Pulpit

My Brothers And Sisters It Is A...

Spencer W. Kimball

1962 April General Conference·Second Day Afternoon Meeting·1962-04-07

Meus irmãos e irmãs, é um grande privilégio reunir-me convosco nesta grande conferência, que é a mais próxima de internacional de todas as conferências já realizadas na Igreja. Estamos fazendo história hoje, com os trabalhos da conferência sendo recebidos neste tabernáculo em vários idiomas, e as mensagens da conferência saindo para terras estrangeiras.

Vivemos numa era maravilhosa, com desenvolvimentos muito além dos mais fantásticos prognósticos de um quarto de século atrás. Nossas linhas de comunicação estenderam-se do Pony Express ao rápido serviço aéreo; o transporte acelerou-se do cavalo e da carroça aos jatos que circundam o globo para as massas, e a velocidades que chegam a milhares de quilômetros por hora para os exploradores. Dos vikings e de Colombo, chegamos a "Glenn" e aos astronautas. Cientistas persistentes continuam a explorar a terra e o mar, e agora estão lá fora, no espaço.

Muito conhecimento foi acrescentado, mas astronautas, viajantes de foguetes e telegrafistas mal podem perceber quão relativamente elementares são seus movimentos, suas descobertas e seu conhecimento. Os astrônomos buscaram o conhecimento pelo estudo, mas os profetas, pela fé. Os astrônomos desenvolveram poderosos telescópios, por meio dos quais viram muito, mas os profetas e videntes tiveram visão mais clara, a distâncias maiores, com instrumentos de precisão como a Liahona e o Urim e Tumim, que superaram em muito o mais avançado equipamento de radar, rádio, televisão ou telescópio.

Numa revista recente foi impresso um breve resumo de um artigo de um astrônomo alemão que diz que os radioastrônomos hoje discutem, como possibilidade concreta, a conversação interplanetária entre o homem preso à terra e criaturas em outros planetas; ele "demonstra, com intrincada lógica matemática, que planetas adequados à vida podem ser bastante comuns entre as estrelas, e que talvez haja apenas dez comunidades civilizadas dentro de 1.000 anos-luz da terra", e "pode muito bem haver, em alguns desses planetas, criaturas suficientemente inteligentes para transmitir mensagens de rádio através das enormes distâncias do espaço interestelar."

Ele parece convencido de que os astrônomos da terra poderiam, eventualmente, detectar e interpretar mensagens recebidas que criaturas altamente cultas dessas comunidades inteligentes pudessem enviar, mas, como a história galáctica de tais planetas "poderia levar bilhões de anos para evoluir, seu florescimento bem poderia durar apenas alguns milhares de anos, de modo que seus breves momentos de glória raramente coincidiriam." Ele raciocina que "algumas civilizações extraterrestres podem ter-se destruído completamente, enquanto outras podem ter eliminado apenas os tipos mais elevados de vida, permitindo que novas e posteriores civilizações evoluíssem a partir das humildes criaturas que conseguiram sobreviver."

Como nenhuma menção é feita a um poder controlador, tememos que haja a suposição de que os planetas se constroem a si mesmos e que os habitantes se criam a si mesmos. Honramos e parabenizamos os cientistas por sua intensa pesquisa e por algumas de suas conclusões. Quando acrescentamos às suas suposições e descobertas o conhecimento adquirido por meio das escrituras, e então colocamos um Deus Onipotente no centro de todas as coisas, o quadro se torna mais claro, e o propósito lhe dá sentido e cor.

O escritor do Evangelho, João, deu-nos estas preciosas palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

"Ele estava no princípio com Deus.

