, que não teve força para a luta, a estrada larga do mundo está apinhada hoje;

eles compõem a soma da vida. Mas a virtude que vence a paixão, e a tristeza que se esconde num sorriso, é isso que merece a homenagem da terra, pois só as encontramos de vez em quando." — Ella Wheeler Wilcox, "Worth While"

Mantenham-se Fiéis aos Convênios

Suplico ao exército do sacerdócio reunido esta noite nesta reunião que se mantenha fiel aos convênios feitos na casa de Deus. Vocês não têm o direito de negligenciar suas esposas e ir buscar a companhia de outras que lhes pareçam mais atraentes por estarem convivendo com elas na vida diária, em seus negócios ou em assuntos da Igreja. Isso pode parecer genérico, mas, enquanto falo a vocês, uma esposa, com suas lágrimas e súplicas, vem até mim agora, perguntando: "O senhor não poderia, por favor, apenas dizer uma oração, não poderia oferecer uma oração para tentar trazer meu marido de volta?" Bem, ela pode ter tido parte da culpa no problema — ela disse que tinha parte da culpa — mas eu sei que o marido dela era o culpado, pois é um homem que possui o sacerdócio e não tem o direito de quebrar seus convênios.

O Espírito de Deus não lutará com um homem que, de qualquer forma, ajuda a desfazer a família de outro homem. "A maior batalha da vida é travada nas câmaras silenciosas da alma."

Deveres dos Portadores do Sacerdócio

Peço a vocês, companheiros portadores do sacerdócio, que façam novamente aquilo que, sem dúvida, já fizeram com frequência: sentar-se e refletir consigo mesmos. Há uma batalha ocorrendo dentro de vocês, e dentro de mim, todos os dias. Travem essa batalha consigo mesmos, e decidam seu rumo de ação a respeito, primeiro, de qual é o seu dever para com a família. Evitem que condições e pessoas que causarão infelicidade em seu lar entrem em sua vida. Segundo, decidam qual é o seu dever para com o seu quórum. Decidam se devem algo ao seu quórum, e vejam se têm força suficiente para fazê-lo depois de decidir. Terceiro, decidam, nesse momento silencioso, qual é o seu dever para com a sua Igreja. E quarto, decidam o que devem a seus semelhantes. Decidam onde está o seu dever, lembrando-se sempre de que "a maior batalha da vida é travada nas câmaras silenciosas da própria alma".

"... Desempenha Bem Teu Papel"

Lembrem-se disto como uma diretriz, qualquer que seja a posição para a qual forem chamados a servir: "Seja o que fores, desempenha bem teu papel." Isso, é claro, se aplica a empreendimentos morais e lícitos, não a ações prejudiciais ou vilãs. Isso me influenciou muitos anos atrás quando, como já contei a alguns de vocês antes, Peter G. Johnston e eu caminhávamos ao redor do Castelo de Stirling, na Escócia. Eu estava desanimado; estava apenas começando minha missão. Havia sido menosprezado naquele dia enquanto fazia proselitismo. Estava com saudades de casa. Caminhamos ao redor do Castelo de Stirling, na verdade sem cumprir nosso dever; e, ao reentrarmos na cidade, vi um prédio, meio construído. Para minha surpresa, da calçada, vi uma inscrição sobre a verga da porta da frente, esculpida em pedra. Eu disse ao Irmão Johnston: "Quero ir até lá ver o que é isso."

Eu não havia percorrido nem a metade do caminho que levava até lá quando aquela mensagem me atingiu. Estava esculpido ali: "Seja o que fores, desempenha bem teu papel."

Ao reencontrar meu companheiro e lhe contar, sabem qual foi o primeiro homem que me veio à mente? O zelador da Universidade de Utah, da qual eu acabara de me formar. Percebi que eu tinha tanto respeito por aquele homem quanto por qualquer professor em cuja classe eu havia me sentado. Ele desempenhou bem o seu papel. Lembrei-me de como ele nos ajudava com os uniformes de futebol, de como nos ajudava com algumas de nossas lições, pois ele mesmo era formado pela universidade. Humilde, mas até hoje eu guardo respeito por ele.

O que são vocês? Vocês são homens que possuem o sacerdócio de Deus, que possuem autoridade divina para representar a Divindade em qualquer posição para a qual tenham sido designados.

Apreço pela Confraternização

Sempre foi de minha natureza apreciar a companhia de meus associados. Amo estar com meus amigos. Quanto mais idade tenho, mais intenso se torna meu apreço pela confraternização na irmandade de Cristo. Sinto isso esta noite mais profundamente, mais sinceramente do que nunca.

Que Deus acrescente Suas bênçãos às instruções e aos relatórios que serão dados esta noite; que possamos partir com maior determinação em nosso coração de servir ao Senhor e guardar Seus mandamentos; que possamos seguir em frente com maior resolução de defender uns aos outros numa vida reta, de defender a Igreja, de não falar contra nossos vizinhos, nem contra as autoridades da Igreja, locais, de estaca ou gerais. Evitemos a maledicência; evitemos a calúnia e a fofoca. Estas são venenos para a alma daqueles que se entregam a elas. A maledicência prejudica mais a quem a profere do que a quem é ofendido.

Declaração sobre o Comunismo

Nos Estados Unidos da América, a Constituição resguarda a liberdade individual, e oremos também para que o Senhor frustre os planos dos comunistas que nos privariam da liberdade.

