Lares Centrados em Deus para os Filhos...
Hugh B. Brown
Presidente N. Eldon Tanner: ¶
O Coro do Tabernáculo cantará agora "Lo, My Shepherd Is Divine," ¶
após o que o Presidente Hugh B. ¶
Brown, da Primeira Presidência, nos falará. ¶
Cântico: "Lo, My Shepherd Is Divine," pelo Coro do Tabernáculo. ¶
Presidente N. Eldon Tanner: ¶
Nosso primeiro orador esta manhã será o Presidente Hugh B. Brown, primeiro conselheiro na Primeira Presidência da Igreja. ¶
Presidente Brown. ¶
Presidente Hugh B. Brown, da Primeira Presidência Lares centrados em Deus para os filhos Um editorial na seção Church News do Deseret News de ontem à noite sugeriu um tema para esta manhã. Ele se refere ao lar e à família, onde pais e filhos vivem juntos num relacionamento muito íntimo, onde trabalham e brincam juntos, cantam e oram juntos e, ocasionalmente, choram juntos nos braços um do outro. ¶
Cito o editorial: ¶
"Um lar estabilizado, no qual a instrução religiosa constitui parte importante, é a única resposta real à delinquência juvenil. ¶
"Este é o consenso de opinião dos estudiosos que fizeram um estudo sério das causas e da prevenção da delinquência. ¶
"Esses estudiosos afirmam que pais e filhos devem, igualmente, ser ensinados a viver juntos como família: seu lar deve ser 'centrado em Deus' e deve estar associado a uma Igreja que ofereça um programa edificante e formador de caráter para a juventude." ¶
Quando Deus criou ou organizou os céus e a terra de acordo com a lei eterna, ele colocou o homem sobre a terra. Notando que não era bom que o homem estivesse sozinho, providenciou-lhe uma auxiliadora. Em Gênesis 2:23-24 lemos: "E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada mulher. . . ¶
"Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher. . . ." ¶
Vê-se, assim, que Deus instituiu o casamento desde o princípio. Ele fez o homem, macho e fêmea, à sua própria imagem e semelhança, e planejou que se unissem nos sagrados laços do matrimônio, declarando que um não é perfeito sem o outro. ¶
O casamento, a família e o lar estão entre os assuntos mais importantes de toda a nossa doutrina teológica, e, como a família é a unidade básica e fundamental da Igreja e da sociedade, sua preservação e suas necessidades justas devem ter precedência sobre todos os outros interesses. ¶
Uma família pode ser definida como um grupo de pessoas de diversas idades, unidas por acordo e convênio, vivendo juntas no mais íntimo relacionamento. Nessa sociedade, os filhos aprendem que certas coisas são certas e outras são erradas. Crescem, etapa por etapa, em confiança, habilidade, afeto, compreensão e responsabilidade. Em outras palavras, constroem o caráter. Uma família é um projeto de vida em grupo no qual o que se deve fazer e o que não se deve fazer são absorvidos por preceito, exemplo e prática. ¶
À sua imagem O propósito desta vida, e de fato o propósito da existência, é que o homem cresça em maior semelhança com seu Criador. Não subtraímos do Criador nenhum dos atributos que o cristianismo ortodoxo lhe reconhece. ¶
Ao contrário, o adoramos como um Deus pessoal que é todo-poderoso, onisciente e, de fato, perfeito, nosso Pai Celestial. Ressaltamos, além disso, que nós, como filhos seus, somos as únicas criações do Pai a serem abençoadas com sua imagem. Segue-se que, sob a lei divina de que "semelhante gera semelhante," nosso progresso pelas eternidades pode ser ilimitado. Tomamos a sério e literalmente a exortação do Salvador de sermos perfeitos, assim como nosso Pai nos céus é perfeito. A instituição essencial para obter essa perfeição, necessária para nos permitir voltar à presença de nosso Pai e ali sermos felizes, é a unidade familiar eterna. ¶
Encargo aos pais Os pais são encarregados da responsabilidade de ensinar a verdade indubitável de que não há princípio mais amplamente visto em toda a natureza, e mais severamente aplicado, desde o infinitésimo elétron até as incompreensíveis galáxias no espaço sideral, do que este: "Não apenas a liberdade, mas a lei prevalece." ¶
As palavras liberdade e direitos têm um som mágico aos ouvidos dos jovens, mas às vezes eles as traduzem em autoindulgência e autogratificação. O momento de começar a colocá-las em foco é antes que o impacto da personalidade em despertar tenha criado nos filhos hábitos que terão de ser vencidos algum dia, seja pela autodisciplina, seja pela disciplina da lei. ¶