"Todas as coisas foram feitas por ele; e sem ele nada do que foi feito se fez." (João 1:1-3.) E a revelação moderna confirma: "Os mundos foram feitos por ele; os homens foram feitos por ele; todas as coisas foram feitas por ele e por meio dele, . . . ele foi chamado de Filho de Deus, . . ." (D&C 93:10, 14.) O próprio Senhor testifica: "Eis que eu sou Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, que criou os céus e a Terra, . . ." (Ibid., 14:9.) ". . . [eles] estão em minhas mãos, . . ." (Ibid., 67:2.) Estudiosos do universo poderiam ficar surpresos ao saber quanto Adão sabia de astronomia; quanto conhecimento acumulado Enoque e Moisés possuíam a respeito deste mundo, de seus primórdios, de sua história e de seu fim projetado. Muitos ficariam admirados com o grande Abraão, vivendo há quase quarenta séculos, que era tal autoridade mundial, não somente sobre a terra, seus movimentos e suas condições, mas sobre o próprio universo, estendendo-se até o seu centro mesmo.

Seu conhecimento sobrenatural foi provavelmente complementado por pesquisa e observação nas noites claras e estreladas das planícies da Mesopotâmia, mas ele deve ter recebido a maior parte por meio do Urim e Tumim, que poderia ter sido muito mais revelador que o mais poderoso telescópio do mais moderno observatório. Em seus 175 brilhantes anos de vida, ele acumulou conhecimento em muitos campos, mas especialmente em astronomia, campo em que parece ter se destacado, sendo talvez igual ou superior até aos astrônomos egípcios altamente treinados. No altar próximo a Betel, perto de Jerusalém, veio-lhe o maior de seus conhecimentos científicos.

Enquanto estava sentado no Egito e escrevia seu tratado em papiro, de próprio punho, provavelmente para apresentar a Faraó e sua eminente corte, ele escreveu: "E eu, Abraão, tinha o Urim e Tumim, que o Senhor meu Deus me dera em Ur dos caldeus; "E vi as estrelas e elas eram muito grandes; e vi que uma delas estava mais perto do trono de Deus; e havia muitas grandes que estavam perto dele; "E o Senhor disse-me: Estas são as que regem; e o nome da grande é Colobe, porque ela está próxima de mim, pois eu sou o Senhor teu Deus; coloquei esta para reger todas as que pertencem à mesma ordem daquela onde te encontras."

(Abraão 3:1-3.) Os mundos foram criados, organizados e feitos para funcionar por Jesus Cristo, nosso Senhor, tudo isso a mando e sob a direção de seu Pai, Eloim, nosso Pai Celestial. Abraão sabia, como nós sabemos, que as obras de Deus em todas as criações eram infinitas, propositais, eficientes, ilimitadas.

O Senhor prossegue em sua revelação ao Profeta: "E há muitos reinos; pois não existe espaço em que não haja reino; . . .

"E a todo reino é dada uma lei; . . ." (Ver D&C 88:37-38.) Ele conhecia os limites estabelecidos aos céus, à terra, ao sol, às estrelas, seus tempos, revoluções, leis e glórias — de quais astros esses tomam emprestada sua luz de Colobe, a maior de todas as estrelas. (Abraão 3.) Ele efetivamente nos fala do trono de Deus e de que ele reside "num globo semelhante a um mar de vidro e fogo, [que] — é um grande Urim e Tumim." (D&C 130:7-8.) Ele prossegue em seu tratado inspirado: "E o Senhor disse-me, pelo Urim e Tumim, que Colobe seguia, em suas revoluções, o padrão do Senhor, . . ."

(Abraão 3:4) e que uma revolução sua equivalia a mil anos na terra.

Citamos de novo: "Colobe, significando a primeira criação, mais próxima da celestial, ou a residência de Deus. Primeira em governo, a última no que se refere à medição do tempo." (PGP, Fac-símile 2:1.) Outras grandiosas criações governantes próximas ao lugar onde Deus reside são retratadas. Esse conhecimento avançado foi "revelado por Deus a Abraão, quando este ofereceu sacrifício sobre um altar que havia construído ao Senhor." (Ibid., 2:2.) Ele diz: "Assim eu, Abraão, falei com o Senhor, face a face, . . . e ele falou-me das obras que suas mãos haviam feito; . . . as quais eram muitas; e multiplicaram-se ante meus olhos, e não consegui ver seu fim." (Abraão 3:11-12.) Ao esforçarmos nossa imaginação para absorver a infinitude das criações de Deus, voltamo-nos a um hino predileto:

"Se pudésseis, num piscar de olhos, chegar até Colobe, E continuar em frente, voando com essa mesma rapidez, Pensais que jamais poderíeis, por toda a eternidade, Descobrir a geração em que os Deuses começaram a ser?

