Pulpit

I Need And Earnestly Pray For The...

Marion D. Hanks

1961 April General Conference·Third Day Morning Meeting·1961-04-09

Preciso, e oro fervorosamente, pelo Espírito do Senhor nesta importante oportunidade. Com a orientação desse Espírito, esperaria fazer três coisas nesta manhã: acrescentar o meu testemunho ao que aqui foi dito, confrontar e reconhecer um sério problema, e então oferecer algumas sugestões relacionadas ao bem-estar da juventude e ao seu relacionamento com os pais e outros adultos.

Talvez muitos de vós não tenhais ouvido a comovente declaração de fé e confiança na juventude que o Presidente McKay fez no início desta conferência. A nenhuma mensagem poderia eu ter respondido com mais sincero entusiasmo. Acrescento o meu testemunho de alegria e confiança neles.

Sou alguém que crê fervorosamente que ensiná-los, procurar ajudá-los e prestar-lhes testemunho é tão importante quanto qualquer obra missionária realizada hoje no mundo.

Nesta manhã, o Irmão [Mark E.] Petersen dirigiu à nação uma comovente expressão da sua convicção de que, nos pais e nos lares da América, reside a base de grande parte do problema da nossa juventude. A isto acrescento o meu testemunho. Creio que não há força tão vital para ajudar a moldar a vida dos jovens, para o bem ou para o mal, quanto a influência dos pais e do lar.

Gostaria de testificar de outra verdade: a meu ver, jamais houve oportunidade tão grande, nem necessidade tão urgente, quanto a de hoje, para que esta Igreja, os seus membros, as famílias e os lares compartilhem grandes e vitais princípios, programas e inspiração com a juventude da Igreja e da nação. Creio que temos uma oportunidade sem paralelo para liderança e contribuição. Gostaria de testemunhar-vos que a nossa muito discutida, terrivelmente tentada, frequentemente perturbada, muitas vezes subestimada, mas maravilhosa, sólida e promissora geração jovem tem conhecimento das suas necessidades e nos diz, por vezes nas mesmíssimas palavras que lhes dissemos (quando têm a oportunidade de dizê-lo e de serem ouvidos), que conhecem as suas necessidades e gostariam que os ajudássemos a supri-las.

O segundo tema que gostaria de assinalar é que há problemas muito trágicos envolvendo muitos dos jovens desta terra. Confesso que ainda me pergunto sobre a conveniência de citar estatísticas desagradáveis por si mesmas e em suas implicações, sem tempo para considerar devidamente os antecedentes e as circunstâncias, mas creio que não temos tempo a perder, e que, em algum momento, em algum lugar, os pais e outros adultos devem ser confrontados com os fatos. Permiti-me dar um exemplo do que quero dizer.

A Marinha dos Estados Unidos, há algum tempo, instituiu um programa de fortalecimento do moral entre o seu pessoal — um programa maravilhoso, baseado em princípios fundamentais de moralidade, responsabilidade e patriotismo, com os quais a Igreja sempre se preocupou e que estão em vigor entre nós. Relata-se que os resultados do programa da Marinha foram excelentes, mas permiti-me relatar algumas das preocupantes estatísticas que motivaram a instituição do programa e que ainda refletem, ao menos em certa medida, as circunstâncias existentes.

Durante um período de seis meses, foi noticiado publicamente que a população carcerária da Marinha totalizava homens suficientes para tripular toda a frota de submarinos da nação.

A Marinha estava iniciando um novo processo de corte marcial a cada dois minutos e meio de cada dia útil. Homens suficientes desertavam a cada ano para tripular doze cruzadores de mísseis guiados, homens suficientes eram desligados desonrosamente para tripular vinte destróieres, e homens suficientes eram hospitalizados apenas por motivos neuropsiquiátricos para tripular cinco porta-aviões da classe Forrestal.

A American Social Health Association estima uma população anual infectada por doenças venéreas nos Estados Unidos de 200.000 pessoas com menos de vinte anos de idade. Em qualquer ano dado, menos de 50.000 destes casos são registrados. A maior parte do restante permanece não descoberta, muitos até se manifestarem em tragédia na vida de famílias ou outras pessoas desprevenidas.

Nota-se também que houve 207.000 nascimentos ilegítimos registrados nesta nação no ano passado.

