In The Sweat Of Thy Face Shalt...
Henry D. Taylor
"No suor do teu rosto comerás o teu pão." (Gênesis 3:19.) Nestas palavras o Senhor deu a Adão e Eva, ao serem expulsos do Jardim do Éden, a lei econômica pela qual eles e sua posteridade deveriam viver suas vidas aqui sobre a terra. Todas as leis dadas a Adão, somos instruídos, eram leis espirituais. Visto que lhe foi dado o édito de que, no suor de seu rosto, comeria o pão, e que este deveria ser produzido da terra, que fora condenada a produzir espinhos e cardos, podemos concluir logicamente que o trabalho é uma lei espiritual. ¶
Devemos compreender, porém, que Adão e Eva não foram postos sob maldição alguma, mas, sim, que a terra foi amaldiçoada por causa de Adão, ou para o seu bem e benefício, pois o Senhor declarou ainda: ". . . maldita é a terra por causa de ti." (Ibid., 3:17.) Fazia apenas vinte e cinco anos, na conferência geral de abril de 1936, que o plano de bem-estar divinamente inspirado fora anunciado, dando renovada ênfase a princípios tão antigos quanto a própria Igreja. ¶
Na conferência seguinte, em outubro, a Primeira Presidência explicou os propósitos primordiais do estabelecimento do programa. Um dos princípios básicos, declararam eles, era: "O trabalho deve ser reentronizado como o princípio dominante na vida dos membros de nossa Igreja." ¶
(Conference Report, outubro de 1936, página 3.) Para levar a cabo os propósitos do programa, pretendia-se que todos os membros da Igreja se unissem e trabalhassem para produzir e processar os artigos necessários para cuidar dos "pobres do Senhor", isto é, os necessitados dignos, e que esses necessitados, ao receberem assistência, deveriam, na medida de suas capacidades, trabalhar pela ajuda recebida. Desse modo, não haveria esmola, não haveria receber algo sem dar nada em troca. Compreende-se que um fator essencial deste grande movimento, o plano de bem-estar, é o trabalho. ¶
Desde a mais tenra juventude, os Santos dos Últimos Dias têm sido, ou deveriam ter sido, ensinados a considerar o trabalho como algo honroso e a dignificá-lo, realizando um dia de trabalho honesto por um dia de pagamento justo. O poeta Carlyle expressou este sentimento ao escrever os versos: "Todo trabalho, mesmo o de fiar algodão, é nobre; só o trabalho é nobre." ¶
O Apóstolo Paulo compreendeu claramente e enfatizou o princípio do trabalho. ¶
Em sua epístola aos tessalonicenses, ele os lembrou: ". . . isto vos mandamos, que se alguém não quiser trabalhar, não coma também. ¶
"Porque ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando; antes, fazendo coisas vãs. ¶
"Aos tais, porém, mandamos, e admoestamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. ¶
"E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem." (2 Tessalonicenses 3:10-13.) Muitos têm observado com apreensão as tendências atuais de encurtar continuamente as horas de trabalho. A jornada de quarenta horas parece destinada a ser revista para menos, à medida que cresce a agitação por reduzir ainda mais a semana de trabalho para trinta e cinco ou até trinta horas, sem diminuição nos benefícios. Há também aqueles que aguardam com expectativa os sessenta e cinco anos de idade como a época da aposentadoria de todo trabalho e labuta. Para sua tristeza, muitos descobrem que o excesso de tempo livre pode criar problemas não previstos e trazer desilusão e infelicidade. Aprendem a importante verdade de que o trabalho é uma grande bênção e pode resultar em alegria e felicidade para si mesmos e para a humanidade. Descobrem também que não fazer nada é um dos trabalhos mais difíceis de todos. Quando ficamos cansados, não conseguimos descansar. Estamos em cativeiro quando nos recusamos a trabalhar. ¶
Elizabeth Barrett Browning disse: "Homens livres trabalham livremente: Quem teme a Deus teme ficar ocioso." ¶