O presidente da Suprema Corte de Ontário (Canadá) disse recentemente que os crimes juvenis violentos não refletem sobre o grande conjunto de jovens, mas refletem sobre a maneira como a população adulta está cumprindo sua responsabilidade. O diretor de uma de nossas maiores prisões disse: "Esta instituição está repleta de crianças mimadas." ¶
Não desejo falar hoje tanto sobre a delinquência juvenil quanto desejo falar com aqueles que são primariamente responsáveis por ela. O grupo que está criando a maior parte de nossos problemas é, em sua maior parte, produto de lares indisciplinados e pais irresponsáveis. O problema começa no lar, e, em última análise, terá de ser corrigido no lar. ¶
Obviamente, é melhor prevenir o surgimento do problema da delinquência do que invocar a lei para curar seus efeitos. ¶
Cito de uma carta recente enviada pelo Royal Bank of Canada, discutindo este importante assunto: ¶
A juventude num mundo em tumulto "Os jovens de hoje viveram suas vidas, desde a infância, num mundo de tumulto. Incertezas se acumulam sobre eles ao verem os adultos inclinados à violência e à destruição. ¶
"O que chamamos de civilização avançou tão rapidamente que a estrutura e os instintos do homem não conseguiram acompanhar. ¶
Batalhas ideológicas também se travam no mundo político. Homens e mulheres, e meninos e meninas, ainda precisam enfrentar as questões profundamente individuais da vida e o vital relacionamento interpessoal entre pai e filho." ¶
Os jovens precisam de regras que os orientem e de padrões pelos quais possam julgar a si mesmos. O lar assume seu lugar de direito e de destaque na preparação dos filhos para a vida quando princípios básicos são anunciados e cumpridos com tranquilidade, mas com firmeza. O teste final não é o quanto os jovens se submetem à compulsão da lei, mas até que ponto podem ser ensinados a obedecer a uma lei autoimposta em benefício da solidariedade familiar. ¶
Chegou a hora de deixar de enfatizar os aparelhos da vida cotidiana e de contrapor a eles as qualidades imperecíveis da honestidade, integridade, altruísmo, pureza de pensamento e ação, e respeito pela lei. ¶
Para a criança, com sua breve perspectiva, a vida é toda primeiro plano, composta de pessoas que alimentam, mimam, castigam e, por vezes, abandonam-na. Essas pessoas são responsáveis não apenas pelo cuidado imediato, mas por todos os anos de sua vida, porque ajudam a construir sua personalidade ao mesmo tempo em que nutrem e protegem seu corpo. Numa boa família, a criança cresce num ambiente de respeito mútuo. Ela participa de práticas saudáveis, altruístas e democráticas; e, na natureza das coisas, projetará todas elas em sua vida adulta mais ampla. ¶
A criança não quer um mundo permissivo, do "faça o que quiser"; isso a deixa confusa e infeliz. Ela quer um muro estável e confiável ao seu redor, que defina seu mundo, dando-lhe uma grande área de liberdade, mas dizendo-lhe exatamente até onde pode ir. ¶
A juventude precisa de respeito pelos direitos dos outros ¶
Esse muro pode ser construído de coisas como respeito pelos direitos de propriedade dos outros, respeito pelos mais velhos, observância das convenções que lubrificam a vida social. Se essas coisas não estão sendo ensinadas às crianças, elas estão sendo prejudicadas. Como disse R. P. Smith: "A razão pela qual esses jovens se metem em problemas com a polícia é que os policiais são as primeiras pessoas que encontram que dizem, e dizem a sério, 'você não pode fazer isso.' " Nem é preciso dizer que os pais que buscam respeito por seus preceitos devem, como diz o princípio da lei da equidade, "vir com as mãos limpas." ¶
As crianças percebem rapidamente a insinceridade. ¶
Na transmissão de ideias e de cultura, na formação do caráter e das qualidades necessárias neste mundo em mudança, a família de hoje deve ser a portadora do fardo e a abridora de caminhos. Ela reconhece as crianças como mais importantes do que as coisas, as ideias como mais preciosas do que os aparelhos, e o valor pessoal como a pedra de toque pela qual todos os outros valores são testados. ¶
