Trabalhando com Nossos Filhos
LeGrand Richards
De todo o coração, irmãos, aprecio a oportunidade de estar aqui hoje, banqueteando-me com o alimento espiritual que temos recebido de nossos líderes e colegas. Agradeço ao Senhor que nunca houve, em minha vida, um momento em que uma sombra de dúvida atravessasse minha mente quanto à divindade desta obra e ao chamado divino do Profeta Joseph Smith e daqueles que o sucederam na Presidência desta Igreja. Fiquei emocionado hoje com o testemunho do Presidente Grant, lido para nós pelo Presidente McKay, e fiquei encantado com a mensagem da Primeira Presidência que nos foi entregue esta manhã pelo Presidente Clark. De toda a liderança existente hoje no mundo, certamente não há nenhuma comparável à que temos na Igreja. Quão seguros e protegidos deveríamos nos sentir ao seguir seus preceitos e seu exemplo. ¶
Há alguns dias, recebi uma carta de um homem do Leste com quem mantive certa correspondência — um homem de negócios de destaque, mas não membro de nossa Igreja. Enviei-lhe alguns de nossos escritos. Ele e sua esposa leram o Livro de Mórmon três vezes. Ele acabou de ler as Regras de Fé e escreve uma bela apreciação das verdades ali contidas. Mas gostaria de ler de sua carta o comentário que fez após ter lido a mensagem da Primeira Presidência proferida na conferência de abril. Ele diz: "A mensagem da Primeira Presidência foi lida com intenso interesse. Ela retrata a mente de uma alma profundamente interessada no bem-estar de uma civilização mais elevada, com clara compreensão de 'misericórdia e justiça'." É bom saber que homens pensantes, embora não sejam dos nossos, reconhecem o poder de liderança daqueles que o Senhor colocou para guiar Seu povo nestes dias. ¶
Temos uma grande responsabilidade, nós que estamos aqui hoje. Pois representamos a liderança desta Igreja — as Autoridades Gerais e os que presidem as estacas, as alas e os quóruns do sacerdócio da Igreja. Temos problemas, responsabilidades e oportunidades provavelmente como nunca tivemos antes, particularmente nestas áreas de defesa. Espero que compreendamos que mais será esperado de nós — que nossos braços sejam um pouco mais longos, nosso amor um pouco mais profundo, nossa fé um pouco mais sincera, e que nossa confiança no Senhor e no triunfo final de Sua obra na terra jamais vacile. ¶
Espero que os bispos compreendam que são, de fato, pais do povo, de todos os que vivem dentro dos limites de suas alas, estejam ou não seus nomes nos registros. Muitos vieram de outros lugares e precisam de cuidado e atenção. Espero também que os bispos sintam sua grande responsabilidade como presidentes do Sacerdócio Aarônico em suas alas — que os professores da ala compreendam que sua responsabilidade é maior do que nunca, que as presidências dos quóruns do sacerdócio e todos os encarregados de responsabilidade nesta Igreja respondam a isso como nunca antes. E eu não gostaria de esquecer os setentas, pois sinto, com o Irmão Kirkham, a grande importância da obra missionária, pois o Senhor decretou que o evangelho seja pregado em todo o mundo, como testemunho a todas as nações, a cada criatura. Sinto que há oportunidades adicionais ao nosso alcance hoje, e espero que atendamos a essas responsabilidades de tal maneira que quem quer que venha às nossas comunidades jamais precise ir embora dizendo que não teve a oportunidade de ouvir o evangelho do Senhor Jesus Cristo da parte dos élderes desta Igreja. ¶
Gostaria de deixar mais um pensamento antes de encerrar. Diz-se que quem mora em casa de vidro não deveria atirar pedras. Provavelmente foi porque Paulo nunca teve filhos próprios que ele não teve receio de dizer aos bispos e diáconos que deveriam ser capazes de governar bem suas próprias casas, pois disse ele: "Se um homem não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?" Alguns de nós talvez não tenhamos ousado dizer algo assim, mas creio que, nas condições atuais, deveríamos refletir mais sobre isso, cada um de nós individualmente, do que jamais fizemos. ¶
Ouvimos há poucos minutos o Presidente Clawson ler as palavras de Alma. Sempre me pareceu que aquela grande missão de Alma, o filho, foi resultado da fé e das orações de Alma, seu pai, que suplicou ao Senhor até que Este considerasse por bem chamá-lo de volta do erro de seus caminhos. Pergunto-me se estamos fazendo isso por nossos filhos e filhas. Pergunto-me se estamos realizando reuniões de conselho como maridos e esposas, e pais e mães, para tentar enfrentar as novas condições e tentações que existem em nosso meio. Pergunto-me se conhecemos cada um de nossos filhos suficientemente bem para saber que estão dando sua contribuição para a edificação do reino de Deus na terra. Estão nossos filhos dando o exemplo por causa de nosso poder como líderes e sacerdotes em nossos próprios lares? ¶
Há poucos dias, recebi uma carta de um de nossos rapazes no serviço militar, e louvo o conselho dado nesta conferência de que lhes escrevamos. Ele disse que acabara de ser ordenado élder na Igreja, e agradeceu ao Senhor por isso mais do que por qualquer outra coisa. Enquanto esteve no serviço militar, mudou seu modo de vida a ponto de estar dando o exemplo em sustentar os padrões desta Igreja. ¶
Mas como ele começou no caminho da retidão? Sua avó, numa de nossas estacas, estava preocupada com ele, porque a mãe dele havia falecido. Ela escreveu uma carta e perguntou se escreveríamos a esse rapaz. Finalmente o localizamos, e a primeira carta que recebemos contava como ele estava na Califórnia e ouvira dois missionários falando numa esquina e missionárias cantando; e disse que não teria ido falar com eles por nada neste mundo. Estava com medo. Ele desenhou um diagrama mostrando como desceu até a esquina e voltou, e depois desceu até a esquina de novo e voltou, até que finalmente se viu parado, conversando com os missionários. Em sua carta, perguntou: "O senhor acha que o Senhor teve algo a ver com isso?" No que me diz respeito, penso que as orações daquela avó e as súplicas, provavelmente, de sua mãe já falecida, foram o meio de trazer aquele rapaz de volta ao caminho do dever e da retidão. ¶
Que Deus nos ajude a trabalhar com nossos filhos, a orar com eles, a zelar para que os nossos deem o exemplo na Igreja. Isso fará mais do que toda a pregação que possamos fazer. Que Deus nos ajude a fazê-lo. Oro em nome de Jesus. Amém. ¶