A ociosidade é uma ofensa contra o evangelho e recebeu a severa condenação do Senhor. Ele a denunciou com vigor e veemência quando instruiu: ¶
"Não serás ocioso; porque o ocioso não comerá o pão nem usará as vestes do trabalhador." (D&C 42:42.) "Pois o ocioso será lembrado perante o Senhor." (Ibid., 68:30.) Em outra ocasião ele aconselhou: ¶
"Que todo homem seja diligente em todas as coisas. E o ocioso não terá lugar na igreja, a não ser que se arrependa e melhore o seu proceder." (Ibid., 75:29.) Brigham Young admoestou os Santos, dizendo: ¶
"Dar ao ocioso é tão mau quanto qualquer outra coisa. Nunca dês ao ocioso." ¶
(Discourses of Brigham Young, p. 275.) A Primeira Presidência expressou sua reprovação ao mal da ociosidade ao explicar os propósitos do programa de bem-estar, declarando que era, entre outras coisas: ¶
"Estabelecer . . . um sistema pelo qual a maldição da ociosidade seria eliminada." ¶
O tempo de vida do homem vem se prolongando constantemente. Cada vez mais os cidadãos idosos se veem diante do problema de utilizar adequadamente o tempo livre, de acordo com seus desejos, experiência, conhecimento e habilidades. Esses anos de outono podem ser anos ricos, gratificantes e dourados, repletos de trabalho e atividade, como testemunham os rostos serenos e felizes dos idosos que trabalham no templo e das pessoas dedicadas à pesquisa na Biblioteca Genealógica. Fiquei profundamente impressionado e comovido com a expressão de felicidade e contentamento no rosto de um irmão de noventa e dois anos, ocupado em rotular latas na Praça do Bem-Estar. O trabalho, para ele, era valioso e precioso. ¶
Quão glorioso é que a Igreja proporcione meios, recursos e oportunidades para que aqueles que envelhecem se dediquem a um trabalho interessante e construtivo; e quão orgulhosos devemos estar de pertencer a tal organização. ¶
O Presidente McKay, aos oitenta e oito anos de idade, é uma inspiração e um exemplo brilhante para todos nós; em seu escritório desde cedo pela manhã até a noite, viajando pelo mundo, orientando, estimulando e inspirando os Santos. ¶
A inatividade ou a abstenção do trabalho pode produzir uma deterioração tanto dos músculos como da mente. O corpo acumula veneno quando deixa de ser ativo. A mente enfraquece e diminui em eficácia quando não é estimulada por vigoroso exercício mental. Por outro lado, o trabalho contribui para a boa saúde, o contentamento e o bom ânimo. Alguns de seus felizes resultados são a paz de espírito, o apetite saudável, o sono tranquilo e o descanso ininterrupto. ¶
". . . operai a vossa salvação com temor e tremor." (Filipenses 2:12.) Para os Santos dos Últimos Dias, isso não é apenas uma frase vazia; é uma verdade profunda. ¶
Trabalhar pela própria salvação é responsabilidade de cada pessoa, exigindo consideração e mais do que mero cumprimento formal. Cada um de nós, em algum dia futuro, comparecerá perante o tribunal de Deus para prestar contas de seus atos nesta vida. ¶
João, o Apóstolo Amado, previu em visão este acontecimento memorável e o descreveu nestas palavras: ¶
"E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus; e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." (Apocalipse 20:12.) Assim podemos dizer, com corações gratos, "obrigado, Pai Celestial", pelo privilégio e a bênção do trabalho; e como alguém já disse com propriedade: "Pelo vigor que ele dá, pelo orgulho que ele traz, pela glória que ele encerra, pela paz de espírito que vem do esforço." ¶
Presto-vos meu testemunho, meus irmãos e irmãs, de que o princípio do trabalho é uma lei espiritual dada por Deus. Oro humildemente para que cada um de nós labute diligentemente, a fim de que um dia possamos merecer as palavras de aprovação: "Bem está, servo bom e fiel: . . . entra no gozo do teu senhor," (Mateus 25:21.) em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém. ¶