Paz Mediante Justiça e Caridade
Richard R. Lyman
O próprio Cristo, essa mais alta autoridade, disse: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus." (Mateus 5:9.) Nada precisa mais o mundo hoje do que pacificadores. E se dos conflitos da batalha que agora se travam com fúria sem precedentes puderem surgir os que possam e queiram planejar uma paz permanente, verdadeiramente todos esses serão filhos de Deus. ¶
Forças Ameaçadoras
Estes não são dias comuns. Vivemos tempos momentosos. Um exame das condições do mundo conturbado de hoje revela que fizemos pouco ou nenhum progresso rumo àquela paz e boa vontade que o Salvador da humanidade ensinou há dezenove séculos. As nações civilizadas da terra estão mobilizando seu poderio humano e seus recursos materiais para a guerra e para a defesa numa escala que o mundo jamais conheceu. Há forças em ação na terra que ameaçam a derrubada da liberdade, da democracia e do nosso modo de vida, senão da própria civilização. A guerra, devastadora, destrutiva e bárbara, açoita o ar, o mar e a terra. Estes são dias de ansiedade para todos nós. Mais de 16 milhões e meio de nossos rapazes entre 21 e 36 anos já se alistaram para o serviço nos Estados Unidos. Repito que, para todos nós, estes são dias de ansiedade. ¶
Duas perguntas importantes se apresentam a quem pondera essa situação. ¶
A Fé, o Único Remédio
A engenhosidade do homem parece impotente para deter os terríveis estragos da guerra moderna. O mundo está em aflição, luta em agonia porque os homens, em seu egoísmo, esqueceram-se de Deus; abandonaram os caminhos da verdade, da misericórdia, da justiça e da retidão. De uma forma ou de outra, o destino da humanidade depende da fé no Criador do mundo. ¶
A religião dos Santos dos Últimos Dias, que é a religião de nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, contém e apresenta as forças que promovem a retidão e a paz na terra. A moralidade tem seu centro na religião. Sem o seu poder salvador, a democracia não pode sobreviver. O egoísmo, a ganância, a ambição e o desejo desenfreado de poder sempre se manifestam, quando desenfreados, em contenda e derramamento de sangue. A menos que essas tendências sejam refreadas e controladas pelo espírito escrito no Sermão da Montanha, a menos que o espírito altruísta do Evangelho de Jesus Cristo encontre lugar no coração dos homens e se manifeste em seu relacionamento uns com os outros, a civilização certamente declinará. A retidão é fundamental para a paz e o progresso do mundo. Como pode esse espírito ser cultivado? O que se pode fazer para trazer ao mundo aquela paz pela qual oramos? Como podemos cultivar e tornar eficaz o espírito do Mestre? Estas são perguntas pertinentes que deveriam ser feitas nestes dias. ¶
buscai, e encontrareis ¶
Submeto à consideração de vocês, boa gente, dois caminhos muito simples, porém fundamentais, que, se seguidos fielmente, ao final ajudarão a trazer paz de espírito e prosperidade última, estabelecendo uma parceria com Aquele para quem nada é impossível. A oração é a primeira aproximação ao Todo-Poderoso. Ele é, sempre foi e para sempre continuará a ser a nossa força e o nosso refúgio. Sabemos que Ele ainda vive e que reina nas alturas. O próprio Cristo disse: ¶
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e ao que bate, se abre. (Mateus 7:7-8.) ¶
A religião dos Santos dos Últimos Dias traz ao mundo a brilhante certeza de que Deus, o Pai Eterno, ainda está em Seu Céu, velando por Seus filhos. Ele tem em Suas mãos o destino dos homens e o destino das nações. A Seu próprio tempo e a Seu próprio modo determinado, Ele fará com que a retidão seja recompensada, que a justiça seja distribuída e que, finalmente, a verdade triunfe. Tenho a firme convicção de que somente por um verdadeiro retorno à religião verdadeira uma paz permanente poderá vir ao mundo. Não há outro caminho. ¶
Apelo para Frequentar as Reuniões Sacramentais