"Ou ver o grande início, onde o espaço não se estendia?

Ou contemplar a última criação, onde Deuses e matéria terminam?

Parece-me que o Espírito sussurra: Nenhum homem encontrou 'espaço puro', Nem viu as cortinas exteriores, onde nada tem lugar.

As obras de Deus continuam, e mundos e vidas abundam; Melhoramento e progressão têm um único curso eterno.

Não há fim para a matéria; não há fim para o espaço; Não há fim para o espírito; não há fim para a raça."

—William W. Phelps O notável cientista fala de outros planetas e sugere comunidades civilizadas no espaço. Houve tempo em que a maioria das pessoas pensava que a terra era o mundo, e que o sol, a lua e as estrelas eram contrapartes da terra, ou apêndices inferiores, servindo apenas para dar luz como lanternas penduradas no céu. Mas agora os cientistas sabem, como o povo em geral sabe, e como os profetas souberam muito antes deles, que a terra é apenas uma pequena unidade entre numerosas criações no espaço, iluminada pela presença de Deus, "que está no meio de todas as coisas."

(D&C 88:12-13) ". . . a glória de sua presença fará com que o sol esconda a face de vergonha. . . ." (Ibid., 133:49.) Nosso amigo, o astrônomo, fala de civilizações interestelares, provavelmente vivendo uma história turbulenta como a que a nossa própria terra teve, com a ascensão e a queda de grandes civilizações, como a Babilônia, Nínive, Jerusalém, o Egito, a Grécia, Roma e numerosas outras, que brilharam como um arco voltaico e depois se apagaram, chegando à proporção de uma vela, ou se extinguiram. Os profetas sabiam, através dos séculos, que não somente as civilizações vêm e vão, mas os mundos nascem, amadurecem e morrem. O Senhor disse: "E virá o fim, e os céus e a terra serão consumidos e passarão, . . .

". . . é a obra de minhas mãos." (Ibid., 29:23, 25.) ". . . a terra vive a lei de um reino celestial, porque cumpre o propósito de sua criação, . . .

". . . embora vá morrer, tornará a ser vivificada, . . . e os justos a herdarão." (Ibid., 88:25-26.) O Profeta Joseph escreve: "A terra gira em suas asas, e o sol dá sua luz de dia, e a lua dá sua luz à noite, e as estrelas também dão sua luz, ao girarem em suas asas, em sua glória, no meio do poder de Deus.

". . . e qualquer homem que tiver visto um deles, ou o menor deles, viu Deus movendo-se em sua majestade e poder." (Ibid., 88:45, 47.) "Pois após ter cumprido o propósito de sua criação, será coroada com glória, sim, com a presença de Deus, o Pai; "Para que os corpos que forem do reino celestial possuam-na para todo o sempre; porque com esse intento foi feita e criada, e com esse intento são eles santificados."

(Ibid., 88:19-20.) A Moisés, a Joseph Smith e a outros dos grandes profetas vieram visões e revelações inacreditáveis, tão claras, tão nítidas, tão completas, que ainda haverá muito tempo, se é que algum dia isso ocorrerá, até que, apenas por observação e exploração, os homens obtenham esse conhecimento — pois os profetas viram coisas inacreditáveis, em visão caleidoscópica. "Mas somente um relato desta terra, e de seus habitantes, te dou eu", disse o Senhor a Moisés.

"Pois eis que há muitos mundos que pela palavra de meu poder passaram, e há muitos que agora permanecem, e inumeráveis são eles para o homem; mas todas as coisas são enumeráveis para mim, pois são minhas e eu as conheço."

