O Caráter Pessoal de Deus, o Eterno Pai
Milton R. Hunter
Meus queridos irmãos e irmãs, é uma verdadeira inspiração olhar para os rostos de tantas pessoas quantas estão reunidas nesta vasta congregação. Oro humildemente para que o Espírito de Deus me acompanhe nas poucas palavras que profiro nesta ocasião. É meu desejo, nesta manhã, com a ajuda do Senhor, dizer algumas palavras que complementem o belo discurso que acaba de ser proferido pelo Presidente George F. Richards. ¶
O Caráter de Deus ¶
É meu sincero desejo dar meu testemunho e dizer algumas palavras a respeito do conceito que os santos dos últimos dias têm de Deus, o Eterno Pai, a quem nós, como membros da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, adoramos tão devotadamente, humildemente e com tanta oração. ¶
Pouco antes de sua morte, o Profeta Joseph Smith declarou que: ¶
É o primeiro princípio do evangelho conhecer com certeza o caráter de Deus. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, p. 345.) ¶
Lemos no evangelho de João (e uma declaração semelhante está registrada na revelação moderna) que: ¶
. . . a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (João 17:3; ver D&C 132:24.) ¶
A partir dessas declarações feitas por homens santos por meio da revelação divina, verificamos que o conceito de Deus que um povo tem é muito importante para ajudar a determinar o tipo de vida que ele leva. A história confirma que, quando qualquer grupo de pessoas teve como sua crença o conceito de que Deus era um Deus de amor, caridade e bondade — em outras palavras, quando aceitaram Deus como um Ser divino que possui todas as características da bondade em porção infinita —, essas pessoas procuraram emular em sua vida esse tipo de Divindade. Por outro lado, quando um grupo de pessoas acreditou que o Eterno Pai era um Deus de capricho, um Deus injusto e propenso a fazer favoritismo, verificamos que essas pessoas recorreram a formas e modos de adoração muito degradados, tais como o sacrifício humano. De fato, seu comportamento moral estava no mesmo plano que seu conceito de Deus. ¶
Ao ocupar esta posição nesta manhã, percebo que me será absolutamente impossível explicar com muita precisão o conceito que os santos dos últimos dias têm da personalidade de Deus, o Eterno Pai, porque ele é um ser infinito, com características e atributos infinitos, ao passo que eu sou apenas um homem finito. É impossível ao finito entender e compreender plenamente o infinito; e, no entanto, gostaria de dizer algumas palavras, como já indiquei, para complementar o que o Presidente George F. Richards explicou tão magistralmente a respeito de Eloim — o Eterno Pai. ¶
Deus, um Ser Pessoal ¶
Cremos que Deus é um ser pessoal. Por ser pessoal, queremos dizer que ele é um homem — um homem exaltado. Há aproximadamente cem anos, pouco depois de Lorenzo Snow se tornar membro da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, ele formulou um notável dístico que, desde então, se tornou célebre. Ele disse: "Como o homem é, Deus outrora foi; como Deus é, o homem pode vir a ser." (Lorenzo Snow, The Millennial Star 54:404.) Repetidas vezes, durante o período da restauração do evangelho de Jesus Cristo ao Profeta Joseph Smith, várias evidências lhe foram dadas, sustentando, ampliando e explicando a personalidade de Deus. Se o tempo permitisse, muitas excelentes citações poderiam ser tiradas da Doutrina e Convênios que ajudariam a descrever a personalidade de nosso Eterno Pai. Contudo, gostaria, nesta ocasião, de citar uma declaração extraída de um grande sermão proferido pelo Profeta Joseph pouco antes de sua morte. Esta citação é uma continuação da declaração que já citei do Profeta. Para usar suas palavras exatas: ¶
É o primeiro princípio do Evangelho conhecer com certeza o caráter de Deus, e saber que podemos conversar com ele assim como um homem conversa com outro, e que ele outrora foi um homem como nós; sim, que o próprio Deus, o Pai de todos nós, habitou numa terra, assim como o próprio Jesus Cristo o fez. . . . ¶
Voltarei ao princípio, antes que o mundo existisse, para mostrar que tipo de ser Deus é. Que tipo de ser era Deus no princípio? Abri vossos ouvidos e ouvi, todos vós, confins da terra. . . . ¶