Desejo referir-me a alguns comentários sobre o comunismo que fiz na reunião geral do sacerdócio há três anos. Naquela conferência do sacerdócio, além de incentivar o estudo da Constituição e a vigilância quanto às investidas comunistas que a minariam, eu disse o seguinte: "A Igreja, por respeito ao direito de todos os seus membros de terem suas próprias opiniões e lealdades políticas, deve manter a mais estrita neutralidade possível. Não temos qualquer intenção de tentar interferir no exercício mais amplo e mais livre do direito de voto político de nossos membros, sob e dentro de nossa Constituição, a qual o Senhor declarou ter estabelecido 'pelas mãos de homens prudentes que [Ele] levantei para esse propósito' (D&C 101:80) e cujos princípios o Profeta Joseph Smith, ao dedicar o Templo de Kirtland, orou para que fossem 'estabelecidos para sempre'. (D&C 109:54.) A Igreja não abre mão de sua devoção ou de suas convicções sobre a salvaguarda dos princípios americanos e das instituições de governo, sob as constituições federal e estaduais, e dos direitos civis dos homens salvaguardados por elas. "A posição desta Igreja, contudo, quanto ao tema do comunismo, nunca mudou. Consideramo-lo a maior ameaça satânica à paz, à prosperidade e à difusão da obra de Deus entre os homens que existe sobre a face da terra." (The Improvement Era, junho de 1966, p. 477.)

Neutralidade da Igreja

Sugere-se que, ao se instruírem sobre os perigos do comunismo, os membros não devem esperar que os bispos e presidentes de estaca se juntem a eles, ou emprestem apoio a seus esforços por meio de suas posições, uma vez que se espera que mantenham a estrita neutralidade já mencionada. Tampouco os movimentos organizados para se informar sobre o comunismo deveriam impor suas ideias aos membros da Igreja em qualquer área, de maneira que possa levar à divisão entre os membros. Tampouco os bispos, presidentes de estaca e outros líderes da Igreja deveriam assumir a liderança no apoio a tais esforços de grupos, de modo a impor esses movimentos a outros membros da Igreja.

É direito e obrigação de todo cidadão, e, portanto, de todo membro da Igreja, estar alerta e informado sobre as influências sociais, educacionais, comunistas e outras influências políticas que tendam a minar nossa sociedade livre. Mas isso frustraria seus próprios propósitos se fosse feito de maneira que tendesse à divisão entre nossos próprios membros.

A Responsabilidade de Ensinar a Verdade

Nunca se deve esquecer que os conversos à Igreja vêm de todas as nações, representando visões diversas sobre questões controversas. Nossa responsabilidade deve ser a de ensinar a nossos membros de todas as nações as verdadeiras doutrinas de Cristo com tal poder que sejam fortalecidos contra todas as ideias falsas, independentemente do rótulo sob o qual possam ser apresentadas.

O curso de estudo do Sacerdócio de Melquisedeque para o próximo ano incluirá, no material das lições, assuntos como liberdade, religião e o Estado, os perigos do comunismo, e outros assuntos considerados de vital importância no estudo das profundas verdades do evangelho.

O estudo dessas lições permitirá que os irmãos do sacerdócio se familiarizem melhor com as forças que se opõem à retidão, bem como com o plano de salvação do Senhor para todos os Seus filhos.

Nestes dias de grande tumulto e agitação social, seria bom que todos os nossos líderes e membros do sacerdócio se lembrassem constantemente do sábio conselho do apóstolo Paulo, quando disse: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque não me propus saber coisa alguma entre vós, senão a Jesus Cristo, e este, crucificado." (1 Coríntios 2:1-2.)

Defesa da Verdade

Que Deus nos ajude a defender a verdade — melhor ainda, a vivê-la, a exemplificá-la em nossos lares. O que devemos a nossos pais não podemos expressar. Vocês, pais — pais e mães — terão essa mesma influência sobre seus filhos? Que Deus lhes dê poder para ter essa influência, para que seus filhos sejam fiéis até o fim, até a morte se necessário, à verdade do evangelho de Jesus Cristo, que engrandece a Deus, nosso Pai, que, com Seu Filho Amado Jesus Cristo, o Redentor do mundo, apareceu ao Profeta Joseph Smith. Eles se revelaram nesta dispensação, e Sua obra foi estabelecida, para nunca mais ser derrubada nem entregue a outro povo.

Satanás ainda está decidido a impor sua vontade, e seus emissários têm hoje um poder que não tiveram ao longo dos séculos. Estejam preparados para enfrentar condições que podem ser severas, condições ideológicas que podem parecer razoáveis, mas que são más. Para enfrentar essas forças, devemos depender dos sussurros do Espírito Santo, aos quais vocês têm direito. Eles são reais.

Admoestação a Serem Fiéis

Deus está guiando esta igreja. Sejam fiéis a ela; sejam leais a ela. Sejam fiéis às suas famílias, leais a elas. Protejam seus filhos. Guiem-nos, não arbitrariamente, mas por meio do exemplo bondoso de um pai, e assim contribuam para a força da Igreja exercendo seu sacerdócio em seu lar e em sua vida.

Ao encerrar minhas observações, quero que saibam que estou consciente dos sacrifícios feitos por aqueles que servem nas forças armadas. Que tenham a força para resistir à tentação e, por seus exemplos, sejam um testemunho vivo para outros.

Que Deus abençoe nossos missionários que, dia após dia, buscam aqueles que aceitarão sua mensagem. Que resistam às influências más e, assim, se tornem verdadeiros servos na edificação do reino de Deus.

Que Suas bênçãos os acompanhem a todos ao seguirem em frente na obra do Mestre. Que esta obra continue a expandir-se para cumprir seus propósitos divinos. Sejam fiéis a seus chamados, irmãos, e o Senhor os abençoará e os erguerá.

Presto testemunho da verdade desta grande obra, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “Meus Caros Irmãos do Sacerdócio”, Conferência Geral de Abril de 1969, General Priesthood Meeting (1969-04-05). Pulpit Vault, 1969-04-mckay-my-dear-brethren-of-the. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).