(Moisés 1:35.) Ficamos quase pasmados com a percepção dos cientistas, cujo conhecimento acumulado nos deixa maravilhados, mas há conhecimento maior; há instrumentos mais perfeitos; há muito mais a aprender. Só podemos imaginar como as grandes verdades foram transmitidas através das eras. Exatamente como esse precioso instrumento, o Urim e Tumim, opera, só podemos supor, mas ele parece ser infinitamente superior a qualquer mecanismo já sonhado pelos pesquisadores. Pareceria ser um aparelho ou instrumento receptor. Para que um aparelho receba imagens e programas, deve haver um aparelho transmissor. As escrituras acima citadas indicavam que a morada de Deus é um Urim e Tumim mestre, e a sincronização de aparatos de transmissão e recepção desse tipo não poderia ter limitação alguma.

Mesmo com nossos aparelhos de comunicação mais elementares, ouvimos vozes ao redor do mundo. Lembramo-nos de quando, mesmo com fones de ouvido, só conseguíamos decodificar parte da estática sobre o recém-nascido rádio.

Nossas primeiras imagens de televisão eram muito locais e muito amadorísticas. Hoje vemos em nossos lares uma luta no Madison Square Garden, um jogo de futebol americano no Cotton Bowl, o Coro do Tabernáculo em Chicago, um astronauta circundando o globo.

É difícil projetar-nos do mundo elementar do homem insignificante para o mundo do Deus Onipotente, que, com grande propósito, desenvolveu instrumentos de precisão operados por meio de seu conhecimento onipotente? É difícil crer que o Urim e Tumim, transmitido através das eras pelos profetas, mesmo nas mãos de nosso próprio profeta dos dias modernos, possa ser aquele instrumento de precisão que transmitiria mensagens do próprio Deus a sua criação suprema — o homem? Pode Deus ter limitações? Podem a atmosfera, a distância ou o espaço reter suas imagens?

Seria tão difícil para Moisés, ou Enoque, ou Abraão, ou Joseph ver uma imagem em movimento colorida e precisa de todas as coisas passadas e presentes, e até futuras? Poderia alguém duvidar de que o santo homem Moisés pudesse ficar de pé no pico da montanha e ver? O Criador de Moisés disse: ". . . olha, e eu te mostrarei as obras de minhas mãos; mas não todas, pois minhas obras não têm fim, . . ."

(Ibid., 1:4.) "Portanto, nenhum homem pode contemplar todas as minhas obras, sem contemplar toda a minha glória; e nenhum homem pode contemplar toda a minha glória e depois permanecer na carne sobre a terra." (Ibid., 1:5.) "Para meu próprio intento fiz eu estas coisas. . . .

"E pela palavra de meu poder as criei, o qual é meu Filho Unigênito, . . .

E "mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito." (Ibid., 1:31-33.) ". . . Os céus, eles são muitos, e são inumeráveis para o homem; mas são enumeráveis para mim, pois são meus." (Ibid., 1:37.) O aperfeiçoado Enoque, ao ver o brilhante e imponente quadro, exclamou: "E se fosse possível ao homem contar as partículas da terra, sim, milhões de terras como esta, isso não seria sequer o começo do número de tuas criações; . . ." (Ibid., 7:30.) E então o Criador disse: ". . . não há fim para as minhas obras, nem para as minhas palavras.

"Pois eis que esta é minha obra e minha glória — levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem." (Ibid., 1:38-39.) O médico citado fala do florescimento das civilizações nos diversos planetas. O Senhor disse a Enoque: "Portanto, posso estender minhas mãos e segurar todas as criações que fiz; e meus olhos podem trespassá-las também, e, entre todas as obras de minhas mãos, jamais houve tanta maldade quanto entre teus irmãos." (Ibid., 7:36.) Sabemos pouco sobre a conversação interplanetária entre planetas da mesma ordem e desenvolvimento, mas sabemos que tais mensagens, num circuito de mão dupla, têm sido ouvidas e compreendidas por homens da terra e devidamente interpretadas a civilizações moribundas ao longo das eras, e isso em consonância com a ideia dos mundos que morrem, dos mundos que vivem e dos mundos que nascem.

As escrituras postulam que mundos deixaram de existir por autodestruição, mas outros mundos avançaram rumo à perfeição, e a comunicação entre o superior e o inferior não é apenas possível, mas também é um fato real. No centro controlador do universo, em tal mundo aperfeiçoado, está Deus. Ele conhece todas as coisas que poderiam possivelmente nos afetar, e, por causa de sua experiência ao nos criar à sua imagem, ele deseja ardentemente que nos tornemos como ele — perfeitos. Assim, ele tem mantido comunicação conosco através dos milênios. Sem avião ou foguete, mensageiros têm vindo.