A juventude precisa de lembranças de afeto, justiça, virtude e disciplina Os pais de hoje deveriam dar a seus filhos algumas lembranças que os orientem — lembranças de amor na vida familiar, em que a justiça fosse mantida, o afeto dado sem reservas, a disciplina explicada com ternura, porém com firmeza, e o bom exemplo mostrado habitualmente. Não acreditamos que a autodisciplina se desenvolva melhor numa vida monástica, num deserto ou numa caverna, mas sim no lar. Todas as virtudes às quais aspiramos só realmente se obtêm dentro da sociedade, e melhor se obtêm dentro dos blocos construtores dessa sociedade — isto é, dentro da unidade familiar. ¶
O Senhor instruiu Adão quanto ao propósito básico do casamento. Como lemos em Gênesis: "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou. ¶
"E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a." (Gên. 1:27-28.) O casamento foi destinado, desde o princípio, a ser eterno. Isso é evidenciado pelo fato de que a primeira forma conhecida de governo humano começou com Adão e Eva, que, segundo as escrituras, foram unidos pelo próprio Deus. Isso foi antes de haver qualquer morte; portanto, as palavras "até que a morte os separe" teriam sido sem sentido. Depois da Queda, eles acrescentaram filhos à sua família, e juntos constituíram uma unidade eterna. ¶
A organização familiar é de natureza patriarcal e segue o padrão daquela existente nos próprios céus, conforme referido pelo Apóstolo Paulo em Efésios 3:14-15: "Por causa disso me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, "Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome." ¶
Respeito pela paternidade e pela família A própria essência do governo divino é a paternidade e o reconhecimento do relacionamento familiar. A própria Igreja existe para exaltar a família, e o conceito de família é um dos principais e mais importantes de toda a doutrina teológica. De fato, nosso próprio conceito do céu é a projeção do lar na eternidade. A salvação, então, é essencialmente um assunto de família, e a plena participação no plano de salvação só pode ser obtida em unidades familiares. ¶
Um dos primeiros mandamentos dados a Adão e Eva foi o de multiplicarem-se e enchesem a terra e a sujeitassem. Essa determinação jamais foi revogada. Quando o pai, a mãe e os filhos são selados juntos pela mesma autoridade divina que foi dada a Pedro, o casamento celestial dá início a uma família eterna. Cristo disse a Pedro: "E eu te darei as chaves do reino dos céus; ¶
e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mateus ¶
16:19.) Todos os que forem fiéis aos ensinamentos do evangelho continuarão como família no mais elevado grau do reino celestial e serão coroados de imortalidade, vida eterna e aumento eterno. ¶
Lar de ordenação divina ¶
O Presidente Lorenzo Snow deu uma indicação do que significava o casamento eterno: "Um homem e uma mulher na outra vida, tendo corpos celestiais, livres de doença e enfermidade, glorificados e embelezados além de qualquer descrição, de pé no meio de sua posteridade, governando-a e controlando-a, administrando vida, exaltação e glória, mundos sem fim." E o Presidente Joseph F. Smith nos disse: "O próprio alicerce do Reino de Deus, da retidão, do progresso, do desenvolvimento, da vida eterna e do aumento eterno no Reino de Deus está posto no lar de ordenação divina." ¶
Os líderes da Igreja, desde o princípio, ensinaram a fé no Senhor Jesus Cristo, e nós o reconhecemos como nosso Salvador e Redentor. É nosso dever ensinar isso a nossos filhos — ensiná-los a respeitar seus vizinhos, seus superiores, seus professores; ensiná-los a respeitar a velhice, a venerar seus pais, e a ajudar todos os que são desamparados e necessitados; ensiná-los a honrar todos os que presidem sobre eles no governo eclesiástico ou civil; ensiná-los a honrar as leis de Deus e a ser leais ao seu país, leais aos princípios da retidão; e, por serem filhos de Deus, ensiná-los a ser leais ao espírito régio que há neles. ¶
A ação e a reação da vida familiar removerão de nossas personalidades aquelas características ásperas e antissociais que impedem nosso funcionamento como indivíduos na sociedade. Em nenhum outro lugar pode haver associação tão íntima e estreita. Certamente, esse processo de polimento se realiza melhor no crisol da vida familiar. ¶
