Pulpit

As Escrituras dos Últimos Dias e o Nome da Igreja

George Albert Smith

1948 October General Conference·Third Day Afternoon Session·1948-10-03

enjoado. Creio que ele é provavelmente o único dos irmãos que poderia ter passado pelo que passou e voltado relatando tão bem quanto tem relatado.

Estamos nos aproximando do encerramento de uma deliciosa conferência, o fim do terceiro dia, e, ao ficar aqui de pé por apenas alguns momentos, almejo um interesse em vossa fé e vossas orações, para que eu possa dizer algo que seja proveitoso.

Bênçãos da Conferência

Tenho certeza de que, mesmo que nada mais fosse dito, esta grande congregação poderia voltar para casa e dizer, com toda a verdade: "Esperamos no Senhor, e não fomos decepcionados." A influência nesta casa e nas propriedades adjacentes, onde neste momento há pessoas em adoração, é tal que, de todo o coração, sinto-me impelido a expressar minha gratidão ao Senhor por ter ouvido e respondido às orações que foram feitas, e por ter-nos alimentado com o pão da vida.

Esta congregação é formada por membros de muitas partes do mundo. Quando a conferência se encerrar, sem dúvida voltareis para vossos lares. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para vos advertir que, se estiverdes dirigindo pelas estradas, sejais tão cuidadosos quanto possível, e que, se estiverdes caminhando pelas ruas de Salt Lake City, sejais igualmente cuidadosos.

O Senhor tem nos abençoado até aqui, e confio que, ao encerrarmos nossa conferência e voltarmos aos vários campos de nosso trabalho, saibamos que sua mão preservadora esteve sobre nós, e que, ao chegarmos a nossos lares, possamos curvar-nos em ação de graças e gratidão a ele por suas muitas bênçãos.

Compreendeis, meus irmãos e irmãs, que sois apenas um pequeno ponto no grande universo da população deste mundo — tão poucos em número que, por comparação, somos insignificantes? Contudo, não encontrareis, neste dia, em nenhum outro lugar do mundo, uma congregação tão grande quanto esta, a maioria da qual pode testificar que sabe que Deus vive e que Jesus é o Cristo, e que somos seus filhos. Essa é uma maravilhosa bênção quando contemplamos a situação em que muitos países se encontram no momento presente, enquanto aqui estamos em paz; aqui desfrutamos da companhia uns dos outros, diferentes nacionalidades e os descendentes dessas nacionalidades reunindo-se aqui como filhos e filhas do Deus Vivo. Certamente, nada mais em que possamos pensar, em termos de bênção, substituiria a certeza que desfrutamos.

O Dom das Línguas

Tem sido meu privilégio viajar por muitas partes do mundo. Eu também estive na Nova Zelândia, onde o Élder Cowley cumpriu sua primeira missão, e testemunhei o afeto que aquele povo tem por ele. Lembro-me de uma experiência. O Élder Cowley não estivera lá havia vinte anos, e, no entanto, na primeira reunião a que assistimos em seu huitau, ele falou fluentemente ao povo em sua própria língua. Estava presente um irlandês instruído, que era secretário da Princesa Tepueeta. Quando a reunião terminou, ele me levou para um lado e disse:

"Como o senhor explica isto? Esse homem não vem aqui há todos esses anos. Eu estou aqui há três anos tentando aprender esta língua, e ele fica ali falando melhor do que os nativos falam em sua própria língua."

O Senhor de fato nos abençoa, e alegro-me que o Élder Cowley tenha chamado a atenção para o fato de que muitos de nossos missionários precisam adquirir as línguas dos nativos nos países para onde são chamados a trabalhar. O povo nativo prefere ouvir o evangelho em sua própria língua. Espero que não desprezemos nossas oportunidades de nos tornarmos proficientes em falar as línguas dos povos entre os quais realizamos a obra missionária. Espero que demos ao Senhor a oportunidade de nos ajudar a aprender a falar a língua do povo a quem fomos enviados como servos do Deus vivo.