Nossa maior surpresa está na última conclusão feita pelo astrônomo alemão, quando expressa a crença de que "a jovem civilização da terra está agora se aproximando de sua primeira grande crise, devido a seus novos poderes de autodestruição recém-descobertos", e que "a melhor esperança do homem de evitar o desastre é escutar atentamente por conselhos transmitidos pelo rádio. Lá longe, no espaço estrelado", diz ele, "talvez exista uma civilização antiga e sábia que sobreviveu a muitas crises e está tentando advertir a inexperiente terra contra os erros de sua própria juventude." Que observação perspicaz! No entanto, por milhares de anos, nosso onisciente Pai Celestial, desde o seu antigo e sábio mundo, tem tentado fazer com que seus filhos escutem atentamente esse conselho transmitido e essa sabedoria televisionada, mas eles eram cegos dos olhos e obtusos dos ouvidos. Não estavam ligados à linha de energia.

Mensagens de advertência escritas à mão vieram a ímpios como Belsazar, que, com senhores e senhoras em torpe devassidão, bebiam vinhos em taças de ouro roubadas de templos sagrados, e impérios desmoronaram, e, enquanto a embriaguez e a indulgência sensual estavam em seu auge, ". . . apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palácio real: e o rei via a parte da mão que estava escrevendo.

"Então mudou-se o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram, de modo que as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro." (Daniel 5:5-6.) Esta foi uma mensagem de outro mundo. Daniel interpretou a solene advertência. Em outro continente, Aminadi ". . . interpretou a escritura que se achava na parede do templo, que fora escrita pelo dedo de Deus." (Alma 10:2.) Outra mensagem, escrita pelo Senhor em dois jogos de tábuas de pedra, veio do Monte Sinai: ". . . E escreveu nas tábuas as palavras do convênio, os dez mandamentos." (Êxodo 34:28.) De que outra forma, senão por meio de mensagens interplanetárias, poderia Néfi, terrestre e sem experiência, ter construído um navio marítimo capaz de atravessar com segurança um oceano? De que outra forma poderia Noé ter conhecido as especificações minuciosas para uma arca que resistiria ao dilúvio com segurança? De que outra forma poderia Moisés conhecer as dimensões, os materiais e os usos do tabernáculo, e de que outra forma poderia Salomão conhecer as especificações de seu templo?

Programas transmitidos por rádio vieram em grande número através das eras, fielmente interpretados pelos Jeremias, pelos Ezequiéis e pelos Daniéis; pelos Néfis, pelos Morônis, pelos Benjamins; pelos Pedros, pelos Paulos e pelos Joseph Smiths. Melhor do que comunicações de rádio ou televisão, vieram mensageiros pessoais, sem avião ou nave espacial, da morada de Deus, para anunciar o nascimento de Isaque, a destruição de Sodoma e Gomorra, a vinda de Saulo a Damasco. Por meio de algum programa, talvez algo como uma supertelevisão, José viu a fome que vinha sobre o Egito, de modo que pôde advertir Faraó e salvar seu próprio povo. E outro José viu um programa transespacial que o levou a fugir para o Egito com o Menino Cristo, e depois a retornar a Nazaré. Pedro viu uma imagem do lençol de quatro pontas cheio de animais e ouviu vozes que haveriam de enviar o programa de proselitismo não somente aos judeus, mas também a todo o mundo. Um mensageiro do Pai atravessou o espaço para anunciar: "Pois hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor."

E, vindo do espaço, apareceu subitamente ". . . uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:

"Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens."

(Lucas 2:11, 13-14.) Mensageiros consoladores ficaram ao lado de Cristo em Getsêmani, depois de sua decisão momentosa. Um, vindo de longe no espaço, esteve fora do muro de Jerusalém, junto ao túmulo vazio, e ". . . revolveu a pedra da porta, e estava assentado sobre ela." (Mateus 28:2.) Ele disse: ". . . Vós não tenhais medo: pois eu sei que buscais Jesus, que foi crucificado.