O próprio Deus outrora foi como nós somos agora, e é um homem exaltado, e está sentado entronizado naqueles céus. Esse é o grande segredo. Se o véu fosse hoje rasgado, e o grande Deus que sustenta este mundo em sua órbita, e que sustenta todos os mundos e todas as coisas por seu poder, se tornasse visível — digo, se o vísseis hoje, o veríeis como um homem em forma — como vós mesmos, em toda a pessoa, imagem e a própria forma de um homem; pois Adão foi criado exatamente à feição, imagem e semelhança de Deus, e recebeu instruções dele, e andou, falou e conversou com ele, assim como um homem fala e se comunica com outro. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, pp. 345-346.) ¶
Gostaria de discutir convosco, por um momento ou dois, a doutrina sobre que tipo de ser Deus é no tempo presente. Ele é um homem exaltado, glorificado, celestializado, mas real e literalmente um ser pessoal. Por essa descrição, quero dizer que seu corpo é eterno, sendo composto de matéria espiritual que não pode decair, envelhecer, nem deteriorar-se. Além disso, Eloim, ou o Eterno Pai, é um ser mais brilhante do que o sol do meio-dia. Daquela Divina Personagem irradia luz, luz com a característica de um brilho excessivo. ¶
A Primeira Visão ¶
Creio que, para melhor definir o que tenho em mente, poderíamos, com proveito, referir-nos àquela maravilhosa experiência vivida pelo Profeta Joseph Smith, conhecida como a "Primeira Visão", que foi tão belamente explicada há poucos instantes pelo Presidente George F. Richards. Quando o Profeta Joseph estava profundamente absorto em oração naquela memorável manhã de primavera de 1820, uma coluna de luz, como ele explicou, mais brilhante do que o sol do meio-dia, desceu do céu e caiu sobre ele. No meio daquela luz, Joseph viu dois ". . . Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição", no que diz respeito à sua glória, resplendor e brilho. (Pérola de Grande Valor, Joseph Smith 2:17.) ¶
O Menino-Profeta retornou do Bosque Sagrado naquela manhã com mais conhecimento, sim, com um conceito mais claro em sua mente a respeito da personalidade de Deus e da Trindade do que todos os ministros religiosos do mundo somados. E não seria exagero dizer que seu conhecimento de Deus, recebido por meio daquela manifestação divina, superou o entendimento que, naquele tempo, tinham todas as pessoas do mundo somadas. Sinto profundamente que é um fato que um dos principais propósitos que Deus, o Eterno Pai, e seu Filho Unigênito tiveram ao virem ao Profeta Joseph Smith naquela bela manhã de primavera foi dar novamente ao mundo um verdadeiro conceito da personalidade de Deus. ¶
A Santa Trindade ¶
Jesus Cristo veio ao mundo na meridiana dos tempos para revelar à família humana o Eterno Pai. Pouco antes da morte de Cristo, Filipe lhe pediu que mostrasse o Pai aos Apóstolos. O Filho do Homem respondeu que aqueles que o haviam visto a ele haviam visto o Pai, significando que ele era um protótipo perfeito do Pai e que exemplificava o Pai em todas as coisas. (Ver João 14:8-9.) Ao longo das páginas do Novo Testamento, encontramos uma doutrina bem definida, proclamando a realidade e a existência de três membros na Trindade — três seres pessoais, o Pai, o Filho e o Espírito Santo — que constituem a Santa Trindade. ¶
Durante os primeiros séculos cristãos, após a morte dos Apóstolos de Jesus, as trevas se infiltraram na mente dos líderes cristãos. Esse fato resultou na realização de concílios durante o início do quarto século, com o propósito de redefinir Deus. Naqueles concílios, os "Pais da Igreja" formularam um credo, ou credos, em que tentaram definir a personalidade de Deus e da Trindade. Naqueles credos, as três Divinas Personagens da Trindade foram fundidas em uma só. Seu novo e corrompido conceito de Deus eliminou seus atributos pessoais, fazendo dele um Deus sem corpo, partes nem paixões. De fato, confundiram e poluíram o belo conceito da Santa Trindade que fora revelado a seus seguidores pelo Filho de Deus, tornando o Pai, o Filho e o Espírito Santo incompreensíveis e indefiníveis. Durante os mil e quinhentos anos seguintes, todas as igrejas cristãs foram afetadas pelo pensamento errôneo e obscurecido dos "Pais da Igreja" do quarto século. ¶
A Revelação da Personalidade de Deus ¶
Uma vez que o Profeta Joseph Smith revelou o fato de que o primeiro princípio do evangelho é conhecer com certeza o caráter de Deus, e o mundo estava envolto em trevas espirituais, tornou-se necessário que Eloim, o Eterno Pai, abrisse a Dispensação da Plenitude dos Tempos com uma nova revelação de sua personalidade. Como resultado dessa revelação e da restauração do evangelho em sua plenitude, os santos dos últimos dias aceitam o ponto de vista de que Deus é onipotente, de que é onisciente, e de que é onipresente. Em outras palavras, ele é todo-poderoso e tudo sabe. Cremos que ele sempre age de acordo com a lei natural, e que, por meio de seu entendimento dessas leis e ao colocá-las em operação, criou mundos sem número, isto é, eles não são numerados para o homem mortal. De fato, ele criou esta terra em que vivemos e deu as leis, ou colocou em operação as leis, que a governam. Também colocou em operação as leis que governam todos os mundos que criou. ¶