A Bênção da Vida Eterna

Se hoje se retirasse do mundo a filiação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e o Livro de Mórmon e Doutrina e Convênios fossem eliminados, teríamos um mundo sem qualquer esperança de vida eterna no reino celestial. O povo do mundo nem sequer saberia o que isso significa. Não digo isso de modo depreciativo, mas procuro dizê-lo para que apreciemos as bênçãos que o Senhor nos deu. Não só temos a Sagrada Bíblia, aquele grande volume de escritura que o Senhor tem preservado ao longo de todos esses séculos e transmitido de geração em geração, para que seus filhos pudessem conhecê-lo e conhecer seus desejos para conosco, mas também temos estes outros grandes livros. E, no entanto, a maior parte da população deste mundo não conhece hoje o conteúdo da Bíblia. A maioria dos que a leram e estão mais ou menos familiarizados com seu texto não sabe, depois de todos esses anos, como interpretá-la. O Senhor nos deu o poder de interpretá-la. Ele deu ao Profeta Joseph Smith o privilégio de retraduzi-la, se me permitis usar esse termo.

Escrituras dos Últimos Dias

Tenho em minhas mãos o volume americano de escritura chamado Livro de Mórmon, contendo aproximadamente quinhentas páginas traduzidas de placas de ouro. Temos tudo o que o mundo tem, a escritura que veio do velho mundo, mas temos também a escritura do novo mundo, que é o Livro de Mórmon, acrescentado a isso; e, além disso, tenho em minhas mãos outro livro, de aproximadamente trezentas páginas, contendo as revelações de nosso Pai Celestial dadas nestes últimos dias. Temos também a Pérola de Grande Valor, contendo outras informações que o Senhor revelou, incluindo o livro de Abraão, traduzido de papiros encontrados enterrados com múmias nas catacumbas do Egito, e o livro de Moisés, revelado pelo poder de Deus ao Profeta Joseph Smith. Isso também constitui parte da escritura que possuímos. Estas últimas escrituras auxiliam o leitor a compreender a Sagrada Bíblia. Ali está a maior biblioteca a ser encontrada em todo o mundo. Não há nada mais parecido com ela. O que ela contém? Contém o que vosso Pai e o meu julgou suficientemente importante para preservar e dar aos filhos dos homens, e tornar acessível em muitas línguas do mundo. Estas escrituras são todas importantes, e devem ser compreendidas pelos Santos dos Últimos Dias. Não vou vos pedir que levanteis a mão para verificar quantos dos aqui reunidos já leram estes livros, mas desejo chamar vossa atenção para o fato de que estas são verdades preciosas, e contêm a palavra revelada do Senhor, impressa e publicada ao mundo com o propósito de preparar seus filhos para um lugar no reino celestial. É por isso que digo que são tão valiosas. Outros livros contêm cópias, trechos, de alguns destes livros, mas estes são os originais, no que diz respeito ao Senhor, e ele os deu a nós. Quão gratos devemos estar por vivermos numa época em que podemos ler seus conselhos e orientações e ter as coisas explicadas que, de outro modo, poderiam nos parecer obscuras e incertas.

Importância da Palavra Revelada de Deus

Não me preocupa se tendes ou não os livros das grandes bibliotecas do mundo em vosso lar, desde que tenhais estes livros. Pensai nos milhões de volumes que há em nossa própria Biblioteca do Congresso, em Washington, na Biblioteca Britânica, e nas bibliotecas de outros países, milhões de volumes — e, no entanto, tudo o que Deus revelou e publicou aos filhos dos homens, necessário para prepará-los para um lugar no reino celestial, está contido dentro das capas destes livros sagrados. Quantos de nós sabemos o que eles contêm? Frequentemente entro em lares onde vejo todas as revistas mais recentes. Encontro nas estantes os livros anunciados como mais vendidos. Se os jogásseis todos fora e conservásseis apenas estas sagradas escrituras, não perderíeis o que o Senhor fez escrever e disponibilizar para que todos nós desfrutássemos. Assim, irmãos e irmãs, entre nossas outras bênçãos, não esqueçamos que o Senhor tornou possível que tivéssemos, desfrutássemos e compreendêssemos as escrituras, e que tivéssemos sua palavra, dada ao longo dos tempos para a salvação de seus filhos.

Nossos missionários estão hoje espalhados pelo mundo, tentando explicar essas coisas aos sábios e a outros homens do mundo, e há muitos homens sábios que têm acesso a todos estes livros, mas que não creem em Deus, que não sabem que estamos vivendo vidas eternas, mas têm a ideia de que, quando morremos, isso é o fim de tudo. Contudo, na organização comparativamente pequena conhecida como Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, há milhares de homens e mulheres, e algumas crianças, que sabem que somos filhos de nosso Pai Celestial, que estamos aqui e agora vivendo vidas eternas, que o evangelho, o poder de Deus para a salvação de todos os que crerem e obedecerem, está na terra.

