For The Time Is Come That...
Henry D. Moyle
"Porque já é tempo que comece o juízo pela casa de Deus; e se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?" (1 Pedro 4:17.) Pedro assim caracteriza a igreja como a casa de Deus e classifica os ocupantes de sua casa como aqueles que obedecem ao evangelho de Deus, que é o evangelho de Cristo. ¶
Nesta declaração profética de Pedro, não há ambiguidade. "Obedecer ao evangelho de Deus" deve ser nosso estandarte. Não há outra abordagem real para o cumprimento do propósito mais elevado da vida. É satisfatório saber que não precisamos vagar pela vida sem rumo, com insegurança, incerteza, encontrando dúvida, medo, apreensão em toda parte. Temos um plano certo e definido que nos foi dado. ¶
Precisamos apenas compreender, aceitar e obedecer. Então estamos imediatamente em paz e podemos assegurar-nos na família de Deus. Sabemos que o evangelho é ". . . o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê; . . ." como Paulo tão vigorosamente declarou aos romanos. (Ver Romanos 1:16.) Ora, os primeiros princípios e ordenanças do evangelho são: ¶
Primeiro — Fé no Senhor Jesus Cristo. ¶
Segundo — Arrependimento. ¶
Terceiro — Batismo por imersão para a remissão dos pecados. ¶
Quarto — Imposição de mãos para o dom do Espírito Santo. ¶
O evangelho é simples, inequívoco e compreensível a todos os que desejam conhecê-lo. É natural, razoável e agradável, e conducente à independência, à paz, à felicidade e à segurança. É apreciado por todos os que aceitam e conformam sua vida a seu ensinamento. Suas recompensas para os fiéis são numerosas e evidentes. Como a aquisição de qualquer coisa que vale a pena, requer desejo e esforço constante. É diferente da aquisição de coisas terrenas e perecíveis. Elas vêm e vão. Seu gozo é temporário e superficial. ¶
Os benefícios e as bênçãos da fé e da obediência são eternos. Os frutos do Espírito não têm preço. De fato, com as bênçãos da obediência, vivemos mais próximos de Deus e de nosso próximo, e apreciamos mais nossa herança terrena em todos os sentidos. Nas palavras de Pedro, somos informados: "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas: ¶
para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, . . ." (2 Pedro 1:4.) Assim, nossa obediência ao evangelho traz sua própria recompensa aqui e agora. ¶
Não precisamos esperar, com expectativa ou antecipação, pelas bênçãos eternas que nos aguardam na imortalidade para justificar nossa obediência, nesta vida, aos princípios do evangelho. Podemos tornar-nos participantes da natureza divina progressivamente, desde o início de nossa conversão ao longo do restante de nossa vida fiel. O Senhor nunca nos deixa em dúvida quanto à sua proximidade conosco, contanto que permaneçamos fiéis. ¶
O preço que pagamos ao prestar obediência às leis do evangelho torna-se insignificante quando comparado com nossos incomparáveis ganhos. Nenhuma alegria real supera nossos sentimentos quando recebemos e agradecemos a Deus por suas bênçãos celestiais. Jesus disse ao jovem rico governante: ¶
". . . Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu: ¶
e vem, e segue-me." (Mateus 19:21.) Nem mesmo tudo o que ele tinha era demais. ¶
Uma passagem de escritura favorita, à qual nos apegamos e frequentemente repetimos, encontra-se em João: ¶
"E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." ¶
(João 17:3.) Ao disseminarmos o conhecimento de Deus entre nossos semelhantes, cumprimos o elevado propósito que nos é atribuído pela escritura moderna. ¶
"Pois eis que esta é minha obra e minha glória: levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:39.) Nossa obra, portanto, é promulgar o conhecimento de Deus, para que todos os que ouvirem possam vir a conhecer a Deus e, com isso, colocar-se no caminho da imortalidade e da vida eterna. ¶
À medida que verdadeiramente passamos a compreender a Deus e seus caminhos, podemos dizer como disse Davi de outrora: ¶
"Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração." ¶
(Salmos 13:5.) Nossa tarefa está definida assim que aceitamos a associação na Igreja e no reino de Deus e obedecemos aos mandamentos de Deus. Tornamo-nos conscientes da realidade e da existência real de Deus — o Espírito Santo torna-se nosso consolador e guia. ¶
Nossa conversão pode não ser tão repentina quanto a do eunuco que Filipe foi inspirado a batizar: ¶
"E indo eles pelo caminho, chegaram a um certo lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? ¶
"E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. ¶