Cremos que Deus é onisciente: que ele tudo sabe, que vê todas as coisas e que ouve todos os sons. Em outras palavras, que sua visão e sua audição não conhecem limites, e que seu conhecimento é absolutamente ilimitado. Cremos até que é tão grande o poder infinito daquele Ser Divino que ele pode ver as coisas que fazemos à noite em nossos aposentos privados, ou até mesmo ler os pensamentos secretos de nosso coração. ¶
Também cremos que Deus, o Eterno Pai, é onipresente. Ora, com isso quero salientar que, sendo ele um ser pessoal, só pode estar em um lugar de cada vez; e, no entanto, dele emana uma substância ou espírito divino a que chamamos de Espírito de Deus, o Espírito do Senhor, ou o Espírito Santo. Essa substância divina emana de Deus para encher a imensidão do espaço. É por meio desse espírito divino que ele realiza sua grande obra. Também é por meio desse Espírito divino que ele é onipresente. ¶
Atributos Divinos ¶
Este Ser Supremo a quem adoramos possui vários atributos. De fato, todos os bons atributos que vós e eu possuímos, ele os possui em grau infinito. Os atributos do amor, da justiça, da misericórdia, da bondade, da integridade, da honestidade, da caridade, da pureza e da constância estão entre os que lhe pertencem. O autor do Evangelho de João estava explicando e definindo Deus, e resumiu sua grande explicação dizendo que "Deus é amor." Tão profundo, tão grande, tão universal e tão abrangente é o amor de nosso Pai Divino que a definição de João — "Deus é amor" — descreve muito acertadamente o Ser Infinito e Eterno. ¶
Somos informados pelas escrituras sagradas de que Deus é um Deus que não pode pecar; e também de que Deus é um Deus que não pode mentir. Ele vive de acordo com a verdade e a lei eterna; portanto, todo ato que ele realiza está em completa harmonia com a verdade divina e a lei divina. ¶
Os profetas do Livro de Mórmon proclamaram que toda verdade emana de Deus e que ele é o autor de toda verdade. Tendo-se colocado em harmonia com toda a verdade, e por interessar-se por vós e por mim, ele nos revela essas verdades divinas e eternas tão rapidamente quanto estejamos dispostos e aptos a recebê-las; e assim ele é o autor de toda verdade. ¶
Um dos maiores atributos de Deus é o atributo da inteligência. Lemos na Doutrina e Convênios que "A glória de Deus é inteligência." (D&C 93:36.) Na grande visão dada ao Pai Abraão, à qual o Presidente Richards se referiu, o Senhor mostrou ao antigo patriarca os espíritos que havia criado e fez a observação: "eu sou o Senhor teu Deus, eu sou mais inteligente que todos eles." (Abraão 3:19.) Por essas razões, cheguei à conclusão de que a inteligência de Deus é um de seus maiores atributos. ¶
Vós e eu somos intimamente aparentados com Deus. Ele é nosso Pai. Ele é real e literalmente o Pai de todas as pessoas que já existiram neste mundo e que jamais existirão neste mundo. Nascemos para ele no mundo espiritual como seus filhos e filhas. Por sermos seus filhos, herdamos dele os atributos divinos que ele, como nosso Pai, possui. É nosso dever desenvolver esses atributos. Uma vez que somos seus filhos, ele tem grande preocupação por nós e grande amor por nós. Ele deseja que vivamos em harmonia com o plano evangélico de salvação, a fim de que possamos, por fim, voltar a habitar em sua presença. ¶
Testemunho ¶
Em conclusão, gostaria de dar meu testemunho. Sei que Deus vive. Sei que ele é o Pai da família humana. Sei que ele tem profunda preocupação e amor por nós. Sei que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus verdadeiro e vivo, o Salvador do mundo, e que seu nome é o único nome dado pelo qual a salvação pode vir aos filhos dos homens. Sei que Joseph Smith é um verdadeiro profeta de Deus, e o grande profeta que foi pré-ordenado para abrir a última dispensação do evangelho. Se vós e eu vivermos de acordo com os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo, sei que um dia voltaremos à presença de Deus, nosso Eterno Pai, e nos tornaremos seres exaltados, glorificados e celestializados, recebendo uma porção, juntamente com ele, da grande glória que ele possui. ¶
Oro humildemente para que vós e eu façamos isso, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