Certamente devemos ser gratos por nossas bênçãos. Irmãos e irmãs, mantende esta biblioteca onde possais encontrá-la, e onde vossos filhos a encontrarão, e então tende interesse suficiente na salvação eterna dos meninos e meninas que há em vosso lar, para que encontreis modos e meios de interessá-los no que estes livros contêm, para que saibam quão preciosos são aos olhos de seu Pai Celestial.

Certeza da Vida Eterna

Fomos ensinados, durante esta conferência, entre outras coisas, a importância das orações familiares, de pedir uma bênção sobre os alimentos, da importância e santidade do matrimônio eterno. Fomos ensinados a necessidade e a conveniência de honrar o dia de sábado, guardando-o santo, e assim eu poderia prosseguir pelos conselhos e orientações que o Senhor tem dado. Hoje estamos sentados numa casa que o Senhor nos proveu, para que pudéssemos reunir-nos e considerar todas estas bênçãos sob a influência de seu espírito. Temo, às vezes, que prestemos pouca atenção à seriedade desta vida, e que a tomemos como certa demais, até que seja tarde demais. Lembro-me de estar certo dia num trem com um homem que nascera e fora criado na Igreja. Estávamos voltando da Califórnia, e me apresentei a ele. Enquanto conversávamos, falei-lhe sobre o evangelho de Jesus Cristo. Ele me disse que sua família era membro da Igreja, mas que ele não compreendia nada a respeito dela. E disse, à medida que discutíamos os princípios do evangelho: "Estas coisas me interessam." Conversamos bastante tempo, e, ao terminarmos, aquele bom homem — creio que era um bom homem — disse-me: "Eu daria tudo o que possuo para ter a certeza que o senhor tem da vida eterna." Eu disse: "Meu irmão, o senhor não precisa dar tudo o que possui para ter essa certeza. Tudo o que o senhor precisa fazer é pesquisar as escrituras com espírito de oração. Vá aonde elas possam lhe ser explicadas. Busque a verdade, e a beleza da verdade lhe atrairá, e talvez, sem muito esforço de sua parte, e tenho certeza de que sem doar toda a sua propriedade, o senhor pode saber, como eu sei, que Deus vive, que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith é profeta do Deus vivo, e que estamos vivendo vidas eternas."

Ensino dos Princípios do Evangelho

Não deixeis vossos filhos crescerem sem lhes ensinar os princípios do evangelho de Jesus Cristo. Não espereis enviá-los ao campo missionário para aprenderem o que o evangelho significa. Lembro-me de quando estive no Sul, há cinquenta e cinco ou sessenta anos, um homem que vinha de uma grande família disse: "Não sei o que dizer. Não sei o que dizer a estas pessoas."

"Ora", disse um dos irmãos, "ensina-lhes a Bíblia. Vai buscar tua Bíblia e lê Gênesis." Ele disse: "Não sei onde fica Gênesis na Bíblia", e, no entanto, ele viera de uma comunidade de Santos dos Últimos Dias, e de um lar de Santos dos Últimos Dias, para levar a mensagem de vida e salvação àquelas pessoas no Sul. Contudo, não demorou muito para que sua mente mudasse. Ele recebera um testemunho da verdade por meio do estudo e da oração, e sabia que o evangelho estava ali, e foi capaz de ficar de pé e testificar livremente que o evangelho de Jesus Cristo é a verdade.

Ora, pais e mães, valorizai vossos filhos. Não os entregueis a outra pessoa para instruí-los e educá-los quanto às questões da vida eterna. Esse é vosso privilégio, e é um privilégio. Ensinai-os a orar e a andar em retidão perante o Senhor, e então, em tempo de necessidade, poderão recorrer a ele, e ele responderá às suas orações. Vos surpreenderá a grande felicidade que virá a vosso lar, que até então não tínheis desfrutado, se seguirdes este conselho.

O evangelho de Jesus Cristo é o poder de Deus para a salvação no reino celestial, a todos os que nele crerem e o obedecerem. Há alguns que parecem ter a ideia de que, se creem nele e seus nomes estão nos registros, isso é suficiente, mas isso não é suficiente. Não os deixeis prosseguir nessa cega irreflexão. Alcançai aqueles que estão na Igreja e aqueles que estão fora dela, e buscai, de todas as formas, compartilhar com eles, filhos de nosso Senhor, as bênçãos do evangelho. É isso que se espera que façamos. Livremente recebemos, e livremente devemos dar. Quando voltarmos aos vários lugares onde habitamos, que nossos lares, doravante, sejam santificados pela oração, com gratidão e ação de graças, para que aqueles que ali chegarem possam sentir a influência e o Espírito do Senhor, e estejam preparados para testificar da verdade do evangelho de nosso Senhor.