"E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco; e ele o batizou." (Atos 8:36-38.) Tampouco precisa nossa conversão ser tão milagrosa quanto a de Paulo. Não obstante, a conversão de cada pessoa há de ser peculiarmente pessoal. Todo pesquisador que busca a verdade a seu próprio modo pode obter o testemunho do Espírito Santo de que Jesus é o Cristo. Por fim, cada conversão real, não importa como se realize, traz a todos o mesmo testemunho da missão divina de nosso Senhor e Salvador. Quando recebemos esse testemunho, todos podemos proclamar, como está escrito sobre Paulo, ". . . logo nas sinagogas pregava acerca de Cristo, que este era o Filho de Deus." (Idem, 9:20.) Este é o objetivo de todo missionário mórmon ao longo de sua missão, onde quer que seja enviado no mundo. ¶
E este é o testemunho de todo converso à Igreja. Quando esse conhecimento de que Jesus é o Cristo se torna nosso, desejamos dar a outros a oportunidade que nos foi dada de obter o testemunho do Espírito Santo. ¶
Não é apenas fácil, mas natural, para todo membro da Igreja, com a inspiração do Espírito Santo, ser um missionário. Em 1829, o Senhor declarou por meio do Profeta Joseph Smith: ¶
"Agora eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens. ¶
"Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia." (D&C 4:1-2.) Embarcamos no serviço de Deus por meio da fé, do arrependimento, do batismo e do recebimento do Espírito Santo — todo membro da Igreja torna-se membro da família de Deus por meio de sua fé e fidelidade. ¶
Diz-se-nos hoje, por todos os lados, que precisamos apenas confessar que "Jesus é o Cristo" para sermos salvos. Mas precisamos conhecer a Cristo para nos tornarmos parte de sua família e nos prepararmos para o dia do juízo, que começará em sua casa. Os membros de uma família geralmente conhecem o senhor da casa. Não podemos conhecer a Deus nem ser salvos somente pela graça. A graça de Deus é de suma importância para nossa redenção do pecado. Seu sacrifício expiatório é o próprio fundamento de nossa salvação, tanto dos efeitos da queda de Adão quanto de nossas transgressões pessoais. É em virtude de sua vida, seu sofrimento, sua crucificação e sua ressurreição que nos tornamos beneficiários de seu sacrifício expiatório. Ele realizou por nós uma tarefa que não poderíamos realizar por nós mesmos. Toda a humanidade fica, assim, assegurada de sua ressurreição dos mortos. ¶
Nossa ressurreição nos leva à barra do juízo de Deus. Ali, João, o Revelador, nos diz: ¶
"E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus; e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." (Apocalipse 20:12.) O plano do evangelho, quando seguido, traz-nos a remissão de nossos pecados na mortalidade. Devemos agir por nós mesmos e não podemos depender nem confiar em mais ninguém para sermos absolvidos de nossas próprias transgressões. ¶
A resposta que Pedro deu à multidão no dia de Pentecostes é nossa resposta ao mundo hoje. ¶
"Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. ¶
"E ouvindo eles essas coisas, compungiram-se em seu coração, e disseram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? ¶
"Então disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo." (Atos 2:36-38.) Quão instrutivas, a esse respeito, são as palavras de Paulo: ¶
"Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." (Hebreus 11:6.) Devemos agora saber o que fazer. É mediante a remissão dos pecados por meio do batismo que obtemos nossa exaltação nas mansões de nosso Pai. Sabemos como nos preparar para o dia do juízo do qual Pedro profetizou. ¶
No Livro de Mórmon, lemos: ¶
". . . portanto, esta vida se tornou um estado de provação; um tempo de preparação para o encontro com Deus; . . ." (Alma 12:24.) O que quer que façamos com eficácia deve fundamentar-se na fé, no arrependimento e nas boas obras. Nossos pecados não precisam desencorajar-nos, se tivermos a vontade de superá-los. Isaías escreveu: ¶
"Vinde agora, e argui-me, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã." (Isaías 1:18.) Tudo deve ser realizado com o dom do Espírito Santo, nosso Consolador, e a inspiração. Ora, o dom do Espírito Santo nos chega por um canal muito definido e claro, como já indicamos. Nosso testemunho de Deus é confirmado. Aprendemos a verdade. A fé é a força motivadora em nossa vida. Somos consolados em nossa retidão. ¶
Recebemos encorajamento das palavras do salmista: ¶
"Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam." (Salmos 23:4.) "O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?" (Idem, 27:1.) Em nossa jornada pela vida, precisamos de ajuda, força e segurança. Joseph Smith, em sua juventude, ao ler a Bíblia, levou a sério a promessa de Tiago: ¶
"E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." (Tiago 1:5.) Em resposta à sua humilde oração, veio a visitação do Pai e do Filho a ele, que levou ao restabelecimento da Igreja e do reino de Deus na Terra nestes últimos dias. Deus continua a ouvir e a responder às orações de seu povo. ¶