O Presidente Lyndon B. Johnson, falando na Universidade Howard no ano passado, advertiu-nos de que, na raiz de grande parte do mal-estar social que aflige nosso país, está a desintegração da unidade familiar entre grupos importantes de nossa nação. ¶
O lar e a família como bases da sociedade Repetimos: o casamento e a família são as unidades básicas e fundamentais de nossa sociedade. O Dr. Paul C. Glick, especialista em casamento do departamento de censo, diz: "Quanto mais estudo o assunto, mais evidente se torna que o casamento é considerado — e é — o estado mais feliz, mais saudável e mais desejável da existência humana. Vivemos mais tempo e temos mais saúde se somos casados. O casamento é o fato central de nossas vidas." ¶
Mas devemos garantir que este modo de vida contenha os requisitos básicos e cumpra os propósitos fundamentais dessa vida familiar, se ela deve continuar por toda a eternidade. Dentro da família, os pais podem encontrar um desafio inspirador para uma realização e contribuição magníficas: isto é, moldar um espírito imortal, ensinar preceitos eternos, e instilar disciplina e obediência na mente de uma criança. O Dr. Adam S. Bennion observou: "A família é, de longe, a instituição isolada mais importante de nossa comunidade, e verdadeiramente feliz é o homem que, ao fechar sua mesa de trabalho à noite, tem diante de si a imagem alegre do animado grupo familiar com o qual em breve fará a refeição da noite. Os laços familiares são investimentos de altíssima qualidade. Se quiser me testar quanto a isso, pergunte ao homem que os possui." ¶
As leis e os costumes representam apenas os aspectos externos ou sociais do casamento. ¶
Esses aspectos externos não alcançam a interioridade e a profundidade do problema que a pessoa enfrenta com o advento de seu casamento. Nos grandes poemas, romances, peças teatrais e livros de história e biografia, encontramos os aspectos psicológicos e emocionais do casamento discutidos em todas as épocas. A partir destes, e de milhares de histórias de casos, impressiona-nos o fato de que o casamento é, em todos os tempos, em toda cultura e sob a mais ampla variedade de circunstâncias, um dos supremos testes do caráter humano. ¶
Tensão e conflito nas relações pessoais Aqui nos vemos diante de uma consideração sobre a relação entre homens e mulheres, dentro e fora do casamento, e da relação entre pais e filhos quando surgem crises. As tensões e conflitos entre o amor e o dever, entre a razão e a paixão, dos quais nenhum indivíduo pode escapar por completo, estão entre os mais graves problemas que todos devem enfrentar. Este é um assunto que afeta todo homem, mulher e criança, tanto psicológica quanto moralmente. Às vezes é trágico, mas frequentemente é feliz e bendito. Aqui há uma oportunidade para homens e mulheres, em todo lugar, corresponderem a uma das maiores responsabilidades da vida. ¶
Espera-se que este breve e esboçado resumo possa chamar a atenção dos membros da Igreja para suas responsabilidades como membros de unidades familiares, nas quais têm a oportunidade de cooperar na grande e contínua obra de nosso Pai Celestial. Espera-se também que nossos amigos que estão assistindo a esta conferência pessoalmente ou por meio do rádio e da televisão possam obter uma visão mais clara da doutrina da Igreja quanto ao lar e à eternidade do convênio do casamento, que é tão fundamentalmente parte do evangelho restaurado. ¶
O homem é precioso à vista de Deus Potencialmente, o homem é mais precioso à vista de Deus do que todos os planetas e sóis do espaço. Incompreensivelmente grandiosas como são as criações físicas da terra e do espaço, elas foram trazidas à existência como um meio para um fim; são a obra das mãos de Deus; o homem é seu filho. O propósito supremo da criação é, em suas próprias palavras, "levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:39.) ¶
Assim, enfatizamos a dignidade do indivíduo, sua importância suprema na unidade familiar e na sociedade, seu potencial desdobramento até um estado semelhante ao de Deus e, eventualmente, sua exaltação no reino celestial. Oramos por orientação divina para este fim, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