Meus Caros Irmãos do Sacerdócio, Este...
Robert L. Simpson
Meus caros irmãos do sacerdócio, este é um dos momentos mais emocionantes que um homem pode experimentar na mortalidade. ¶
Tenho certeza de que nada se compara a ele — a emoção de participar da maior assembleia de sacerdócio na história do mundo. Estes são tempos significativos, irmãos, e todos deveríamos ser gratos por tomar parte nesta histórica reunião de sacerdócio. ¶
Permiti-me tomar apenas um breve momento para expressar uma saudação pessoal aos líderes de terras distantes que foram chamados por um profeta para representar seu povo nesta grande conferência. Permiti-me expressar um caloroso e especial Kia Ora aos que vêm da Nova Zelândia, que tanto fizeram por mim em minha vida. ¶
Estendemos o braço da confraternização a cada homem e rapaz sentado em lugares distantes. Vós também sois participantes desta reunião. Embora a quilômetros de distância, vossa presença é uma realidade, e sentimos vosso espírito neste histórico Tabernáculo, apesar da distância que nos separa. ¶
Irmãos, já ouvistes a bela canção "No Man Is an Island" ("Nenhum Homem É uma Ilha")? ¶
O isolamento é incompatível com o espírito do sacerdócio, e, quando realmente analisamos isso, o que pode um homem fazer por si mesmo com o sacerdócio? Vós, jovens, administrais o Sacramento para outros. Servis de recepcionistas e fazeis coisas na capela para a conveniência e o conforto de outros. Os sacerdotes administram o Sacramento para que outros dele participem. ¶
Irmãos do Sacerdócio de Melquisedeque, vós abençoais os enfermos. Não abençoamos a nós mesmos com o sacerdócio. Chamamos outros que possuem o sacerdócio para nos abençoar. Estamos sempre pensando em termos de outra pessoa quando usamos o sacerdócio. Ocultar-nos deliberadamente e viver como eremitas seria permitir que nosso sacerdócio murchasse e morresse. ¶
O Salvador nos mostrou o caminho; Ele estabeleceu o padrão. A Sua foi uma vida de pensar e agir em favor dos outros. Isto era a soma e a substância de toda a Sua existência na mortalidade. ¶
Nosso grande desafio aqui na mortalidade, portanto, está em vencer — vencer as coisas da mortalidade, esses obstáculos da carne; e, em devido tempo, todos os apetites e hábitos devem ser trazidos sob controle, para que nos sintamos à vontade na presença do Senhor. ¶
"Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono." (Apocalipse 3:21.) Haverá algum portador do sacerdócio ao alcance de minha voz que não tenha, como o mais elevado desejo de seu coração, a grande possibilidade de um dia reconquistar a presença de seu Pai Celestial? É nisso que tudo se resume. Aspirar a esta grande bênção suplanta tudo o mais na mente e no coração do portador do sacerdócio. ¶
Todos nós precisamos de ajuda neste importante processo de vencer. Não existe homem capaz de fazê-lo por si só. "Nenhum homem é uma ilha"; nenhum ser pode ficar sozinho. ¶
Uma das coisas mais sábias que podemos fazer é beneficiar-nos daqueles que já percorreram este caminho. Nosso primeiro grupo leal de pioneiros, que entrou neste belo vale há quase 115 anos, contava com batedores explorando muitos cânions sem saída e passagens de montanha impossíveis, na busca da melhor rota possível para as carroças cobertas. As companhias seguintes acharam tudo muito mais fácil. Os erros já haviam sido cometidos. Por que cometê-los de novo? ¶
Seria tolice de nossa parte desperdiçar tempo repetindo todos os erros de nossos predecessores. Em primeiro lugar, não viveríamos o suficiente para cometer todos os erros, de modo que devemos fazer o que é sábio. Devemos tirar proveito dos erros que já foram cometidos. ¶
Talvez o Senhor tivesse isso em mente quando nos deu a ideia de que "a glória de Deus é inteligência." Certamente é inteligente o homem que tira proveito de um caminho já claramente demarcado. ¶
E assim, a inteligência de nos beneficiarmos daqueles que sabem é, na verdade, a chave de nosso sucesso. E agora perguntamos: "Quem são aqueles que sabem? ¶