"Não está aqui: porque já ressuscitou, . . ."

(Mateus 28:5-6.) E havia dois homens, não impedidos pelo espaço nem pelo tempo, de pé no Monte das Oliveiras, que disseram: "Homens galileus, . . . esse mesmo Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." (Atos 1:11.) Justamente no século passado, um mensageiro do espaço veio a Joseph Smith, anunciando ". . . que era um mensageiro enviado da presença de Deus . . . que seu nome era Morôni; que Deus tinha uma obra a ser executada por [ele], . . ." (Joseph Smith—História 1:33.) Numa única noite, repetidas visitas, e a travessia através do espaço da terra até a morada de Deus, parecem ter sido realizadas sem limitação de tempo, de espaço ou de atração gravitacional!

Do centro do universo, de onde se origina o poder, a luz, a direção e a inteligência, veio outro mensageiro, anunciando-se como o ressuscitado João Batista. Decapitado antigamente, agora ressuscitado, ele veio restaurar as chaves e os poderes que ele mesmo havia possuído na terra. Foi seguido por três outros mensageiros, Pedro, Tiago e João, que restauraram o Sacerdócio de Melquisedeque com todos os seus poderes e autoridade.

Guardas divinos correram através do espaço para salvar a vida de Abraão na Colina de Potifar, na terra de Ur, para salvar Daniel e seus companheiros na cova dos leões, para salvar Néfi da amargura e da raiva sanguinária de seus irmãos, para salvar Isaque da faca do sacrifício.

Havia, então, mensagens tão preciosas, tão vitais, que o próprio Senhor veio. Ensinou Adão no Jardim do Éden, mostrou a Enoque os milhões de unidades de seu universo, e treinou Moisés para conduzir Israel. Ficou de pé na estrada perto de Damasco e deu início à maravilhosa transformação e ao ministério de Paulo.

E houve, então, as visitas do próprio Pai, que veio testificar de seu Amado Filho Jesus Cristo junto às águas do Jordão, no Monte da Transfiguração, aos nefitas em solo do Novo Mundo. Ele apresentou seu Filho nessas visitas cruciais e vitais.

"Eis o meu Filho Amado, em quem me comprazo, em quem glorifiquei meu nome."

E, novamente, no Bosque Sagrado, no estado de Nova Iorque, vieram o Pai e o Filho na restauração de grandes e sagradas coisas.

Está o homem preso à terra? Em grande medida, sim, e temporariamente, sim; e, no entanto, Enoque e seu povo foram trasladados da terra, e o Cristo vivo e os anjos transitavam entre os mundos.

Há conversação interplanetária?

Certamente. O homem pode falar com Deus e receber dele respostas.

Há associação entre seres interplanetários? Não há dúvida.

Estão os planetas no espaço habitados por criaturas inteligentes? Sem dúvida.

Virão jamais mensagens transmitidas por rádio entre planetas através do espaço ilimitado?

Certamente, pois já vêm chegando há 6.000 anos, devidamente decodificadas, interpretadas e divulgadas, mensagens da mais alta importância para os habitantes desta terra. Sonhos e visões abertas, como programas de televisão aperfeiçoados, têm vindo repetidamente. Representantes pessoais têm trazido mensagens de advertência em número grande demais para mencionar, e é nosso testemunho ao mundo que Deus vive e habita em seu lar celestial, e que a terra é o seu escabelo, apenas uma entre suas numerosas criações; que Jesus Cristo, o Filho desse Deus vivo, é o Criador, o Salvador e o Redentor do povo desta terra que escutar e obedecer; e que essas mensagens interestelares — chamai-as como quiserdes, visões, revelações, televisão, rádio — vindas da morada de Deus para o homem nesta terra, continuam agora a chegar ao profeta vivo de Deus entre nós, neste dia. Isto eu sei, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “My Brothers And Sisters It Is A...”, 1962 April General Conference, Second Day Afternoon Meeting (1962-04-07). Pulpit Vault, 1962-04-kimball-my-brothers-and-sisters-it-is-a. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).