Senhores de Nós Mesmos
David O. McKay
PRESIDENTE DAVID O. McKAY ¶
Quando esta vasta congregação respondeu à batuta do Irmão Condie na primeira nota de "Do What Is Right" ["Fazei o Que É Certo"], fiquei emocionado. A força de vossas vozes expressou um espírito sublime, e, curiosamente, isso me lembrou de uma declaração que um destacado empresário dos Estados Unidos me fez no avião que nos levou à África do Sul, há alguns anos. Havia três empresários — um que era presidente do conselho de uma companhia de mineração ali na costa da África; outro que era membro do conselho, indo a uma reunião do conselho; e este cavalheiro, que era o chefe de uma rede nacional de drogarias. ¶
Quando ele descobriu que somos mórmons, disse: "Sempre que consigo encontrar um jovem mórmon para assumir a direção de nossas drogarias, digo a meus homens para lhe dar um cargo. Tenho muitos deles em meu emprego." Ele encontrou integridade neles. Pensei ter sentido, esta noite, a força e a fonte dessa integridade. ¶
Pensei, quando o cavalheiro fez essa declaração, que qualquer jovem membro desta Igreja que consiga um cargo naquela rede de lojas pode lançar uma sombra sobre todo o corpo, caso deixe de sustentar o padrão da Igreja. Isso é o que faria. Sempre que alguém, qualquer marido nesta Igreja, trata sua esposa injustamente, ou se rebaixa a ponto de bater nela, como ouvi recentemente que um homem fez, ele desonra seu Sacerdócio, lança uma sombra sobre toda a Igreja. Isso seria verdade ainda que ele fosse apenas um membro, mas, se ocupa uma posição de destaque na Igreja, como este homem ocupa, ele desonra seu Sacerdócio, e prova ser infiel a seus companheiros. Ele desonra seu quórum, e prova ser indigno de ser membro dele. ¶
É uma visão inspiradora ver este corpo aqui no Tabernáculo, e perceber que, reunidos em outras 139 casas, há membros do Sacerdócio, dos sumos sacerdotes aos diáconos, reunindo-se esta noite e sentindo o poder do Sacerdócio. ¶
Um princípio se destaca em minha mente esta noite, e é a virtude do autodomínio. Quando um homem aceita o Sacerdócio, ele aceita a obrigação de controlar-se em quaisquer circunstâncias. Essa é a primeira lição que o Salvador nos deu depois de seu batismo — o poder de resistência. Erguendo-se da planície por onde o rio Jordão flui até o Mar Morto, próximo ao local do batismo de Cristo, há um penhasco íngreme chamado o Monte da Tentação. As pessoas o apontam e dizem: "Foi a esse monte que Jesus se dirigiu depois de ser batizado no rio Jordão." ¶
Aquelas três tentações que lhe foram dadas nos são dadas a nós. A primeira foi um apelo a seu apetite, depois de 40 dias de jejum, tentação que é, na verdade, um apelo ao apetite. A segunda, um apelo à sua vaidade. "Lança-te daqui abaixo. Desafio-te a isto; e desafio-te a aquilo." E a terceira, "os reinos do mundo e toda a sua riqueza serão teus se me seguires." Quando Satanás chegou a esse ponto, ele já não desafiava, mas suplicava. "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares." ¶
À medida que Cristo resistia à tentação do apetite, da paixão; à medida que resistia ao apelo à sua vaidade e ao seu orgulho, ele crescia em poder. Melhor dizendo: a atitude bombástica de Satanás, sua atitude desafiadora, "Se tu és o Filho de Deus", transforma-se em uma de súplica, e, quando Cristo disse: "Arreda-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás," vislumbramos o que significa ser vencedor sobre a tentação, e compreendemos também como a tentação perde seu poder e nos deixa. Ao esgueirar-se Satanás, vieram anjos e serviram a Cristo. ¶
Pois bem, as tentações vêm a todo homem que possui o Sacerdócio. Um dos bispos que nos falou esta noite referiu-se à relação entre o autodomínio, o autocontrole e a reverência. Essa é uma das grandes lições nesse assunto da reverência. Ambos os bispos, que nos deram excelentes sugestões e a quem agradeço neste momento, referiram-se à necessidade de reverência no lar, ao controle da autoridade presidente ao conduzir reuniões, ao controle de sua própria língua. Não conheço atributo, nem qualidade, mais propício à paz no lar do que o autodomínio. Se o marido percebe algo na esposa que poderia criticar, seria melhor que nada dissesse, que controlasse sua língua. Isso é uma coisa excelente a fazer, nada dizer a respeito. E, se a esposa praticasse a mesma coisa, quantas disputas e brigas seriam interrompidas, extintas em seu início. ¶
Pais que subitamente se enfurecem, ou se magoam, ou se ofendem com algum ato de um filho cometido inocentemente, podem ferir os sentimentos da criança. Os pais deveriam conseguir exercer controle sobre si mesmos, controle sobre suas mãos, controle particularmente sobre sua língua, e assim os sentimentos da criança não seriam feridos. ¶