Em quem podemos confiar quando buscamos conselho em assuntos vitais?" E gostaria de dirigir o pensamento, neste ponto, a nossos jovens do Sacerdócio Aarônico, esses jovens que têm tantos problemas, tantas perguntas, sempre a se perguntar quem seria a pessoa indicada. ¶
É fácil sermos enganados. É tão simples buscar nossas informações na fonte errada. Certa vez, ouvi uma história sobre um joalheiro. Este joalheiro mantinha um belo cronômetro na vitrine de sua loja, para atrair atenção e sugerir precisão na marcação do tempo. Bem cedo, todas as manhãs, ele notava um homem através da vitrine. Ele parava, olhava o cronômetro, e então ajustava cuidadosamente seu relógio de acordo. ¶
Certo dia, o joalheiro estava do lado de fora, varrendo a calçada em preparação para o dia de trabalho, quando o costumeiro transeunte parou para sua costumeira cerimônia de acertar o relógio, e o joalheiro perguntou-lhe por que sempre parava para acertar o relógio, todas as manhãs, na mesma hora. ¶
"Bem, veja," disse o homem, orgulhoso, "acontece que sou o encarregado do tempo na fábrica. Uma de minhas tarefas é apitar precisamente às 8h00 e às 16h30. Todos dependem de meu apito para serem exatos." O joalheiro sorriu e disse: "Bem, sabe de uma coisa? Há mais de um ano venho ajustando meu cronômetro pelo seu apito!" ¶
Assim, vedes, jovens, às vezes somos enganados, incertos quanto a onde poderia estar a verdadeira fonte autorizada. ¶
Às vezes vemos um belo cronômetro, mas ele precisa estar funcionando corretamente e precisa estar ajustado corretamente. ¶
Às vezes vemos homens estimados na comunidade, mas eles nem sempre são a melhor fonte para a pergunta que temos. ¶
Jovens, tendes três fontes principais e autorizadas para vossas informações. ¶
A primeira é vosso Pai Celestial, e, tão certamente como o Profeta Joseph recebeu uma resposta à sua humilde pergunta há 142 anos, também vós podeis esperar orientação de um amoroso Pai Celestial. ¶
A segunda fonte autorizada de conselho e orientação corretos está disponível naquele a quem afetuosamente chamais de "pai." Pai, espero que a porta esteja aberta para o vosso filho. Espero que a porta esteja bem aberta, para que ele possa buscar conselho quando for necessário. Espero que ele possa procurar o pai e falar sobre assuntos vitais sem se sentir constrangido. Espero que nós, pais, vivamos suficientemente próximos da situação de nossa família, para que possamos perceber o momento e o lugar apropriados para uns poucos minutos de conversa afetuosa e, aliás, pais, muito ouvir, muito ouvir! ¶
Creio que esta é a chave para aconselhar eficazmente nossos jovens. Precisamos ouvir muito. Precisamos ter a história completa antes de podermos aconselhar corretamente. ¶
E, rapazes, quero dizer-vos que jamais tereis, em toda a vossa vida, um amigo melhor do que vosso pai, e nunca vos esqueçais disso. ¶
A terceira fonte autorizada é vosso maravilhoso bispo — aquele que foi ordenado e destinado a ser o pai de sua ala, e, especialmente, amigo dos rapazes do Sacerdócio Aarônico e das moças de idade correspondente. ¶
Bispo, estais demasiado ocupado para aconselhar vossos jovens? Se estiverdes demasiado ocupado, então a carga de trabalho deve ser reorganizada. Que tal atribuir tarefas adicionais a vossos conselheiros? Que tal deixá-los assumir parte das outras cargas, para que possais liberar-vos para a tarefa da maior importância, que é aconselhar vossos jovens em intervalos convenientes e frequentes? ¶
Quando entrevistar? Sempre antes de um rapaz ser ordenado ou avançado no sacerdócio. Sempre no fim de cada ano, ao avaliarmos o rapaz para outro galardão do Sacerdócio Aarônico. E certamente sempre que necessário, conforme dirigido pelo Espírito de nosso Pai Celestial. ¶