Estas estatísticas já são suficientemente surpreendentes, mas são indicativas de outro problema que alarma particularmente alguns observadores conhecedores do assunto. Ouvi esta declaração publicada recentemente:

"À medida que deixamos de reverter a tendência crescente da delinquência juvenil, aproximamo-nos de uma situação crítica. Os nossos recursos nacionais para a detenção, o tratamento ou a reabilitação da criança pré-delinquente ou delinquente já são inadequados, desigualmente distribuídos e severamente sobrecarregados. Serão incapazes de lidar com novos aumentos na nossa população jovem e com o crescimento da delinquência."

Em palavras simples, isto assinala a apreensão no coração de muitos que creem que não nos será possível produzir especialistas, peritos, orientadores, psicólogos, assistentes sociais com rapidez suficiente para atender à crescente necessidade deles.

Evidentemente, então, a solução está em outro lugar. Tem de haver outra resposta.

Não minimizamos o trabalho dos peritos e dos profissionais treinados. Embora a Igreja esteja primordialmente interessada na prevenção, a mensagem do evangelho é também de restauração e reabilitação.

Os primeiros princípios do evangelho são a fé e o arrependimento, baseados no amor a Deus e ao próximo.

A resposta ao problema da juventude americana, contudo, não pode ser deixada apenas ao perito e ao especialista. Ela está nas mãos, nos corações, nos espíritos dispostos dos pais e de outros adultos interessados que podem abençoá-los e ajudá-los a enfrentar os seus problemas — esta grande e sólida maioria de maravilhosos jovens que desejam agir bem, que não estão agora em dificuldades e não desejam estar, mas que precisam de ajuda para se tornarem os seres humanos construtivos, contribuintes e saudáveis que gostariam de ser.

O meu terceiro tema, então, é considerar algumas das necessidades da juventude.

Menciono primeiro (e ninguém se surpreenderá com isso) que os jovens precisam do amor e da aprovação dos seus pais e de outros cujas vidas os influenciam e que são importantes para eles. Precisam ser aceitos como são, e à luz daquilo que podem vir a ser, e precisam ser motivados, por meio do amor, a desejar ser o melhor que são capazes de ser. Precisam de um sentimento de pertencimento, de sólida ligação a algo estável. Precisam da confiança e do respeito, da fé e das elevadas expectativas dos seus mais velhos. Permiti-me citar novamente as maravilhosas palavras de Goethe: "Se tratardes um indivíduo como ele é, ele permanecerá como é, mas se o tratardes como se fosse aquilo que poderia e deveria ser, ele se tornará aquilo que poderia e deveria ser."

Tenho em minha posse uma cópia de uma carta escrita nas planícies por uma mãe pioneira que acabara de enterrar o marido. De coração partido, ela levou os seus filhos e prosseguiu na jornada com a grande fé que a havia movido da Europa através de um oceano e que agora a movia a atravessar um continente. Ela escreveu uma carta aos pais do marido, notificando-lhes a morte do filho. As palavras dela me comoveram tanto na primeira leitura que não consegui esquecê-las.

Ela disse:

"Caros pai e mãe: com o coração partido, tenho de vos contar da morte, nas planícies, do vosso amadíssimo filho e meu melhor amigo." E então ela prosseguiu, contando-lhes a história do seu falecimento.

Não é certamente verdade que os melhores amigos que temos neste mundo deveriam ser aqueles da nossa própria casa? Em que espécie de ambiente cresceria a juventude se esse sentimento estivesse presente nos lares dos Santos dos Últimos Dias e, talvez, por meio de nós, nos lares de tantas boas, fiéis e leais pessoas desta nação e do mundo? Como seria para a prosperidade espiritual dos jovens se estivessem seguros de um amor que perdura, que inspira e que admite imperfeições, falhas, erros e arrependimento?

Não creio que ouvirei, neste mundo, coisa mais doce e comovente, e, para mim, como pai, mais satisfatória, do que algumas palavras que ouvi da boca de uma menina de quatro anos, no meio da noite, há alguns anos. Houvera uma infração infantil, algo séria, pois envolvia o uso de uma faca de açougueiro entre duas criancinhas, e, como tenho o amor normal por elas e algumas ansiedades normais quanto ao seu futuro, eu havia intervindo. Houve um período de instrução, alguma punição para reforçá-la, algumas lágrimas, algumas explicações e um tempo de autoexame. Fomos acordados bem cedo na manhã seguinte ao ouvir as duas meninas conversando. A de três anos estava na cama com a de quatro, sendo consolada de algum susto noturno.