Ora, quando nosso arrependimento é sincero, evitamos o mal e buscamos as coisas melhores da vida; oramos; lemos as escrituras; olhamos para a vida terrena e o ministério de Jesus Cristo como nosso guia; sabemos que as escrituras são verdadeiras e lançam luz essencial sobre nossa busca de conhecimento de Deus e sobre nossa responsabilidade para com Deus e para conosco mesmos. Por meio da oração e da leitura das escrituras, logo encontramos nosso verdadeiro relacionamento com Deus. Aceitamos o convite de Jesus Cristo: ¶
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. ¶
"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. ¶
"Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Mateus 11:28-30.) O Senhor disse a Joseph Smith nestas palavras: ¶
"E por vossas mãos realizarei uma obra maravilhosa entre os filhos dos homens para convencer a muitos de seus pecados, para que se arrependam e se aproximem do reino de meu Pai. ¶
"Portanto, as bênçãos que vos dou estão acima de todas as coisas." ¶
(D&C 18:44-45.) Antes que chegue este dia do juízo, que há de começar na casa de Deus, segundo Pedro, o Novo Testamento fala de muitos eventos grandiosos e gloriosos que devem ocorrer nos últimos dias. ¶
João, o Revelador, dá-nos a garantia bíblica final da restauração do evangelho na Terra antes do dia do juízo final. ¶
"E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, ¶
"Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." (Apocalipse ¶
14:6-7.) Proclamamos, com toda a seriedade, que o evangelho eterno de Jesus Cristo foi restaurado à Terra, conforme profetizado por João, o Revelador, por meio do Profeta Joseph Smith. Convidamos toda a humanidade a investigar nossas proclamações ao mundo de que o evangelho foi restaurado à Terra, nestes últimos dias, em sua plenitude, por anjos do céu, que apareceram ao Profeta e o instruíram nos detalhes da restauração da Igreja e do reino de Deus aqui na Terra, e lhe deram, para o mundo, os princípios e as ordenanças salvadoras do evangelho em sua pureza. ¶
Após a visitação angélica, Joseph Smith e Oliver Cowdery foram visitados por Pedro, Tiago e João — seres ressuscitados — que impuseram as mãos sobre as cabeças de Joseph e Oliver e lhes conferiram o sacerdócio de Deus. ¶
Em conformidade com a incumbência que Joseph Smith havia recebido anteriormente da visitação de Deus, o Pai, e de seu Filho Jesus Cristo, ele organizou A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em 6 de abril de 1830, no estado de Nova York. Desde então, ela tem crescido continuamente, por cento e trinta e dois anos, de seis membros para dois milhões, espalhados por todo o mundo. Nossa mensagem é o cumprimento de profecia antiga. ¶
Todos os que têm cumprido fielmente as ordenanças salvadoras do evangelho testificam, como testificamos nós aqui hoje, que Deus mais uma vez conferiu seu sacerdócio ao homem para pregar o evangelho e administrar suas ordenanças. Em virtude do sacerdócio assim conferido a nós, chamamos toda a humanidade ao arrependimento, e testificamos que, por meio da fé em Deus, do arrependimento de nossos pecados, do batismo por imersão para a remissão dos pecados, e do recebimento do Espírito Santo pela imposição de mãos, podemos trazer-nos de volta à presença de Deus, para ali desfrutar eternamente a exaltação em seu reino. ¶
Nossos missionários por todo o mundo detêm o sacerdócio assim restaurado à Terra e estão preparados para auxiliar-vos em vossa busca pela verdade. Nossos missionários dão solene testemunho ao mundo de que Jesus Cristo vive e de que ele é o Filho de Deus. Estamos todos empenhados em cumprir o mandato que Cristo deu a seus apóstolos: ¶
"Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ¶
"Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; ¶
e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mateus ¶
28:19-20.) Em nosso empenho sincero, hoje, de cumprir esta incumbência que Jesus Cristo deu a seus apóstolos de outrora, buscamos, por meio de nossos labores missionários dentro e fora de nosso país, preparar a nós mesmos e a nossos semelhantes, a todos os que atenderem à nossa mensagem, para o dia do juízo. Desejaríamos que se pudesse dizer de todos os nossos semelhantes o que Paulo escreveu aos efésios: ¶
"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; . . ." (Efésios 2:19-20.) Presto meu solene testemunho ao mundo de que Jesus vive, de que sua missão na Terra foi divina, de que ele é o Filho Unigênito do Pai, e que temos sua incumbência de levar seu evangelho ao mundo hoje, de que ele é a pedra angular sobre a qual edificamos — a cabeça da Igreja. ¶
Presidente David O. McKay: ¶
Ouviremos agora o Élder Marion G. Romney, do Conselho dos Doze. ¶