A Verdade Não É Uma Questão de Conveniência
Richard L. Evans
Ao me dirigir a este grupo de pessoas, sinto sempre a necessidade, ao que parece, de invocar o sustento e a direção de meu Pai celestial para o que devo dizer, e assim o faço neste momento. ¶
Penso que seria agradável, em algum momento em que a pressão da vida não fosse tão grande, entregar-me ao luxo de sermões longos e vagarosos. Esse é, porém, um luxo que às vezes é mais apreciado pelo orador do que pela audiência. ¶
Antes de tudo, esta manhã, gostaria de dar as boas-vindas ao seu novo chamado ao irmão Joseph F. Smith. Tenho desfrutado da intimidade de seu lar, e ele do meu. Estive ao seu lado em alguns dos dias críticos de sua vida, sobre os quais ele falou aqui esta manhã. Sei que ele é um homem de fé e coragem, e aguardo com expectativa os anos vindouros de estreita associação com ele nos conselhos da Igreja. ¶
Gostaria de ler uma declaração que encontrei outro dia, publicada pela primeira vez no segundo número do Evening and Morning Star, lá por julho de 1832, se bem me recordo: O mundo antigo foi destruído por rejeitar as revelações de Deus dadas a ele por meio de Noé. Os israelitas foram destruídos no deserto por desprezarem as revelações dadas a eles por meio de Moisés; e Cristo disse que o mundo, nos dias dos apóstolos, seria condenado por não receber a palavra de Deus por meio deles: Vemos, assim, que os julgamentos de Deus nas eras passadas vieram sobre o povo, não tanto por negligenciarem as revelações dadas a seus antepassados, mas por rejeitarem as que lhes foram dadas particularmente a eles mesmos. (Doc. Hist., vol. 1:277) ¶
Desde a Restauração nunca houve, na história deste povo, um período em que a liderança desta Igreja deixasse de dar direção acerca daquelas coisas que afetam vitalmente o bem-estar temporal e espiritual desta Igreja e deste povo; e o presente e o passado imediato não são exceções a essa afirmação geral. Aqueles que não têm visto o rumo apontado por essa direção não o viram, seja por terem sido demasiado indiferentes, seja por terem optado por não vê-lo. ¶
Espero que esse fato fique gravado em nossos corações, e não apenas nos nossos, mas nos corações de todos os nossos jovens, à medida que deixam o abrigo de nossos lares, por necessidade, à medida que se desenraizam de seu solo natal nesta onda de humanidade que aqui e ali transborda, nestes dias, para que sejam levados a saber, conosco, que a verdade não é uma questão de conveniência; que princípios e ideais não são uma questão de geografia ou de ambiente; que existe apenas um único conjunto de regras — que aquilo que não era certo em casa não é certo longe de casa — se não era certo onde estávamos, não é certo em lugar algum. ¶
Que possamos acompanhá-los — a esses nossos jovens — com nossas orações e nossas cartas — com nossos ensinamentos antes de partirem, e com o exemplo de nossas próprias vidas sempre a fortalecê-los, para que possam olhar para nós, para seus lares, para sua Igreja, em busca de força e conforto em momentos críticos. ¶
Quanto a tudo o que foi dito e ainda será dito durante esta conferência, e em todos os tempos, pela liderança desta Igreja, concluo com as palavras do profeta Joseph Smith: Portanto, declaro-vos a advertência que o Senhor ordenou que fosse declarada a esta geração, lembrando-me de que os olhos de meu Criador estão sobre mim, e que a Ele sou responsável por cada palavra que digo, não desejando nada pior a meus semelhantes do que sua salvação eterna. ¶
Que Deus nos ajude a todos a ter força, nos dias vindouros, sejam quais forem as circunstâncias diante de nós, para permanecermos fiéis aos princípios que foram mais caros a nossos pais do que a própria vida. Por mais que sejamos chamados a modificar a superestrutura de nossas vidas, e a mudar os hábitos superficiais de nosso viver, que jamais desloquemos nossos alicerces, peço, em nome Daquele cuja obra é esta, o próprio Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