Como entrevistamos, bispos? Entrevistamos com o espírito do amor, e este deveria ser o propósito inteiro de cada entrevista — o amor. Este deveria ser o fator subjacente. Não deveria haver outra fonte senão o amor, quando falamos com nossos jovens e buscamos guiá-los na direção correta. E, como o pai, o bispo também deveria ser um bom ouvinte, com a sabedoria de Salomão. ¶
Ora, jovens, acabamos de falar sobre três boas fontes de conselho, e espero que não recorramos à turma para obter nosso conselho. Espero que não recorramos a rapazes de nossa idade que não percorreram este caminho, rapazes que apenas ouviram falar, mas que na verdade não sabem o que aconselhar. ¶
Ah, eles sempre estarão prontos a dar conselhos, mas nem sempre é a fonte certa. Podeis até encontrar um rapaz mais velho do que os demais, que se erigiu, de certa forma, num cronômetro. Ele pode parecer impressionante, mas, rapazes, confiemos em nosso Pai Celestial. Confiemos no pai, e recorramos ao bispo em busca do conselho que será mais eficaz em nossa vida. ¶
Comunicação — comunicação de coração a coração! Pergunto-me quanto melhor estaria o mundo hoje se houvesse comunicação apropriada, não apenas palavras, mas comunicação apropriada, na qual sentíssemos o espírito do que está sendo dito e recebêssemos a verdadeira interpretação. ¶
Então o aconselhamento poderia prosseguir corretamente. ¶
As mentes dos homens chegariam a um entendimento comum, e haveria paz. ¶
Lemos em Provérbios: "Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselheiros há segurança." ¶
(Provérbios 11:14.) Tenho certeza de que o Senhor quis dizer exatamente o que estamos falando esta noite, ao referir-se à multidão de conselheiros — milhares de pais, centenas de bispos. ¶
Ora, jovens do Sacerdócio Aarônico, é preciso determinação — determinação para fazer a coisa certa na hora certa. E assim, nós, como Bispado Presidente, exortamo-vos esta noite a procurardes vosso pai e vosso bispo na ocasião apropriada, e a deixá-los ouvir vossa história, e quero dizer-vos que sereis guiados no caminho certo. ¶
E, jovens, tendo esta determinação de viver corretamente e de vos prepararmos para as oportunidades do Sacerdócio de Melquisedeque amanhã, gostaria de rapidamente vos contar uma história. ¶
Ela vem da distante Nova Zelândia, e é uma das mais belas histórias que ouvi em muito tempo. Trata de um campeão mundial. ¶
Este campeão mundial é Peter Snell, que detém vários recordes mundiais, incluindo o da milha. Ele estabeleceu este recorde há apenas alguns meses. Sabeis como Peter Snell treina? Sabeis pelo que ele passa? Há poucas semanas, contava ele a um grupo de Santos dos Últimos Dias na Nova Zelândia que, quando sai para correr, faz toda a sua corrida morro acima, e então, quando enfrenta seus competidores numa pista plana, é como se estivesse correndo morro abaixo. Depois, ele corre na areia, na areia funda, e, quando chega a uma pista plana de cinza, sente como se seus pés tivessem asas. Vereis Peter Snell correndo no dia mais molhado, mais tempestuoso e mais invernal, e, se perguntardes a Peter Snell por que está correndo num dia como esse, sua resposta é: "A concorrência está toda em casa, junto à lareira. Agora posso levar vantagem sobre eles." Estes são os pensamentos de um campeão. ¶
Jovens do sacerdócio, o desafio de amanhã é grande. Por que não fazeis o esforço de correr um pouco na areia? Subi um pouco de morro acima, e trabalhai quando nem sempre for conveniente, quando talvez esteja um pouco tempestuoso lá fora; e quero dizer-vos, jovens, que assim estareis rumando na direção de um campeão no sacerdócio de vosso Pai Celestial. ¶
Irmãos do sacerdócio, dou-vos meu testemunho de que o evangelho é verdadeiro. Sei, com todo o meu coração, que é verdadeiro, e sei com certeza que o rapaz Profeta foi ao bosque; ali viu Deus, o Pai, e Seu Filho. Sei isto tão certamente quanto estou aqui, porque me foi revelado em meu coração, e sou grato por isso. ¶
Deixo-vos este testemunho em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