O Nome da Igreja

Esta é a Igreja de nosso Pai. Ele lhe deu o nome. Ainda hoje, uma boa irmã me entregou um papel, algo que ela mesma preparara. Entre as coisas ali escritas estava seu testemunho do verdadeiro nome desta Igreja, a Igreja de Jesus Cristo. Ela queria saber por que não prestamos atenção ao que o Senhor disse sobre seu nome. Às vezes nos chamamos de mórmons, e não membros da Igreja de Jesus Cristo, e ela queria saber por quê. "Ora", ela diz, "o Senhor deixou tão claro quanto possível como sua Igreja deveria ser chamada. Ele a chamou pelo nome de seu Filho, Jesus Cristo." Em outro lugar, ele disse que, se fosse a igreja de algum outro homem, ela levaria o nome dele, o nome do outro homem. Ela o escreveu à sua própria maneira, ponderada e simples. E assim, irmãos e irmãs, quando sairdes daqui, podereis conviver com várias denominações do mundo, mas lembrai-vos de que há apenas uma Igreja em todo o mundo que, por mandamento divino, leva o nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Tenho certeza de que demonstraremos nossa apreciação por esse grande e maravilhoso nome, respeitando-o, e não nos deixando encontrar chamando a nós mesmos de mórmons, como o mundo nos apelida. O nome mórmon, para muitas pessoas no mundo, significa qualquer coisa, menos o evangelho de Jesus Cristo. De fato, elas não sabem o que ele significa. Eu vos parabenizo, como membros da Igreja, por pertencerdes à Igreja de Jesus Cristo; por viverdes na época em que sua Igreja foi organizada e recebeu seu nome. Se formos fiéis e devotados até o fim de nossas vidas, quando formos para o outro lado, descobriremos que não pertenceremos a alguma outra igreja, como a Igreja de São João, ou de São Pedro, ou de São Paulo, ou mórmon, ou de qualquer dos Apóstolos ou grandes homens que viveram sobre a terra, mas descobriremos que pertencemos à Igreja do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Lembremo-nos disso, e respeitemo-lo, irmãos e irmãs, e não sejamos negligentes quanto a isso.

Oração e Bênção

Agora, em conclusão, rogo que as bênçãos de nosso Pai Celestial estejam em nossas vidas, em nossos corações e em nossos lares, para que cada um de nós possa sair daqui com uma renovada determinação de sermos dignos da grande honra que nos veio, de sermos membros desta grande organização, gratos por todas as nossas bênçãos, e por esta maravilhosa casa em que adoramos, por este grande coro que canta para nós e que tem cantado, por tantos anos, para o mundo, e gratos pelo privilégio de convivermos em nossas alas e ramos da Igreja, sob a influência do espírito do Senhor.

Rogo que o amor pelo evangelho de nosso Senhor arda em nossas almas e enriqueça nossas vidas, que faça com que os maridos sejam mais bondosos para com as esposas, e as esposas mais bondosas para com os maridos, os pais para com os filhos, e os filhos para com os pais, por causa do evangelho de Jesus Cristo, que é um evangelho de amor e bondade. Isso nos fará, se estivermos vivendo como devemos, amar nosso próximo como a nós mesmos, e nos esforçar, se possível, para ajudá-los a compreender melhor o propósito da vida. Estes são alguns de nossos privilégios.

Agora, rogo que as bênçãos do Senhor estejam convosco, e, tanto quanto tenho poder e a autoridade do sacerdócio, eu vos abençoo, meus irmãos e irmãs, para que o poder do Senhor esteja e vá convosco, e que sua paz e seu amor permaneçam convosco, e que vivais de tal modo que sejais dignos dessas bênçãos enquanto viverdes sobre a terra, e faço isso em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoGeorge Albert Smith, “As Escrituras dos Últimos Dias e o Nome da Igreja”, 1948 October General Conference, Third Day Afternoon Session (1948-10-03). Pulpit Vault, 1948-10-george-albert-smith-conference-address-2. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).