Ouvimos a de quatro anos dizer-lhe: "Não fiques assustada, Nancy. Vais ficar bem." E então: "Sabes de uma coisa, Nancy? Sabes que o papai e a mamãe nos amam mesmo quando somos levadas? Eles estão só tentando nos ensinar."

Que o Senhor nos ajude a ter sabedoria suficiente e fé suficiente para sempre ajudá-los a acreditar nisso, e para fazê-los saber que o seu Pai celestial também sente assim, que é a nós e a ele que devem recorrer no arrependimento, na fé e na humildade.

Com este amor, afeto e confiança, os jovens precisam ser instruídos. Alguém disse certa vez que costumamos subestimar a sua inteligência e superestimar a sua experiência.

Esperamos que ajam como adultos em miniatura, e, no entanto, muitas vezes não os ensinamos.

O que precisamos ensinar-lhes? Podemos ter certeza da sua perceptividade. Podemos ter certeza de que verão, ouvirão, absorverão e imitarão, e, por isso, é vital que aquilo que veem, ouvem e absorvem seja digno de imitação. Precisamos ensinar-lhes, como o Senhor nos ensinou a ensiná-los, os primeiros princípios do evangelho. Precisamos ensinar-lhes a oração. Precisamos ajudá-los a obter um sentido do seu relacionamento com o seu Pai Celestial, que os faça desejar andar em retidão perante ele, que os ajude a buscar objetivos e metas que vão além do material. Devemos esforçar-nos por ensiná-los a desejar educar e disciplinar a mente e a manter o corpo limpo e saudável. Em sua juventude, precisam ser ensinados de que há coisas pelas quais vale a pena sacrificar-se; precisam aprender bom civismo, patriotismo, respeito pelos outros, honra, honestidade e coragem. Precisam ser ensinados a amar a boa literatura, a beleza e o mundo de Deus.

Há um quadro esclarecedor, ainda que um tanto preocupante, do que os nossos jovens precisam aprender, nas palavras de um oficial de inteligência da China comunista, descrevendo soldados americanos capturados:

"Ele tem lealdades fracas para com a sua família, a sua comunidade, o seu país, a sua religião e os seus companheiros de armas. O seu conceito de certo e errado é vago. É basicamente materialista e é um oportunista.

É ignorante quanto aos valores sociais. . . . Há pouco ou nenhum entendimento, mesmo entre os graduados universitários, da história e da filosofia política dos Estados Unidos, ou das salvaguardas da sua própria liberdade e de como estas supostamente operam dentro do seu próprio sistema decadente."

Os nossos jovens precisam ser ensinados em muitas coisas básicas que não podemos presumir que adquirirão fora do lar.

Precisamos ensinar-lhes ali, e depois procurar difundir a nossa influência e a nossa eficácia até as escolas, a vizinhança, a comunidade e a nação.

Aprecio algumas palavras atribuídas a Samuel Taylor Coleridge acerca daquilo que deveríamos ensinar aos nossos filhos. Diz-se que um homem amplamente conhecido pelos seus produtivos acres, jardins esculpidos e filhos brilhantes anunciou, na presença do Sr. Coleridge, que não predisporia os seus filhos em relação à religião, mas os deixaria decidir quando crescessem. Coleridge, segundo se relata, disse-lhe: "Bravo, esta é uma ideia muito progressista.

Por que não a aplicais aos vossos campos, pomares e jardins no futuro?

Não predisponhais o solo à semeadura, ao capinar ou ao cultivo, as árvores à poda ou ao desbaste, os jardins aos bulbos ou ao planejamento. Por que não ver se eles simplesmente não crescerão e decidirão ser aquilo que esperais que sejam?"

Os jovens precisam ser ensinados.

Além destes fundamentos, os jovens precisam de disciplina, de orientação. Precisam ser responsabilizados pelos seus atos. Merecem ter regras justas estabelecidas, que sejam compreendidas, e depois ter estas regras administradas de modo consistente, justo e firme.

Os jovens precisam de ideais elevados e de serem, de algum modo, movidos a desejar ter a força de vontade e a resolução para se identificarem com eles e para os servirem.

Falamos aqui de caráter, das convicções, da coragem e da consciência que se combinam para produzir e preservar grande parte do que há de bom na humanidade.