Um dos dois caminhos simples pelos quais os Santos dos Últimos Dias podem entrar em comunhão e parceria com o nosso Pai Celestial é em nossas reuniões sacramentais semanais. Não frequentamos essas reuniões principalmente para obter conhecimento ou para sermos ensinados, mas para adorar, para participar do sacramento, para inclinar a cabeça, fechar os olhos, arrepender-nos de nossos erros, sentir pesar por nossos pecados, pedir perdão e apelar ao nosso Pai Celestial por Sua ajuda e orientação em nossos esforços para vencer nossas fraquezas. Essas reuniões têm o propósito específico de edificar a espiritualidade, aumentar a fé, fortalecer o testemunho, encher a alma de zelo pela verdade, e o coração de amor pelo Redentor do mundo. ¶
Apelo a todos os Santos dos Últimos Dias que venham a esses lugares de adoração e ali, em profunda humildade e com coração contrito, façam do Senhor um amigo confidente, contem-Lhe suas fraquezas, confessem suas falhas e busquem devotamente o perdão, lembrando-se de que um grande, glorioso e reconfortante princípio do Evangelho é o arrependimento e o perdão. A escritura nos diz: ¶
Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. (Isaías 1:18.) ¶
Quando tivermos verdadeiramente nos arrependido, quando tivermos posto em ordem a nossa própria casa, lembremo-nos de que, se pedirmos com "fé como um grão de mostarda", nada será impossível. (Mateus 17:20.) ¶
O Poder da Oração
O outro dos dois caminhos para entrar em comunhão com o nosso Pai Celestial é em torno do altar familiar, na oração diária em família, e ¶
em fazer nossos apelos secretos de oração. Há poder na oração. Roger W. Babson diz que, nestes dias e nestes tempos, alguns de nossos homens de riqueza, alguns de nossos grandes construtores de impérios, ridicularizam a religião, mas ele acrescenta ainda que esses mesmos homens devem tudo o que possuem às orações familiares que antes se faziam diariamente nos lares de seus pais. ¶
O Dr. Alexis Carrel, célebre investigador científico, declarou recentemente (Reader's Digest, março de 1941) que a oração é a forma mais poderosa de energia que o homem pode gerar, que seu efeito sobre a mente e o corpo humanos é detectado com a mesma facilidade e certeza com que se detecta o efeito da secreção das glândulas existentes no organismo humano. Seus resultados podem ser medidos em maior vigor físico, em maior vigor intelectual, em maior firmeza moral e numa compreensão mais profunda das realidades subjacentes às relações humanas. A oração é o início da jornada da alma rumo ao reino da graça. Ela fornece aos seres humanos um fluxo constante de força sustentadora em sua vida diária. A oração, como o rádio, é fonte de energia luminosa e autogeradora. "Quando oramos, unimo-nos à força motriz inesgotável que impulsiona o universo." Podemos orar em qualquer lugar, na rua, no escritório, na loja, na escola, bem como na solidão de um aposento secreto, ou numa igreja. Em conclusão, ele escreve: ¶
Hoje, mais do que nunca, a oração é uma necessidade vital na vida dos homens e das nações. A falta de ênfase no sentido religioso trouxe o mundo à beira da destruição. Nossa fonte mais profunda de poder e aperfeiçoamento foi deixada lamentavelmente subdesenvolvida. A oração, o exercício básico do espírito, precisa ser ativamente praticada em nossa vida privada. A alma negligenciada do homem precisa ser fortalecida o bastante para se reafirmar mais uma vez, pois, se o poder da oração for novamente liberado e usado na vida dos homens e mulheres comuns, se o espírito declarar seus propósitos clara e corajosamente, ainda há esperança de que nossas orações por um mundo melhor sejam atendidas. ¶
As Duas Fontes de Segurança