Todo domingo, quando participamos do sacramento, convencionamos que faremos, pelo menos, esta única coisa, onde quer que estejamos. Lede o que Tiago diz sobre controlar a língua, um membro indomável, e vereis que este é um dos princípios fundamentais. Convencionamos naquele domingo que tomaremos sobre nós o nome do Filho, testificamos que o faremos. É preciso algum controle para manter essa promessa. Testificamos que sempre nos lembraremos dele. ¶
Devemos ser sempre dignos, senhores de nós mesmos. Quando Pilatos disse: "Eis aqui o homem," ele pedia a todos que contemplassem o homem perfeito. Ele era exatamente isso. Convencionamos que guardaremos os mandamentos que ele nos deu. Uma das razões pelas quais os não membros, os incrédulos no cristianismo e na religião, tanto se manifestam contra ela é a inconsistência entre o cristão que finge fazer essas coisas e depois, em seus negócios e em sua vida doméstica, faz exatamente o oposto, e a ele aplico aquele terrível título, "hipócrita," pecado condenado mais veementemente pelo Salvador do que qualquer outro, exceto os grandes pecados do adultério e do assassinato. ¶
Suplico aos membros do Sacerdócio em toda a Igreja que pratiquem o autodomínio. Isso se aplica aos futuros missionários e aos missionários que estão em campo. Sede senhores de vós mesmos, senhores de vossos apetites, senhores de vossas paixões. Maridos, esposas, sede como uma luz posta sobre um monte, para que os homens, vendo vossas boas obras e vossa boa vida, glorifiquem a nosso Pai nos Céus. ¶
O que foi que levou o presidente, suponho, da maior rede de drogarias dos Estados Unidos a dizer: "Escolho os rapazes mórmons onde quer que os possa conseguir"? Ele tem confiança em vós. Vós resistireis à tentação de tomar qualquer parte de seu dinheiro. Vós o representareis em seus negócios, dando retorno a seu investimento. O poeta disse: ¶
É fácil o bastante ser agradável Quando a vida flui como uma canção, Mas o homem que vale a pena é aquele que sorri Quando tudo dá terrivelmente errado. Pois a prova do coração é a aflição, E ela sempre vem com os anos, E o sorriso que merece os louvores da terra É o sorriso que brilha através das lágrimas. ¶
É fácil o bastante ser virtuoso, Quando nada vos tenta a desviar-vos, Quando, por fora ou por dentro, nenhuma voz de pecado Atrai vossa alma para longe; Mas essa é apenas uma virtude negativa Até que seja provada pelo fogo, E a vida que merece a honra na terra É a vida que resiste ao desejo. ¶
Pelo cínico, pelo triste, pelo caído, Que não tiveram força para a luta, A estrada do mundo está hoje entulhada; Eles compõem a soma da vida. Mas a virtude que vence a paixão, E a tristeza que se esconde em um sorriso, São estas que merecem a homenagem na terra, Pois só as encontramos de vez em quando. ¶
— "Worth While" ["O Que Vale a Pena"], de Ella Wheeler Wilcox ¶
Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. ¶
Louvo o Bispo Wirthlin e o Bispo Richards por suas excelentes mensagens a nós sobre a reverência, e, como um deles disse, na base de tudo está esta virtude do autodomínio, do autocontrole. Não há sussurros dos pais durante a administração do sacramento quando eles exercem essa virtude. Não há sussurros depois de entrar na Casa de Deus. Há comunhão entre o espírito e o Espírito do Senhor. Não há sussurros no púlpito, porque toda a preparação é feita de antemão. ¶
E as crianças deveriam saber que, embora queiram brincar, precisam resistir a isso durante a hora de adoração, para que não interrompam a concentração e a comunhão espiritual dos demais. ¶
Deus nos abençoe para que sejamos fiéis às responsabilidades que nos foram dadas diretamente dos céus. De nada adianta desculpá-la ou atenuá-la, essa é a verdade, e o corpo do Sacerdócio que nos ouve esta noite, representando as centenas de milhares que possuem o Sacerdócio, carrega a responsabilidade de dar o exemplo ao mundo inteiro. ¶
Que Deus nos dê poder para cumprir nossos deveres honrosa e satisfatoriamente — em nossos lares, em nossas relações comerciais, e especialmente em nossa associação com líderes no mundo que, vendo nosso caráter, nossa liderança, possam ser influenciados a levar muitos outros de seus membros, em escala nacional, sob seu controle, a favorecer atos e leis necessários para que os missionários, representantes desta Igreja, possam levar o evangelho a todo o mundo. Esse é o nosso dever — ensinar todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que ele ordenou, e ele diz: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." ¶
Deixo minha bênção convosco, meus caros companheiros de trabalho. Nossos corações estão cheios de orgulho — orgulho justo — pela fraternidade demonstrada ontem à noite por aqueles jovens rapazes do Sacerdócio Aarônico, e esta noite pelas dezenas de milhares de homens que possuem o Sacerdócio de Melquisedeque. ¶
Oro a Deus que nos dê poder, que ilumine nossa mente, avive nosso entendimento, e nos dê bom senso em todas as circunstâncias, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