Uma conferência ou duas atrás, o Presidente McKay fez uma declaração que ecoou por toda a nação, e suspeito que além das suas fronteiras, quando disse que é a flacidez de caráter, e não a flacidez muscular, que está na raiz de muitos dos problemas da juventude americana.

Os jovens precisam saber que a autoestima é uma possessão preciosa, e que a autoestima só vem quando vivemos uma vida coerente com a honra e com os elevados princípios que sabemos serem bons.

Quando menino, tive a bênção de uma mãe maravilhosa que me impelia a ler e a memorizar. Uma das mais fecundas fontes de sabedoria que encontrei foram os escritos de Sêneca, um senador romano. Então, certo dia, li a vida de Sêneca. Até então, eu o considerava um dos homens mais fortes, mais admiráveis e mais dignos com quem me familiarizara por meio da literatura. Mas li naquele livro como Sêneca, carecendo da coragem das suas próprias convicções, ficara de pé no plenário do Senado romano e justificara o assassinato, por Nero, da própria mãe. Deixei de admirar Sêneca naquele momento. Não mais o admirei. A minha experiência e o meu testemunho são de que os jovens, em geral, têm pouca admiração e confiança por adultos que dizem uma coisa e fazem outra, por mais superior que seja o seu intelecto.

A atividade é uma das necessidades prementes da juventude em toda parte. Precisam ter permissão para se expressar livre, criativa e responsavelmente, em ação saudável, sob boa liderança, em circunstâncias favoráveis, com companheiros dignos. Ouvi uma discussão entre dois diretores de presídios da nossa cidade, em uma convenção. Eles concordaram que havia duas coisas quase invariavelmente verdadeiras a respeito dos detentos sob a sua custódia:

  1. Jamais tiveram a oportunidade de participar de uma atividade organizada sob boa liderança.

  2. Jamais aprenderam atitudes responsáveis para com os outros.

Ora bem, alguém tem de ser o chefe escoteiro; alguém tem de ser o conselheiro do quórum; alguém precisa liderar o coral e ser o treinador. Alguém tem de se interessar o suficiente para que os nossos jovens obtenham aquilo de que precisam para amadurecer felizes. Tem de haver alguém para conduzi-los. Talvez não seja inapropriado citar algumas palavras já mencionadas nesta conferência: "Se não por mim, por quem?"

Os jovens precisam ser abençoados com a oportunidade de trabalhar. Devem aprender que não há excelência sem labor.

Os jovens precisam encontrar fé em Deus e na imortalidade, no propósito da vida e na perpetuação da personalidade humana além da sepultura.

Precisam saber que as famílias podem ser eternas. Precisam conhecer, por si mesmos, a santidade do serviço e a santidade da oração. Pessoas que realmente conhecem a juventude, e que têm tido razão para avaliar alguns dos seus problemas, dizem-me, onde quer que eu vá, que aquilo que mais falta aos jovens é fé e coragem; fé e coragem — ingredientes com que melhor podem ser dotados no lar, ferramentas que não são distribuídas na faculdade, armas que não se descobrem em nenhum arsenal militar.

Por fim, menciono que, em todas estas coisas e em todo outro objetivo digno para eles, os jovens precisam do exemplo de adultos a quem possam honrar e reverenciar. Ao ouvir jovens por toda esta terra, ouvi muito poucas referências à lacuna de mísseis. Não é essa lacuna que preocupa a juventude, mas a lacuna entre o preceito e o desempenho, entre o conhecimento e a conduta, entre o ritual e a retidão, entre o que os adultos dizem e o que os adultos fazem. A juventude, afinal, responde aos valores que as gerações adultas, de fato — e não em teoria —, exaltam.

Disse Platão: "Aquilo que é honrado em um país será ali cultivado."

E poderíamos acrescentar: em um lar e em uma família, em uma vizinhança, em uma comunidade, em uma igreja.

Que Deus nos abençoe para que possamos reconhecer o seu grande valor e potencial, para que possamos compreender os seus problemas, e para que possamos oferecer-lhes, da sinceridade do nosso amor por eles, aquilo de que precisam. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoMarion D. Hanks, “I Need And Earnestly Pray For The...”, 1961 April General Conference, Third Day Morning Meeting (1961-04-09). Pulpit Vault, 1961-04-hanks-i-need-and-earnestly-pray-for-the. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).