Meu apelo, portanto, é que nos reunamos regularmente no dia de sábado em nossas várias Alas e ali participemos dignamente do Sacramento da Ceia do Senhor, e que diariamente em nossos lares, em torno de nossos altares familiares, bem como em secreto, apelemos humilde e sinceramente ao nosso Pai Celestial para que aquela paz, pela qual o povo cristão em toda parte suplica, aquela bênção de que todos os homens mais precisam hoje, seja trazida a toda a humanidade pelo poder de Deus. Então nossas vidas e nossos motivos serão purificados, e nossa fé no Todo-Poderoso se fortalecerá. Estando assim estabelecidos na confiança e na comunhão com o nosso Pai Celestial, virá a nós um sentimento de força e de segurança silenciosa e satisfatória, de uma determinação altruísta e do desejo de servir e abençoar aqueles com quem convivemos. Como declarou Paulo: ¶
Lembremo-nos das palavras do Senhor Jesus, como disse: mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. (Atos 20:35.) ¶
Quando o egoísmo da humanidade desaparecer, a paz virá à terra. O caminho para a paz e a felicidade é, então, voltar-se ao Todo-Poderoso, cultivar Seu Espírito, suplicar-Lhe e implorar o perdão de nossos pecados e falhas. Por meio de uma frequência constante às Reuniões Sacramentais, se participarmos do santo Sacramento com mãos limpas e coração puro, renovamos nossos convênios com o Todo-Poderoso, com a certeza de que aqueles que assim o fazem aceitavelmente receberão a mais preciosa bênção concedida ao homem, que é "ter Seu Espírito para estar com eles". ¶
as consequências da guerra ¶
Passemos agora à segunda parte do meu tema. O que virá depois? Quando esta grande guerra terminar, a fadiga e a fome, a amargura e a lembrança dos males infligidos e dos ultrajes sofridos tornarão impossível uma paz boa e duradoura, a menos que, pelo poder divino, aqueles que preparam os termos tenham em seu coração o espírito do Príncipe da Paz e possam proceder como fez Lincoln, "sem malícia para com ninguém, com caridade para com todos". Enquanto o desejo de vingança ou de castigo guiar aqueles que preparam as condições de paz, em vez de um desejo de criar condições de confiança e boa vontade, guerras e rumores de guerras açoitarão a terra. Mesmo em nossa própria e amada terra de liberdade, parece que, nestes tempos difíceis, muitos preferem a satisfação da retaliação ao espírito de perdão e paz com igual consideração por todos os povos. Estes, aparentemente, são incapazes de compreender aquela grande doutrina fundamental de que mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. ¶
Estadistas e economistas de visão concordam que, ao término desta guerra, virá certamente uma depressão muito maior do que as que se seguiram a outras guerras. O mundo será obrigado a lutar com as consequências financeiras, econômicas e sociais dos furiosos conflitos atuais, travados em muitas frentes de batalha. ¶
A duração e a gravidade de uma guerra determinam a duração e a gravidade da depressão que a segue. Quanto maior a destruição, maior a depressão. A fome, a peste, as pragas, as doenças e a pobreza sem dúvida virão, em grau maior ou menor, sobre os povos de todas as nações quando esta luta mortal chegar ao fim. E por essa razão repito o apelo que os líderes da Igreja têm feito desde o princípio, para que todo o povo, tanto quanto possível, saia das dívidas e delas se mantenha afastado. ¶
Paz Mediante Justiça e Caridade
Verdadeiramente, nestes dias, nesta própria hora, a maior necessidade do mundo são pacificadores. E repito: se dos conflitos, das batalhas que agora se travam, puderem surgir aqueles que possam e queiram planejar uma paz duradoura, sem malícia para com ninguém e com justiça e caridade para com todos, estes serão, precisam ser, agora e para sempre, contados entre os mais escolhidos, os mais seletos e os mais ricamente abençoados de todos os filhos de Deus. ¶
Em conclusão, apelo novamente a vocês para que façam estas duas coisas: 1. Frequentem fielmente as Reuniões Sacramentais; 2. Participem regularmente das orações diárias em família e em secreto. Se todos pudermos e quisermos fazer estas duas coisas, se pudermos viver a vida cristã altruísta, o testemunho de que Jesus é o Cristo arderá em nossas almas e caminharemos com confiança entre os nossos semelhantes, disseminando o espírito do Redentor do mundo, que é o espírito de paz e o espírito de boa vontade. ¶